Arena Mortal
17 Capítulo 16 – Planos frustrados
Notas iniciais
Chovia forte lá fora. Eu já estava deitado, naquela noite não havia carregamentos, lutas, mortes ou qualquer outra coisa. Era apenas uma noite comum, o que por ironia do destino, era incomum em minha vida. Mas, eu não podia ser como um outro namorado qualquer que pegava a namorada na porta de casa, assistia um filme num sábado à noite, que podiam dormir juntos sem o perigo de morte os assustando.
Tudo que envolvia Bella e eu era perigoso demais, e por mais que quisesse estar com ela naquela noite chuvosa, abraçadinhos no sofá, como num daqueles filmes clichês que ela me fazia assistir, eu sabia que não podia.
Desliguei a TV e fui pra cama, encarando o teto e ouvindo o som da chuva, querendo mais que tudo a liberdade de poder ter minha garota comigo. Suspirei pesadamente, me remexi na cama e esperei o sono vir. Não veio.
Acordei sobressaltado com um barulho na porta. Peguei a arma no criado mudo e me levantei silenciosamente. Olhei pro relógio que ficava ao lado da cama, eu praticamente havia acabado de adormecer.
Aguardando mais alguns segundos enquanto meus olhos se acostumavam à escuridão, me guiei pelos móveis já tão conhecidos. Saí do quarto com a arma em punho, engatilhada, pronto pra matar.
O barulho de tropeço e o resmungo tão conhecido me fizeram parar.
— Diabos, Bella! O que você faz aqui? — Resmunguei preocupado.
— Eu queria você. — Ela disse simplesmente.
Diabos, ela fazia tudo parecer tão simples, mas não era, eu sabia que não era. Eu a queria ali, mais que tudo, mas tinha implicações demais. Contudo, ela já estava ali, e eu não ia mandar ela embora, não quando tudo que eu quis nas últimas três horas era ter aquela mulher em meus braços.
— Você não devia ter vindo, gatinha.
— Eu sei.
— Mas você veio.
— Eu vim. — Ela sorriu enlaçando meu pescoço.
— Você veio.
Eu estava maravilhado com as loucuras que Bella era capaz de cometer por minha causa, maravilhado e completamente apavorado com sua imprudência. Beijei sua boca apaixonadamente.
— Eu amo você, Bella.
— Eu amo você, Edward.
Levantei a morena em meus braços e nos levei pra nossa cama, pro nosso quarto. Deitei Bella no colchão macio, e a olhei sob a luz da pequena janela do quarto. Ela era linda demais. Acariciei seu rosto.
— Essa noite eu vou amar você. — Declarei apaixonado.
— Eu vou amar ser amada por você.
Retirei suas roupas delicadamente, beijando suavemente cada canto de pele que ia expondo. Idolatrando aquele corpo que eu amava tanto. Deixei Bella nua e parei pra admirar. Sorrindo ao ver a confiança daquela mulher em se desnudar pra mim daquela forma, física e emocionalmente.
As curvas voluptuosas, o seio rosado, a boca avermelhada, o cabelo espalhado, mas o que realmente me matava era o olhar, aquele olhar profundo, de quem conseguia ver minha alma, de quem conhecia cada pedaço de mim.
Beijei suas pálpebras antes de me deixar nu ao seu lado.
Acariciei a lateral de seu corpo, sentindo a pele arrepiar e os músculos enrijecerem, a respiração ficar mais pesada, a boca se entreabrir. Eu nunca me cansaria da reação que Bella tinha à mim. Eu era um fodido sortudo por ter aquela mulher pra mim.
Me abaixei e beijei seus lábios. Queria dizer com gestos o que eu sentia, todo o amor, desejo, toda a intensidade que ela despertava em mim.
— Eu entendo, Edward. Eu também, amor, eu também. — Sorri com a compreensão que tínhamos um do outro.
Abaixei a cabeça e suguei um mamilo rosado que endureceu na minha boca com o contato da língua molhada, com a outra mão acariciava o outro mamilo, no mesmo ritmo da minha língua.
Inverti os deliciosos mamilos, passado a morder e sugar o outro.
Bella gemia e grunhia, e me olhava.
Desci os beijos pra barriga, circundei o umbigo com a língua, fazendo a morena se remexer.
