Arena Mortal
4 Capítulo 3 - Primeira Vez
Notas iniciais
— Garoto, venha até aqui. – Charlie me chamou. Eu estava sentado no chão, aproveitando a sombra de uma árvore na casa dos Swan.
Hesitante eu fui. Olhei em seus olhos. Apenas com 13 anos eu já sabia que não devia demonstrar medo, por mais que o sentisse, então mantive seu olhar, era questão de sobrevivência.
Charlie Swan era o oposto de sua esposa, doce e amável. Ele era perigoso, era mau.
— Eu e Liam queremos que faça algo pra nós. Uma coisa simples, mas que pode lhe render uma grana. – Seus olhos chocolates me fitavam com interesse.
Eu já sabia que o dinheiro era necessário, que eu não tinha ninguém por mim. Sabia que nada era simples, nada vinha fácil, que nada era de graça. E eu sabia que não podia dizer não. Senti a ameaça em seu olhar, assim como o aperto de sua mão em meu ombro.
Não havia escolhas.
— Sim senhor. – O sim foi amargo em minha boca. Esse sim era um caminho sem volta, eu sabia. Sabia que dali em diante tudo mudaria, que nada seria como antes, e temia o quão difícil aquilo poderia se tornar.
Após toda uma preparação por parte dele, segui com uma caixa de isopor cheia de chocolates. Eu apenas tinha que as levar até um ponto da cidade, onde um homem compraria todos, por dois mil dólares.
Tinha algo de muito errado, eu não sabia muito, mas dois mil dólares era muito dinheiro.
Meu coração estava acelerado, suor frio escorria pelas minhas costas.
Cheguei no ponto marcado e aguardei.
— Ei menino, quanto é o chocolate? – Uma moça loira perguntou.
Me mantive calado, ela ainda esperou alguns segundos pela resposta, por fim desistiu.
O sol estava quente aquele dia, queimava minha pele, mas aguardei.
Eu só podia entregar os chocolates pra um homem de nome Caius. Ele era loiro e tinha olhos azuis. Era a descrição que me foi passada. Nada mais.
Cansado de ficar em pé, sentei perto da caixa e esperei.
O senhor Swan apareceu de repente. Nervoso. Olhei pra caixa. Ela não estava ali.
— Onde está a caixa garoto? – Ele perguntou rudemente.
Sacudi a cabeça negando, ele me segurou pela blusa me chacoalhando, meus dentes bateram e cortaram minha língua, senti o gosto de sangue na boca e terror percorrendo todos os meus sentidos. Eu congelei.
— Vamos sair logo daqui. – Liam apareceu atrás de Charlie. Seu olhar também me fulminava.
Fui jogado dentro do carro. Queria me encolher, mas eu precisava ser forte. Eu não podia recuar, não de novo. Eu tinha que sobreviver, e fracos não sobreviviam, não nesse mundo, o meu mundo.
A lembrança da morte de Elizabeth me atingiu com força. Os barulhos na sala. Os gritos dela. Vozes de homens. Mais de um. O medo me congelou e então ela morreu. Porque eu fui fraco.
Eu nunca mais seria fraco. Eu nunca mais deixaria o medo me tomar. Não de novo.
Me sentei ereto e aguardei o que o destino me reservava. De cabeça erguida, olhos nos olhos.
Adentramos um local fechado, que fedia a mofo e poeira.
Me tiraram do carro de forma brusca, cai desajeito no chão, mas me levantei. Encarei aqueles homens. Maiores, mais fortes, mais perigosos.
— Você é valente garoto tenho que admitir, mas é um idiota! Deixou o imbecil do Caius levar toda à droga que estava naquela caixa, e sem me pagar. – Charlie rugia. – Ele me ligou garoto, rindo, me fazendo de palhaço e me devendo dois mil dólares!
Dois homens se aproximaram pelas minhas costas, notei pela visão periférica. Um arrepio de medo e antecipação passou por todo meu corpo.
— Hoje te ensinaremos uma lição Edward, que você nunca mais deve esquecer. – O sorriso sombrio de Liam me apavorou. – Não se pode cometer erros e sair sem punição.
