Arctan Saga

6 As pessoas mais fortes da Lionheart!


O que é uma guilda? Um lugar para se arrumar missões, um lugar para trabalhar, e também para se divertir. Yasmin aprendia coisas como essas a cada dia. Embora ela não conseguisse se enturmar tão bem com os outros membros da guilda, ela parecia já ter criado alguns laços com alguns dos membros. Talvez Darukian pudesse ser chamado de amigo, o mestre Darwin era sem dúvida um ótimo mentor e líder, Yasmin talvez o visse como um pai. Ainda tinha Jotiel que era um cara que adorava passar o tempo na guilda, e quase não pegava missões. Sempre que Yasmin via ele, estava com pelo menos duas mulheres e se enchendo de comidas e bebidas. Vez ou outra ele saia para fazer uma missão — e voltava rapidamente com muito dinheiro. Fora eles, tinha aquele garoto, que ela via de vez em quando andando pela guilda e interagindo com todos..., mas por algum motivo, sempre que ela chegava perto dele ele era evasivo.

Já se havia se passado dois meses desde que Yasmin entrou na guilda, e nesses dois meses ela fez várias missões e trabalhos para a guilda. Em um determinado momento, ela pôde até mesmo fazer algumas missões em grupo com alguns membros e testemunhar o incrível poder de outros.

Yasmin parecia feliz, embora quase sempre estivesse sozinha.

Ela havia acabado de retornar de uma missão, e tomava um suco no balcão, enquanto fazia companhia para Darukian, que parecia distraído como sempre limpando os copos.

— Ei, Darukian...

— Sim?

— Eu ouvi de alguém da guilda que você já lutou também.

— Verdade...

— Mas eu só te vejo aqui no balcão.

Darukian sorriu para ela. Apesar de sempre muito carismático e comunicativo, Darukian parecia demonstrar sempre um ar de mistério. Aquela aura que ele sempre emanava trazia a Yasmin certa curiosidade. Talvez esse fosse o principal motivo pelo seu interesse em se aproximar de Darukian; claro, isso e sua personalidade única.

— Eu não gosto de lutas.

— Sério?

— Sim. Na verdade, nunca gostei.

— Entendo. Eu fiz uma pesquisa e descobri que existem cerca de cinco ranques SS aqui na guilda.

— É um número alto, de fato... geralmente cada guilda conta com um número médio de cem membros, onde apenas dois ou três são SS. É claro que nós não incluímos os mestres nessa contagem.

— Bem... eu sei que você e Jotiel são um.

— Não, Jotiel é ranque “S”... ou seria “A”?

— Sério? Bem... Pensando bem, o garoto Kagayashi ainda é ranque B... Mesmo depois de ter derrotado Jotiel com um golpe.

— Ah, nesse caso ele é “A”

— Então se você lutar contra um membro de ranque alto e vencê-lo você consegue a posição abaixo da dele?

— Não exatamente... para subir na guilda você pode usar de três métodos. O primeiro é trabalhando muito e se esforçando para conseguir subir. Quanto mais trabalhos você faz para guilda mais pontos você acumula. Lembra do seu identificador? De uma checada nele.

Yasmin pegou o apetrecho e começou a mexer nele.

— Tem uma aba aí na parte da guilda que diz sobre os seus pontos.

— Ah... estou vendo... então quando eles chegam no máximo eu subo de ranque?

— Exatamente.

— Bem... parece trabalhoso...

— E é.... bem, a segunda forma é por recomendação. Caso alguém da guilda te recomende para entrar com uma carta de recomendação ele pode te colocar em qualquer posição abaixo da dele. Então se for um guerreiro classe “A” ele pode te colocar nas classes “D”, “C” ou “B”

— Entendi...

— O terceiro método funciona de forma parecida, e é relacionado à batalha. Se você lutar com um guerreiro da guilda e ele aceitar sua força no decorrer da batalha ele pode te recomendar em qualquer posição abaixo dele.

— Então não é só vencer ele...

— Não. Esse tipo de sistema foi criado para impedir que qualquer um se torne nível SS. Nós tomamos muito cuidado com esse tipo de coisa. Poderia ser um problema se alguém ganancioso demais ou idiota demais se tornasse SS apenas com a força.

— Faz sentido... a propósito, quem são os outros “SS” da guilda?

— É verdade! Você ainda não conheceu eles, não é?

Eles quem?

— Tem vários meses que eles estão naquela missão... será que estão bem?

— De quem você está falando...?

— Ah! Desculpe! É o grupo da cédula vermelha... acho que é assim que eles se chamam.

— Grupo da cédula vermelha?