Com uma mão toquei sua boceta que já estava molhada, com a outra massageei seu couro cabeludo.
— Tãaaooo bom. — Ela gemeu, eu sorri.
Era mais que bom.
Continuei brincando, até descer sobre seu sexo molhado e pronto pra mim. Inalei o cheiro da sua excitação, ficando mais duro ainda, enlouquecido pela minha mulher.
Suguei seu clitóris fazendo Bella gritar e puxar minha cabeça pra longe dela. A olhei confuso, querendo mais do seu sabor.
— Hoje não, garotão, hoje quero você dentro de mim.
— Seu desejo é uma ordem, madame.
Me ergui e sustentei meu peso em meus cotovelos, segurei suas mãos, beijei cada uma delas, coloquei meu rosto eu seu pescoço sentindo seu perfume de morangos, tentando-a com a língua e os dentes, então me coloquei em sua entrada e a penetrei.
Gritamos juntos. O prazer era mais que extasiante, aquilo era mais que sexo, que a junção de dois corpos em busca de prazer, eram dois amantes se abrindo pro amor que sentiam um pelo outro.
Me movi lentamente saboreando o momento, o corpo, o sentimento ali envolvido.
Olhei naqueles olhos verdes enquanto me movia, amando Bella com tudo que eu tinha.
Um nó se formou em minha garganta, tomei os lábios de Bella nos meus, beijei-a, tomando tudo dela pra mim, suguei seus lábios, no mesmo ritmo das estocadas, entrelacei minha língua na dela, numa carícia sensual.
Respirei fundo, sentindo um arrepio começando do meu saco até minha coluna vertebral. Senti as paredes internas de Bella me apertando com o prazer. Ela estava chegando lá, assim como eu.
Beijei-a de novo, e de novo, até a pressão ser mais forte que eu, e o gozo vir junto do dela. Senti os espasmos me tomarem, soltei seus lábios e olhei em seus olhos.
— Edward! — Ela choramingou.
Vi a nuvem de prazer surgir no seu olhar, e Bella gozar, gemendo meu nome, não a porra do apelido, mas o meu nome.
— Eu amo você, Bella! — Falei, me deixando cair exausto sobre seu corpo, sentindo seu coração bater no mesmo ritmo que o meu.
— Eu também amo você, Edward.
Adormecemos nos braços um do outro.
Talvez aquela noite amor fosse um prelúdio de que não teríamos muitas noites mais juntos.
*
— Porra, Jasper, atende! — Gritei pro telefone.
Uma semana. Há uma maldita semana eu esperava Jasper pra poder fugir. Eu não tinha tempo, eu não tinha escolha, se eu saísse daquele jeito eu seria considerado fugitivo, já era o acordo, já era vida, e eu não podia ficar muito tempo mais escondido.
Bella estava sendo cuidada por Emmett dia e noite, dormindo na casa de Rosalie, nem pisando na mansão, e eu estava trancafiado numa porcaria de motel no centro de Detroit aguardando Jasper pra me dar os dados da fuga, guardado por dois brutamontes maiores que Emmett.
Eu não aguentava mais esperar, estava desesperado pra agir. Mas ou esperava pra fugir, ou morria sem chance alguma de sequer salvar Bella, e tudo aquilo pelo qual lutei iria por água abaixo.
Soquei a parede irritado, furioso. Sentei na cadeira dura tentando pensar em uma saída, tentando de alguma forma dar um jeito em toda a situação que estava vivendo, mas não sabia como.
Tentei uma técnica de respiração que vi na TV, mas me fez sentir ainda mais idiota do que eu andava me sentindo.
Suspirei exasperado, e me sobressaltei com o som de aviso de uma mensagem no celular.
“Chego em 10 minutos”.
Era a mensagem seca de Jasper. Chegava em dez minutos, não explicava como ia me tirar da cidade, como Bella estava. Meu celular havia sido confiscado e eu estava usando um número novo que apenas Jasper tinha. Eu não tinha notícias de nada, apenas breves informações que recebi antes de ser largado naquele motel barato.
Dez minutos se passaram e nada de Jasper chegar. Talvez eu estivesse contando os segundos, mas quem não estaria no meu lugar.
