Arctan Saga

10 A Detetive Branca.


Algumas semanas após o último acontecimento, a cédula resolveu partir novamente para mais uma missão. Os garotos seguiram normalmente com suas vidas, fazendo missões e se aperfeiçoando. Mas a saudade era nítida. Suas vidas pareciam não fazer mais sentido sem a cédula por perto.

Ao final do dia do piquenique, quando a garota foi entregar a espada para Valquíria, ela recusou.

— Fique com ela. É um presente. Essa espada foi muito especial para mim, e acho que vai servir para você. Ela não vai quebrar tão facilmente quanto a sua outra.

Mesmo tendo tentado recusar, ela acabou aceitando o presente. Aquilo ajudaria a lembrar deles enquanto estivessem longe em missão.

Yasmin se encontrava sozinha no balcão quando Darukian puxou conversa com ela.

— Olá, Yasmin, parece mais distraída que o normal hoje.

— Ah, olá... não te vi aí. É que eu estava pensando no pessoal da cédula vermelha...

— Está com saudades já? — Dizia ele em meio aos risos. — Eles acabaram de sair! Tem só alguns dias!

— Eu sei, é que...

— Você ficou bem próxima deles nos últimos meses, não? Isso é natural.

— Sim...

— Não se preocupe com isso, eles vão ficar bem..., mas mudando de assunto... você viu o Jotiel?

— Jotiel? Não está bebendo em algum bar por aí?

— Não, ele só costuma beber aqui na guilda, eu não o vejo a um bom tempo. Ele não desaparece assim a menos que estivesse fazendo alguma missão.

— E não está?

— Não, ele teria passado por mim se estivesse.

— Falando nisso, você disse uma coisa interessante... eu nunca vi ninguém aqui bêbado antes, além do Jotiel.

— Ah sim, você está se referindo ao fato das pessoas aqui não beberem muito... bom... isso é uma guilda, um lugar de trabalho. Apesar de termos um bar e servimos esse tipo de coisa, ninguém é idiota o suficiente para ir trabalhar embriagado... só o Jotiel.

— O que me faz pensar, como ele ainda está na guilda?

— Bem... é que... ele é um D’Lakart. Mas por que a pergunta? Está querendo tomar uma?!

— Não! É contra a lei vender bebidas a menores de idade!

— Eu só estou brincando, e eu não venderia para você nem se você fosse maior!

Yasmin cerra os olhos e encara Darukian com o rosto sério.

— Mas, mudando de assunto... você disse que é por que ele é um D’Lakart?

Darukian fica surpreso com a pergunta.

— Você, com toda a sua pesquisa, não sabe sobre “ele”?

— Ele?

— Atrojan D’Lakart

Yasmin tem um momento de iluminação.

— Eu não tinha me tocado... — Ela coloca a mão sobre o rosto, surpresa. — Ele é filho de Atrojan?

— Sim...

— Eu nem imaginava...

— Para alguém que presta tanta atenção a detalhes você deixou algo muito importante e lógico passar...

— Mas não é à toa! Atrojan foi um dos maiores guerreiros dos últimos três séculos... em contrapartida...

— Sim. — Diz Darukian com um rosto compreensivo. — Mas... Atrojan foi o ás da LionHeart por muitos anos... ele se aposentou por causa dos filhos.

— Acredito que se ele visse o que Jotiel tem feito com o nome da família ele ficaria desgostoso com a vida...

— A vai, ele não é tão ruim!

A garota encara Darukian séria e impassível.

— Mas é sério, deixando isso de lado, acho que alguém deveria procurar por ele... ele não costuma sumir assim...

Yasmin suspira.

— Deixa que eu procuro.

— Tem certeza? Não vai te atrapalhar?

— Não se preocupe com isso, eu fiz algumas missões essa semana. Acho que tenho tempo sobrando.

— Bom, se é assim, tudo bem então. Acho que pode começar procurando as mulheres com quem ele costuma sair.

— Verdade, vou fazer isso.

