Arena Mortal
10 Capítulo 9 - Rotina
Notas iniciais
— Não é todo dia que se faz doze anos, meu menino.
Era o que dizia mamãe toda vez que citava meu eminente aniversário. Eu estava tão empolgado, me sentindo tão maduro, tão dono de mim.
A vida ainda era uma merda, eu sabia que nada mudaria, que esses momentos de lucidez e preocupação por parte dela eram raros então simplesmente aproveitava. Deixava de ser o menino que embrulhava a mãe bêbada pra que não morresse no frio de Detroit e me tornava o menino dela.
Acho que no fundo todo garoto quer ser o menino da mamãe, mas somos arrogantes demais querendo ser homens, que perdemos algo que é tão bom.
No dia do meu aniversário, ela acordou cedo, não tinha bebido, seu sorriso era largo e seu perfume bom inebriava a casa. Era o oposto do cheiro que costumava povoar aquele lugar.
Tinha biscoitos na mesa aquela manhã, feitos por ela, com gotas de chocolate. Eu era sortudo por ter biscoitos, algo tão raro e simplório, era um símbolo de felicidade, um símbolo de que ela estava bem.
— Você está tão grande Edward. Está ficando um lindo homenzinho.
Sorri envergonhando, mas orgulhoso. Aceitei o carinho raro.
Havia anos eu havia parado de pedir presentes, pois sabia que ela não tinha dinheiro pra comprar. O dinheiro era pra comida. O mais importante naqueles dias era a presença verdadeira dela.
— Hoje o dia será apenas nosso Edward, vamos aproveitar um pouquinho o clima quente, vamos a um parque vai ser divertido.
Pra mim, qualquer coisa seria perfeita.
— Vou poder comer um cachorro quente?
Ela sorriu pra mim, aquele sorriso que só as mães tem.
— Quantos você quiser querido.
— É o melhor cachorro quente do mundo! – Falei de boa cheia.
— Não mastigue de boca cheia Edward! – Ela me repreendeu. – Um amigo me disse certa vez que o melhor cachorro quente do mundo é o do Brookyn¹.
— Onde fica o Brooklyn mãe?
Eu realmente devia estudar mais como ela sempre dizia.
— Em Nova York querido, um pouco longe de onde moramos. Um dia vamos ter dinheiro suficiente pra ir lá, pra você comer quantos cachorros quentes aguentar, e ver se realmente são melhores que os daqui.
Nunca tivemos a chance de ir ao Brooklyn, nem de ter outros aniversários. Antes que eu completasse treze anos Elizabeth Masen morreu, e com ela todos os sonhos de um menino que se achava um homem.
*****
Acordei me sentindo em paz, senti cheiro de morangos e me lembrei que Isabella estava ali comigo, na minha cama, em meus braços.
Sorri para nosso estado. Estávamos ambos nus, meu braço por cima da sua barriga lisa e branquinha, seu rosto apoiado no meu peito. Seu rosto estava tranquilo, sua respiração suave. Eu ostentava uma ereção, eu a queria de novo, e de novo, e mais uma vez e talvez nunca teria o suficiente dela.
Talvez devesse sequestra-la. Iriamos para o Brasil, que dizem ser lindo mas extremamente fácil de burlar a fiscalização. Talvez se a gente fosse, pudesse viver longe da sombra do nosso passado, pudesse ser feliz, apenas eu e ela. Diabos eu levaria ela pra algum lugar, pra uma cabana onde viveríamos do que plantássemos e seriamos felizes, eu e ela, sempre.
O fato de ter um plano, ou pelo menos a ideia de um me deixou mais confiante, menos alerta, mas propenso a me desligar do mundo e estar com ela, e naquele instante eu tinha fome da minha gatinha.
Acariciei sua pele lisa, sentindo a musculatura da barriga contrair, ainda que ela ainda dormisse. Desci a mão suavemente para a parte dela que eu havia descoberto, há parte que me enlouquecia. Não que ela toda não me enlouquecesse, mas sua boceta molhada e apertada me deixava como louco, sem saber como pensar.
Eu queria seu sabor, seu prazer, seus gemidos, porque a cada gemido dela eu sentia prazer, e hoje, ela não estaria dolorida como na noite anterior, ou assim eu clamava aos céus.