Os dois homens me seguraram e então Charlie atacou.
Socos, e depois chutes. Meu corpo doía. Minha boca estava cortada. Meu nariz sangrava. Eu estava no chão, caído, sem forças pra levantar. Eu odiei estar naquela posição, de novo. Mas não gritei, não chorei.
Ele já tinha parado de bater, e os capangas haviam me soltado. Um deles se aproximou pra me ajudar a levantar, o empurrei de forma fraca.
Eu faria aquilo sozinho. Levantei cambaleante. Sentindo dor. Mas me mantive de pé. Encarei aqueles homens com altivez.
— Eu te admiro garoto. Muitos homens em seu lugar teriam implorado misericórdia, mas você, você mal emitiu qualquer som, não desistiu, não implorou. Só precisa aprender algumas lições garoto, e então será perfeito para o que tenho em mente.
Essa foi a primeira vez que trabalhei pra Charlie Swan, e a primeira das muitas lições que ele me ensinou.
Seguimos de volta pra mansão Swan, a ira dos dois homens ainda existia, mas eu os surpreendi o que os abrandou um pouco.
Eles jamais me ouviriam implorar, ou gritar. A dor era algo com o qual eu já estava acostumado. À dor da perda, à dor da fome, do frio, das pancadas.
Ao chegar, adentrei pelas portas dos fundos como ordenado por ele. Meu quarto ficava ali perto. Queria passar despercebido. Abri a porta e fiquei estático.
A senhora Swan e a menina Isabella estavam na cozinha, comendo bolo de chocolate. As duas arregalaram os olhos ao me ver. A garotinha com medo, a mãe aos prantos.
— Bella, termine de comer no seu quarto. Agorinha eu subo pra ficar com você. – A senhora Swan pediu à menina, mas seus olhos não saiam de mim.
— Por favor Bella! – Sua voz soou um pouco mais alta. A menina obedeceu e saiu, eu continuei lá, parado, apenas olhando.
Ela se aproximou devagar, como se eu fosse um animal ferido. Estendeu sua mão.
— Venha Edward, vamos te limpar. – Ela esperou meu tempo, até que eu tomasse sua mão e a seguisse.
Cuidado de mãe. Era assim que chamavam. Ela aguardou enquanto eu tomava banho. Limpou meus machucados, enfaixou outros. Lágrimas escorriam por seus olhos.
— Ele é um monstro, eu sei. – Ela fungou. – Olha o que fizeram com você!
O pranto a tomou. Lágrimas e soluços enquanto ela me olhava. Não havia pena, apenas compaixão e carinho.
Eu a abracei. Odiava que mulheres chorassem, ainda mais mulheres boas com a senhora Swan.
— Não se se preocupe senhora. Eu sou forte.
Seu choro aumentou e ela me apertou em seus braços.
Após longos minutos ela parou de chorar, mas continuou abraçada à mim, afagando meus cabelos.
— Seus cabelos, seu jeito, tudo em você me lembra um tigre criança. Um pequeno é lindo tigre.
***
Minhas costelas estavam doendo. O filho da puta do Emmet tinha muita força no chute, e eu ainda não havia engolido aquela história dele me deixar ganhar. A bile subia em minha garganta só de lembrar. Eu tinha de descobrir mais sobre ele.
Eu mal tinha dormido, minha mente rondando Isabella e suas últimas palavras. A pequena morena me fazia questionar tudo. Tudo que eu era, tudo em que eu acreditava.
Por que eu era o Tiger?
Eu não sabia a resposta, ou sabia, mas não queria enfrenta lá. Era o que eu era e fim. Não tinha motivos de questionar as coisas. Eu estava satisfeito em ser o Tiger. Ou tão satisfeito quanto poderia estar com as opções que tinha.
Ignorando os protestos do meu corpo me levantei, retirei as bandagens, lutando contra minha mente traiçoeira que lembrava Dela as colocando ali. Sua mão quente tocando meu corpo, meu rosto. A falta de temor, a coragem. Isabella além de linda era extremamente corajosa e valente.