Yasmin se levanta imediatamente, deixando sua bebida pela metade. A garota foi até alguns membros da guilda que estavam por perto e fez algumas perguntas.

— Jotiel?

— Ele está desaparecido há um tempo.

— Acho que ele tinha dito alguma coisa sobre encontrar uma pessoa.

— Encontrar uma pessoa?

— Eu não tenho muitos detalhes, mas ele disse algo assim...

— Isso não ajuda muito...

— Me desculpa, Yasmin, eu realmente queria poder ajudar.

— Tudo bem.

Após isso ela reuniu algumas informações e voltou para Darukian.

— Conseguiu alguma coisa?

Ela joga um bloco de notas em cima do balcão e começa a falar

— Como você disse, ele não é visto já tem dois dias. Jotiel estava bebendo com algumas mulheres da cidade, as três costumeiras que sempre estão com ele. Algumas semanas atrás ele teve alguns desentendimentos com um pessoal de uma guilda de uma cidade vizinha, mas não acho que tenha alguma ligação. Fora isso, ele andou falando algumas coisas estranhas para alguns membros, como encontrar alguém que mudaria sua vida...

Darukian fica realmente impressionado ao ponto de soltar um sussurro de admiração.

— Conseguiu toda essa informação em tão pouco tempo? Acho que pedi ajuda a pessoa certa. E então?

— Bom, vou visitar as três mulheres, como você disse.

— Não fez isso ainda?

— Achei melhor pegar o depoimento do pessoal da guilda primeiro. Tem o endereço delas?

O rapaz a entrega um papel com os tais endereços. Yasmin cruza a cidade até a casa da primeira mulher. O lugar era próximo a um córrego que passava pela cidade, na verdade, ficava de frente a ele. A rua tinha um aspecto retro e era feita de blocos hexagonais encaixados perfeitamente um no outro. Ela parecia ser nova, então era perfeitamente nivelada. A casa em questão ficava ao lado de dois prédios maiores e tinha um aspecto rústico. Seus tijolos tinham um tom bege e possuía dois andares, com duas janelas perfeitamente simétricas em cada um deles. No de baixo, as janelas eram separadas por uma porta branca, que era feita de uma madeira maciça.

Yasmin subiu os três degraus a frente da porta e bateu nela. Após alguns segundos ela escuta passos vindos de dentro. Eram passos pesados e compassados.

“Está nervosa... e muito...”

Assim que ela vê a porta se abrindo ela dá alguns passos para trás, voltando para a parte de baixo da pequena escada. A mulher que apareceu tinha os cabelos castanhos, e estavam presos com um coque em cima de sua cabeça. Ela estava usando um vestido casual e parecia furiosa.

— Eu disse para não aparecer mais aqui! — A mulher parecia irritada, e sai gritando histérica. — Mas já que veio é melhor ter uma desculpa decente dessa vez!

Assim que ela se dá conta da presença de Yasmin ela fica confusa, fazendo um rosto decepcionado.

— Quem é você?

— Eu sou da guilda LionHeart, me chamo Yasmin.

— Ah, já vi você lá... eu... peço desculpas pela cena vergonhosa...

— Estava esperando outra pessoa?

— Sim... — Ela fica com um rosto melancólico, que logo se desfaz. — Não! Não! E espero que nunca mais apareça aqui...

— Está falando de Jotiel?

— Como sabe?

— É por que eu vim aqui por causa dele.

Ela parecia desconfiada.

— Não me diga que agora ele também está atrás de criancinhas?! Aquele desgraçado!

— Não! Não é algo assim... é que ele não aparece na guilda já tem dois dias.

— Talvez esteja com alguma vagabunda!

— Não tem notícias dele?

— Não! E nem me importo! Para mim que se dane! E se eu fosse você não me importaria com isso também. Ele deve estar bem! Muito bem! — Ela termina a frase e entra na casa, batendo fortemente a porta.

— Espera! — Yasmin suspira.

“Acho que não tenho escolha... preciso ver como estão as outras duas...”