Vinte minutos após a chegada da mensagem ouvi barulho do lado de fora da porta, sons de passos, murmúrios baixos impossíveis de decifrar, o ranger da porta. Controlei cada músculo em meu corpo para não voar em cima de Jasper querendo respostas, querendo ações.
— Parabéns pra você... — Olhei atônito pra porta fechada.
À frente dela estavam Bella, Rosalie, Alice, Jasper emburrado, Emmett e eu não sabia o que dizer enquanto eles cantavam pra mim.
Eu simplesmente havia me esquecido, aniversários haviam se tornado algo tão banal no decorrer dos anos que sequer me atentei que aquele dia eu faria vinte e seis anos, mas Bella e Alice lembraram.
Levantei no meio da música e agarrei Bella, apertando-a junto ao meu corpo, sentindo seu coração, sua respiração.
Após o fim da música todos me abraçaram, mesmo o promotor emburrado.
— Só pra deixar claro eu fui contra esse encontro, isso pode pôr tudo a perder. — Jasper reclamou.
— Ora, pare de reclamar, eles, nós, merecíamos isso.
O olhar azul de Jasper se virou para Alice um pouco mais duro que o necessário.
— Se algo der errado...
— Se algo der errado assumiremos os riscos, Jasper. Agora chega. — A morena retrucou e se virou pra pegar o bolo.
Eu amava aquelas pessoas, que pensavam tanto em mim, mesmo que eu não merecesse.
Tocado em meu íntimo notei os olhares atravessados entre Alice e Jasper, e as tentativas de Emmett de tentar chamar a atenção de Rosalie.
Abraçado a Bella me senti em paz, mesmo que por meros e ínfimos minutos.
— Quando vai me tirar daqui, Jasper? — Questionei quebrando um pouco do clima ameno.
Todos ficaram em silêncio.
— Emmett e eu estamos trabalhando nisso.
Arqueei a sobrancelha questionador.
— O que isso significa?
— Significa que estão trabalhando nisso, Tiger. — Alice me cortou.
— Eu quero detalhes.
Ninguém respondeu.
— O quê? Ninguém vai me falar nada? — Perguntei ficando irritado.
— É melhor você ainda não saber de nada.
Eu estava em estado de choque. Ninguém ia me falar nada.
Cutuquei Bella.
— Não me olha assim, eu também não sei de nada. O grandão e o Sr Jasper não nos contam nada. Falam apenas com Alice.
Lancei um olhar acusador pra morena, mas fui prontamente ignorado.
Eu realmente ficaria no escuro, sem ter ideia do que estava acontecendo lá fora, nem de quando iria sair dali.
— Se acalme, Edward. Estamos organizando tudo, em breve, muito em breve iremos tirar vocês de Detroit.
E por vocês eu percebi que Jasper não se referia apenas a Bella e eu, mas a Alice também.
Percebendo que não tiraria nada daqueles três tratei de aproveitar um pouco o momento bom que estava tendo.
Meia hora depois Rosalie se despediu de mim junto de Jasper.
— Você está fazendo o certo, mesmo que esteja levando ela pra longe de mim. — Rosalie sussurrou enquanto me abraçava.
— Desculpe mentir por tanto tempo. Prometo cuidar dela. — Respondi no mesmo tom.
Beijei o topo de sua cabeça. Acenei pro loiro e eles se foram.
Emmett e Alice permaneceram um pouco mais, e ainda que eu tenha tentado eles não falaram nada.
Pouco mais de quarenta minutos depois, Emmett e Alice começaram a se despedir, era hora deles irem e de levarem Bella com eles.
Abracei Alice com carinho.
— Você está bem? Como está tudo lá fora?
— Não se preocupe, Edward, está tudo bem. — Mas não estava.
— Você não precisa fazer isso, Alice. Você sabe que é inocente, que não teve escolha.
— Eu sei. Mas você não é o único querendo recomeçar, Edward. — Ela parou e respirou fundo. — Eu também quero poder escolher.
Olhei aquela mulher tão forte e tão pequena em braços, que já havia sofrido tanto, todo tipo de violência, desde o seio familiar até a idade que se encontrava hoje. Ela queria ser livre, e queria se livrar de todo a mácula e todo o passado cruel que viveu.
— Eu estarei lá por você.