Seu cheiro, seu toque, sua voz, tudo nela era extremamente atrativo, como uma droga feita pra me tentar.
Eu não podia ir por essa linha. Tinha que controlar meus pensamentos. Não podia me deixar levar por ela, ou cairia. E eu não podia cair.
No banho meu rosto ardia em dois lugares, mas me mantive por um longo tempo embaixo da água quente, tentando apagar do meu corpo seu toque, da minha mente seus olhos, seu corpo, tentando apagar tudo que ela era e que eu não podia ter.
Ignorei o espelho. Não queria me ver. Não queria saber o que ela enxergava ali. As costelas estavam roxas, mas não achava que tivesse quebrado. Doía, mas eu suportaria bem, a dor era uma velha conhecida.
Tomei cuidado com os movimentos evitando piorar os machucados sabendo que talvez lutaria aquela noite.
Refiz as bandagens das costelas do melhor jeito que pude, mas não chegava aos pés do serviço dela. Ela era metódica e suas pequenas mãos eram firmes, mãos macias que eu queria em todo o meu corpo.
Sai do apartamento fugindo dos meus pensamento, caminhei até um pequeno café que tinha ali perto, não queria cozinhar, não queria reviver ela ali, na minha sala, cuidando de mim.
Tão perto, mas tão longe.
Café e panquecas foi o pedido pra garçonete que não parava de me olhar. Era jovem e bonita, mas faltava nela a graça e leveza de Isabella, seu olhar determinado e sua bondade. A menina não era Isabella, ninguém nunca seria.
Ignorei a menina, ela não merecia ser estepe de um cara já detonado como eu. Merecia flores, chocolates, um emprego estável, alguém que a fizesse sorrir e a levasse no parque para piqueniques, nada que eu poderia lhe oferecer. Além é claro do fato de que eu era louco por outra. Uma outra impossível de ter. Uma outra que também merecia muito mais, que merecia o mundo aos seus pés.
Terminei o café da manhã a contra gosto. Peguei o SUV e segui em direção a mansão Swan.
Alice estava na cozinha com Sue.
— Bom dia garoto. Já comeu? – A cozinheira me perguntou, me conhecia desde que havia chegado aquele lugar.
— Obrigada Sue, já comi.
A senhora bondosa assentiu com a cabeça e continuou com seus afazeres. Evitei encarar Alice, sabia que ela tinha algo à dizer, algo que eu não queria ouvir. Ignorando a morena fui pro escritório do chefe.
— Não adianta fugir de mim Tiger, uma hora iremos conversar.
Sua voz era baixa, apenas para os meus ouvidos. Eu não era homem de fugir, mas do que ela queria dizer eu evitaria por um tempo.
A porta do escritório estava fechada. Bati e esperei a ordem pra entrar. Charlie e Liam estavam lá. Tratando de negócios. Mantive meu olhar inexpressivo.
Aguardei os dois homens conversarem para saber o que me seria designado aquele dia.
— Henry irá mesmo te apoiar Charlie? — Liam perguntou. – Estaremos investindo muito nessa campanha e nos arriscando.
— Isabella está nos garantindo isso homem. Com o noivado entre ela e Tyler não tem como Henry desistir. Além disso, o garoto já está afundado nos negócios, e o pai dele sabe. É uma ida sem volta.
A cada vez que aquele noivado era mencionado, eu sentia uma faca perfurar meu peito, a cada vez que eu via Tyler com Isabella tinha vontade de mata-lo.
Isabella era proibida pra mim de diversas formas, mas esse noivado foi o fim de qualquer esperança. Ela estava noiva de Tyler Crowley, filho do Deputado Henry Crowley, com o qual Charlie mantinha negócios escusos.
— Se Henry te apoiar, e você ganhar, o retorno será triplicado aos investimentos.
— Liam meu caro, eu vou ganhar. Eu não perco. Nunca.
— Então iremos mesmo fazer isso Charlie? Vamos entrar pra política? – Liam perguntou. Isso era algo que eles discutiam há tempos. Mas agora parecia ser concreto.