Abri seu sexo lentamente, sentindo seu calor, tirei a coberta que ainda nos cobria, admirando seu esplendor.
Cobri o bico seu seio com a língua, sugando como uma bebê faminto, enquanto acariciava suas dobras lentamente. Ela gemia baixinho enquanto dormia, me deixando ainda mais louco de desejo, sabendo que ela reagia a mim enquanto dormia.
Sua boceta ia ficando cada instante mais úmida, facilitando meu acesso ao seu centro de prazer. Enfiei um dedo, ela arqueou todo o corpo, acordando enquanto gemia e me encarava com os olhos verdes escuros de desejo.
— Bom dia gatinha!
— Oh Deus! – Ela resmungou enquanto rebolava contra meu dedo.
— Deus não amor. Sou eu, Tiger.
Ela bufou.
— Edward. Mais. Mais.
Ela balbuciava, enquanto ia contra meu dedo. Acrescentei mais um recebendo exclamações de prazer.
— Está bom assim amor? Não estou te machucando, estou?
Por um instante fiquei com medo e parei.
— Não ouse parar Edward! Eu quero mais! Droga, eu quero você gatinho, duro e forte dentro de mim! – Seu rosto já corado atingiu um tom a mais de vermelho.
— Caralho! – Xinguei ao comecei a mover meus dedos novamente.
Ataquei seus seios, mordendo, chupando, acariciando, enquanto ela puxava meus cabelos e resmungava incoerente.
— Tão gostosa! Tão apertada amor!
— Tão bom! – Ela resmungou se oferecendo pra mim. Oferecendo aqueles peitos maravilhosos que eu não seria louco de recusar.
Curvei meus dedos dentro dela, fazendo ela engasgar com o ar e gemer ainda mais alto, eu iria gozar, apenas tocando nela, apenas vendo seu corpo.
— Gatinho...
— Deixa ir amor, eu te seguro. – sussurrei baixinho em seu ouvido.
E ela foi, gozando lindamente na minha mão, o corpo todo tenso se liberando, olhos fechados, corpo arqueado em minha direção, seu grito de prazer quase me levou junto. Eu estava absurdamente duro.
Enquanto ela se recuperava beijei as partes que alcançava. Rosto, pescoço, barriga.
Sua respiração estava ofegante, saindo aos poucos, seu corpo corado de prazer, sua boceta molhada de seu gozo, uma pintura, a mais perfeita escultura. Nem Da Vinci seria capaz de recriar com precisão a beleza daquele momento.
— Agora sim. Bom dia gatinho!
Ela abriu os olhos e sorriu pra mim, fazendo meu peito se apertar e acelerar. Beijei de leve seus lábios e acariciei seu rosto.
— Bom dia amor.
Olhar pra ela faria meu dia, mas a vida real não nos deixaria pra sempre naquela bolha de proteção que era aquele pequeno e simples apartamento.
— Edward eu realmente amo estar na cama com você, mas preciso ir ao banheiro, meu corpo tem necessidades fisiológicas sabe.
Eu ri.
— E necessidade de mim?
Seu olhar passou de envergonhando para com fome, fome de mim.
— Não me olha assim baby ou não sairemos da cama pra mais nada!
— Me dê 10 minutos, e venha, quero tomar banho com você hoje.
Liberei-a, ainda envergonhada pegou a blusa que eu havia usado e foi para o pequeno banheiro.
Suspirei pensando em tudo que havia acontecido, tudo que estava pra acontecer. Bella quase morreu, eu quase morri, decidimos ficar juntos, a ameaça de Charlie, o noivado, eu sendo um nada, os amigos, Emmett.
— Vai me deixar esperando por quanto tempo?
Bella voltou do banheiro ainda vestida na minha blusa.
— Desculpe, apenas me perdi em pensamentos.
Ela me olhava profundamente, sabia em tudo que eu pensava. Me conhecia tão malditamente bem!
— Podemos só não pensar em nada agora e irmos tomar banho juntos pela primeira vez? Devo esclarecer que sempre tive muitas fantasias sobre você e eu num banheiro. – Seus dentes brancos mordiam os lábios vermelhos, mexendo com minha imaginação.
E assim, com algumas palavras ela me tinha fora de todas as preocupações, podendo fazer o que quisesse de mim. Perto dela eu ficava mais leve, menos preocupado, mais brincalhão e mais irresponsável.
