Arena Mortal
14 Capítulo 13 - Hora de Agir
Notas iniciais
Lizzie não era a melhor cozinheira do mundo, sequer era a melhor mãe do mundo, mas era tudo que eu tinha, e aquele pouco, eu amava.
Amava quando ela cozinhava pra mim, era mais um momento em que ela estaria ali comigo, apenas comigo, sem drogas, sem homens, apenas uma mãe e seu filho.
Naquele dia ela fazia macarrão com queijo. Simples, prático e rápido. Lizzie cantarolava uma música qualquer enquanto se movia pela cozinha. Seus cabelos rebeldes como os meus estavam esvoaçados, e ela sorria. Seus dentes eram um pouco tortos e um pouco amarelados, mas aquele sorriso exalava uma alegria muito rara em nosso simples lar. Era o sorriso mais lindo do mundo pra mim. Ela era a mulher mais linda do mundo.
— Venha Edward, me ajude a colocar á mesa. — Mamãe pediu.
Eu peguei dois copos, a jarra de suco, enquanto ela pegava o macarrão e os pratos. Nos sentamos à mesa, mamãe nos serviu. Peguei meu garfo, enfiando rápido a primeira garfada na boca.
— Edward! — Ralhou ela. — Primeiro vamos agradecer.
Parei meio sobressaltado. Não erámos religiosos, e poucas vezes falávamos de Deus ou qualquer outra coisa nesse sentido em nossa casa.
— Eu começo. — Ela me olhou. — Querido Deus, obrigada pelo alimento, pela casa, e pelo filho maravilhoso que eu tenho.
Mamãe terminou e eu fiquei calado, não sabia ao que agradecer.
— Querido Deus, obrigada por tudo. — Sussurrei baixinho.
Mamãe sorriu e bagunçou meus cabelos.
— Você é esperto demais filho, enquanto eu falei demais você resumiu tudo. — Sorri envergonhado. — Vamos. Coma antes que esfrie.
Comemos em meio a um semi silêncio quebrado apenas pelo som dos talheres e copos sendo colocados na mesa.
Ao acabarmos de comer Elizabeth me chamou pra sentar com ela na sala. Nosso sofá estava velho e endurecido, assim como com um forte cheiro de mofo e de bebida velha.
— Me conta da escola Edward. Você gosta de lá?
Em um gesto inusitado mamãe perguntou de mim e realmente me ouviu, realmente escutou o que eu tinha pra dizer, das coisas que gostava e do que não queria.
— Eu gosto da escola, só não gosto de alguns garotos, eles ás vezes são ruins. — Falei baixinho, contando pela primeira vez aquilo.
— Algumas pessoas são ruins queridos, e você é bom demais pra esse mundo cruel. — Ela suspirou. — Eu amo você Edward, você é minha vida.
Adormeci no aconchego da rara demonstração de amor materno, acordei e mamãe não estava mais ali.
Eu estava só, mais uma vez.
Havia sido um dia incomum em nossa casa. Um que se repetiria pouquíssimas vezes antes de Lizzie morrer e me deixar de vez.
***
O clima estava agradável naquele início de maio. Quente, mas fresco.
Era fim de tarde, eu seguia em direção a Arena. Aquela noite ia lutar, depois de muito tempo afastado.
Era estranho estar tanto tempo longe. Tanta coisa tinha mudado.
Batuquei os dedos no volante. Olhando os carros parados no semáforo. A última vez que estive na Arena, não estava com Bella, não tinha um policial como espião que era meu amigo, e Hannah estava viva.
A perda dela ainda era uma ferida aberta. Quase um mês de sua morte e muitas vezes eu ainda esperava uma mensagem, esperava sua risada amarga, ou sua ironia, esperava sua companhia.
Quantas vezes voltei no maldito galpão em que ela foi morta, buscando por justiça.
Não, justiça não. Se eu fosse sincero comigo mesmo, eu queria vingança. Queria sangue, queria morte.
Era estranho pensar que um cara que nunca foi do tipo sentimental de repente tivesse se deixado levar como me deixei, e depois de muito analisar e não me reconhecer, além de falar com Alice sobre o assunto, percebi que a mudança veio no momento em que Bella passou realmente a estar em minha vida. Ela sempre esteve por perto, mas nunca havia sido parte de mim, agora ela era.