Alice sorriu. Beijou minha bochecha e se dirigiu pra porta.
— Relaxa, cara. Não vai demorar muito. Prometo.
Rosnei pra Emmett que apenas riu e acenou.
Então veio a parte mais difícil.
— Não quero te deixar ir.
— Não quero ir.
Eu ri.
— Em breve não precisaremos mais nos separar. — Disse a abraçando apertado.
— Muito em breve.
Tanto eu quanto ela sabíamos que era uma mentira, que o breve seriam anos de prisão, mas ainda sim, nos apegamos àquela mentira, apenas por aquele instante.
Bella me beijou com carinho, mas não se demorou. Eu entendia os riscos da demora. Ao menos naquele dia não discutomos Charlie, ou sua vontade de proteger ele. Foi um momento de trégua e paz.
A soltei, mas era como se uma parte de mim estivesse faltando.
Os vi fechar a porta e senti todo o vazio, a irritação e frustração me tomar novamente.
— É melhor se acostumar, Tiger, a prisão vai ser muito pior. — Falei sombriamente pra mim mesmo.
*
Mais dias se passaram. Meu organismo estava uma bagunça, eu mal dormia, mal comia, apenas pensava.
Meu contato com pessoas era o mínimo possível.
Os seguranças apenas entregavam a comida pela porta e não diziam nada. O quarto não tinha janelas para eu ao menos observar a vida lá fora. A televisão era entediante.
Jasper quase não mandava notícias. Vez ou outra avisava que os planos estavam em andamento, planos esses que não eu sabia quais eram, mas eu queria loucamente saber.
Oito dias após meu aniversário, enquanto eu encarava mais um vez a mesma mancha de mofo no teto ouvi a porta ranger e alguém entrar.
Levantei o olhar e vi o promotor de justiça vestido num terno preto, gravata vermelha, olhos azuis cansados, cabelos metricamente arrumados, uma pasta na mão.
— Vamos tirar você daqui essa noite.
Não houve cumprimentos, não houve cordialidade, apenas jogou a notícia que eu tanto queria e sentou, afrouxou a gravata e esperou que eu absorvesse a noticía.
Sentei na cama e aguardei.
— Não vai ser fácil. — Ele disse. — Pelo que Alice disse Charlie está enlouquecido com sua ausência, as coisas nas ruas não estão boas.
— E Bella? E Alice? — Foda-se o que acontecesse comigo. Elas eram prioridade.
— Ele não desconfia de Alice. Ela está ilesa, mas me preocupa ela ainda estar dentro daquela casa.
Eu também me preocupava, queria que ela saísse de lá o mais rápido possível. Também não me passou desapercebido que ele não falou da Bella.
— E Bella? — Perguntei mais uma vez.
— Ele tentou pegar ela da casa da Rosalie. Emmett teve que chamar a polícia, e enfiou Tyler no meio. Tudo está um caos, os Crowley não estão muito felizes com essa atenção toda, Charlie parecia meio descontrolado segundo Emmett. Eles estão fazendo de tudo para mantê-la em segurança. Pra manter a todos em segurança.
— Ela está segura? — Era tudo que importava.
— Sim.
— Ótimo.
Jasper me passou os detalhes do plano de fuga. Com um documento de identidade novo, de acordo com o programa de proteção a testemunhas, Bella e eu dirigiríamos até o Texas, trocaríamos de carro duas vezes, dois policiais seguiriam a gente à distância, de forma discreta.
Dormiríamos em um hotel já pré-determinado, e com reservas feitas nos nomes falsos, seríamos um casal recém-casado que faria um tour pelo país de carro.
A viagem normalmente durava em torno de vinte horas, mas faríamos o percurso durar mais, evitando chamar atenção por velocidade, e por passar a noite no hotel.
Emmett iria desbancar Charlie e sua quadrilha com os mandados de prisão que eles já tinham, mas por segurança, Bella e eu estaríamos longe, corríamos ainda mais perigo por eu ser um delator.
Alice ficaria até todos na casa serem presos, evitando maiores suspeitas, e logo em seguida seguiria pra Califórnia, de lá ela daria os depoimentos, e viria para o julgamento, assim como eu.
Eram muitos detalhes, Jasper os repassou comigo três vezes antes de se dar por satisfeito.