Adentrei o banheiro tentando tirar a blusa dela, que em meio a risos fingia tentar evitar.
Seus cabelos estavam uma bagunça, mas o que impressionava eram os olhos verdes, brilhantes, risonhos, como eu lembrava de quando erámos crianças e ela corria e ria sem fôlego, quando algo muito bom acontecia e a deixava extasiada.
O mais incrível era que ela olhava assim pra mim, logo eu!
Acariciei de leve sua bochecha, beijei entre seus olhos. Existia um intensidade entre nós, algo que me fazia sentir ligado nela.
— Eu vou parecer um idiota falando isso, mas você consegue sentir?
Seus olhos arregalaram, sua boca formando um “O” perfeito.
— Consigo.
— Graças a Deus! – Exclamei fazendo-a rir.
Cutuquei suas costelas me aproveitando do momento. Ela jogou os braços enlaçando meu pescoço.
— Sempre existiu gatinho, a gente apenas evitava sentir, ou fingia não sentir.
Assenti beijando seu rosto, sentindo seu cheiro misturado com o meu. O homem das cavernas em mim adorou. Mordi sua orelha, suguei o lóbulo e lambi seu pescoço.
Senti seu arfar, e seu corpo responder ao meu. Apertei-a mais em meus braços querendo nos fundir.
— Bella eu te quero de novo, então baby diga-me se estiver dolorida porque caralho eu preciso me afastar agora.
— Não ouse! Tenho fantasias em um banheiro que quero realizar!
Ela arrancou a camiseta ficando totalmente nua, mostrando o lindo corpo pra mim. O corpo que me foi entregue pela primeira vez, que eu adorei com minhas mãos que queria saborear com minha língua. E que eu iria adorar novamente agora.
— Você é tão gostosa gatinha! Pare, não se mexe, deixa meu cérebro gravar essa imagem. Quando eu morrer eu vou estar pensando em você assim, nua pra mim.
Ela riu e deu um tapa eu meu peito.
— Daqui muitos e muitos anos.
— Sim amor, daqui muitos e muitos anos, afinal tenho algumas fantasias pra realizar.
Nos guiei para o pequeno box, liguei o chuveiro e antes de começar a brincar cuidei da minha menina.
Derramei sabonete na esponja e lavei com cuidado, esfregando todas as partes do seu corpo, os seios tesos, as pernas torneadas, a barriga reta, lavei as costas enquanto massageava de leve. Seus resmungos de aprovação alegraram meu coração. Tentei lavar seus cabelos, mas foi uma ideia que não deu muito certo.
— Desculpa Bella eu só estava tentando...
— Shiii amor, tudo bem, é só shampoo. – Ela ria enquanto lavava os olhos onde eu havia deixado cair shampoo, e provavelmente ardiam.
— Eu sou péssimo. – Ri envergonhado.
— Não. Você é ótimo! Não consigo lembrar a última vez que alguém cuidou assim de mim.
— Sempre vou querer cuidar de você. – Beijei seus lábios de leve, me apossando dos seios que me chamavam desde o momento em que comecei a banhá-la.
Acariciei, apertando de leve. Os olhos antes tão verdes estavam escuros. Massageei, e lambi. O gemido baixo me fez grunhir em resposta.
Suguei seu mamilo, e mordi. Seu corpo estava escorregadio, seus gemidos enlouquecedores. Diabos, eu poderia gozar só chupando seu peito.
Queria sentir seu gosta na minha língua, sentir sua boceta apertar minha língua e ela gozar na minha boca, quase me ajoelhei novamente, mas não consegui, precisava sentir o corpo dela junto ao meu e seus músculos internos apertarem meu pau.
— Minha! – Rosnei levantando-a em meus braços de encontro a parede do banheiro.
Tomei seus lábios nos meus, tomando posse de sua boca. Sua mão quente alcançou meu membro. Me masturbando. Enlouqueci.
Tirei sua mão do meu pau e guiei até sua entrada úmida e quente, coloquei só a pontinha.
— Tão quente e apertada!
Grudei meus lábios em seu pescoço, chupando e lambendo, me aproveitando ao máximo daquilo que ela me oferecia de tão bom grado.
— E isso é bom? – Ri sentindo um tremor no meu membro.