Com a morena ao meu lado eu realmente tive amor, me abri pras pessoas, pros amigos, abaixei a guarda e os muros. Segundo Alice, eu ainda era o Tiger, mas pra algumas pessoas, por alguns momentos era apenas Edward.
Hannah tinha sido uma dessas raras exceções, assim como Bella sempre havia sido, e agora havia Emmett e outros. Outros como Alice, Rosalie e seus pais.
Suspirei frustrado.
Emmett era o policial que eu ia precisar se eu quisesse mesmo me vingar, policial o qual poderia destruir tudo, ou me ajudar em tudo. Ele andava investigando, mas até agora não tinha muito pra me falar.
Eu estava vivendo numa faca de dois gumes, onde sim eu ia cair, tinha certeza, mas eu levaria muita gente comigo.
Eu sempre soube que um dia cairia, por muito tempo esperei, almejei cair e não levantar mais. Esperei que a morte viesse rápida e imbatível, mas ela nunca veio, então sabia que cairia de outra forma.
Minha vida era realmente fodida.
Estacionei do lado mais distante da estrada, junto com os outros carros, não que chamar a atenção fosse um problema pra fodida polícia comprada de Detroit.
Desci do carro e bati a porta com mais força do que o habitual.
— Todos esperam toda essa energia na luta Tiger.
Alice estava encostada num carro próximo. Passei as mãos pelos cabelos frustrado. Eu não reconhecia mais o Tiger que lutava aqui de forma tão agressiva e imperiosa. O único lugar em que dava vasão para suas emoções, que era implacável, que nada temia.
— Vamos ver se ainda sei fazer isso. — Brinquei amargo.
Analisei Alice com atenção. Eu não era a única a quem a morte de Hannah havia afetado. Desde o dia do velório Alice se tornou mais sombria, notei a perda de peso, e os olhos mais fundos. Quase ninguém notaria, mas era como olhar no espelho.
Alice se deixou vulnerável, em algum momento naquela vida de merda aprendemos a amar algumas pessoas, mesmo sem querer.
— Foda-se Tiger. Para de me olhar assim! — Xingou a morena.
— Assim como?
— Como se pudesse ver minha alma. Você, Bella, Sue! Estou farta de vocês.
— A gente esta cuidando de você Alice. Bella está preocupada. — Dei de ombros.
— Não preciso que cuidem de mim.
— Todos precisam de cuidado. E Bella adora cuidar das pessoas, principalmente daqueles que ela ama. Ela é do tipo que protege. — Passei a mão pelos cabelos mais uma vez.
Estava louco pra fumar, mas contive o impulso.
— O poderoso Tiger derrotado por uma mulher, nunca imaginei que veria esse dia.
Eu ri amargo e baguncei seus longos cabelos negros.
— Na verdade você torceu e muito por esse dia Alice. — Fixei meu olhar nela. — Talvez, nós também mereçamos redenção.
Ela segurou a respiração por um segundo, e então soltou.
— Talvez Tiger. Agora vá lutar, e mostrar pra sua garota pro que veio.
Eu congelei. Bella estava ali. Eu não havia previsto aquilo. Eu não queria ela ali.
O olhar penalizado de Alice era a confirmação que eu precisava.
Bella estava lá dentro. Provavelmente com o cara que era “noivo” dela, onde sentaria e veria meu lado mais cruel e brutal. Onde veria o monstro que eu era, mais uma vez.
— Por que? — Perguntei amargurado.
— Porque Charlie quis. — Foi sua resposta simples, crua, sem emoção.
— Então ele voltou a ativa?
Charlie andava sumido de seus negócios escusos, tentando manter a fachada de bom moço pra porra das eleições que ele tanto almejava vencer, eleições que já estavam compradas. Compradas através de um noivado, como se Bella fosse a porra de uma moeda de troca, como se fosse uma mercadoria, uma gado que ele vende por míseros milhões, e não sua filha, não a mulher que eu amava.
Tive vontade de rugir, de socar a parede, de destruir tudo que via pela frente.
— A gente sabia que ele não ficaria longe pra sempre.
Eu sabia, realmente torcia pra que ele não voltasse, mas sabia que um dia ele voltaria. Sabia que aqueles meses de felicidade, de liberdade, não durariam para sempre, que eram como a calmaria que vem antes da tempestade.
Eu só esperava que depois da tempestade, viessem tempos de paz eternos.
Mal sabia eu o quão iludido estava, e que aquela noite seria não o pontapé de uma tempestade, mas de um tornado que destruiria tudo aquilo que eu sempre quis, e que por ínfimos meses me pertenceu.