— Eles têm esse nome porque só aceitam missões extremamente difíceis, onde a própria vida deles é colocada em risco. O lema deles era algo do tipo “sujamos nosso dinheiro com sangue para que inocentes não precisem fazer o mesmo...”.

— Interessante... e quem são os membros?

— Tem aquele homem de estatura considerável... James, o codinome dele é dragão vermelho. Ele é um manipulador das chamas. Tem também a mulher das folhas selvagens, Mandrágora. O último membro se chama Valquíria, poucos sabem o nome real dela, mas ela é muito forte... ninguém da guilda além dos dois sabe qual elemento ela manipula, mas existem boatos que ela nem sequer sabe usar magia...

— Sério?

— Sim... dizem que ela é capaz de lutar igualmente contra manipuladores de mana sem nem sequer usar magia.

— Isso é incrível..., mas... está faltando um.

— Se refere aos membros “SS”? É verdade... não é o Jotiel?

— Já falamos sobre isso...

— Então nesse caso... ah! — Ele estala os dedos rapidamente, como se tivesse tido uma epifania. — Deve ser aquela pessoa!

— Quem?

— Tubarão alado!

— Tu....Tubarão alado?

— Sim! Mas... eu esqueci por um motivo bem simples... é que eu nunca o conheci...

— Como assim?

— Dizem que ele saiu em uma missão há uns cinquenta anos atrás...

— Cin...cinquenta?! Como isso é possível?!

— Eu não sei..., mas ouvi dizer que ele não é humano, então não é como se cinquenta anos fosse muita coisa. Apesar de tudo, ele nem tem um identificador, porque essas coisas foram criadas há apenas algumas décadas, então não temos muita informação sobre ele... embora ainda esteja vivo, isso é certo.

— Por quê?

— Porque a missão foi concluída com sucesso.

A garota ficou em um enorme ar de confusão.

— Não entendi.

— É que essa missão que ele foi fazer tinha um pagamento absurdamente alto, tão alto que a pessoa poderia ficar o resto da vida sem trabalhar tranquilamente. Provavelmente foi o que ele fez.

— Entendi agora... esse cara nem deve ser tão incrível então...

— Quem sabe?!

— Mas eu não entendo, por que permitir alguém assim ainda fazer parte da guilda?

— É que, como eu disse, ele não é humano. Provavelmente ele tem uma autorização para fazer coisas assim. Como ele faz parte de uma raça que vive mais tempo que seres humanos, o tempo para ele é algo diferente, então acho que cinquenta anos é como se fosse alguns meses para ele... algo assim..., mas deixando isso de lado, acho que você pode ter a oportunidade de conhecer os membros da cédula vermelha.

— Sério? Por quê?

— Porque eles acabaram de chegar!

Yasmin olhou para trás e viu três figuras paradas na frente da entrada. A luz do sol não deixava com que ela enxergasse direito os seus rostos, apenas sua silhueta. Depois de um tempo eles entraram na guilda, mas ninguém exceto Darukian percebeu a chegada deles. Eles pararam no centro da guilda e Yasmin pode vê-los melhor.

A esquerda tinha um homem alto e musculoso, vestindo uma armadura vermelha e uma cicatriz no rosto, ao centro, uma mulher com um vestido comportado que parecia ser feito de plantas, ela era ruiva e tinha um penteado ondulado. A mulher ao lado deles tinha um vestido branco que batia nos pés, e usava um cabelo liso semi preso por uma presilha, à sua cintura uma katana simples. Ela exalava um ar de samurai.

— Voltamos! — Gritou uma voz feminina, suave e macia.

— Mandrágora! — Várias pessoas começaram a cercá-los.

— Ei, mandrágora, estávamos com saudades de você!

— Faça um show para nós!

— Isso! Cante para a gente!

A mulher parecia envergonhada, com um leve sorriso no rosto.

De repente todos que os cercavam saíram voando seguidos por pequenos rastros de fumaça, como se fossem foguetes.

— Calem a boca seus miseráveis! — Gritou o homem com indignação. — Vocês nem perceberam a nossa chegada e agora veem com essa!

As outras pessoas da guilda começaram a rir da cena.

— Ele está animado como sempre. — Comenta Darukian.

Os três se aproximam do balcão e se sentam próximos a Yasmin.

— Darukian! — Diz o homem de armadura com uma voz imponente e um sorriso no rosto.

— Entendido! — Darukian encheu um copo com mel e deu para ele.

— Essa coisa é muito boa!

A garota cerrou os olhos boquiaberta. “Ele toma mel puro no copo...” pensou ela. O homem virava a caneca como se estivesse tomando água. Enquanto se distraia com a cena, a garota mal percebeu a mulher de vestidos florados se aproximar dela.

