Arena Mortal
21 Capítulo 20 - Descobertas
Notas iniciais
Bella estava na minha frente, Charlie a segurava enquanto os filhos da puta de seus capangas a acertam com socos e pontapés, eu não podia ver, mas eu não conseguia desviar os olhos, seu rosto já estava arroxeado devidos as pancadas, seu nariz sangrava, ela já havia perdido a consciência havia alguns minutos, mas ainda sim continuavam. Eu tentava me mexer fazer qualquer coisa, mas não conseguia.
Havia um arma na minha frente, poucos metros de distância, mas algo me prendia no chão, no mesmo lugar. As lágrimas escorriam livremente. Eu não suportava mais, não dava mais. Eu preferia morrer, preferia estar no lugar dela, ver Bella assim era a pior tortura do mundo pra mim.
Charlie rindo pegou a arma.
— Vê? Sou eu quem tenho o poder!
— Bellaaaaa, Bellaaa nãooo! Por favor nãoooo!
Meus gritos eram em vão. Ele gargalhava enquanto mirava.
O som do tiro ecoou. O cheiro de pólvora encheu minhas narinas, ao mesmo tempo em que me faltava o ar pra respirar.
Senti o coração querendo sair do peito e o suor frio escorrendo pela minha pele. A bile veio mas não havia nada no estômago para repelir.
Eu arfava tentando entender onde estava já que não via Charlie ou Bella, eu ainda sentia o cheiro de pólvora e de sangue, mas estava sozinho.
Estava escuro e frio.
Minutos depois me situei dentro da prisão, na minha cela suja e fria. Bella estava viva, longe, e tão segura quanto poderia estar.
Ao mesmo tempo em que sentia alívio, sentia dor. Muita dor dentro de mim.
Sempre disseram que o meio mudava as pessoas, estar preso havia me mudado, eu sabia. Eu andava mais amargurado, não culpava ninguém pela minha situação a não ser eu mesmo, mas a amargura vinha, um dia ou outro ela batia forte, eu fingia que não, eu sorria às vezes, mas dentro de mim ela sempre estava a espreita.
Nos primeiros três meses eu ainda era um otimista, eu ainda tentava sorrir e aguentar firme. Mas cada dia na prisão é mais lento e pior que o anterior.
Ainda tinha as surras, com menos frequência que no início mas eu sabia que uma hora ou outra eles voltariam, eles sempre voltavam.
Fiquei sentado olhando pro nada até o dia clarear, ás noves horas da manhã fomos liberados para o banho de sol. Eu estava pior que os outros dias, mais introspectivo, ainda pensando no sonho e no cheiro de sangue.
— Dormiu bem Tiger? — Ouvi a pergunta e as risadas de Chuck e sua turma.
Ignorei, como sempre fazia, mas dessa a vontade era manda-lo se foder. Me contive.
Segui para um canto isolado e lá permaneci. Connor sentou ao meu lado.
Ele era o único com o qual eu falava ali dentro. Ele falava abertamente sobre o homicídio que cometeu. Havia matado de forma premeditada o namorado da irmã. Ele descobriu sobre algumas agressões, havia uma história de um suposto estupro, então ele armou tudo, colocou fogo no cunhado.
Ele confessou.
— Ninguém mexe com minha irmãnzinha Tiger. Ela é tudo pra mim.
Ele não era ruim, não era um bandido, vindo de família pobre era trabalhador, um playboy da elite da cidade em que moravam se aproveitou da garota de dezesseis anos. Ele cumpria sua pena sem remorso pelo que fez, ao contrário de mim que cada dia mais me sentia culpado. Já haviam 8 anos que ele estava na prisão, ele fora condenado há dez.
— Chuck não vai te deixar em paz você sabe. Ele já está aqui há algum tempo, e parece que o pai dele tinha negócios com o pessoal que você entregou ou algo assim.
Dei de ombros.
— Terei que me acostumar.
Não tinha escolha.
— Fiquei sabendo que um dos chefões que você mandou pra prisão foi morto ontem.
Eu também ouvi. Presidiários fofocam mais que qualquer um.
Liam havia sido morto na hora do banho. Os rumores eram que ele havia mexido com a irmã de outro detento. Existem leis entre os criminosos, não mexer com a família. Talvez houvesse algo mais por trás, mas eu não sabia e não me importava.
Dei de ombros e continuei olhando pro nada.
— Vou sair em condicional em seis meses.