— Sim Liam, vamos. Me lançarei como candidato a prefeito de Detroit. – O sorriso de orgulho de Charlie me deu náusea.
Mantive meu rosto inexpressivo. Charlie Swan iria se candidatar a prefeito de Detroit. Aquilo seria horrível. Ele usaria de seu cargo pra aumentar seu dinheiro, tráfico de drogas iria aumentar, assim como a prostituição, violência e mortes. Nada bom.
Aquele homem no meio político e no poder realmente era algo que eu não queria. Mas que não podia fazer nada pra mudar.
Desapontamento e descrença me invadiram, por mim mesmo, por minha fraqueza. Desprezo pela minha apatia. Alguém tinha que parar aquele homem.
— Já pensou em algo pra campanha? – Liam estava curioso e interessado, era mais dinheiro entrando.
— Já pensei em algumas coisas, mas o maior projeto pra campanha é a liberação do porte de armas de fogo. – Um brilho perigoso surgiu nos olhos do mais novo.
— Isso nos renderá uma boa grana Charlie. Numa cidade perigosa como a nossa, armar a população em sua própria defesa, podemos investir pesado no comércio de arma de fogo.
Tudo sempre era feito de acordo com as vontades dos dois, de acordo com seus próprios interesses e eles não se importavam com quem estivesse no meio, desde que eles atingissem o objetivo almejado nada mais importava.
— Precisarei me ausentar dos negócios e do comando da empresa, temos que pensar em substitutos. Muita coisa vai mudar Liam.
Uma batida na porta interrompeu a conversa. Alice entra, com Emmet a seguindo. Sinto em meu rosto o questionamento que tenho em mente. O que ele fazia ali?
— Ah que bom que veio Emmet. – Charlie se levantou para cumprimenta lo, uma cortesia para poucos. – Bela luta noite passada hein!?
Seu sorriso era irônico.
— Apenas um pouco de divertimento Senhor.
Eu tinha perdido algo, tinha algo acontecendo que eu ainda não estava sabendo. Fiquei apreensivo e tenso, Emmet estar ali era sinal de algo grande.
— Tiger com o noivado de Isabella e Tyler, o mesmo achou por bem contratar um segurança pra ela, alguém da confiança dele. – Choque, eu estava em choque. – A partir de hoje, a segurança de Isabella vai ser feita pelo Emmet. — Silêncio. – Era apenas isso, e hoje você não irá pra Arena, pelo que Isabella falou você ficou bem machucado. – Raiva. – Emmet fale com Isabella sobre os horários dela. E Tiger hoje você está dispensado.
— Ah, espero que a loucura de ontem não se repita, não queremos ninguém machucado né?! — Um aviso.
E então com mais um aceno de mão eu fora dispensado. Dispensado da Arena.
Dispensado de tudo. Da vida dela. Sabia que esse dia chegaria, mas não esperava que fosse tão rápido, eu esperava ter uma chance!
Chance de que Tiger?! Você não passa de um capanga.
Sai do escritório tentando controlar meus pensamentos e sentimentos. Nunca havia tido chance de ter ela, mas aqueles momentos, aqueles singelos momentos roubados, dentro de um carro apertado, eram tudo pra alguém que não tinha nada.
Tudo que eu tinha, tudo que tinha acabado de perder. Ser dispensado da Arena. Estava furioso. O mundo que eu conhecia estava virando de cabeça pra baixo.
O motivo da minha frustração apareceu no início do corredor.
— Você devia estar deitado, está ferido e….
Não esperei ela terminar de falar. Sai sem olhar pra trás ou perderia o controle, a pegaria no colo e levaria pra longe dali, pra longe de todos ali.
— Tiger o que houve?! — O som dos seus passos denunciava que ela corria em minha direção. Apressei meu passo.
— Deixa ele Bella, Tiger precisa de um momento. — Alice a segurou ali e me senti agradecido.
Mas também queria que não tivesse feito, queria que ela tivesse vindo atrás de mim, queria ela pra mim. Isabella me deixava perdido, sem chão, sem fazer absolutamente nada.
