Tinta cai no chão

Mais uma pincelada

Mesmo não tendo pincel

O dedo há de servir

Uma tela maltratada

Angústia em cada esparramar

Um único indicador

Faz o trabalho todo

Notas ecoam na sala

Mais um acorde quebrado

Magros dedos soltam as cordas

“Não há música sem meu arco”, diz

Uma leve brisa atinge

A violinista senta

Mas nem mesmo um furacão

Sossegaria a pintora

Era de se ponderar

A artista pinta sem pincel

Por que não tocar sem arco?

“Talvez seja diferente”, finaliza

Mesmo sem admitir

A artista desejava

Talvez mais que tudo

Sossegar ao ouvir música

E quando não há mais acordes

Resolve sentar

Apreciar a brisa que lhe vem a face

Por enquanto as mãos serviriam

E com seus dedos

Puxa-lhe a face

Pinta em si mesma

O que pensa ser um sorriso

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