— Isso é mais que bom Bella.
Com uma estocada acabei de entrar na boceta molhada. Ambos gememos.
Meus braços sustentavam seu peso, a água caia livre pelo nosso corpo, o box gelado em que a apoiava contrastava com nosso corpo quente. Era uma mistura excitante e enlouquecedora.
Meus movimentos eram lentos e fortes, eu não tinha pressa ali, queria degustar do momento, mas sabia que não demoraria pra gozar.
Olhei em seus olhos, que ao contrário de mais cedo estavam claro, revelando toda a beleza e vulnerabilidade do momento.
Sexo antes de tudo era confiança, era se permitir ter uma conexão carnal, e agora eu tinha uma conexão extra-sensorial devido ao amor que sentíamos.
— Você é tão linda amor.
Suas mãos acariciavam meus cabelos, seu corpo apertava o meu.
— Mais rápido. – Ela gemeu o pedido.
Obedeci seu pedido, aumentando a velocidade das estocadas, sentindo sua boceta apertar cada vez mais meu membro. Beijei a com loucura enquanto metia rápido e forte, os choques na minha coluna avisando o orgasmo poderosos que estava por vir. Mas ela não me acompanhava, seu prazer ainda estava longe.
— Se toque. – Pedi tentando ir antes dela. Diminui o ritmo.
— Rápido! – Ela ofegou me mordendo em reprimenda. – Não com você olhando Edward.
A coloração avermelhada em suas bochechas a deixava ainda mais saborosa.
— Vamos baby, se toque como fazia no banheiro sozinha pensando em mim.
Seus olhos aumentaram um pouco mais, mas ela obedeceu.
Suas mãos saíram do meu corpo, e foram para o seu. Cobriram os peitos maravilhosos, apertando os lugares que eu queria acariciar. Uma mão ficou brincando com os mamilos rosados, a outra desceu para o clitóris inchado.
Acho que nunca havia visto cena mais sensual na minha vida. Assim que começou a carícia em seu botão, ela jogou a cabeça pra trás e gemeu. Sua boceta até então apertada me esmagou dentro de si, e eu não pude mais resistir ao prazer, gozando longamente dentro dela.
Assim que voltei a mim, com o resto de força que tinha, tomei o lugar de sua mão, brincado com o clitóris e chupando todo lugar que encontrava. Logo ela veio, gritando seu prazer pra todos os vizinhos ouvirem.
Eu não me importava, queria que o mundo soubesse que ela tinha gozado pra mim, que eu tinha feito aqui com ela.
Desci a cuidadosamente pra suas pernas. Segurando-a enquanto ainda a sentia tremer.
— Fantasia realizada madame?
Perguntei sorrindo.
— Deixa eu pensar. – Ela me olhou com cara pensativa.
E se eu tivesse machucado ela? E se tivesse sido demais e ela gostasse de sexo mais calmo como o de ontem?
— Acho que, sim, fantasia realizada com êxito e com vontade replay.
Olhei pra ela embasbacado. Cutuquei suas costelas em repreensão. Ela havia me deixado apreensivo, e queria mais.
Ela riu se esquivando de mim. Saímos do banho mais demorado que já tive, e rimos em meio a brincadeiras.
Nos vestimos calmamente e fomos comer, em meio a brincadeiras, lembranças boas e planos pra um futuro incerto, e que tinha a grande probabilidade de não acontecer.
Retardei o máximo que puder, mas até o eu que era desleixado ao lado dela sabia que estávamos brincando com a sorte ao nos demorarmos tanto.
— Bella, precisamos ir.
Ela assentiu concordando.
Era triste, mas a gente precisava sair da bolha de felicidade que nos rodeava.
— Não queria ir.
— Nem eu. – Admiti enquanto acariciava seu rosto.
A olhei admirando e decorando seus traços.
Eu a tinha evitado por tantos anos, tinha reprimido meus sentimentos, mas depois que eu a tive completamente não conseguiria resistir. Nem que eu quisesse, e eu não queria.
A sensação de plenitude e de estar completo era similar ao que eu sentia quando Elizabeth ainda era viva.
De mãos dadas, pegamos nossos pertences. Antes de ultrapassar a última barreira da realidade, a tomei em um beijo desesperado. Encostei-a contra a porta, e tomei seus lábios nos meus. Ela correspondeu com a mesma necessidade. Não era um duelo nem uma despedida, era mais como uma demarcação.