Ela pega seu bloco de notas e faz algumas anotações.

— Bem... é isso...

Yasmin anda até um bairro mais calmo da cidade, um distrito residencial. A rua em questão era um beco escuro e apertado, onde haviam alguns apartamentos baratos. Ela chega até um deles que era bem pequeno. Tinha uma janela e uma porta, ambas muito desgastadas com o tempo. Yasmin bateu e sentiu a madeira da porta ranger. Aquele era definitivamente um apartamento bem rústico.

A mulher que abriu a porta tinha um cabelo curto e aparentava ser tímida.

— Pois não?

— Boa tarde, eu me chamo Yasmin, eu sou da guilda LionHeart. Estou à procura de Jotiel, tem visto ele?

A mulher franze a testa, preocupada.

— Algum problema com ele?

— Ele sumiu já tem uns dois dias.

— Dois dias... quando foi a última vez exatamente que ele foi visto?

— Ao que parece foi nas proximidades da Guilda. Algumas pessoas o viram correndo pela cidade...

A mulher fica evasiva, olhando para os lados.

— Sabe de alguma coisa?

— Bem... é que...

— Se sabe de algo, me conte.

Ela hesita. Segurando o próprio braço, ela prossegue.

— Como você disse, foi a dois dias... ele estava bebendo com a gente na guilda, quando do nada ele fez um rosto estranho...

— Estranho como?

— Eu não sei explicar, ele ficou todo esquisito, largou a bebida dele e saiu correndo pela porta, falando coisas estranhas... como encontrar ela...

— Encontrar ela?

— Sim... depois disso nós não tivemos mais notícias dele... eu achei que ele tivesse se enjoado de mim, já que ele sempre me procurava todo dia...

— Você sempre está junto dele e das outras duas mulheres?

— Sim, nós somos amigos desde a infância. Todos nós quatro.

— Se me permite perguntar... vocês “ficam” juntos?

A mulher cora.

— Sim...

— E não te incomoda?

— Jotiel é um homem incrível. — Seus olhos começam a brilhar nesse momento. — Um homem tão incrível tem muitos fãs, então é natural...

Yasmin cerra seus olhos com tédio.

— Muito obrigada pela informação.

— Se o achar, por favor, me contate...

— Vou sim, não se preocupe.

Ela se afasta um pouco e sai do beco, parando no meio da rua vazia.

“É realmente impressionante o quão idiota e depravado ele consegue ser.... bem, acho que só falta uma...”

Yasmin vai até a última casa. Um lugar com um pequeno jardim na frente, sendo cortado por uma entrada de pedrinhas. Era uma casa bem bonita. Ela tinha uma cerquinha baixa de madeira pintada de branco e uma pequena varanda com duas cadeiras de balanço.

Yasmin se aproxima da porta e bate. Após alguns segundos ela escuta um grito e um barulho de algo quebrando. Ela rapidamente arromba a porta e entra desesperadamente na casa com a espada de valquíria em mãos. Assim que chega na cozinha ela se depara com uma mulher de cabelos curtos, em um castanho bem claro, assoprando a própria mão, enquanto permanecia com lagrimas no rosto. Um cheiro de queimado jazia no ar, e um pouco de fumaça também. Yasmin volta seu olhar para o chão e vê algo que parecia ser uma lasanha queimada, esparramada pelo piso todo aos pés da mulher.

A garota, decepcionada, guarda sua espada em seu inventário magico.

— Ei... está tudo bem?

— Queimei minha mão. — Ela falava com uma voz tremula.

— Estou vendo...

— Mas... quem é você?

— Ah... me desculpe por entrar assim, é que ouvi seu grito e pensei que estivesse em apuros. Meu nome é Yasmin, e eu estou aqui a procura de Jotiel.

— Jotiel? Ele não está aqui. — Diz ela se esquivando, com um rosto sádico.

— Não tem notícias dele?

— Não... eu não sei onde ele está. — Ela falava com um rosto suspeito que fez Yasmin desconfiar.

— Não sabe mesmo?