— Tudo certo? — Jasper perguntou.
— Sim, tudo certo. — Garanti. Tudo que queria é que chegasse logo a hora, e que desse tudo certo.
Jasper se manteve em silêncio e apenas me encarou.
Ele não precisava dizer nada. Eles estavam fazendo tudo que podiam, mas os riscos eram altos, Charlie estava enlouquecido atrás da filha e atrás de mim. Não tínhamos ideia de como seria daqui pra frente e Jasper tinha receio.
— Obrigado, Jasper. — Agradeci sinceramente.
O promotor mal me conhecia, ainda sim estava ajudando tanto, que nunca poderia expressar em palavras. Fazia muito mais que um promotor fazia. Jasper agia realmente querendo justiça.
O loiro assentiu. Se levantou pra sair, pra ajeitar os últimos detalhes do plano, o acompanhei até a porta.
— Jasper? — Ele se voltou pra mim.
— Não deixe nada acontecer com Alice. Por favor.
A fachada endurecida dele dissolveu um pouco.
— Vou cuidar dela. Eu prometo.
Confiei nele, mais uma vez. Com esse acordo fechado, Jasper saiu e eu fiquei sozinho mais uma vez.
*
Aguardei impaciente e inquieto, andei de um lado pra outro. Revisei cada detalhe em minha mente e quanto mais perto da hora de dar início ao plano, mais meu coração se acelerava, vinha um amargor na boca e o estômago se revirava.
Na hora marcada dois homens entraram no quarto, eram dois homens, mais ou menos da minha idade.
Não falaram muito, apenas que seguiriam Bella e eu de forma discreta, também usando nomes diferentes, e um pretexto diferente em cada parada.
Jasper não estava, era menos arriscado assim.
Desci as escadas que davam acesso a garagem descoberta do motel, nas circunstâncias não era ideal, mas era o que tínhamos.
Eu usava uma blusa de frio preta com capuz, escondendo meus cabelos cor de cobre chamativos, bem como óculos escuros, corpo relativamente encurvado pra disfarçar a altura.
Entrei no carro e segui o Toyota preto até um local ermo, onde apenas uma cabana se encontrava iluminada.
Parei meio preocupado. Eles podiam dar cabo da minha vida ali mesmo, e ninguém saberia. Confiei no instinto que sempre tive e parei o carro.
Os dois homens desceram e se aproximaram de mim.
— Temos que ser rápidos.
Acompanhei seus passos ligeiros, e adentramos a cabana. A primeira coisa que reparei foi na morena que se jogou em meus braços.
Emmett deu um sorriso tenso e nos dispensou rapidamente.
— Vocês precisam ir agora. — Ele estendeu a Bella um casaco escuro como o meu, e um lenço colorido, assim como os óculos escuros.
Segurou a mão de Bella e beijou.
— Fica bem, Bellinha. Eu vou cuidar de tudo por aqui. — Com uma piscadela ele nos empurrou em direção à porta. — Não se esqueçam de ir avisando onde estão, qualquer problema nos ligue.
Assentimos e entramos rapidamente nos carros, ansiosos pra colocar uma boa distância entre nós e Detroit, só então estaríamos longe dos domínios de Charlie Swan e enfim eu poderia respirar um pouco aliviado.
Após dez minutos calados quebrei o silêncio.
— Achei que você não viria.
Bella suspirou e olhou pro outro lado.
— Eu sei que você não me entende completamente, Edward, sei que é difícil de entender, mas ele é meu pai. Talvez, o motivo pelo qual eu esteja indo seja porque ele colocou sua vida, minha vida em risco. — Ela deu uma pausa. — Eu só aceitei vir depois que ele surtou e tentou me levar à força da casa de Rosalie, pra ser sincera, antes disso eu realmente não sabia se viria.
Permaneci calado esperando ela continuar.
— Apesar da frieza, da indiferença, de me usar, das agressões que sofri algumas vezes, da agressão verbal, apesar de tudo isso, ele era meu pai. Eu tinha esperanças de que talvez, algum dia, não sei, Edward, eu só não sei. Talvez eu não quisesse acreditar que ele era assim, eu só queria que ele fosse meu pai.
Bella devaneava tentando explicar o que ia em seu coração, mas eu já sabia.
