Yasmin permanecia concentrada em sua pesquisa, até que algo veio a sua mente.

— Eu sou uma anta! — Ela rapidamente dá um tapa na própria testa.

A garota levanta o livro e coloca a sua folha contra a luz da lâmpada branca no teto.

— Era algo tão simples assim?! Eu sou mesmo idiota!

Ela tenta reproduzir o desenho que aparecera sobre a luz. A garota repete isso com todas as gravuras, contudo apenas sete delas apresentaram o segredo.

— Sete símbolos... — a garota suspira com força. — Agora eu sei por que substituíram esse método de cartografia... essa coisa dá muito trabalho...

Ela analisa os desenhos que adquiriu. Um deles chamou a atenção dela, era um desenho um tanto quanto peculiar.

— Esse padrão parece... um pássaro... vou começar por ele.

Seguindo o método descrito no livro ela recortou a figura e colocou-a acima do mapa maior, criando uma sombra sobre o mesmo. O método consistia em percorrer o desenho usando as coordenadas e o ponto criado sobre o mesmo dizia onde ficava o local. Esse método era trabalhoso, mas fora criado de propósito, pois objetivava a criação de coordenadas criptografadas. Assim seria mais difícil para alguém achar um local caso não tivesse o desenho contendo as informações de localização do mesmo. Yasmin repetiu o processo cinco vezes, retirando o desenho da luz e recriando as coordenadas em vários sentidos diferentes. Todas deram em um mesmo ponto.

— Não há dúvidas... só pode ser aqui. — Ela fez um círculo sobre o ponto indicado. — Esse padrão de mapa foi criado antes da grande guerra, então mesmo naquela época já deveriam usá-lo. Nesse caso não deve haver dúvidas mesmo. Mas... o que há nesse ponto?

O ponto em questão ficava nos arredores do país do vento. Era um ponto nas bordas do país, onde havia uma mina pública.

— A mina de Meruwlly. A maior mina pública do mundo.

Minas públicas eram comuns em Arctan. Elas serviam como uma forma de ferreiros ou profissionais de determinadas áreas adquirirem matéria prima de forma barata e rápida. Elas não eram públicas de fato, mas eram chamadas assim porque qualquer um poderia entrar e explorá-la. Mas se você quisesse sair de uma carregando algum minério, a história era outra. Você precisava de uma autorização do dono da mina, que no caso era o conselho mágico ou algum outro órgão do governo. Yasmin sabia desse detalhe, e era por isso que estava preocupada. Se existisse algo naquele lugar que ela precisava para entender melhor tudo aquilo, esse algo não seria tão fácil de se pegar. E pior, ela poderia nem o achar mais, pois alguém poderia ter chegado antes.

— Bom... eu não tenho outra alternativa...

A garota utilizou as coordenadas em outros seis lugares, usando os outros seis desenhos. Ela anotou todos os pontos e se deitou em sua cama, segurando o papel acima de sua cabeça.

“Todos esses pontos são longes. O mais perto é o da mina. Mas por algum motivo não me sinto muito animada para ir para qualquer lugar a não ser a mina... por quê? Eu estou me sentindo atraída por esse ponto em específico. ”

Ela fechou seus olhos e deixou os braços caírem para os lados em um longo suspiro. Yasmin encarou a porta, que estava fechada. Pensando em tudo que descobrira, ela decide ceder ao sono que tentava a todo custo vencê-la.

No dia seguinte, a garota acorda e se veste adequadamente. Ela corre para o saguão principal da guilda com um sorriso no rosto.

— Darukian!

— Oh, acordou cedo hoje!

— Sim, ainda preciso resolver algumas coisas antes de ir embora. E acho que vou fazer uma missão de despedida.

— Ah, entendo...

— Falando nisso, viu Sirulian? Acho que ele foi o único de quem não me despedi.

— Acho que ele está treinando naquele lugar.

Yasmin sorri e se apressa. Ela atravessa a cidade correndo, em direção as campinas verdejantes. Assim que se aproxima da saída da cidade ela vê a enorme cortina de fumaça e fogo que se estendia de forma ritmada acima da colina. Era um local mais morto das campinas, onde haviam poucas arvores. Ela se aproxima e logo vê Sirulian, concentrado, com um rosto ameno, treinando.