— Não, mas espero que esteja morto... ele não apareceu no nosso encontro...

Yasmin cerra os olhos e encara a mulher, mas logo suspira e relaxa.

— Bem... acho que me precipitei...

— Se precipitou? — Diz a mulher confusa.

— Por um segundo achei que você fosse uma suspeita. Mas acho que é outra coisa...

Ela faz um rosto tenebroso e muito expressivo.

— Me achou suspeita?! Por que faria algo assim?!

— Exatamente... — Diz Yasmin com um sorriso.

“Ela é aquele tipo de pessoa que exagera em suas expressões...”

A garota ajuda a mulher a limpar a bagunça enquanto bate um papo com ela.

— Mas não tem nenhuma informação a mais sobre aquilo?

— Bem... lembro de ter visto uma mulher estranha na porta da guilda naquele dia... Jotiel parecia estar olhando para ela, mas não consegui a ver direito, somente sua silhueta rápida, que desapareceu enquanto andava para fora...

— Uma mulher?

— Sim, mas não consegui ver direito...

Após aquilo a garota sai da casa e permanece parada na frente dela, com a mão sobre o queixo, pensativa.

“Será que tem alguma ligação? Essa mulher que ela viu... poderia ser somente alguma coincidência. Todo mundo disse que Jotiel estava estranho já há algumas semanas, dizendo coisas estranhas e falando sobre encontrar o próprio destino ou coisa parecida. Levando em conta que a última vez que ele foi visto foi nas redondezas da guilda, eu acredito que ele ainda deve estar por lá. Acho que o melhor que posso fazer é reconstituir os passos que ele fez. Mas parece estar escurecendo. ”

O sol estava em seu estágio final do dia. O céu laranja cobria a cidade, deixando Yasmin um pouco preocupada.

“Se anoitecer vai ser mais difícil continuar a busca..., mas eu realmente estou começando a ficar preocupada com tudo isso...”

A garota encarou o sol em meio as nuvens.

“Tenho uma hora antes de anoitecer. As lojas estão quase fechando também. Melhor me apressar. ”

Ela se impulsiona no ar, cortando a cidade até a guilda. Assim que chega na porta da guilda ela posa com violência no chão.

“Refazer os passos dele. É isso que vou fazer. ”

Ela começa a andar pelo lugar, perguntando aos comerciantes das barracas em que direção ele foi naquele dia. Ela não consegue chegar muito longe, mas é levada até um beco escuro próximo da guilda.

— Isso não vai me levar a nada... espera... — Ela dá um tapa na própria testa. — Sou uma anta!

Ela fecha seus olhos e ativa os olhos de Águia.

“Com eles ativos vou poder enxergar rastros de mana. E como já estou acostumada com os rastros de Jotiel, posso segui-los. Dois dias é o suficiente para que eles sumam, mas se eu conseguir identificar nuanças especiais no ar posso ser capaz de ver alguma coisa...”

Ela começa a olhar em volta.

“Não consigo localizar o mana dele... espera...”

Analisando o local com o auxílio de seus olhos, ela vê algumas marcas nas paredes próximas.

— Isso são marcas de garras? Por que tem algo assim aqui? Tem um mana diferente emanando dessa coisa... posso usá-lo para rastrear a origem...

A garota consegue identificar o aspecto do mana e vai em direção a ele. Ela segue o rastro até um lugar mais isolado da cidade. Já estava bem escuro e a cidade só era iluminada com as luzes dos postes e da lua. Contudo, aquele bairro era mais escuro que o normal. Ela andava em um beco vazio, onde não haviam casas, ela foi seguindo até encontrar uma porta. Parecia um apartamento isolado e muito antigo, parecia barato, mas era de onde estava vindo o rastro.

“É aqui... estou com um mau pressentimento sobre isso”.