Peguei o SUV e dirigi rumo à lugar nenhum, querendo manter a distância pra não roubá-la pra mim, como querendo estar perto o bastante pra aproveitar os últimos minutos. Parei pra abastecer e continuei rodando por Detroit.
Desde a parte mais sombria e suja, de onde eu tinha saído, até a parte nobre, sem parar em momento algum. Me sentindo parte de nada.
Ela estará bem lá Tiger. Longe de Charlie. Ele não vai mais poder atingir ela, nem machuca-la. Ela será uma excelente médica, e terá uma marido com uma boa imagem. Uma boa vida. Longe de toda essa merda.
Longe de mim.
Parei o carro e fitei o nada por um longo tempo. Eu não queria pensar, queria esquecer tudo sobre Isabella, seu noivado e o buraco da ausência, que agora seria para sempre.
Liguei o carro e segui pro único lugar em que eu me sentia eu mesmo, o único lugar onde sabia quem eu era e meu propósito. Adentrei a Arena. A observei de longe por um instante, tirei os sapatos e a blusa.
O toque frio da lona nos meus pés era calmamente. Flashes de lutas anteriores passaram por minha mente. Socos, chutes, ossos quebrando. Cruel, mas era o que eu era, era só o que eu sabia fazer.
Nos fundos do galpão ficava um saco de areia que eu usava pra treinar. O pendurei no lugar e o fitei antes de socar.
Eu estava frustrado.
Um soco.
Nervoso.
Um soco.
Me sentindo abandonado.
Soco.
Eu a queria pra mim!
Soco.
Eu a amava.
Minhas costelas protestavam. Os nós dos meus dedos doíam pela falta de proteção, uma proteção que não queria.
— Uau, é bem sexy você descontando toda sua fúria nesse saco de areia. Realmente um espetáculo.
— Saia Hannah. — Ordenei voltando a socar o saco de areia.
Ela ignorou meu comando e segurou o saco de areia enquanto eu continuava a socar.
— Eu disse pra ir! Não quero companhia. Alice não devia ter mandado você! — Eu sabia que tinha dedo dela ali.
— Oh coitadinho do pobre Tiger! — Hannah debochou. A estonteante mulher estava em cima de saltos altos, ainda sim se mantinha em pé enquanto eu socava e chutava com toda minha força.
— Porra Hannah! — Xinguei. — Eu a perdi! — Abracei o saco de areia, fechando os olhos, deixando aquela dor me tomar.
— Você nunca a teve Tiger. – Não abri os olhos para encará-la, ela tinha razão, eu nunca a tive pra poder perdê-la, e talvez isso fosse o pior.
— Você está certa. – Me resignei à esse fato, então um soco eu meu tórax dado de mau jeito me surpreendeu.
— Mas o que!? – Hannah tinha me socado, seu rosto estava furioso.
— Então você vai simplesmente deixa-la ir pros braços de outro sem lutar?! Sem sequer tentar!
— Você sabe que não é simples Hannha! – Mulheres. As mulheres que rodeavam minha vida eram loucas: Alice, Isabella e Hannah. Todas elas loucas.
— E quando essa merda foi fácil Tiger!? Quando tivemos opção de algo ser fácil? – Ela foi me empurrando pra trás, e eu fui recuando. – Tudo nessa droga de vida foi difícil pra nós, então para de enfiar o rabo entre as pernas e faça algo! – Hannah gritava comigo.
— Ela....
— Ela é louca por você assim como você por ela!
— Ela é boa de mais pra mim! – Suspirei enfim, envergonhado. – Ela merece mais Hannah, você bem sabe a merda na qual estou afundado.
Sentei no chão sujo me recostando na parede, as costelas doíam e me sentia mais perdido que nunca. Hannah sentou ao meu lado, pouco se importando com seus saltos ou roupas.
Era isso que sempre havia me atraído pra ela, ela era mais que um corpo bonito, ela era mordaz e boa, sincera, era humilde e bondosa, ela se importava.