— Eu não sei como Edward, mas vamos dar um jeito de fazer dar certo. — Alice sussurrou baixinho.
Assim como pra mim, pra ela, ter esperanças era algo muito difícil, até doloroso eu diria, e naquele instante, percebi mais uma vez, o quanto eu era importante pra Alice. O quanto nos últimos meses criei um círculo de pessoas a quem queria proteger. Era ao mesmo tempo acalentador e assustador.
Não havia resposta certa para dar a Alice, então só assenti. E olhei pro outro lado.
— Vamos Tiger. Está na hora.
Segui Alice para dentro da Arena. Pro mesmo lugar onde Hannah morreu em meus braços, pra onde já tinha destruído diversos homens, pra onde Bella estava.
Cada passo que dava tornava minha respiração mais rarefeita, ficava mais difícil puxar o ar. Caminhei sem ver pra onde ia, ou por quem passava.
Cheguei na pequena arena em quem lutava sem realmente ver. Tirei a blusa e joguei no chão, passei por entre as cordas e me dirigi para um dos lados, não olhei pra ninguém, evitei deliberadamente o público nas arquibancadas.
Encarei o chão sujo em que pisava sem querer ver nada, sem querer estar ali, sem querer machucar mais um pobre coitado por causa da ambição de outros.
Eu não era mais aquele homem que lutava ali, eu não era mais apenas um pau mandado de um fodido traficante. Eu não sabia mais quem eu era, mas tinha certeza que não era mais aquele que sentia prazer em lutar ali, em machucar, em libertar a parte animal em mim.
— Inferno Tiger, que diabos há com você? — Os olhos gélidos de Liam tentavam me entender.
Bem vindo ao clube, pensei ironicamente.
— Nada. — Respondi seco.
— Está pronto pra lutar garoto? Tem muita grana apostada hoje. Tinha tempo que não fazíamos um evento aqui.
Grunhi qualquer coisa ilegível e encostei nas cordas, aguardando o sinal pra lutar.
— Porra Tiger! — Ele xingou.
Ignorei ele, e continuei encarando o vazio,
Vi na hora que um garoto entrou ali, vi que suas pernas tremiam, consegui perceber que era jovem, e nos seus olhos tinha temor. Tive pena. Um jovem garoto, que tinha perdido sua vida pra filhos da puta como Charlie e Liam terem dinheiro.
Um menino que se perdeu, como tantos outros.
A raiva que senti naquele momento não era do garoto, era da vida, era do fodido destino e da merda que todos ali viviam. Senti nojo e ódio, um ódio tão profundo que se pudesse incinerava todo aquele lugar.
Ouvi o som que liberava pra lutar, mas não conseguia me mover, não queria me mover. Ficamos parados nos encarando, não nos movíamos e a multidão começou a rugir, querendo sangue, morte e dor. Ninguém naquele lugar maldito merecia viver.
Vendo minha inércia o garoto aproveitou e atacou, seu soco foi certeiro, mas ainda sim fraco. Não reagi, ele socou o outro lado. Ganhando confiança acertou o estômago, perdi o ar, mas me mantive de pé, encarando aqueles olhos que ganhavam mais confiança, que via ali sua chance de fuga, ou do que diabos eles haviam prometido à ele caso ganhasse do poderoso Tiger.
Ele tentou me derrubar com uma rasteira, esquivei mas continuei sem atacar, deixando ele acertar.
A multidão rugia ensandecida, ouvia meu nome sendo gritado, ouvia vaias e gritos, tinha incentivos e vaias, e eu continuava a aceitar os golpes do menino sem revidar, revoltado e cansado daquele circo.
Ouvi o som do gongo parando a luta e Liam vindo pro meu lado enfurecido. Sua expressão corporal era a mesma de sempre, mas seus olhos diziam a raiva que sentia, eu queria rir, mas nem isso consegui.
— O que pensa que está fazendo moleque? — Ele rugiu baixo.
— Lutando. — Respondi.
— Lutando? O caralho que você está lutando!
— Existem diversos tipos de lutas Liam. — Respondi com ironia.
— Você está me desafiando? Isso foi um fodido desafio? Já se esqueceu que sua putinha morreu aqui nesse lugar Tiger? Quer que mais alguém morra por sua causa?
Bella. Ele sabia sobre Bella.