Ela invoca a espada que ganhara de Val e se prepara para entrar. Abrindo levemente a porta, a garota entra sorrateiramente no lugar. Tinha um corredor extenso, que levava até uma porta. Yasmin começa a ouvir alguns barulhos estranhos vindos de lá de dentro. Ela se aproxima com cuidado, a porta estava levemente aberta, então ela vê alguma coisa. Ela escuta a voz de Jotiel, ele parecia gemer. A garota rapidamente abre a porta e se depara com uma cena... um tanto... peculiar.

— Mas... que...

— Yasmin?! O que faz aqui?! — O rapaz estava deitado sobre uma cama, nu, e uma mulher estava em cima dele. A mulher usava um lingerie preta. Ela tinha longos cabelos ondulados e escuros, uma pele branca e lábios vermelhos como o sangue. Ela tinha um aspecto muito sedutor.

Yasmin cerra os olhos decepcionada, com o rosto corado.

— Eu estava te procurando... mas acho que me enganei...

— Espera, não é o que parece!

A mulher sorri, coloca os dedos sobre os lábios de Jotiel, o silenciando.

— Garota, não vê que está nos atrapalhando?

— Sim, já estou indo embora...

Yasmin se vira, e apressadamente vai andando para fora da casa... quando escuta algo vindo de Jotiel.

— Yasmin! Me ajude, por favor! Não é o que parece!

— Seu desgraçado! — Gritou a mulher. — Você mordeu meu dedo!

Yasmin saca sua espada e volta para o quarto, mas antes que pudesse entrar, a porta se fecha violentamente.

Ela escuta gritos vindos de dentro.

— Me ajude por favor!

Junto aos gritos ela escuta um barulho de algo se quebrando.

Ela corre para fora da casa apressadamente. Ao olhar para cima ela vê a mulher voando com grandes asas de morcego, carregando Jotiel.

— Uma súcubos...

Ela se impulsiona, subindo rapidamente, e começa uma perseguição pelo ar.

— Droga, essa garota é rápida! — A mulher aponta uma das mãos para Yasmin, raios amarelados começam a sair de suas mãos, indo em direção a Yasmin.

A garota desvia precisamente do ataque, ela então gira seus braços e se prepara para atacar.

— Chai ken!

As fortes rajadas de vento desequilibram a criatura, fazendo ela cair em um dos telhados da cidade.

— Garota, está cometendo um grande erro! — A voz dela tinha um aspecto asqueroso, mas ainda feminino.

Yasmin pousa a poucos metros de distância.

— Não, é você quem está cometendo um erro! Devolva-o!

— Nem pensar...

— Eu estava me perguntando, o que uma súcubos está fazendo aqui na cidade? É estranho ver criaturas assim vagando pelo mundo...

A mulher fica receosa.

— A verdade é que vampiros tem uma regra muito forte e um código de honra muito centrado. Quando um deles quebra uma das regras mais importantes acaba caindo... a regra de não usar seus poderes para seduzir criaturas e se alimentar de seu mana e energia vital... quando fazem isso e eles perdem o controle do próprio mana, acabam se colocando em uma situação complicada, e a única forma de mantê-lo é consumindo constantemente o sangue e mana de outras criaturas. E quando isso acontece ele se torna...

— Isso mesmo. — A mulher sorri, mas friamente nervosa. — Eu me tornei uma súcubos! Mas não vou te dar o meu lanche... O mana desse cara é anormal, vai me manter por alguns dias antes de eu precisar sugar o sangue dele... e fora que ele é até bonito... posso até me divertir de outras formas com ele. — Ela ri freneticamente. — E pensar que apesar de forte seria tão burro.

— Ele é muito estupido mesmo.

— Ei! — Grita Jotiel. — O tal burro está aqui também!

— Chega de papo! — A mulher o joga para trás, fazendo-o rolar sobre o telhado.

— Para pegá-lo terá que passar por mim!

Yasmin encara a mulher com receio. Ela nunca lutara antes contra um vampiro, quem dirá um súcubos, que é muito mais forte. Ela apontou a espada para a mulher, com as duas mãos firmes.

— Está nervosa?!