Ele mudou de assunto sorrindo, eu correspondi. Era um notícia boa, que me tirou um pouco do transe do pesadelo com Bella.
— Até que enfim cara!
Eu realmente estava animado, qualquer perspectiva de alguém sair daqui era boa. Era uma esperança pra mim que ainda estava no início da minha pena.
— Não vejo a hora! A primeira coisa que vou fazer é...
— Achar uma mulher pra pegar? — Perguntei interrompendo.
— Foda-se Tiger. Não.
Eu ri um pouco. Às vezes era divertido pegar no pé dele. Ele era dois anos mais velho que eu, tendo vinte e oito, mas devido a ter sido preso tão jovem perdeu boa parte da juventudade, ele tinha uma animação dentro de si que lembrava Emmett. Seus cabelos eram loiros e os olhos castanhos claros, seu sorriso amarelo mostrava um dente quebrado em alguma briga aqui dentro.
— Vou tomar uma cerveja bem gelada vendo um jogo dos Patriots, abraçar minha velha e ver minha irmã reclamar de como sou chato.
Ele sorriu saudoso.
— Você é um traidor por torcer pelos Patriots. — Brinquei com ele que sorriu.
Eu também queria fazer planos pra quando saísse dali, mas dez anos era muito tempo, e os dias passavam lentamente.
***
— Masen, você tem visita.
Levantei do catre e segui o padrão de sempre, de ser algemado, acho que sempre odiaria o metal gelado contra minha pele. Haviam poucas pessoas que me visitavam, Bella, Alice e Emmett havia aparecido umas poucas vezes.
Entrei na sala reconhecendo os cabelos escuros.
— Veio se despedir Alice?
Ela sorriu me abraçando.
Correspondi o abraço ainda meio acanhado, era estranho tanto toque.
— Daqui uns meses, vou acabar o curso que comecei primeiro.
— Você sabe que não precisa ficar vindo né? É perigoso.
Ela bufou após se sentar.
— Nada é mais perigoso do que o que já vivemos Edward, eu vou continuar vindo. Não adianta reclamar.
Eu sorri agradecido. Eu apreciava as visitas, eram um alento.
— Como estão as coisas lá fora?
— Se organizando. A morte de Liam teve grande repercussão, trazendo muita coisa de volta pros holofotes. Oh acho que Rose está quase perdoando Emmett.
Eu ri. O moreno merecia outra chance.
— Ela disse algo?
— Não, mas eu vi ela chegando meio descabelada um dia desses e com um puta sorriso no rosto.
— Ela é osso duro de roer.
— Oh se é! — Rimos conspiratórios.
— E seu curso?
— Eu estou amando Edward! Nunca imaginei que fosse gostar dessas coisas de beleza, mas eu gosto muito! Oh droga quase esqueço te de contar!
Ergui a sobrancelha curioso.
— Jasper ouviu minhas lamentações sobre Hannah e foi atrás de Tyler.
Eu prendi a respiração por um momento.
Hannah sempre seria um ponto doloroso do meu passado, doloroso porque eu não pude salvá-la, e então eu não pude vinga-la.
Eu sentia sua falta, falta do seu humor negro e dos cachos negros.
— Diga-me Al, ele fodeu com ele? — Perguntei ansioso.
— Literalmente falando! — Alice tinha um sorriso triste. — Ele conseguiu provas, depoimentos, declarações, filmagens e o próprio Tyler confessou. Ele pegou perpétua.
Suspirei aliviado. Com a grana que Henry e Tyler tinham eles comprariam proteção lá dentro, mas só de saber que eles não sairiam eu respirava um pouco mais aliviado.
— Eu até beijaria Jasper em agradecimento, mas vou deixar isso com você.
Ela me lançou um olhar furioso que me fez rir.
— Foda-se Edward!
— Vai dizer que nunca beijou ele? — indaguei realmente curioso.
— Na verdade ele me beijou.
— E você não retribuiu?
— Sabia que você é pior que Rose e Bella?
— Preciso de distrações aqui sabe! — Resmunguei brincalhão.
Ela riu.
— Estávamos discutindo, não sei como mas ele sempre aparece onde estou, ou vai na minha casa saber se está tudo bem. Acho que Rose e Bella ajudam ele. — Ela bufou. — Eu aprecio a companhia dele, mas a gente acaba discutindo, por tudo! Numa dessas discussões ele me calou me beijando. Eu fiquei sem reação. Qual é, não sou nenhuma puritana, sabemos das coisas que já fiz, mas então ele simplesmente pediu desculpas e saiu praticamente correndo! Sequer me deixou chance de explicar porque não reagi.