— Nunca seremos bons pra ninguém Tiger, mas ainda assim, ela gosta de você, ela realmente gosta de você, do jeito que você é. – Olhei pra ela em dúvida sobre sua sentença. – O jeito que ela me olha pra você. E o jeito que ela olha pra mim. Ela sabe que você fode comigo, e ela odeia isso.
Ri do seu jeito desbocado, mas gemi de dor.
— Você é um idiota sabia! – Seu olhar acusador era por muitas coisas, algumas eu sabia, outras eu nem fazia ideia, e preferia não saber. – Vá pra casa Tiger, refaça seus curativos, e faça novos.
Ela levantou antes de mim, mexeu em meus cabelos suados e saiu rebolando.
— E Tiger... – Abri os olhos para ver o sorriso doce em minha direção. – Não a perca, ou vai se arrepender pra sempre.
Com uma piscadela ela saiu, me deixando mais confuso do que quando havia chego ali.
Demorei pra levantar, meu corpo protestou de dor. À noite mal dormida, as lutas de ontem, a tensão de hoje, e não repousar havia me esgota fisicamente.
Mentalmente eram Isabella, Hannah e Alice que me perturbavam. Três belas mulheres que faziam parte da minha vida, três mulheres teimosas, orgulhosas, fortes e que me enlouqueciam por nunca fazerem o que eu esperava que fizessem.
Entrei no carro pensando em dormir, eu necessitava dormir, colocar as ideias em ordem. Não pensaria sobre nada hoje.
Dirigi calmamente até o centro, o trânsito estava calmo, tranquilo. A sensação de controlar o carro trazia calma, ao menos aquilo eu conseguia controlar.
Todos os planos de dormir foram interrompidos pela única pessoa que não queria ver naquele dia.
Isabella.
Ela estava sentada no chão do corredor, encostada na porta do apartamento. Emmet em pé próximo a ela. Isabella estava brava.
— Pode ir agora Emmet, vou refazer as bandagens e depois Tiger me leva em casa. – E ele foi, sem discutir ou questionar. Com um aceno rápido pra mim ele saiu.
Eu queria que ele ficasse, era um covarde quando se trava dessa mulher.
— O que faz aqui Isabella? – Perguntei brusco. Eu não podia ficar perto dela com tanto descontrole emocional.
— As lutas estão afetando sua audição Tiger, como acabei de dizer vim refazer seus curativos, e pelo que vejo, fazer novos.
Ela notou minhas mãos, os dedos tinhas pequenos cortes.
Dei de ombros, não era importante.
— Estou bem Isabella, não precisava se dar o trabalho de vir até aqui. – Eu não podia arriscar ter ela me tocando de novo. Não me controlaria.
— Abre a droga dessa porta Edward! Passei o dia todo aqui te esperando, preocupada, então abre e me deixa fazer o que vim fazer aqui.
Abri a porta, deixei ela entrar, sem saber o que mais fazer. Nas mãos dela eu era apenas uma massa de modelar com a qual ela fazia o que bem quisesse.
Acendi a luz, ela piscou e olhou tudo ao redor com curiosidade, coisa que não havia feito na noite anterior. Andou até a cozinha observando cada detalhe, foi na sala onde tinha uma pequena televisão quase nunca utilizada, então a porta pro banheiro e pro quarto. Caminho que ela não seguiu, graças a Deus ou meu controle iria embora mais rápido do que eu esperava.
— Vou tomar um banho, errr, fique à vontade.
Novamente eu me banhava enquanto ela estava ali, mas dessa vez não tinha mais ninguém, apenas eu e ela. Não demorei no banho, estava ansioso pelo toque dela, ao mesmo tempo que amaldiçoava a vontade de querer tanto. Como um viciado em droga eu queria mais, sempre mais.
Vesti uma bermuda de material leve, e fiquei sem blusa, já me preparando para as bandagens nas costelas.
Ela estava sentada no sofá de olhos fechados. Seus cabelos espalhados, parecendo calma, em paz.
— Falta cor aqui. Mas eu amei, é tão aconchegante. – Ela ainda estava de olhos fechados, e eu a queria ali sempre, que ela se sentisse em casa, que desse cor aquele lugar.