Eu congelei. Era uma ameaça velada. Uma ameaça a ela. A raiva queimou em meu ser. Eu estava apavorado, Bella não podia sofrer por minha causa.
— Ótimo. Era esse Tiger que queríamos, agora volte para a Arena e faça seu serviço direito.
Liam saiu do rinque e fiquei encarado sua silhueta com ódio, o mais profundo desespero, o mais paralisante dos medos.
Olhei pro garoto que tomava água e suava muito enquanto pensava em como aquela noite acabaria.
O gongo soou novamente, dessa vez não esperei, acertei o primeiro soco, e então dei uma rasteira.
A confiança que ele tinha? Foi-se num estalar de dedos, ou melhor, com um soco.
Ele me encarou alerta, esperando de onde viria o próximo golpe. Deixei ele se aproximar e me chutar, então acertei seu estômago, ouvi o ar saindo de seus pulmões, senti meus olhos arderem, mas ignorei, e continuei acertando.
Não sei como ou quando, senti o braço dele se mover e o brilho de uma lâmina arranhar meu braço, vi sangue escorrendo mas ignorei.
Ele não tinha me irritado ao me ferir, ele só estava ali lutando por sua vida, mas eu lutava por algo muito mais precioso. Eu lutava por Bella.
Apertei seu pulso até soltar a lâmina e a chutei pra fora, olhei pra ele com compaixão, antevendo os últimos golpes, quando ouvi um barulho atrás de mim.
Mal olhei pra trás, pois já sabia quem era.
Bella subia no rinque como a deusa que era, a deusa na cama e fora dela. Em uma me dando todo o prazer que podia se pensar, no outro me trazendo a paz que sempre quis e nunca encontrei.
Bella se dirigia ao lado que nos encontrávamos com completa segurança, ninguém falava dentro da Arena. Era a segunda vez que ela se impunha assim numa luta minha, sorri, mesmo sabendo que não devia.
— Deixe me ver. — Ela mandou.
Eu ainda segurava o garoto que se encontrava cada vez mais assustado e confuso.
— Anda Tiger! — Ela rosnou pra mim.
— Não aqui.
Ela resmungou algo sobre homem cabeça dura que ia sangrar até a morte, virou, desceu do rinque e não olhou pra trás. Ela sabia que eu seguiria ela, até o inferno se fosse preciso.
Dei um último soco no garoto, deixando-o no chão zonzo, dando a luta por encerrada e segui Bella.
Evitei olhar Charlie e Liam, aguentaria as consequências dessa noite depois.
Bella já me esperava no carro.
— Me dá as chaves. — Pediu com a mão estendida.
— Eu vou dirigir Bella.
— Há. Me dá logo a droga dessas chaves Edward. Você não vai dirigir sangrando desse jeito.
— É superficial Bella. Só um arranhão.
— Isso eu vou dizer quando olhar esse braço.
Eu sabia que ela era teimosa demais, então cedi, sentei no banco do carona, coloquei o cinto de segurança e sorri. Amava quando ela agia assim comigo.
— Tire esse sorriso da cara. Eu estou brava com você.
— Eu sei. — Suspirei. — Eu não queria lutar Bella, não quero que ache que ainda sou aquele homem. Eu...
— Eu sei quem você é Tiger. Durmo com você quase todas as noite, não ache por um minuto que não sei quem é porque eu sei. — Ela suspirou. — Eu só odeio essa situação, e não sei o que vai acontecer agora que sai de lá com você, e que deixei Tyler e o pai sozinhos.
Nossa situação estava piorando cada vez mais, eu tinha que pensar numa solução.
Sua mão acariciou o meu rosto.
— Volta a sorrir de mim e tira essa carranca do rosto. Vamos dar um jeito.
Eu ri amargo.
— Todos ficam falando isso, mas eu não sei como.
Ela me beliscou, eu sorri.
— Vivendo um dia de cada vez.
Beijei sua bochecha com carinho e deixei a nos levar pro nosso lar.
***
Esperei por dias um chamado, uma retaliação, esperei que Liam ou Charlie viessem atrás de mim.
Evitei por semanas ver Bella, o que não agradou nenhum de nós.
Mas nada. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação.
As únicas pessoas que iam ao meu apartamento eram Emmett pra lamentar a saudade de Rosalie, e choramingar que estava com saudade; e Alice, que jantava com a gente as vezes, ou apenas ia lá saber como eu estava.
Do apartamento aparecia na Arena, cumpria com o que tinha de fazer e fim.