Ela estava frustrada, o que era malditamente engraçado.
— Não ria Edward!
Eu não conseguia tirar o sorriso do rosto. Alice estava feliz, leve, e eu estava feliz por ela.
— Você foi atrás dele?
— Claro que não! Isso na verdade foi ontem, e bem hoje eu vim te ver e talvez eu esteja fugindo e vá dormir na Bella hoje.
Eu gargalhei alto.
— Não seja covarde Alice, enfrente o homem!
— E dizer o que? — Ela perguntou brava comigo.
— Diga que gostou do beijo, que quer repetir, que se sente confusa e tem medo.
Estiquei as mãos e segurei as suas que estavam em cima da mesa.
— Quando ficou tão sábio sobre relacionamentos?
— Quando errei pra caralho com Bella e quebrei a cara feio.
Ela deu um sorriso mínimo.
— Talvez eu fale com ele. Mas, e quando eu me mudar?
— Alice, converse com Jasper. — Eu dei uma pausa. — Vou sentir falta das suas visitas.
Ela sorriu.
— Não pense você que vai se livrar de mim. Eu darei um jeito de vir te ver.
Eu sorri.
— Como está Bella, Alice?
— Melhorando Edward. Bella é uma das pessoas mais fortes que já conheci, senão for a mais forte. E apesar de tudo ela é doce o que sempre vai me surpreender. — Ela deu uma pausa. — As coisas na faculdade você sabe, ela voltou, mas está sendo meio ignorada pelos colegas. Ela não te contou?
— Não. Não contou.
Eu suspirei triste e com raiva, odiava quando ela não me contava as coisas.
— Ela tem enfrentado. Graças a Deus isso acaba agora! Só falta essa matéria que ela perdeu em meio a essa bagunça com o julgamento. O reitor abriu uma exceção pra ela colar grau mais pra frente.
Ao menos isso.
— Os bens dela continuam bloqueados?
— Sim. Carlisle tem mantido ela. Eu também inclusive, não é fácil achar emprego nessa cidade fodida.
Assenti.
— Edward, vou ser sincera, ela tem sido um pouco hostilizada. A imprensa sempre sabe quando ela vem te ver e eles são cruéis. Seja bom com ela, nesse tempo que estão juntos faça ela esquecer.
— Obrigada.
Eu precisava saber da verdade. Me entristecia? Claro. Mas me fazia compreender melhor as coisas.
— Vai ficar tudo bem.
Era tudo que eu queria.
O fim da visita chegou, Alice me abraçou e se foi levando consigo a alegria e leveza daquele momento.
***
— Hey cara!
Virei em direção a Connor, ele vinha sorridente em minha direção enquanto tomava meu banho de sol.
— Eu saio hoje!
Ele falou dando um soco no ar.
— Parabéns Connor! Espero que tome aquela cerveja gelada vendo os Patriots!
— Não vejo a hora! — Ele sorriu ansioso.
Ficamos sentados em silêncio contemplando os mais diversos homens em nossa frente, traficantes de pessoas, de drogas e de órgãos. Assassinos, assaltantes, estelionatários, alguns políticos, todo tipo de gente.
Não falamos muito mais.
Quando chegou a hora de voltar pra cela apertei sua mão com força.
— Se cuida lá fora, e vê se não se mete em mais encrencas.
— Pode deixar. Te vejo lá fora em breve.
Meu único amigo ali dentro estava indo embora, o amargor que senti foi mais forte que em qualquer momento. Não seria fácil lidar com os próximos anos de prisão.
***
O primeiro ano se passou. Eu não falava com praticamente ninguém ali dentro, cumpria meus deveres conforme ordenado e me mantinha quieto e calado.
Chuck não me esqueceu, uma vez por semana ele aparecia pra me fazer lembrar, doía como o inferno mas eu me mantinha calado, eu sabia o que ele queria.
Queria me testar até eu falar pra ter a fodida desculpa de me matar.
Se eu achava que Liam e Charlie eram cruéis é porque eu não tinha conhecido essa turma antes.
Estava deitado tentando pegar no sono quando ouvi passos, por um instante esperei eles entrassem na minha cela, mas os passos continuaram, não seria eu, não aquela noite.