— Eu sei. — Disse simplesmente. — Você o ama, e queria que ele te amasse de volta.
Ela concordou envergonhada.
— Ele não é uma boa pessoa, talvez nunca tenha sido, e sei que ele não tem mais volta, ao menos não nessa vida, mas eu só não podia entregar ele assim, é o único laço de sangue que tenho.
— Eu não te culpo. — Levei sua mão aos meus lábios. — Se eu tivesse alguém da minha família, eu faria de tudo, de tudo mesmo pra que essa pessoa ficasse segura e perto de mim.
Erámos estranhos, nos entendendo enfim.
Um sentimento de paz me tomou, uma pontada de esperança de que algo poderia dar certo.
Liguei o rádio numa música animada qualquer, olhei pelo retrovisor e continuei seguindo em direção a saída que dava pra Toledo, nossa primeira parada pra trocar de carros.
Vinte minutos depois, quase chegando ao limite da cidade de Detroit senti um arrepio na espinha. Algo estava errado. Olhei pra todos os lados e não vi ninguém, não vi nada.
Ainda não tinha amanhecido e apenas nós estávamos na estrada, poucos carros se aventurando por ai.
O frio na espinha ficava mais persistente, e eu não conseguia saber o que estava acontecendo, o que me frustrava.
Continuei guiando pra saída.
Faltava pouco, tão pouco.
Mais um cruzamento e alguns quilômetros e sairíamos da cidade.
Esperançoso e ignorando o instinto dentro de mim cruzei a rua, o estrondo a seguir me pegou de surpresa.
Em instantes tudo havia se tornado um caos completo.
A avenida que segundos antes estava vazia agora estava se enchendo, o carro dos policiais que nos seguiam arremessado do outro lado da rua por uma caminhonete. Um homem se aproximou com a arma em punho e atirou. Dois disparos, duas mortes certas.
Acelerei o carro tentando fugir do caos, mas a frente já havia se tornado uma barreira com três carros impedindo a passagem.
Freei bruscamente com o coração acelerado.
Bella até então não tinha emitido um ruído, mas seus olhos estavam arregalados, a pele pálida.
A fuga havia falhado, nossos planos haviam sido frustrados, tanto tempo de planejamento e fomos pegos.
— Olha só o que temos aqui. — Charlie aparece na frente do carro.
Olhei pelo retrovisor ainda buscando uma fuga, mas não havia, estávamos encurralados.
Eu queria ter dito a Bella que a amava mais vezes, queria dizer a ela que ficaria com ela até o fim, queria que tivéssemos tido chance de sermos normais, mas não tínhamos mais muito tempo, segurei sua mão, olhei em seus olhos emanando tudo que sentia.
Ambos sabíamos que minhas chances de sair vivo dali eram nulas, e vi o desespero no olhar de Bella. Apertei sua mão com força, e assenti, era hora de abraçarmos nossos destinos.
*
Eu saí da rua vivo, amarrado e jogado no porta malas do carro fui levado pra um galpão do Swan, não sabia qual era, mas reconhecia que já estive ali em algum momento durante todos aqueles anos.
Estava apavorado de medo por Bella, sem saber o que estava acontecendo com ela.
Senti quando o carro parou, o porta malas foi aberto, e fui recebido com socos, nas costelas e no rosto.
Não tinha como reagir. Jogado numa sala vazia, esperei a morte vir, porque eu sabia, ela viria, era apenas questão de quando.
Tempos depois ouvi a porta se abrir, arrastado fui parar numa área geral do galpão, Bella estava lá. Só de saber que ela estava viva já era um alivio.
Queria correr até ela, mas os homens que me seguravam não permitiriam. Me mantive quieto e em alerta.
Alice estava na sala. O rosto vermelho, marcado por agressão. A fúria em mim aumentou, e apesar disso em nenhum momento desconfiei de Alice.
Havia um traidor, mas não era um dos meus.
— Vocês acharam mesmo que eu não ia descobrir a fuga, o caso? — Charlie riu. — Vocês são mais idiotas do que eu pensava. Eu sempre soube do casinho de vocês. Eu deixei, queria ver até onde vocês iam, e quer saber, foram longe demais. Eu devia ter parado vocês antes, agora é tarde demais. Vocês ficaram juntos porque eu deixei! Eu permiti! E como me retribuem? Me traindo.