Quando me faltou o ar me separei dela com suaves beijos nos lábios avermelhados.
— Não podemos chegar na mansão juntos, levantaria muitas suspeitas.
Ela assentiu, mas não conseguíamos nos afastar. Lutando contra a vontade do meu corpo me afastei.
Sorri pra ela com uma confiança que eu não sentia e abri a porta para a vida real.
Não peguei sua mão no trajeto até o carro, mas assim que adentrei o veículo fechado, grudei sua mão na minha. Dirigi com uma mão apenas, mesmo que corresse o risco de um acidente, tudo porque era um maldito egoísta que não conseguia ficar longe dela.
Chegamos na casa de Rosalie onde a deixaria, e a loira a levaria em casa mais tarde.
— Bella...
Tinha um nó na minha garganta. Um medo de acordar e tudo não ter passado de um sonho. Medo dela ver por trás de tudo que eu era e perceber que eu não era o bastante.
A vontade de fugir com ela, trancá-la num lugar só pra mim veio com tudo, mas assim que veio se foi.
Briguei com o nó que existia e me obriguei a falar.
— Eu te amo baby, em breve tudo se ajeita.
Soo falso até mesmo para meus ouvidos, era muitos os empecilhos para serem vencidos tão facilmente. Ainda sim ela sorriu.
— Muito em breve. – Sua confiança plena em mim me assustava porque com ela eu não podia falhar.
Com um selinho rápido ela desceu do carro, adentrou a casa e não olhou pra trás.
Dias se passaram, numa rotina que se tornou uma tortura.
Pela manhã chegava na casa dos Swan, tomava café da manhã, olhando-a de esguelha, então seguia o carro de Emmett de longe, finginfo ir fazer o que diabos quer que Charlie mandasse.
Não houve carregamento de drogas, não houve entrega de armas, não houve lutas, não houve beijos ardentes, cheiro de morangos e fazer amor até perder os sentidos.
Mais de uma semana depois de ter algum contato direto e sozinho com Bella, já não estava mais dando pra disfarçar.
A troca de olhares estava intensa na mesa do café da manhã. Eu a segui com o olhar por todo canto.
— Droga Tiger você parece um cachorro que foi chutado pelo dono olhando pra ela assim. Vocês podiam ao menos tentar disfarçar.
Pulei sobressaltado com a Alice. Olhei em seus olhos.
— É tão evidente assim? – Questionei pesaroso.
—Muito evidente. Até um cego perceberia. – Ela sorriu pra mim. –Se quer saber, ela também te olha do mesmo jeito.
Esfreguei os olhos cansado.
— Não era pra ser assim! – Resmunguei. – Era pra sermos discretos. Acha que alguém percebeu?
— Sue.
Isso era pior ainda.
— Você acha que...
— Que ela falaria algo? Não, não acho. Ela está feliz. Depois do Trevor você sabe como ela te via. Ela odeia o que se tornou, odeia o que aconteceu com Bella também.
— Odeia tudo que você teve que passar também. – Retruquei vendo seu corpo enrijecer.
— Ela não falará nada. Mas vocês precisam se conter.
Seu tom de voz era duro, mas era o certo. Eu entendi o que ela queria dizer com isso, se Sue percebeu, qualquer um poderia perceber.
— Isso não vai mais se repetir.
Lutando contra a vontade de vê-la, sai da mansão. Segui pra Arena, lugar que antes me era tão familiar, mas que naquele dia me era estranho.
Coloquei a luvas, e soquei o saco de areia. Acertei ele com força. Com a direita, a esquerda, até sentir os braços pesados, sentir o ar faltando. Sentei no chão, tomando água, joguei um pouco no rosto tentando clarear meus pensamentos, mas minha mente pregava-me peças, trazendo a tona lábios vermelhos, olhos verdes e pernas torneadas.
O motivo do meu tormento adentrou a arena, sentou perto de mim. Perto demais. Continuei olhando pro chão.
— Você saiu sem que eu te visse.
— Nós não estamos disfarçando bem.
— Sue comentou. – Ela lamuriou baixinho.
— É melhor evitar te ver dentro da mansão, e quando nos vermos tentar não nos encarar.
