Are You Falling?

3 Capítulo 3 - Presenteada


Notas iniciais
Fiz esse capítulo com um pouco de pressa, então deve ter ficado muito confuso e sem sentido, no próximo capítulo eu tento consertar.

Estava tudo escuro, eu não conseguia ver, nem sentir nada. O pavor tomou meu corpo. A escuridão me deixava entorpecida, tudo estava errado. Escutei um barulho... Uma voz, talvez?Logo senti algo me puxando,eu não percebi que estava deitada. "Anjo," ele sussurrou, "eu vou te proteger de tudo." E roçou seus lábios na cicatriz em meu pulso.

Eu não costumava ter sonhos loucos, mas aquele superou qualquer expectativa de loucura. Quando acordei, senti todos os tipos de dores possíveis: dor de cabeça, dor nas pernas, dor no pescoço, dor na coluna, dor nos olhos, na barriga, no braço... Qualquer simples movimento já me causava dor.Senti um formigamento no braço esquerdo, era o unico que estava normal. Me esforcei para sentar na cama e liguei a luz. No meu pulso, acima da minha cicatriz havia uma mancha preta, em forma de pena, idêntica a do pescoço. "Ótimo, virei um pardal agora." Lembrei da pena que eu tinha guardado no porta-luvas do carro. Levantei, procurei a chave do uno e desci as escadas correndo. Quando abri a porta pensei estar vendo o segundo dilúvio. Tudo bem que o condomínio que eu morava não era um dos melhores, mas custava muito o dono construir um telhado até os carros? Corri até o único carro azul que eu vi no estacionamento, destravei a porta e me joguei dentro. Droga de chuva. Apertei minha blusa e vi a água escorrer até o chão do carro. Legal, agora vou ter que secar o carro. Encontrei algo brilhante no chão, era um colar de asas de anjo. A corrente, apesar de delicada, parecia ser resistente. Segurei o pingente com cuidado e percebi que era feito de prata de bali, atrás estavam gravadas as palavras "Anjo caído", estremeci ao toca-las, tudo parecia ter uma energia maior para mim. Coloquei-a no pescoço e a admirei com um carinho especial. Nunca acreditei em anjos, e esse "presente" não me faria mudar de ideia. Tirei a pena do porta-luvas e finalmente pude observa-la com mais cuidado, logo o aroma do carro mudou: passou de cheiro de jasmim (meu aromatizador barato) para um cheiro de Connexion Woods (todas as compras no Boticário com a Fernanda me trouxeram um conhecimento especial em perfumes). Logo lembrei do garoto do shopping... Seus olhos verdes me examinando, seus lábios formando um sorriso ao ver minha cara confusa, o calor que senti apenas com seu toque no meu pescoço, e seu cheiro intenso. Era o mesmo cheiro da pena. Ok, então ele é um psicopata louco por pássaros e perfumes que entra no meu quarto de noite, me droga e faz tatuagens em mim. Será que ele é louco a ponto de jogar um colar de prata no meu carro? Ri alto e pensei que eu que estava ficando louca. Eu realmente sabia lidar com coisas misteriosas, "paranormais", tinha duas tatuagens de origem desconhecida e não me questionei uma unica vez o que tinha acontecido. Sai do carro e corri para o apartamento, segurando a pena contra o peito. De algum modo, ela era importante para mim.

Era terça-feira, eu não tinha que ir ao museu e não veria o Kevin. Peguei o celular e digitei seu numero, hesitei ao apertar o botão verde, pensando no que ia dizer. Quando vi, já estava ligando.

– Oi, aqui é o Kevin, não posso atender agora, deixe seu recado e eu retorno depois.

– Oi Kev, é a Bells, acho que te devo uma explicação pela minha fuga repentina — soltei um riso fraco — e temos que conversar sobre o que aconteceu ontem. Me liga.

Senti um alívio ao desligar o telefone, não sei o que aconteceria comigo e com o Kev a partir de agora. Liguei para a Fernanda.

– Oi Fer, vamos almoçar no shopping?