Charlie parecia estar meio enlouquecido, o olhar não se focava em lugar algum, sua fala ia e voltava.
Bella estava assustada, marcas de mãos em seu pescoço, olhos vermelhos, lágrimas escorriam por seu rosto. Eu a analisava enquanto pensava como tira-la dessa.
Alice não estava amarrada, mas estava machucada, meio jogada no chão. Olhei pra ela que apontou pro seu pé, que aparentemente deveria estar ferido.
Tentei não pensar no que havia causado aquele ferimento. Respirei fundo e voltei a atenção pra Charlie.
— Ah, garoto, vocês estragaram tudo. Vocês, por causa desse casinho de vocês foderam a operação de uma vida! — Ele rugiu.
E então a tortura começou.
Rasgaram minha blusa, e com armas de choque me machucaram, a cada nova descarga Bella gritava, Alice chorava baixinho, e eu tentava não emitir nenhum ruído, tentava me manter calado, mas algumas vezes, a dor era demasiada.
As descargas elétricas eram alternadas com sacos plásticos na cabeça pra tirar o ar e violência física. Eu tinha alguns ossos quebrados.
— Para! Por favor, para! — Bella implorava. — Charlie, pai, por favor.
Bella caiu de joelhos aos pés do monstro que era seu pai, implorando por mim.
A bile subiu e eu vomitei no chão. Meu corpo estava fraco e torturado.
— Minha filha. Minha fodida filha pedindo por esse merdinha! — Charlie rosnou e enfim sujou as mãos.
O grito que saiu da minha garganta quando sua mão acertou Bella fez remexer os homens ao meu redor.
Charlie me ignorou, apontou pra um dos homens.
— Leve ela lá pra dentro, quando acabar aqui me resolvo com essa puta.
Alice não demonstrou emoção pra sentença de Charlie, ela não se importava consigo mesma, seu sofrimento se dava a mim e Bella.
O filho da puta puxos os cabelos negros, e me remexi, tentando me soltar, eles não deram brecha. Um dos capangas de Charlie saiu arrastando Alice, que mal se matinha em pé devido ao pé machucado.
Eu precisava me soltar, dar um jeito de fazer algo.
Eu conhecia aqueles homens, não sabia seus nomes, mas eles trabalhavam pra Charlie, assim como eu. Eles conheciam Bella, e podia sentir que apesar de não serem bons, que a situação com Bella era diferente.
Ela sempre havia sido gentil com todos, sempre alegre, e Charlie era pai dela, o que tornava tudo mais horrendo.
Mas para o homem ensandecido em nossa frente não parecia fazer diferença.
Charlie segurava os cabelos de Bella e a sacudia, gritando, xingando. Bella apenas chorava. Meu coração sangrava.
Um soco, um chute, Bella caiu no chão desacordada.
— Isso é culpa sua, garoto. Se tivesse deixado o pau dentro das calças, nada disso teria acontecido. É tudo culpa sua! Eu avisei. Quantas vezes eu avisei pra você se manter longe, quantas vezes eu alertei, Tiger? Mas você não me deu ouvidos. — E então ele me acertou na costelas de novo.
Eu ignorava o falatório de Charlie, concentrado em Bella, seu corpo subia e descia lentamente, ela estava viva, não bem, mas viva, e eu faria com que ela se mantivesse assim.
Vi suas pálpebras tremeluzirem, indicando que estava acordando. Suspirei aliviado e senti o pulmão arder.
Bella olhou ao redor, piscou algumas vezes e as lágrimas voltaram a cair de seus olhos.
Charlie se voltou pra ela mais uma vez, vendo minha atenção focada nela.
Eu não suportava mais aquela situação, precisava agir, antes que fosse tarde demais. Respirei fundo, e pensei rapidamente no que fazer pra tirar Bella dali viva.
Meu corpo doía, e como doía, eu tinha sido espancado pela última hora, mas nada doía mais que minha alma. Minha alma sangrava ao vê-la tão machucada, tão indefesa, minha pequena guerreira, minha tigresa.
Dizem que a gente só dá valor quando perde e realmente é verdade. Eu tive anos me abstendo de ter Bella, lutando contra o amor que eu sentia por ela, e quando a tive, quando tive a chance de ser dela, tiravam isso de mim. O grito de Bella me tirou do devaneio.