— Ora, quem é essa criaturinha linda?! — Mandrágora se aproxima de Yasmin com um lindo sorriso no rosto que a faz corar.

— Yasmin Tsuyoshi. — Diz ela com um olhar tímido.

— “Focê” é “FoFa”! — Ela falava dando ênfase no “F”, enquanto apertava as bochechas de Yasmin.

A garota parecia hipnotizada pelo olhar da mulher.

“Isso...” Yasmin fixava seu olhar em Mandrágora, enquanto ela balançava suas bochechas levemente com as mãos “É gostoso...Não para doninha...” Yasmin parecia feliz com um sorriso cativante no rosto.

— Essa garota é uma Tsuyoshi?! — Perguntou o homem de armadura, curioso. — Ei! Lute comigo!

Logo após falar essa frase, ele leva um cascudo da mulher de vestidos brancos.

— James, não me faça te bater toda vez que abre a boca.

— Por que você fez isso?! Valquíria!

— Você por acaso quer matar essa garota? Sabe que não pode sair desafiando qualquer pessoa desse jeito.

— Isso significa que você quer lutar comigo?! Valquíria! — Ele se levanta e se prepara para dar um soco nela, mas antes de terminar de levantar a mão ele já estava no chão.

“Rápida...” pensou Yasmin enquanto tinha suas bochechas apertadas “Eu nem pude ver.... o que ela fez...”.

— Isso... dói... — Gemia James no chão, enquanto segurava a barriga.

— Pobre James! — Mandrágora solta Yasmin e vai acudir o então ferido rapaz.

— Eu preciso de carinho... Mandrágora...

— Sim!

Valquíria se levanta e dá um chute nele, que o faz voar alguns metros.

— Não se aproveite da bondade da Mandrágora!

A garota, apesar da cena, conseguia ver algo diferente nos três. “Então... essas pessoas são as mais fortes da LionHeart” Yasmin parecia admirada e com um brilho no olhar.

...

Então na sua primeira missão você já ganhou oito mil de bônus? Isso é incrível, até mesmo para um Tsuyoshi.

— Obrigada, senhorita Valquíria.

— Então eu estava certo, você é mesmo forte, não é?! Lute comigo!

— James, quer levar outro golpe?

O homem se acanha com a fala de sua companheira, voltando a se debruçar sobre o balcão.

— Você é muito fofa!! — A garota teve mais uma vez sua bochecha apertada por Mandrágora.

— Mandrágora, deixa ela um pouco.

— Não, tudo bem... — diz Yasmin com um sorriso.

— Não me diga que... — Valquíria fez uma cara séria. — Você está gostando...

Yasmin tenta disfarçar, enquanto Mandrágora continua a acariciar suas bochechas, mas era inegável o rosto de satisfação que ela tinha.

— A Mandrágora tem essa habilidade embutida nela, ela consegue agradar qualquer pessoa...

— É porque o carisma dela é alto! — Gritou James, com energia.

— Pare de fazer essas referências a esses seus jogos...

De repente alguém entra correndo pela porta da Guilda, fazendo o maior escândalo.

— Temos problemas! Problemas grandes! É uma quimera gigante!

Todos da guilda ficam chocados quando escutam isso.

— Uma quimera no centro da cidade? Não seja ridículo!

Eles escutam um grande estrondo vindo do lado de fora, seguido de um rugido irreconhecível.

Os três se levantam e vão até o centro da sala.

— Deixa isso com a gente! — Diz James com um sorriso confiante no rosto.

— É nosso dever sujar nossas mãos para que inocentes não precisem fazer o mesmo. — Diz Valquíria com um ar sério e sereno.

— Fique olhando, Yasmin! Vou te mostrar como sou forte! — Mandrágora manda um beijo para Yasmin, eles então saem pela porta da guilda.

Todos começam a correr para o lado de fora da Guilda, muito empolgados.

— Eu quero ver isso!

— Quanto tempo tem que não vejo eles em ação?!

A criatura era enorme, ela tinha um corpo de leão, gigantesco, uma cabeça monstruosa com dentes e chifres e parecia estar quente pois saia fumaça com abundância de seu corpo.

— Mandrágora! — Gritou Valquíria, apontando para a fera.

— Entendido! — Mandrágora, com um sorriso, tocou gentilmente o chão com as duas mãos.

Nesse mesmo instante, um rastro de rachaduras começou a se mover em direção ao monstro, várias videiras começaram a brotar abaixo dele e começaram a envolvê-lo. À medida que elas cresciam e engrossavam, iam o abafando e o prendendo.

— James!

— Me chame de dragão vermelho!

— Cale a boca ou eu te bato de novo!

— Está bem...