Ouvi um grito, um gemido de dor. Ignorei.
Depois de um tempo você se acostuma com os barulhos de uma noite na prisão, se torna quase normal.
***
O segundo ano foi tão ruim quanto o primeiro, senão pior.
Bella ainda vinha a cada quinze dias. Alice havia se mudado pra Nova York cansada de Detroit e tudo que ela lembrava, mas ela ainda vinha me ver pelo menos a cada dois meses.
Emmett estava sumido, em alguma missão que ninguém sabia dizer qual era, eu sentia falta da sua animação.
As surras eram cada vez mais escassas, mas tinha um padrão, sempre antes da visita de Bella, era um aviso. Tudo nesse fodido lugar era um aviso.
***
O terceiro ano chegou devagar, eu já havia me habituado aquela vida, e eu odiava. Ainda faltavam 7 anos naquele inferno e tudo que eu queria fazer era sair, era fugir.
Antes que eu surtasse algo inesperado aconteceu.
O diretor do presidio aderiu a um programa de estudos dentro da prisão, eu me interessei imediatamente me lembrando da época em que podia estudar, e do livro que Bella me deu e nunca esqueci.
Voltar a estudar se tornou um passatempo maravilhoso, eu descobri que gostava de aprender, me dedicava o máximo que podia. Os professores me traziam livros pra ler, com permissão do diretor pude começar a ler na minha cela, eu lia tudo que me davam, devorava cada livro, fosse uma biografia, fosse um estudo sobre um assunto qualquer. Muita coisa eu não entendia, mas devorava cada palavra aproveitando daquele tempo de distração. Nesses momentos eu não encarava o tempo, não sentia como se ele fosse me esmagar.
Nunca contei a ninguém que estava estudando, sequer pra Bella. Queria fazer uma surpresa.
Cada visita dela eu ficava feliz, era um alento pra vida infernal que eu levava, mas também me enraivecia ter que saber por tudo que ela passava pra estar ali comigo.
Eu amava seu corpo, nos deleitando em prazer e ouvia tudo que ela tinha pra me dizer com atenção.
Eu odiava aquela sala pequena, a falta de espaço e de aconchego. Odiava na mesma medida que eu amava pois era tudo que eu tinha.
***
Mais um ano havia se passado, a rotina era a mesma.
Bella passou a vir menos, uma vez ao mês. Ela havia começado a escola de medicina no ano anterior. Graças a Carlisle, ela realizaria seu sonho e eu tinha muito orgulho disso, mas isso nos distanciava um pouco.
Meu incômodo era saber que eu nunca chegaria aos seus pés, que eu era um fodido detento e Bella seria uma médica brilhante.
Quatro anos passados, mais seis a cumprir.
***
— Ei, senti sua falta.
Abracei Bella apertado.
Seus olhos demonstravam cansaço.
— Também senti! Ela beijou minha bochecha e deitou comigo na pequena cama.
— Você parece tão cansada! — Resmunguei.
— A escola de medicina está acabando comigo! Como me arrependo de reclamar da faculdade. E eu odeio como ainda não resolveram as coisas com os bens da minha herança.
Sorri compreensivo e cuidei dela.
Ouvi ela falar dos professores, das aulas. Eu amava ouvi-la falar. Aproveitei o tempo que tínhamos apenas sentindo Bella em meus braços.
— Você está menos machucado dessa vez.
A surra da noite anterior não fora tão agressiva, passarinho que não canta perde a graça.
— Foi apenas um descuido.
Era a desculpa de sempre. Seu olhar dizia que eu não a engava.
— Tem falado com Alice?
— Sim! Ela está maravilhosa em Nova York, estou louca pra visitar ela. Ela conseguiu emprego em um salão no Brooklyn, mas ela está juntando dinheiro pra abrir o dela própria você sabe. Ela faz caminhadas matinais num parque perto da casa dela, e cortou o cabelo desde a última vez que esteve aqui! Ela está tão linda!
— Jasper já foi vê-la?
— Aqueles dois! — Ela resmungou. — Na verdade aqueles quatro!
Arqueei a sobrancelha sem entender.
— Rose e Emmett. Eles simplesmente são teimosos demais! Se eu tivesse a chance de ficar com o homem da minha vida, eu não pensaria duas vezes em largar tudo e ir.
Seus olhos se encheram lágrimas.
— Eles são um bando de idiotas perdendo tempo. — Concordei com ela, beijando cada uma das pálpebras.