– Vamos Bells, vem me buscar daqui a 10 minutos.

Legal, minha melhor amiga tinha preguiça de vir até aqui e gastar sua gasolina. Tomei um banho rápido, vesti um short jeans escuro com rebites, uma blusa preta com o desenho da torre Eiffel e um blazer preto com o Deathbat bordado nas costas. Peguei o modelador e fiz cachos quase perfeitos, meus cabelos ruivos estavam quase chegando na minha cintura. Peguei a chave do carro e fui correndo buscar a Fernanda, ela estava parecendo uma boneca. Olhei para o chaveiro de ursinho na sua bolsa e ri.

– Voltou a infância, Fer?

– To de greve de coisas adultas, de garotos e de doces. — Eu ri.

– Logo agora que eu ia contar sobre um garoto...

– Me conte tudo agora Bell.

– Eu não sei quem ele é. Alguém tem me mandado uns presentes estranhos e ontem, um garoto comentou sobre minha nova "tatuagem" lá no shopping. Ele é perfeito Fer, queria saber seu nome.

– Hmmmmmm, Bells se apaixonando? E o Kev?

Estremeci ao ouvir o nome dele.

– Eu tenho que me acertar com ele.

– O que houve Bells? Ele me mandou uma mensagem ontem e pediu pra eu conversar com você.

– Nós nos beijamos e eu vi o garoto, ai de repente eu não quis mais.

– Como você não quis o Kevin? Ficou louca Isabelle? Sempre achei que vocês fossem perfeitos um para o outro.

– Eu também, mas o garoto chamou tanto minha atenção que eu não consigo concentrar meu pensamento no Kevin. Eu não posso me apaixonar por quem eu não conheço.

Fernanda riu.

– Ora Bells, vamos conhece-lo então.

Estacionei o carro, suspirei e olhei para a Fer.

– Ok espertona, como vamos fazer essa proeza?

– Vou dar um jeito.- Vi seu sorriso malicioso e revirei os olhos. Minha melhor amiga era louca.

Eu realmente não queria me apaixonar, não queria sofrer novamente. Há alguns meses tive um namorado chamado Taylor. Eu realmente o amava e não escondia isso de ninguém, mas depois que ele terminou comigo, parei de acreditar nessas coisas de amor. Lembrar do Taylor fez algo doer em meu coração, como uma ferida que estava quase cicatrizada e de repente foi aberta de novo. Tentei mudar meus pensamentos, tentei prestar atenção no que a Fernanda falava, tentei pensar no Kevin, nada fazia as lembranças do Taylor saírem da minha cabeça. Vi Fernanda estalando os dedos na frente do meu rosto, logo voltei ao normal.

– Desculpa Fer.

– Vamos logo antes que o garoto domine seus pensamentos. -Ri junto com ela e sai do carro. Fomos até o elevador e entramos no shopping.

– Sabe, sempre achei que eu seria milionária um dia, mas não vou ser enquanto existir essas lojas. — Disse Fer, tirando a carteira da bolsa.- Preciso comprar jóias e bolsas, você me ajuda?

As vezes era completamente chato ter uma melhor amiga rica. Não estou reclamando da Fernanda, nunca faria isso, ela era como uma irmã para mim, me ajudou muito quando eu fui me mudar. Eu nunca me interessei pelo seu dinheiro, na verdade, fui descobrir sua fortuna muito tempo depois de começarmos a amizade.

Entramos em um loja de roupas e ajudei a Fer a escolher uma bolsa que custava mais que o meu salário. Depois fomos em uma joalheria, enquanto a vendedora mostrava peças de ouro e prata para a Fernanda, procurei nas peças de prata de bali algum colar parecido com o meu. Vasculhei a loja toda e não encontrei nada. Decidir ir ver na vitrine, sai da loja e fui olhar as joias para exposição. Logo sinto alguém me abraçar pela cintura e de repente, uma voz intensa e conhecida sussurra no meu ouvido:

– Não gostou do colar que eu te dei, Anjo?