Arch. Angel
3 Garoto de Pijamas pt 2
Notas iniciais
Ele estava de frente para uma porta. O dormitório localizado no nível A4 ( um nível acima de onde estava).
Mesmo que meu capacete mostrasse o mundo pelo vermelho de meu sangue, logo percebi que as mãos daquele menino não estavam vermelhas por conta de minha visão. Assim como o fato de que não deveria haver nada vivo além da porta.
Alguns poderiam pensar que ele poderia ser um aliado em potencial, mas quanto a isso...
1 – Ele não tinha cara de quem trabalha em grupo...
2 – Aquela não era uma base inimiga. Meu alvo original era um espião...
3 – Ele tinha o mesmo sorriso de quem olha para a morte, mas não a dele, a minha...
...
Recebi a maldição da audição, e com ela o fardo de ter de suportar toda a desordem do mundo das vibrações. Todas as formas de barulho me irritavam, e isso incluía minha voz. Por este motivo, a muito tempo a deixei para trás, ao ponto de nem mesmo eu lembrar de seu tom..
...
– Não se preocupe, não tenho intenção de manchar uma pintura com cores tão belas com saturações de cor... A voz “daquilo” pode ser descrita como a marcha fúnebre, travestida em um timbre infantil e inocente, assim como um demônio.
Não sei ao certo se pela intenção assassina que aqueles olhos emanavam, ou pela enorme quantidade de sangue que teimava em abandonar meu corpo, mas ele parecia querer cada vez mais ir de encontro ao chão. Apesar de meus esforços, em algum momento este desejo seria realizado.
Eu precisava apenas apertar um botão, e seria novamente lançado ao espaço em milhões de partes. Mas até mesmo isso parecia ser algo impossível, apenas pela presença daquela pessoa, que mesmo estando vivo, parecia uma pintura, que me acompanhava com o olhar, esperando apenas que eu me movesse... Apenas um milímetro. Apenas uma chance.
O botão estava a exatos 4 centímetros. Ele estava a 5 passos e meio de mim.
Minha mão se moveu antes que eu pudesse pensar. Apertei o botão. Meus olhos se arregalaram, ele estava ali, a apenas centímetros de mim, inundando minha retina com seu sorriso macabro. Antes que eu pudesse perceber, ele havia chegado até mim.
Ele agarrou meu rosto com a mão esquerda. O que veio a seguir foi o barulho de meu capacete se rompendo.
Com minha visão livre, pude ver o quão eram profundos seus olhos. Uma profundeza de desespero e morte. Senti um gosto familiar em minha boca. Era a segunda vez em minha vida que eu o sentia. Medo
– Adeus. Sebastian. As palavras que escaparam daquele sorriso eram minha lápide, que assim como tantas, ficaria escrita naqueles olhos de sangue.
O terror fugiu de meu rosto, acompanhado de todas as minhas emoções e, pela primeira vez desde que me recordo, minha boca se abriu. Uma palavra, foi a única coisa que meus lábios pronunciaram.
Eu havia morrido...
~O garoto de pijama fim
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