“Ao meu ver é você quem está nervosa... ela tem toda uma pose, mas ainda permanece falando. Tudo que está fazendo é ameaçar. A mão esquerda dela está levemente tremula, o que significa que ela está com um ataque preparado para caso eu me aproxime. ”

— Escuta. O que me diz de a gente fazer um trato?

— Um trato?

— Sim, eu levo meu amigo embora e em troca eu não te mato. O que me diz?

— Ha! Essa é boa! Acha que tenho medo de você?

— Pois deveria.

A súcubos hesitou.

— Está blefando!

— Será?

Yasmin se coloca em uma postura similar ao do chai kui. Ela gira sua espada, parando com o pé esquerdo a frente, a espada em posição acima de sua cabeça, horizontalmente, apontando para a súcubos.

A súcubos dá um leve passo para trás.

— Eu sinto um mana absurdo vindo de você...

— Quer provar dele?

— Na verdade, eu quero sim. — Diz ela com um sorriso enfático no rosto. — Mas, não estou disposta a morrer por isso... eu já me alimentei desse merdinha... quer saber, não preciso do sangue dele...

— Excelente escolha.

A súcubos bate suas asas e sobe no ar. Desaparecendo nos céus em meio a escuridão.

Após aquilo, Jotiel se levanta, rapidamente, se cobrindo com um cobertor que fora arrastado com ele.

— Você é minha heroína! — Ele pula em cima de Yasmin, abraçando-a em meio a prantos.

— Me larga! Vamos voltar para a Guilda.

— Sim! É o que eu mais quero no momento!

— O que ela fez com você?

— Eu não sei, acho que fui hipnotizado... depois disso só me lembro de ter acordado naquele quarto, tonto e sem poder me mexer...

— Entendo...

Eles vão até a guilda. Assim que Yasmin entra seguida por Jotiel a guilda inteira, que naquele ponto estava cheia, encara os dois.

— Achei ele, Darukian.

— Estou vendo! — Diz o rapaz se aproximando dos dois. — Não conseguiu achar uma roupa melhor? Jotiel?

— Calado! Eu tenho sorte de estar vivo ainda...

— Foi um súcubos.

— Súcubos? Aqui em Lionhills?

— Sim. Eu consegui afugentá-la, mas sugiro que enviem alguém para capturá-la. Ela pode fazer mais reféns.

— Vou fazer isso. Mas quem diria, você em um perigo assim, Jotiel.

— Eu não tive culpa! Ela era linda! E também, eu fui hipnotizado!

Yasmin olha de rabo de olho para ele, com um rosto desprezível. Ela sente uma mão tocar sua cabeça, fazendo um cafuné.

— Então foi isso que você ficou fazendo o dia todo?

Ela olhou por cima do ombro e viu as três figuras sorrindo para ela. James olhava para ela com um sorriso no rosto e sua enorme mão sobre sua cabeça.

— São vocês! — Ela abraça Valquíria e Mandrágora, que a recebem com um sorriso.

— Mas como conseguiu achar Jotiel?

Yasmin conta para eles tudo sobre o que acontecera durante todo o dia enquanto se sentavam em uma das mesas. Ela falava rápido e de forma entusiasmada, e como ela conseguiu achar as pistas e tudo mais. Tanto a cédula quanto Darukian e Sirulian, e até mesmo alguns membros da Guilda escutavam entusiasmados, enquanto Jotiel bebia uma garrafa de cerveja em uma mesa mais distante, com um rosto emburrado.

— Você é uma detetive incrível, Yasmin! — Valquíria falava com um sorriso admirado.

— Verdade! — James segura o ombro dela. — A “Detetive Branca”!

— Detetive branca?

— Parece que acabou de ganhar um novo título! — Dizia Darukian animado. — Seu primeiro título!

— Um título?

— Sim! É como um apelido! Mas serve para outras coisas também. Todo guerreiro ganha ao menos um no decorrer de sua vida. É como o título principal de James, o dragão vermelho, por exemplo.

— Então agora eu sou a Detetive Branca?

— Exatamente!

— Eu até que gostei. — Ela sorri levemente.