— Ei! — Ela o chamou com um sorriso. O garoto olhou para ela e parou seu treinamento, sorrindo de volta.

— O que faz aqui?

— É que eu precisava falar com você.

O garoto fechou os olhos e suspirou.

— Já até sei... eu ouvi o pessoal da guilda comentando.

— Ah, sabe é? Me desculpe por não ter te contado antes.

— Pois é, essas notícias costumam correr rápido. Quando vai embora?

— Bom... dentro de um mês, eu acho.

— E já sabe para onde vai?

— Na verdade, sim. Tenho uma ideia... uma pista! É o que eu vou fazer.

O garoto colocou sua mão atrás da nuca, ele parecia um pouco sem jeito.

— Bom, acho que não tem nada que eu possa dizer para te fazer mudar de ideia, não é?

— Acho que não.

— Bom... nesse caso... acho que vou sentir sua falta.

Yasmin ficou um pouco envergonhada e surpresa. Ela encarou o garoto, que evitava olhar para ela.

— Eu vou voltar. Eu prometo. Existem coisas aqui que são importantes demais para simplesmente abandonar.

— Você diz isso, mas...

Ela fechou seus olhos e abaixou a cabeça, com um sorriso.

— Ei... Yasmin.

— O que foi?

— Eu queria te dar uma coisa. — Ele a encarou com um rosto sério, enquanto pegava algo do bolso. Sirulian estendeu sua mão fechada para a garota. Ela posicionou a dela abaixo da mão dele, e então ele a entregou o presente.

— O que é isso?

— Um colar.

Ela estendeu seu fio preto a frente do rosto com as duas mãos e encarou o adorno feito de pedra a sua frente.

— Onde conseguiu isso?

— Eu que fiz. Assim que soube que ia embora, decidi fazer isso. O que achou?

— É bonito! Eu adorei!

— Achei que combinava com você.

A pedra tinha o formato de uma águia.

— Ei, você disse que assim que ficou sabendo..., mas eu só contei para o pessoal que ia embora ontem.

— Pois é... eu meio que fiquei a noite fazendo isso.

— Sério?

— Sim... na verdade foi até rápido.

Yasmin se lembrou que o garoto as vezes pegava missões de artes visuais, como aquela em que ele esculpiu aquela estátua para um festival.

— Você tem habilidade com as mãos. Ficou muito bom mesmo.

— Se minha carreira como guerreiro não der certo, pelo menos já tenho outra coisa para fazer. — Ele começa a rir da própria piada. Yasmin ri com ele.

— Ei, vou sentir saudades de você.

Ele olha nos olhos dela, e os dois se observam por alguns segundos.

— Bom. Acho que isso é um adeus, então.

— Adeus não, até logo. E, ei, eu ainda vou demorar algumas semanas para partir.

Sirulian sorri.

— Sim...

Ele estende sua mão para a garota, e os dois se cumprimentam. A garota se despede e vai embora, mas não antes de colocar o colar sobre o pescoço. Sirulian a encara se afastar de volta para a cidade enquanto sente a brisa da manhã bater sobre seu rosto. O garoto olha para o céu azul e suspira.

“No fim das contas, Tsuyoshis e Kagayashis não podem mesmo ficar juntos...”

Os dias se passam. Os últimos momentos de Yasmin dentro da LionHeart antes dela partir foram incríveis. Ela passou um bom tempo com todos ali. Yasmin aprendeu lições que jamais esqueceria. Na última semana dela a guilda resolveu fazer uma pequena festa de despedida. Darukian juntamente com Jotiel e alguns outros membros preparavam tudo. O rapaz foi até o quarto de Madeleine que esperava ansiosa pela festa.

— A festa vai começar dentro de algumas horas. Quer dar uma volta antes disso?

Madeleine olhou surpresa para Darukian, que entrava na sala com uma cadeira de rodas.

— Ora... uma volta?

— Por que não? Você tá nesse quarto há um tempão. Só tem saído da cama para tomar banho.

Com um rosto sereno, ela encarou a janela, distante.

— Pensando bem... acho que estou precisando de ar fresco.

Darukian se aproximou da cama dela, colocando a cadeira ao lado dela. O rapaz gentilmente colocou seu braço abaixo das pernas dela, colocando seu outro sobre suas costas. Madeleine o abraçou e ele a levantou.