— Eles são.
Beijei Bella delicadamente, descendo por seu pescoço e colo. Eu sentia saudade.
Tirei sua blusa, admirei a pele alva e o cheiro de morangos que me enlouquecia desde a adolescência.
— Eu amo seu cheiro!
Sussurrei mordendo o lóbulo de sua orelha ouvindo seu suspiro de prazer.
— Morangos.
Eu sorri, massageando os montes claros. Desabotoei o sutiã, dando atenção pra eles, abocanhei um e Bella grunhiu se afastando um pouco.
— Desculpe, eles estão sensíveis esses dias, devagar.
Assenti e fui com mais calma, lambendo e sugando com delicadeza. Bella era deliciosa, macia nos lugares certos, cheirosa, e suas curvas eram de me deixar louco.
Me esfreguei nela gemendo.
— Estou em desvantagem aqui. Você ainda está vestido.
Tirei a blusa laranja horrível e a calça ficando nu.
Bella olhou pra mim, pro meu pau já ereto. Não havia timidez em seu olhar, apenas cobiça e desejo.
Ela passou a mão por meu peito e tórax. Eu sentia tudo! Quando ela me masturbou eu não aguentei, puxei sua mão e deitei por cima dela tomando a num beijo desesperado.
Quando tudo que se tem é dor, toques como esse te enlouquecem, te desestabilizam e era isso que o toque de Bella fazia comigo, seu toque era singelo, era prazer, e eu precisava disso como se a vida dependesse disso.
Tirei sua calça rápido, toquei seu clitóris a preparando pra mim. Em poucos minutos Bella estava pronta.
Com suas pernas ao redor da minha cintura entrei em seu corpo pequeno e macio, quente e molhado, que me abrigava tão bem!
— Porra! — xinguei. — Nunca vou me acostumar com isso!
— Acho bom se acostumar, vai ser sempre assim.
Eu sorri me mexendo devagar.
Ouvindo os suspiros e admirando os cabelos espessos caídos ao seu redor, sentindo as unhas curtas arranharem minhas costas.
Naquele momento esquecíamos os ferimentos, onde estávamos e o por que de tudo. Naquele instante erámos apenas Bella e Edward, juntos.
— Mais forte! — Ela implorou.
Eu obedeci. Aumentei a força e a velocidade, beijava tudo que alcançava dela.
— Eu amo tanto você, você é tudo pra mim. Tão linda Bella.
Eu sussurrava enquanto a amava. Senti que estava perto, toquei seu clitóris mas eu vim primeiro, gozei gemendo seu nome.
Olhei minha menina ainda não satisfeita, eu queria ela aliviada, queria que ela gozasse gritando meu nome. Me ajoelhei no chão e ignorando que havia acabado de gozar dentro dela suguei seu clitóris. Bella gemeu alto levantando o corpo da cama, enfiei um dedo nela enquanto continuava chupando, mordendo e sugando, logo um segundo dedo se juntou ao primeiro, sua boceta me sugava, me puxava pra ela.
Os espasmos de Bella começaram lentos se tornando mais fortes, e então ela convulsionou, gritando meu nome com o prazer.
Me deitei por cima dela, beijando-a lentamente, esperando ela recuperar o fôlego e se acalmar.
— Isso foi malditamente bom!
Eu ri beijando a pontinha de seu nariz.
— A seu dispôs madame.
Ficamos abraçados mais alguns minutos, mas chegou sua hora de partir.
Vi Bella se vestir com tristeza e então sair pela porta com um sombra no olhar, era sempre assim.
Mais cinco anos, era tudo que a gente precisava aguentar, e então poderíamos ficar juntos.
***
Cada dia naquela prisão era uma agonia diferente, quando não eram os sons de alguém sendo ferido, era eu no lugar.
Se me perguntasse, porque eu nunca revidei, porque não me associei a ninguém a resposta era uma só: eu queria ficar o mais limpo possível pra sair dali sem débitos, sem novos crimes, e eu sabia da máfia que existia no sistema penitenciário, proteção custava caro, eu não estava afim de ter que me submeter a ninguém novamente.
A troca por proteção seria seria como voltar nos primeiros anos com Charlie, e eu não queria. Poderia parecer orgulho, arrogância, mas eu realmente queria sair dali limpo.
Cansado de tudo, continuei olhando o maldito teto mofado.
Fazia dezesseis dias desde que Bella veio, eu ansiava por sua visita novamente, mas sabia que poderia demorar um pouco mais.