— Sua ordinária! — Mais um tapa em seu rosto. Lágrimas escorriam livremente. Ela devia sentir muita dor. — Era pra você ser minha porta de saída, Bella, meu grande trunfo, mas não, você fez tudo errado e colocou tudo a perder.
Eu a via chorar, ela não merecia chorar, ela tinha que ter um sorriso em seu belo rosto, sempre. Mas aquele filho da puta ia pagar por cada lágrima que ela derramava, por cada marca em seu corpo, por toda a dor que a fazia sentir.
E eu seria aquele que o faria sofrer e sangrar até morrer. Eu daria um jeito de ser eu.
Um rosnado saiu do meu peito fazendo os homens no recinto me olharem, eram um total de 5 naquele galpão abandonado, entre eles o pai e o noivo de Isabella, noivo esse que até então se mantivera quieto, calado, apenas observando. Havia um pouco de horror em seu olhar, o garoto só queria se dar bem, talvez passar Henry pra trás. Mas não imaginou que teria de sujar tanto as mãos. O que mais me frustrava é que ele podia fazer algo, e não fazia.
— Charlie, eu sou sua filha — Ela suplicou. O olhar gelado dele foi um gatilho em meu peito enquanto ele dava mais um chute nela que já se encontrava caída e encolhida no chão, ela estava muito debilitada, mas ela tinha que ser forte, só mais um pouco, eu daria um jeito, Deus me ajudasse mas eu daria um jeito de libertar ela daquela tortura.
Eu era mais forte que a maioria que ali se encontrava, mas naquele estado eu não sabia do que era capaz, mesmo sendo o melhor cão de briga de Charlie Swan.
Aproveitando a distração que a dor de Bella causava, ainda mais se tratando de ser torturada pelo próprio pai, algo que causou desconforto em todos que ali se encontrava, eu agi.
Com um rápido movimento peguei a arma de um dos homens que me seguravam, acertando um sem que ele nem percebesse, derrubei o outro com um soco certeiro com todo minha força o fazendo cair um pouco atordoado.
Mirei Tyler antes que ele se aproximasse de Bella.
— Corre, Bella, corre pra bem longe, o máximo que puder, não volta, e não olha pra trás!
Eu morreria aquela noite, não tinha ilusão de sobreviver aos 4 homens que me olhavam atônitos por ainda estar de pé após toda aquela tortura. Minha menina me olhava atordoada, em choque.
— Corre, porra!— Gritei com ela, ela precisava correr, sair dali.
Tyler deu passo em sua direção enquanto ela se levantava, observei o movimento e atirei no braço dele, eu morreria ali, mas o filho da puta morreria comigo.
Olhei pra minha amada pela última vez, com o corpo ferido, ensanguentada, seus olhos não desgrudavam dos meus, ela chorava, mas ela sabia que precisava ser feito.
A risada de Charlie foi a primeira que ouvi antes da porta se fechar.
— Você realmente acha que vai sair daqui vivo, Tiger? — Seu olhar era de ironia. Era eu contra Charlie, Tyler baleado no braço de raspão, e dois capangas. As chances não eram boas, mas quando elas foram?
Ao fundo ouvi o barulho de sirenes o que deixou todos alarmados e eu suspirei de alívio. Tyler saiu correndo por afora, buscando se salvar, virei pra olhar de frente pra Charlie. Havia chegado ao fim, pra mim e pra ele.
Algo atrás de mim chamou atenção do velho Swan e isso me alarmou, meu coração gelou em meu peito, eu sabia o que era, ou melhor, quem era, eu sempre saberia quando fosse ela.
Olhei pra trás, sem nenhuma surpresa Bella estava ali parada, uma arma na mão, tremendo, chorando e encarando Charlie que ainda estava em choque como os demais, como eu.
— Amor — Sussurrei baixinho, mas ela ouviu, suas mãos tremeram mais.
Já ouvi falar que a linha entre o amor e o ódio é tênue, tinham completa razão, eu vivenciei o amor de Bella pelo pai, naquele instante, reconheci o ódio.
— Eu sou sua filha, porra! — Ela gritou e apertou o gatilho
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