James se abaixou e impulsionou seus pés com uma explosão, fazendo-o subir mais de quinze metros e ficar emparelhado com o rosto do monstro. Ele então desfere um soco em chamas que acerta o rosto da criatura, fazendo as plantas de Mandrágora se despedaçarem e o monstro cair no chão.

— Como você teve coragem de fazer isso as minhas filhinhas! — Diz mandrágora colocando as duas mãos sobre o rosto, aos prantos.

— Des...Desculpe! Não foi de propósito!

O mostro se levanta furioso, ele então solta um rugido ensurdecedor.

— Sua vez, Valquíria.

— Era para você ter acabado com ele nesse ataque.

— Para de me encher!

Valquíria saca sua espada e começa a andar elegantemente na direção do monstro. Seu lindo vestido branco era arrastado pelo chão, enquanto sua pose elegante atraia a atenção das pessoas ali no local. Ela aponta sua espada para o monstro, que a encara com desdém. Ele a ataca com uma das patas que parece a acertar em cheio.

— Ele a acertou?! — Diz Yasmin assustada.

— Está tudo bem, garota. — Darukian a olha com um sorriso. — Apenas observe.

De repente a pata do monstro explode e voa sangue para todos os lados. De dentro do buraco da explosão, Valquíria sai, intacta e esbelta, sem qualquer gota de sangue no vestido. Ela começa a subir pela perna da criatura, até alcançar seu pescoço, onde crava sua espada e continua a seguir até o outro lado, onde ela cai no chão com um rolamento.

— Ele... parou? — Comenta Yasmin.

— Acabou. — Darukian se vira e volta para a Guilda.

Nesse instante, a cabeça do monstro começa a despencar de seu corpo. O mostro caiu, morto. Em meio ao grito do público os três sorriam e acenavam.

“Então... Essa... é a equipe mais forte da LionHeart...”

Após aquilo, alguns membros da Guilda começaram a controlar a comoção do local. A cédula vermelha começa então a fazer várias perguntas para os moradores da região, se reunindo novamente no salão principal da Guilda.

— Isso é estranho... — Valquíria parecia séria, enquanto analisava a situação. — Os moradores disseram que a criatura surgiu do nada em meio a fumaça...

— Isso significa que alguém a criou ali mesmo? — Questiona James.

— É difícil saber, já que não tinha qualquer resquício do invocador no local...

Yasmin permanecia curiosa olhando para os três enquanto discutiam. Mandrágora percebe o olhar fascinado da garota, ela então tem um devaneio leve e rapidamente coloca suas duas mãos sobre as bochechas da garota, a colocando bem pertinho de seu rosto.

— Yasmin!

— Sim! — Diz a garota assustada.

— Você disse lobos?!

Yasmin fica sem saber o que responder.

— O que?

James e Valquíria olham para Mandrágora perplexos.

— Sua primeira missão! Foram lobos que você enfrentou? Lobos bem grandes e com uma força magica anormal?!

— Sim...

— Worgs... — Diz Valquíria com um tom baixo.

— Detalhes! Nos dê mais detalhes sobre!

Yasmin conta tudo sobre sua primeira missão, tentando ser o mais detalhista possível, mas sem se prolongar muito.

— Exatamente o mesmo padrão... O que acha, James?

— Sem dúvida é coisa do nosso cara...

— Mas... — Mandrágora parecia um pouco preocupada. — Kyne fica a quilômetros da última aparição...

— Sinceramente, as aparições já não estão seguindo mais um padrão...

Yasmin parecia confusa, tentando entender a conversa. Mandrágora, percebendo o rosto da garota, faz um sinal rápido com as mãos para os outros dois.

— Vamos deixar isso de lado, por enquanto! — Diz ela com um sorriso.

Nesse mesmo momento, James fez uma cara séria e, rapidamente, apontou seu dedo para frente, gritando.

— Você! Lute comigo!

O garoto, assustado, fez uma cara surpresa, enquanto com dúvida apontava para si mesmo.

— E... eu?

James se aproxima dele colocando as duas mãos sobre os ombros dele.

— Você é um Kagayashi! Lute comigo!

Valquíria se aproxima de James, com sua mão bem fechada...

— Bem... — O garoto sorriu. — Se é o que você quer... vamos para o pátio!

O garoto começa a correr com animação para o pátio da guilda. Antes que valquíria pudesse alcançar os dois, eles já tinham sido rodeados pela multidão.

— Ei! James! Você está me provocando muito! — Gritou Valquíria enfurecida, enquanto tentava passar pela multidão.

Yasmin sente alguém tocando em seu ombro, enquanto observa a situação de longe. Era Darukian.

— Yasmin, o mestre quer vê-la.

— A mim?

— Sim. Ele disse que está esperando em sua sala.