— Você é bem mais leve do que pensei.

— Você está me chamando de gorda?

— Pense o que quiser. — Ele fala isso com um sorriso cativante no rosto.

Darukian a coloca delicadamente na cadeira.

— Onde está a Val?

— Acho que ela foi comprar algumas coisas para a festa.

Ele começa a empurrar a cadeira. Os dois dão uma volta pela guilda. Madeleine admirava o pessoal da guilda com seus afazeres. Embora apressados e ocupados, vez ou outra as pessoas os cumprimentavam ou os paravam para conversar. Darukian levou Madeleine até um local da guilda menos movimentado, o jardim externo, que ficava nos fundos do prédio. O lugar era muito diferente do resto da guilda. Um enorme jardim verde cheio de flores e um grande chafariz no centro, dando um ar belo e refrescante ao local.

— É engraçado pensar que quase ninguém costuma vir até esse lugar. — Constata Darukian.

— Sempre foi o meu lugar preferido da guilda.

— Imaginei que sim. Eu também adoro aqui. O ar é bem puro.

Madeleine olha para Darukian, que parecia distraído admirando a paisagem. Ela tem um leve devaneio ao fazê-lo.

— Ei... Darukian?

— Sim?

— Nós já fomos próximos, né?

— Bom... acho que agora que disse isso... realmente, nós nunca mais paramos assim para conversar.

— É verdade que eu sempre fiquei atrás daqueles dois. Ei, será que poderia me colocar no chão? Me coloque ali. — Ela apontou para um local do jardim, onde estava o chafariz com algumas flores em volta. Darukian a levantou da cadeira e a colocou sentada sobre a grama, se sentando ao lado dela logo em seguida.

— Darukian...

O rapaz olhou para ela.

— Dizem que quando nós não temos nada mais a perder é o melhor momento para se arriscar...

Ele sorri, confuso.

— O que quer dizer?

A mulher ruboriza-se olhando para o lado oposto de Darukian. Ela começou a entrelaçar os próprios dedos.

— Eu... queria saber se você...

O rapaz olhava para ela curioso. Darukian e Madeleine se conheciam a muito tempo, de fato. Os dois cresceram juntos na guilda e quando crianças eles até chegaram a ser bem próximos, mas depois que ela entrou para a cédula as coisas mudaram bastante. Ela começou a fazer missões, uma atrás da outra, e acabou se afastando do rapaz.

— Ei, Madeleine, alguém já te falou que você fica fofa quando faz essa cara?

Ela olhou para ele instantaneamente, ficando ainda mais vermelha.

— Exatamente essa cara!

Madeleine olhou para baixo, encarando os próprios dedos.

— Darukian, você já é um cara maduro e já tem uma situação bem fixa... já pensou em arrumar alguém?

— Na verdade sim.

— Entendo.

— Mas, infelizmente, ela acabou se afastando um pouco de mim...

Madeleine levanta sua cabeça e troca olhares com Darukian, que tinha um leve sorriso no rosto.

— Quando foi a última vez que a gente ficou assim, um do lado do outro conversando?

— Acho que eu ainda era uma mocinha, tinha uns quatorze ou quinze anos.

— Já tem bastante tempo, não?

— Verdade...

Darukian se aproxima mais de Madeleine, próximo o suficiente para encostarem seus ombros.

— Quer ficar aqui até a festa começar?

Madeleine se inclina na direção dele, colocando sua cabeça sobre seu ombro.

— Por favor...

Os dois começaram a se lembrar de um momento de seu passado. Um momento onde os dois se viram em uma posição muito similar à que eles estavam agora. A mesma cena. O mesmo lugar.

Algum tempo depois, as pessoas se reuniram no salão principal da guilda, para a festa. Yasmin tinha sido colocada sobre um pequeno palco improvisado, sentada em uma cadeira. Darukian fez uma breve introdução.