— Sinto saudades.
— Eu também gatinha, mas aqui não é lugar pra gente se ver. É perigoso.
Apreensão me tomou ao notar que ela estava na arena, um lugar onde o pior tipo de gente ia, correndo perigo, perigo de ser vista comigo. Levantei bruscamente.
— Você tem que ir agora!
Talvez meu tom tenha sido mais rude do que eu queria. Mas diabos!
— Eu entendi Edward! Estou indo.
Ela se virou e saiu. Metade de mim era alívio, a outra metade medo.
— Droga Bella!
Antes dela sumir segurei seu braço.
— É perigoso. Olha onde estamos. Qualquer um pode vir aqui! Você não entende o caralho do mundo em que estou envolvido, tudo que já fiz.
Balancei a cabeça.
— Pode acreditar, eu tenho ideia sim.
— Ter ideia não é o mesmo que saber Bella! A gente não pode arriscar assim, não posso te arriscar.
Ela assentiu.
— Rose nos chamou pra jantar lá hoje, os pais dela não vão estar, então somos só nós, ela e Emmett.
— Eu vou.
Seu olhar brilhou pela primeira vez desde que ela havia chegado. Puxei-a pros meus braços. Beijei a com ardor. Sentindo seu gosto pela primeira vez em dias.
— Senti falta disso. – Sussurrei contra seus lábios.
— Eu também.
Soltei a logo. Olhando aos arredores e não vendo ninguém.
— Hoje à noite, passa a noite comigo?
Pedi envergonhado. Nunca havia feito aquilo.
— Mal posso esperar pela noite de hoje.
Ela me roubou um selinho e saiu, da mesma forma abrupta que chegou. Me deixei cair no chão, desesperado tentando encontrar uma saída pra nós. Mas tudo demandava tempo, ou era difícil demais, e nós não conseguíamos mais esperar.
Todo noite com ela, era como se fosse a primeira vez, naquele pequeno espaço era tão tranquilo.
O clima sempre era leve, regado a brincadeiras, e um sexo fenomenal. Cada dia que passava ela se tornava mais voraz na cama.
O tempo que juntos nos levava a conhecer um a outro, gostos, manias, defeitos mas nos reduzia a quatro paredes.
Nem tudo eram flores. Eu ainda era capanga do pai dela, ainda traficava, cuidava de armas, ainda lutava na arena.
Ainda buscava informações sobre Emmett, informações que ninguém parecia. O cara havia saído do nada, para o nada. Sem sinal de fumaça sobre quem era ou que foi antes de se tornar o segurança do noivo da minha namorada. O que tornava tudo ainda mais suspeito.
Nosso contato era breve, mas cordial. Existia uma camaradagem forçada.
Naquele dia eu o segui não pra saber de Bella, que ia pra faculdade e depois pra Rose, eu o segui querendo entender seu papel naquilo tudo.
Eu sabia que estava perdendo algo, e odiava isso.
Enquanto o seguia meu celular tocou. Era um número desconhecido.
— Tiger. – Disse contra o fone.
— Diabos, Bella anda dormindo de calça jeans, porque pra estar tão mal humorado assim, só pode ser falta de sexo.
Sorri mesmo sem querer. Rosalie era uma figura, divertida, alegre, protetora e totalmente desavergonhada. Ela amava fazer piadinhas sexuais.
— Nosso sexo vai muito bem obrigada Rosalia. – Ri da resposta azeda de Bella.
Elas me faziam rir, pareciam duas irmãs, uma implicando com a outra.
A distração me fez perder Emmett de vista. Xinguei baixinho.
Encostei o carro. Massageando a nuca.
— Rose, no que posso te ajudar.
— Um jantar aqui em casa hoje. Seremos apenas nós, boa cerveja e se tudo der certo muito sexo.
— Eu não vou fazer sexo com você! – Retruquei apressado.
— Isso é uma pena pra você, porque eu sou muito boa de cama! Ai Bella!
Eu devia estar irritado por ter perdido Emmett, mas não conseguia, elas me divertiam, e isso mostrava o quanto o Tiger havia mudado no último mês.
— Sem sexo entre a gente Rose, mesmo que você seja muito boa de cama!
— Eu totalmente sou. Então, você vem?
— Bella?
— Quero que você venha.