Fim de maio estava chegando, e não aguentava mais de saudades de Bella, não havia percebido nenhum risco, e ela havia falado que com Tyler e seu pai estava tudo certo, que eles acreditaram na desculpa esfarrapada que ela deu sobre a necessidade de cuidar de alguém.
As coisas estavam calmas de novo.
Resolvi aparecer de surpresa na faculdade para buscar Bella, pra matar a saudade da minha garota.
Estacionei e mandei uma mensagem, informando a localização.
Ela entrou radiante e me beijou.
Um beijo cheio de saudades, de angústia, de paixão, de desejo.
Retribui com a mesma intensidade, apertando sua bunda e sentindo seu cheiro de morangos.
— Porra como estava com saudades! — Resmunguei em seus cabelos.
— Nunca mais vamos ficar esse tempo todo longe. — Ela ralhou mordendo meu queixo.
Gemi com tesão.
— Bella seja boazinha.
— Mas você gosta de mim assim, safadinha. — Disse com a maior cara de inocente.
— Errado. — Dei um peteleco em seu nariz. — Amo você de todo jeito. Agora se comporte até chegarmos em casa.
Foi a mesma coisa que dizer a Bella pra ser má, e ela foi.
Sua mão ficou passeando pro meu corpo, barriga e coxas, me fazendo resmungar e me contorcer enquanto dirigia, as vezes raspava no meu pau necessitado, me tirando o ar e me fazendo ansiar pelo momento em que ela iria toca-lo e prova-lo. Foram muitos dias de saudades.
— Gatinha você está me enlouquecendo! — Reclamei.
— Estou? — Seu sorriso perverso dizia que era tudo intencional. — É que você me deixou de castigo por quase três semanas, só quero matar a saudade.
Engasguei com sua mão quente no meu membro.
— Porra. — xinguei.
Enquanto ela falava nem a vi abrindo a calça jeans, mas foda-se se eu não queria também.
Encostei o carro no primeiro lugar que achei, a tomei em um beijo bruto, violento de paixão e desejo.
Bella gemeu em minha boca.
Puxei seu cabelo.
— Você me faz perder o controle fácil demais.
Ela riu ela mordeu meu lábio inferior e passou a língua por meus lábios.
— É essa a intenção amor.
Precisava dela, precisava sentir seu calor e saber que estava tudo certo, por sorte o locar que estávamos parados não era muito movimentado, quase não tinha transeuntes, apenas carros passando por nós.
Abri o botão de sua calça jeans, olhando pros lados preocupados.
Bella esfregou a cabeça do meu pau, colocando a pressão que eu tanto queria.
— Ah Bella! Quando a gente chegar em casa...
— Vou ter que esperar tanto... — Ele gemeu quanto toquei seu clitóris inchado.
— Você também estava louca de saudade né gatinha.
Penetrei Bella com um dedo, sentindo o quanto ela estava molhada.
— Caralho Bella, preciso estar dentro de você!
— Preciso de você dentro de mim amor.
Bella me masturbava, enquanto tocava sua boceta molhada, esfregando seu clitóris de leve, colocando um pouco mais de pressão.
Bella se contorcia ao meu lado no banco, mas não deixava de me masturbar, ela gemia, e eu queria mais que tudo que ela me colocasse na boca, e estar dentro dela, tudo ao mesmo, mas a última pontada de consciência que eu tinha me dizia que não podia. Não ali.
Apressei meus dedos dentro dela, aumentando o ritmo e a pressão, precisava dela sem roupa e a minha mercê.
— Amor estou quase lá. — Bella remexia e grunhia e me apertava mais forte.
Bella enterrou seu rosto em meu pescoço e mordeu com força enquanto sua boceta me apertava da mesma forma. Grunhi chegando ao orgasmo, sujando sua mão, minha camisa e partes do carro.
Bella olhou pra bagunça que fizemos, e começou a gargalhar. Rindo histericamente, sentou em seu banco olhou ao arredores e só então se deu conta de que estávamos em uma rua em que passavam diversos carros.
Seus olhos se arregalaram, sua boca formou um O perfeito, as bochechas que já se encontravam vermelhas do orgasmo ficaram ainda mais rubras, a vermelhidão indo do pescoço até as orelhas e então eu comecei a rir.
Ela bateu em meu braço.
— Não tem graça Edward! Como não vi que estávamos no meio da rua?