— Hoje estamos reunidos aqui novamente. Dessa vez não somente como uma guilda, mas como amigos. Como uma família. — O mestre também estava ali, ele estava sentado com um curto sorriso no rosto. Val e Madeleine estavam na primeira fila, uma ao lado da outra. Jotiel parecia bêbado, como sempre. O garoto Sirulian estava escorado em uma das colunas de madeira que sustentavam o teto, olhando sobre o cachecol verde, que cobria sua boca. Quase toda a guilda estava lá. — Yasmin entrou aqui naquele dia como uma garotinha, em busca de trabalho. Lembro de ter ficado impressionado quando te vi pela primeira vez. Uma bela Tsuyoshi entrando com aquele capuz arrepiante! — O público riu junto com Yasmin da colocação de Darukian. — E agora você está saindo como uma bela moça. Nós sabemos que isso ainda não é um adeus, é apenas um até logo. Agora eu gostaria de dar a palavra para vocês da guilda. Quem quiser falar algo para ela, essa é a hora!

Val se levantou e subiu até o palco.

— Bom, tenho que dizer, não sou tão boa com palavras quanto pareço...

— Eu discordo disso. — Diz Yasmin com um sorriso, olhando carinhosamente para ela.

A mulher fechou seus olhos e sorriu. Ao abri-los encarou a garota novamente.

— Sim. Eu acho que é por causa disso. — Ela olha para Yasmin com amor. — Você entrou na LionHeart com um propósito. E agora vai continuar esse propósito. Eu não vou repetir as coisas que já te disse, pois tomaria muito tempo aqui, — ela ri, — mas... tem algumas coisas que eu não tive a oportunidade ainda de dizer. Uma delas é que você me mudou, Yasmin. Uma vez eu te disse que as experiências formam quem nós somos, que sem elas nós seriamos outras pessoas. Lembro de Mandrágora dizer algo assim também para você. E no momento em que te conheci eu me tornei uma outra pessoa também. Você me melhorou de muitas formas. E tudo que eu queria te dizer agora é obrigada.

Yasmin parecia emocionada. Ela se levanta da cadeira e abraça Val com todas as forças. Após isso é a vez de Madeleine.

— Bom... acho que Val disse exatamente o que nós duas sentimos. — Madeleine começa a segurar o choro. Mas todos sabemos que isso não é bem o forte dela... — A sua essência vai ficar marcada em nossas vidas. As lições que você nos ensinou também vão ficar em nossos corações. Sim, você nos ensinou lições importantes também. — Ela começa a gaguejar e se atrapalhar com as palavras. — Eu... amo você Yasmin! É como uma filha para mim! — Ela não consegue terminar. Yasmin levanta com um sorriso compreensivo no rosto e abraça a mulher, que se derramava sobre os braços da garota.

— Pronto, pronto... — ela acariciava a cabeça de Madeleine.

Depois que ela desceu, alguém surpreendeu o público, se levantando subitamente e subindo no palco. O rapaz cambaleava e se esforçava para se manter em pé.

— Aí, pirralha. Eu também quero falar umas coisas para você. O negócio é o seguinte... — Jotiel começa a coçar a nuca. — Acho que nós dois não temos uma relação que podemos chamar de amizade... ou talvez temos... o lance é que eu te respeito muito. Eu jamais vou me esquecer da vez que você me salvou. Ou de todas as vezes que te vi correndo por aí apressada, fazendo missões ou a sua pesquisa, ou só as vezes que você ficou conversando com o pessoal da guilda. Você realmente é uma garota especial. Eu lamento muito se cheguei a te decepcionar, o que com certeza deve ter acontecido... eu costumo fazer isso com frequência. Mas quero que saiba que você tem mais que meu respeito. Pode contar comigo caso precise de algo.

Yasmin sorri e se levanta.

— Ei, Jotiel. Você é um cara legal, mas. — ela pega a garrafa na mão dele, surpreendendo-o. Ela então a joga para fora do palco. — Você precisa beber menos...

— Ei! Você! Minha cerveja...

As pessoas na guilda começam a rir. O próximo a se levantar foi o mestre Darwin.

— Ah, que coisa. Acho que como líder da guilda também tenho que deixar minhas palavras aqui. Mas o que dizer além do que já foi dito? Eu não acho que tenha muito mais a acrescentar... então. Eu só lhe desejo boa sorte. E quero que saiba que sempre vai ter um lugar especial nessa guilda. Você não é só um membro dela, você também é um órgão vital. E não falo apenas por mim quando digo isso. Até mesmo aqueles com quem você não tem uma relação pensam dessa forma, posso garantir. Nunca vi ninguém falando mal de você antes. E imagino que não vá ouvir. O que mais desejo de verdade é que você nunca mude isso em você. Continue sendo essa pessoa que se importa com as outras, essa pessoa que vive para ajudar as outras. Continue sendo Yasmin Tsuyoshi!