— Eu gosto da simplicidade daqui. – Disse enquanto me sentava ao lado dela, brincando com a tentação.
Ela abriu seus olhos, olhos tão verdes e lindos, algumas sardas em suas bochechas.
— Onde você estava? – Era uma pergunta simples, mas que me deu um frio na barriga.
— Na Arena, com Hannah. – Eu sempre seria sincero com ela, mesmo que não pudesse lhe dar nada mais, lhe daria a verdade.
— Claro. Sempre Hannah. – Seu olhar entristeceu.
— Não aconteceu nada entre nós, ela só estava preocupada. – Eu não precisava me justificar, mas não queria vê-la triste.
— Todos comentam, ela é a única mulher com que você fica. – Ela desviou o olhar.
Puxei seu queixo em minha direção a fazendo me olhar, ela precisava ver a verdade ali.
— As pessoas falam demais, Hannah não é a única mulher com quem transo Bella, mas é uma das poucas que não me temem. – Sempre a verdade.
— Eu não temo você. – Ela disse.
— Eu sei!
Cedi a tentação e acariciei seu belo rosto, ela fechou os olhos e se aproximou mais de mim. Assim como eu, ela ansiava por mais.
Relutante tirei a mão de seu rosto e me afastei.
— Você precisa fazer os curativos.
Ela assentiu e se levantou com rapidez. Pegou o que iria utilizar e começou pelas mãos. Seu toque era delicado e quente, como na noite anterior, mas firme, ela sabia o que estava fazendo.
Ela seguiu traçando o caminho do meu braço direito até tocar a tatuagem que eu tinha ali.
— O que significa? – Seu dedo traçando a tatuagem mexia comigo.
Quem eu queria enganar, o fato dela existir mexia comigo.
— Cair sete vezes, e levantar-se oito. É um ditado japonês.
— Sim, é a sua cara. – Ela sorriu pra mim. – Quando você fez?
— No meu aniversário de dezoito anos.
Ela assentiu se lembrando da data, ela nunca esquecia.
Depois de nos afastarmos tanto, depois que me mudei da mansão essa era a primeira vez que eu não fugia ou a ignorava.
“Não a perca”.
A voz de Hannah veio novamente em minha mente.
Bella parou de traçar o desenho da tatuagem e começou a enfaixar meu torso nu. Seu toque me enlouquecia. Nenhuma outra mulher com quem já tinha transado tinha aquele poder sobre mim e meus toques em Isabella sempre foram o mais pudicos.
Meu corpo respondia ao dela. Simples assim.
Suas mãos pararam e foram para meus cabelos, eu evitei seu olhar, mas ela não era mulher de desistir ou de se deixar levar. Puxou os fios me obrigando a olha-la.
— Bella não! – Tentei impedir, mas não pude, meu corpo traidor também queria.
Ela me beijou e eu correspondi, primeiro doce e leve, e então com mais vontade, sua língua entrou em minha boca e Deus seu gosto era de morango. Apertei o sofá com força, para não toma-la em meus braços como eu queria.
Ela puxou meus cabelos me tomando pra ela, como sempre fui. Pra ela eu sempre seria um tigre amansado, nada comparado ao Tiger que lutava na Arena.
— Eu sempre quis que meu primeiro beijo fosse com você. Eu sonhei com isso e fantasiei em minha mente. – Ela sorria, como ela tinha um lindo sorriso, eu morreria pra fazê-la sorrir. – Realmente é muito melhor na realidade.
Não resisti aquela frase a puxei pra mim, beijando sua boca, apertando sua cintura, seu corpo quente contra o meu.
A primeira vez que sentia seu gosto em minha boca, seu cheiro direto da fonte, seu calor contra meu peito nu. A primeira vez que eu a tinha em meus braços, e não queria soltá-la nunca mais.
Ter Isabella pra mim pela primeira vez era minha perdição.
Era um sonho? Se fosse eu não queria acordar, eu havia me cansado de lutar sobre como me sentia sobre ela, e daquela vez, somente daquela vez, me deixaria levar.
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