E isso seria o mais próximo de encontro normal que eu poderia dar a ela. E Deus sabe que se ela me pedisse o mundo eu daria.
— Me aguardem à noite.
Não esperei resposta e desliguei. Segui meu caminho até a mansão Swan, faria todo o serviço que precisasse agora para estar livre à noite pra minha garota.
Fiz tudo que tinha de fazer, ainda sim, não terminei cedo como gostaria. Bella havia mandado apenas uma mensagem, em compensação Rosalie mandara várias.
Rosalie era uma força da natureza, e só fazia aquilo que queria. Eu a admirava, ela tinha beleza, graça e força. E amava Bella de todo coração. Por isso eu seria eternamente grato.
Um carregamento de drogas iria chegar nos próximos dias. A tensão de sempre vinha com o peso disso. Peso sobre quantos eu seria culpado de matar, seja pela violência gerada através do tráfico, seja através do uso.
Eu odiava aquilo. Me odiava por fazer aquilo. Só então eu percebi o peso do que fazia recair sobre meus ombros.
Cheguei na enorme casa cansado e frustrado. Mas me obriguei a descer do carro e tocar a campainha.
Bella atendeu se jogando em meus braços sem que eu esperasse. Enlacei sua cintura e afundei meu rosto em seu pescoço, sentindo cheiro de morangos. Cheiro de paz.
— Achei que não viria mais.
Ela estava embriagada. Levantei a cabeça, notei seus olhos enevoados e sorri. Ela estava engraçada.
— Não perderia essa noite por nada gatinha.
Seu sorriso alargou e ela me beijou, tomando minha boca, meu ar, tudo de mim. Sua língua sugava a minha, dominando o beijo, gemendo baixinho a cada vez que a apertava mais junto de mim. Suas mão puxaram meus cabelos. Empurrei-a contra a parede, me esfregando descaradamente nela.
— Vocês dois procurem um quarto!
A voz grossa de Emmett me sobressaltou. Olhei pra Bella, e quase voltei pra ela, mas foi Rosalie quem me fez voltar a realidade.
— Mexam essas bundas gostosas e entrem logo.
Entrar. A palavra gelou minha alma. Estávamos do lado de fora da casa. Onde qualquer um podia ver.
Me afastei e entrei rapidamente levando Bella comigo.
— Graças a Deus você chegou, não aguentava mais esses dois falando de...como é mesmo o nome?
— Greys Anatomy Rose. E você ia amar se assistisse.
Bella terminou de falar levando a garrada de cerveja ao lábios, uma cena por si só sexy. A gota de cerveja escorrendo pelo pescoço quase me leva loucura.
— Ele tem cara de Game of thrones. – Pontuou Rose, beliscando um petisco.
— Na verdade, ele tem cara de Gossip Girl.
Emmett falou entrando na brincadeira.
— Só pra deixar claro, eu prefiro Prision Breake.
Falei pegando a cerveja de Bella e bebendo.
O clima ficou leve, as meninas alegres. E Emmett e eu, é como se nos tornássemos amigos. Eu nunca tinha tido um amigo antes, não assim, com a leveza em que nos encontrávamos.
Bella sentou no meu colo após um tempo de discussão sobre seriados, passei o braço em sua volta e acariciei sua barriga desnuda.
— Obrigada por me convidar. – Sussurrei baixinho em seu ouvido.
— Estou muito feliz que tenha vindo. É quase como se fosse normal.
Beijei sua bochecha, e me inteirei da conversa novamente.
Eu entendi o que ela quis dizer com o normal. Infelizmente o normal da nossa vida não era aquele mar de tranquilidade, nossa vida era um caos, povoado por medo e incerteza.
Mas era esplêndido colocar tudo de lado e só aproveitar o momento.
Momentos como aqueles se tornaram rotineiros em nossas vidas, era uma pausa no inferno para aproveitar cinco minutos no paraíso.
Os laços foram se estreitando, logo era comum ter Rosalie me mandando mensagem reclamando de algum seriado, ou Emmett me atualizando sobre a NBA.
Além de Bella, Alice e Hannah, passei a considerar Rosalie e Emmett sem me atentar. Eles se tornaram a família que meu coração escolheu. Percebi que no vai e vem da vida, era por eles que valia a pena viver e sofrer, caso fosse preciso.
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