— Belas palavras para quem não tinha mais nada a acrescentar!

O mestre sorri mostrando bem os dentes e desce do palco.

— Bom, mais alguém?

Algumas pessoas da guilda também resolvem se manifestar. Depois de alguns pronunciamentos, Darukian decide encerar essa parte.

— Se tiver mais alguém que deseje falar...

Darukian olhava discretamente para Sirulian toda vez que dizia essa frase, mas o garoto parecia relutante em se pronunciar. O jovem estava com um rosto sério e pensativo quase todo o momento. Darukian fez uma pausa maior nessa última pergunta. Ele suspira fora do microfone e volta a falar.

— Bom... se não tem mais ninguém... — Ele se interrompe quando vê o garoto andando em direção ao palco.

Sirulian sobe ao palco com um rosto sério. Ele encara Yasmin profundamente. Um silêncio gigantesco se faz dentro do salão e somente a respiração dos dois podia ser ouvida. Yasmin olhava para os olhos de Sirulian com curiosidade, e um rosto sério. Sirulian por sua vez não desviava o olhar nem por um segundo dos olhos da garota. Ele permaneceu ali por alguns segundos, parado. Quando decidiu falar ele surpreendeu a todos com as suas palavras.

— Volta logo, porque se você demorar demais... eu vou atrás de você.

Yasmin abriu levemente os olhos, surpresa. Ele falou com uma entonação tão séria e focada que nem deu espaço para piadas por parte do público. O garoto apenas permaneceu mais alguns segundos olhando para os olhos dela, se virando em seguida e descendo do palco. Dessa vez a pequena Yasmin havia ficado sem palavras e sem saber o que responder. Darukian pegou o microfone da mão do garoto, com um sorriso surpreso no rosto. O rapaz foi para o centro do palco e começou a falar.

— Acho que é isso então. Agora é hora de comer!

Todos comemoram levantando suas mãos e soltando interjeições animadas. Mas Yasmin não parava de olhar para o garoto se afastando do palco.

“Me buscar, é?!” Pensou ela.

As costas dele nunca pareceram tão largas para a garota quanto naquele momento. Ela podia sentir uma certa tristeza sobre o garoto, mas também podia sentir alegria. Sirulian provavelmente sabia que Yasmin precisava fazer isso. Por isso o garoto não se atreveu a tentar impedi-la. Mas deixara sobre ela uma intimação. E Yasmin sentia que essa intimação com certeza viria a se concretizar caso ela a testasse. E assim foi.

A semana seguinte foi a última. Depois disso a garota juntou suas coisas e partiu. No momento de sua saída a guilda se reuniu mais uma vez para vê-la indo embora. Ela não esqueceria jamais dos amigos que fez ali. E com certeza voltaria.

Yasmin pensava em tantas coisas diferentes à medida que andava pelas ruas da cidade. Ela estava tão distraída que quase não percebeu o garoto que passara por ela. O rapaz a viu e se virou, a chamando.

— Ei, garota.

Ela virou-se e encarou o enorme garoto, tão alto que quase parecia um adulto. Mas seu rosto evidenciava que era apenas um jovem adolescente. Talvez da idade dela? Ele tinha uma pele escura e era careca. Muito musculoso e também emitia uma aura bondosa. Yasmin podia sentir na voz grave e intensa dele que ele era uma boa pessoa.

— Sabe onde fica a LionHeart?

— Sim. É só seguir por aqui, essa rua leva direto para ela. É um prédio grande com uma entrada bem chamativa. Não tem erro.

— Ah, sim. A propósito, você é uma Tsuyoshi, certo?

— Sim.

— É impressionante, é a primeira vez que vejo um. Ah, desculpe por tirar seu tempo. Obrigado pela informação.

Ela sorri e se despede dele. O rapaz vai se afastando, enquanto a garota olha para ele com um sorriso. Após ele se distanciar ela continua seu caminho para fora da cidade.

Sua próxima parada era a mina de Meruwlly.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.