A missiva era clara: os cidadãos do Sonhar desejavam um espetáculo. Quando Lucienne leu o conteúdo da carta e Matthew, o corvo de tão ácida eloquência, soltou um grasnado sarcástico, Morpheus dividiu-se entre despeito e descrença. Seus súditos, tanto os sonhos quanto os pesadelos, estavam deveras mais caprichosos.

Ora, essa! Um espetáculo? Por favor!

Morpheus era um Perpétuo, não um bardo, um apresentador circense, trovador, tolo ou palhaço. Por mais que considerasse sua função uma verdadeira arte, não se resumia a puro entretenimento.

E, ainda assim, ele se viu acuado para realizar esse Sonho em seu próprio reino. Penosa tarefa.