Dei de ombros fechando o zíper da calça e tentando limpar a bagunça que fizemos com a blusa de frio jogada no banco de trás.
— Você só estava cheia de tesão e com saudades gatinha. Você não fez nada errado. — Beijei a ponta da seu nariz, virei pra frente e guiei em direção pra casa.
Eu ainda a queria aquele dia, por várias vezes, em todas as posições, de forma apaixonada e de forma delicada, eu simplesmente queria Bella marcada na minha pele.
Dirigi pra casa com duas sensações impregnadas em meu ser, alívio por ter Bella perto, e um estranha sensação de estar sendo observado.
Calei as vozes no meu íntimo, e ignorei como vinha fazendo tantas vezes nos últimos tempos, ignorando sinais e silêncios.
***
Acordei do jeito que mais gostava, com Bella sem roupas enroscada em meu corpo também nu.
Os flashs da noite passada me deixou excitado.
Eu havia tomado Bella mais três vezes aquela noite, uma no sofá da sala, de forma rápida e brusca, assim que entramos em casa. O oral dentro do banheiro, minha cabeça entre suas pernas tomando tudo dela, enquanto ela se entregava toda pra mim, que nem considerava como sexo de fato. Uma vez mais em nossa cama, de forma apaixonada, abrasadora. E a última vez, após termos dormido um pouco, acordei-a e adorei-a como princesa que ela era.
Amei Bella lentamente, sentindo seu corpo, seu cheiro, seus músculos me apertando e os sons que fazia enquanto estava dentro dela. A forma como se entregava enquanto gozava loucamente.
— Eu não acredito que depois da noite de ontem você ainda tem pique para mais. — Bella resmungou abrindo apenas um olho enquanto sentia meu pau já duro roçando sua pele.
Ri animado naquela manhã.
— Vai dizer que não ia querer gatinha.
— Claro, mas por favor, me dê alguns minutos pra acordar.
Abracei Bella com força e beijei suas bochechas, num surto incomum de carinho.
— Também estou feliz de estar com você Edward. — Falou Bella correspondendo ao meu abraço.
Me afastei relutante. Por mais que quisesse tínhamos que levantar. Emmett passaria pra buscar Bella, e leva-la pra casa de Rose, enquanto eu iria pra Arena.
Bella foi pro banheiro rebolando a bunda gostosa despudoradamente.
— Me faz companhia garotão?
— Não precisa perguntar duas vezes. — Caminhei rápido atrás dela, querendo aproveitar todos os instantes com minha garota.
Puxei Bella pros meus braços em baixo do chuveiro, e aproveitei aquele momento de paz enquanto a água quente escorria por nossos corpos, e sentíamos estarmos no nosso lugar certo no mundo: um com o outro.
***
Cheguei na Arena um pouco mais tarde do que o esperado, não tinha visto muito nem Liam nem Charlie após Bella parar a luta. Parecia que eles, assim como eu, estavam evitando esse confronto.
E quando me viam, não falavam sobre. Apenas davam as ordens e se afastavam. Parecia que estávamos jogando campo minado num computador, qualquer passo em falso e perderia tudo. Se bem que, ali era vida real, um passo em falso e alguém morreria. Mais alguém morreria.
Encontrei Liam no escritório, com as instruções para o carregamento de armas que chegaria aquela semana e repassariam para vendar e armar seus capangas.
Ouvi tudo com atenção, já acostumado com aquela parte dos negócios. Aquilo eu entendia, o que eu não conseguia compreender era como uma conversa sobre carregamento de armas se tornou a conversa que me fez perceber que andava desligado de tudo, que havia não só me deixado vulnerável, como a todos que passaram a importar pra mim.
— Sabe Tiger, o amor é uma coisa estranha, sinistra, destrói os homens mais poderosos. Ah o amor...um sentimento tolo para felinos tolos que não olham seus arredores.
Gelado, com o coração acelerado e uma fúria destrutiva dentro de mim me mantive calado e impassível.
— Esse maldito sentimento que te faz tão feliz? É ele quem vai te destruir e tudo aquilo que você tanto ama.
Liam saiu do escritório e me deixou sozinho. Sozinho com meus medos, minhas frustrações. Era a segunda vez que ele me dava uma ameaça velada. Era a segunda vez, e seria a última.
Eu havia falhado. Havia focado tanto em Bella e nos tempos bons que estávamos vivendo que me esqueci que estava rodeado de inimigos.
Mas não mais, era chegada a hora de agir.
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