Arena das Almas
2 II - Capital a espera
Notas iniciais
Sam irrompeu pela porta da sala do Edifício da Justiça como se quisesse quebrá-la. Dean esperava pacientemente a chegada do irmão para a despedida, assim como Jo na sala ao lado.
– O que achou que estava fazendo? – Sam berrou para ele.
– Meu trabalho, salvar a sua pele.
– Salvar a minha pele? – ele repetiu, incrédulo. – Como vai fazer isso se eu vou ficar sozinho aqui?
– Melhor sozinho aqui do que sozinho na Arena – Dean rebateu. Será que Sam não entendia que estava fazendo aquilo só por ele? Era só agradecer um pouco e então ele iria para o trem da Capital.
– E a sua pele, não significa nada?
– Claro que significa, por isso vou fazer alguma coisa com ela: matar monstros, o que eu faço de melhor.
Sam suspirou. Queria tanto socar o rosto do irmão quanto abraçá-lo. Dean pôde ver que seus olhos estavam marejados.
– Dean, mesmo para um caçador, os Jogos são pesados. Nós assistimos as outras edições. O último vencedor quase não conseguiu sair da Arena de tão estraçalhado.
– Eu não sou outra pessoa – ele respondeu, convicto. – Olha, cara, você estava pensando em como seria se um de nós fosse sorteado e o pai não estivesse aqui. É o que está acontecendo, então me deixe resolver as coisas dessa vez.
Sam balançou a cabeça. Dean achou que ele ia inventar mais alguma coisa para brigar, mas ele simplesmente o abraçou. O tempo para despedidas estava acabando.
– Eu vou voltar, Sammy – Dean assegurou. – Eu sempre fico bem, lembra?
– Vou arrumar um jeito de te patrocinar lá dentro. Vamos fazer você ganhar.
– Você sabe que não temos dinheiro para isso. Não faça algo de que vai se arrepender.
– Não quer que eu siga seus passos? – Sam revidou, com um pouco de humor.
– Exato. – Dean sorriu. – Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.
O Pacificador abriu a porta para levar Sam dali, dizendo que o tempo estava acabado.
– Boa sorte – ele disse enquanto era puxado.
– Ei, Sam! – Dean não sabia como dizer aquilo em poucos segundos. – Se algo acontecer comigo, prometa que vai continuar lutando.
Mas ele nunca ouviu a resposta, porque a porta se fechou e foi trancada, escondendo o rosto meio desesperado do Winchester mais novo. Dean achou que já podia sair para ir embora, mas outra pessoa adentrou a sala, uma que ele sinceramente não esperava ver.
Ellen estava quase chorando, provavelmente mais uma vez após a conversa com Jo, quando jogou os braços ao redor dele em um abraço apertado.
– Queria vê-lo mais uma vez antes de ir – confessou, afastando-se.
– Está tudo bem, Ellen.
Ele sabia o quanto ela queria ver Jo fora daquele ramo. Era o mesmo que ele pensava em relação a Sam.
– Se eu fosse mais jovem como você, teria me oferecido no lugar dela – Ellen sussurrou.
– Eu sei. Farei o que puder.
Ela entendeu a mensagem. O Pacificador voltou para levá-la. Como não havia mais ninguém para se despedir dele, Dean foi guiado para fora do Edifício até o carro que levaria para o trem. Jo sentou-se ao seu lado, e os dois ficaram ouvindo Yara, a acompanhante, tagarelar sobre o cronograma de eventos.
No trem, encontraram Bobby Singer e Jody Mills já os esperando. Bobby lhe lançou um olhar raivoso, mas não disse nada na frente das duas. O vagão em que estavam tinha uma mesa e balcão cheios de comida, e por um momento Dean se distraiu totalmente por aquilo. Começou a imaginar se teriam torta.
– Tudo bem, vamos começar – disse Jody. Ela havia ganhado os Jogos há muitos anos, e era a mulher mais velha do Distrito 7 a ser vencedora, mas tinha apenas quarenta anos. A deusa Héstia a havia apunhalado com uma estaca abaixo do ombro direito, quase no peito, e até hoje ela carregava as sequelas. – Primeiro, a pergunta: querem ser treinados juntos ou separados?
– Separados – Jo respondeu pelos dois. Não falara nada desde que fora sorteada e mal olhara para Dean, sempre com um olhar determinado e sério. Ele preferiria que fossem treinados juntos após a conversa com Ellen, mas não contestou.
– Certo – Jody assentiu. – Vamos começar depois de amanhã, porque amanhã serão preparados para o desfile de entrada. Hoje à noite veremos as colheitas dos outros distritos. Então, terão as duas semanas no Centro de Treinamento, a apresentação para os Idealizadores e a entrevista.
– Prestem atenção a tudo que nós e os treinadores disserem – completou Bobby, tomando um gole de seu cantil. – Não sei se viram os últimos Jogos Vorazes, mas os Idealizadores estão bem criativos. As duas últimas edições foram um cemitério e uma fábrica abandonada. Eles colocaram criaturas que não eram vistas há anos para lutar.
– Não sabemos o que a Arena será dessa vez, mas os objetos na Cornucópia serão os de sempre: ferro, sal, facas, espadas, adagas, bestas, prata, água benta, crucifixos e pentagramas ou amuletos. E, é claro, um único livro com lendas, feitiços e rituais. Além de poucas mochilas com suprimentos.
Dean e Jo ouviram com atenção o próximo tópico: os Carreiristas.
Chegaram a Capital no começo da noite, junto aos distritos 2, 3 e 6. Uma multidão estava reunida para assistir a chegada dos tributos, aplaudindo e gritando vivas. Dean se assustou com a quantidade de pessoas com plásticas, tatuagens, perucas e roupas gritantes.
Eles foram levados até o prédio onde os tributos dormiriam, no sétimo andar. Antes de deixá-lo, porém, e quando Jo e Jody estavam a uma certa distância, Bobby segurou o braço de Dean.
– Espero que saiba no que está se metendo, garoto. Isso não é só mais uma caçada qualquer.
– Eu sei, Bobby, relaxa. Vou ser provavelmente o único caçador lá dentro além de Jo. Me darei bem.
– Não tenha tanta certeza – Bobby avisou, sem nenhum indício de sorriso. – Quero ver como você vai se virar tendo que fazer a própria comida, sem ser tão simples como mostrar uma identidade falsa com dinheiro falso. Diga-me, quão bom você é em lutar contra humanos e criaturas ao mesmo tempo? Não é um evento para você mostrar suas habilidades de caçador, é para ver quanto tempo demora até que fique louco.
Com mais um gole do cantil e o comentário feliz, Bobby virou as costas e saiu, deixando Dean sozinho para refletir.
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