Frustrado com a conversa que tive com Emmett dois dias atrás, esperava ansioso por sua visita, pra saber porque ela não me falava a verdade, porque ela não dividia o peso comigo.
Talvez porque ela soubesse o que eu faria pra proteger ela, pensei ironicamente lembrando novamente da conversa.
— Hey cara, bom te ver. — Ele disse sorrindo.
— Faz tempo que não te vejo, por onde andava?
— Em mais um missão. — Ele não deu muitos detalhes, mas era assim que era.
— Rosalie deve amar isso. — Eu ri.
—Nem me lembre! Ela odeia. Cada vez que saio em missão é uma briga diferente, mas ao menos agora ela fala comigo.
De certa forma eu entendia a loira. Ela nunca saberia onde ele estava, se estava vivo ou morto, não até ele voltar com a missão concluída e isso podia significar dentro de um caixão.
— O que vocês planejam?
— Ainda não sei. Eu amo ser policial cara e amo ela, mas acho que a gente precisa conversar sobre tudo.
Eu não entendia eles, se eu fosse um homem livre eu jogaria tudo pro alto pra ficar com a mulher da minha vida.
— Vocês são dois idiotas que ficam perdendo tempo! — Resmunguei e ele deu de ombros, mudando de assunto.
— Cara eu nem acredito que enfim resolveu a situação da empresa da família da Bella. Demorou demais!
—Bella deve estar aliviada. Ela odiava depender da família de Rose.
— A situação toda é complicada Edward, e mesmo com a venda da empresa não deu muito dinheiro.
Eu parei por um segundo.
— Ela já vendeu?
— Isso tem meses Edward!
Ele me olhou esquisito.
—Ela não te falou? — Ele perguntou.
—O que ela não me falou?
—Droga! Não sei se devia te falar masBella liquidou o que sobrou da empresa. Ela vendeu tudo, não quis nada. Nenhum dos galpões, ela não quis nada. Só não vendeu a mansão.
Eu engoli em seco. Eu não me importava com o dinheiro, o que me incomodou foi o fato dela não ter me contado, dela ter mentido dizendo que ainda se preocupava com a situação da empresa quando ela já tinha resolvido tudo.
— O que mais tem acontecido Emm?
— Vocês não tem conversado, tem?
— Eu achava que sim, mas aparentemente, não.
— Bem, Bella não conseguiu muito dinheiro com a liquidação, tudo estava meio que comprometido. E bem, ela não queria continuar a depender de Carlisle, então meio que ela resolveu tentar um estágio, o que não deu certo.
— Por que? — Perguntei com receio da resposta.
— Você. — Ele parou incomodado. — Cada vez que ela vem aqui acaba aparecendo em algum jornal.
Eu nunca imaginei que os tabloides continuavam perseguindo ela depois de tantos anos, nem ela nem Alice falavam mais nada.
Ela ainda é a herdeira, a princesa que vem até o presídio ver o criminoso, pensei com amargura.
Assenti com a boca seca. Limpei a garganta duas vezes antes de conseguir falar.
— Aconteceu algo mais? — Perguntei ansioso passando a mão pelo cabelo curto.
— Não que eu saiba.
A visita acabou daquela forma. Sem mais notícias e arrasado. Arrasado por Bella ter mentido pra mim, e arrasado por saber que parte do que ela sofria era por minha culpa.
O primeiro sentimento que tive foi de raiva, de frustração, depois que me acalmei senti culpa, tanta culpa. Eu entendi porque ela não me contou, ela queria me proteger da bagunça que estava lá fora e do que eu poderia fazer pra proteger ela.
A situação toda era tão fodida que eu não sabia nem por onde começar a processar.
Passei dias perdido em pensamento esperando, até que o momento tão esperado chegou.
Adentrei a sala de visitas já tão conhecida por mim, Bella estava lá, linda como sempre e cansada.
Ela levantou e me abraçou depois dos guardas soltarem as algemas.
— Senti tanta sua falta amor.
Abracei de volta não resistindo a ter ela em meus braços outra vez, pela última vez.
Senti seu cheiro doce, senti seu calor e me afastei dois passos pra trás.
— Edward? — Ela perguntou.
Havia ansiedade em seu olhar, me matou por dentro, mas o que estava prestes a fazer me matava mais.
Engoli em seco e dei mais um passo pra longe dela.
— Bella, isso precisa acabar.
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