Encarar o Sonhar lhe trazia sensações difusas. Se a lhaneza lhe alcançava, certo dissabor mordia-o. Seu reino era ele próprio — em sua ausência, decomposto; em sua presença, vivaz — e era tão estranho que, mesmo os sonhos sendo naturalmente amorfos, Morpheus resistia à mudanças.

Lucienne aproximou-se com aquele olhar afiado.

— Acredito que, quando disse "nosso reino" há certo tempo, você me permitiu esboçar comentários, senhor.

— Estou ouvindo.

— Justamente é o que deve-se fazer. Ouvir. Vamos ouvir os sonhos e pesadelos e entender que espetáculo querem.

Morpheus encarou-a com discreta admiração. Curioso como ela não dizia "desejo" ou variantes em sua presença.

Notas finais
Lucienne sempre com boas ideias, não? E com cautela na boca para não mencionar o nome de quem bagunçou tanto a vida do Morpheus.