Arcano Romanov

1 Capítulo 1 - Arcano Romanov


Notas iniciais
Olá, pessoal!!! Bom, hoje venho em companhia da Gaby Uchiha (minha diva máster até na TPM ♥)! Há mais de um ano nós duas sonhamos em fazer algo de Naruto no universo da Disney, vira e mexe estávamos lá, procurando sobre os contos originais ou por imagens da galera de Naruto incorporados na Disney. Lá no meio do ano passado resolvemos que finalmente iriamos escrever, só que foi uma luta até decidirmos quais das milhares de histórias iriamos escrever releituras... Serão todas SasuSaku? Não! Serão de shippes variados, alguns que amamos outros um pouquinho exóticos, mas sempre usando os personagens de Naruto. E “Arcano Romanov” é a primeira desse nosso desafio, que vocês vão poder conferir através das tags |Naruto Disney| |Gaby Uchiha & Aleksia Kyle| sempre após a sinopse e iremos deixar os links nas notas finais de cada história. ♥ Mas, Alê, a Romanov não é a Anastácia? Ela não é uma princesa da Disney e sim da Fox, por que vocês começaram por essa que é fake? Bom, a Disney comprou a Fox no final do ano passado e ela passou a vagar pelo olímpio das princesas Disney! ♥ Fato que deu um gás danado em mim e na Gaby! rsrs Ps1. Agradecimentos especiais para as divas: Hitsatuke, por ter coragem de betar esse monte de história que ela vai ter ao longo desse ano (tô com pena dela rsrs) e pra Saku_Sasu_Sara , obrigada pela ajuda na sinopse!!! ♥ Ps2. Essa primeira história é dedicada especialmente para a senhorita Dayse, que está completando mais uma primavera hoje e bom... ela ama a história dos Romanov! ♥ E bom, nas notas finais vocês vão encontrar a Gaby falando um pouquinho sobre o projeto e o período das postagens, ok? Boa leitura a todos e lembrem-se de lerem as notas finais! Amamos vocês! ♥

17 de julho de 1918, Ekaterimburg

— Мать[1], para onde estamos indo? – a garota de olhos de safira e cabelos rebeldes questionava a progenitora enquanto a ajudava a descer as escadas da casa em direção ao porão, enquanto segurava na outra mão seu pequeno cachorro, Jemmy.

— Дочь[2], sem perguntas. Mas, tu és a única em quem confio para salvar nossa família...

— Por que falas isso, мать?

Os olhos tão expressivos e que sempre divertiram todos aqueles que se aproximavam da pequena menina se arregalaram como se conseguisse enxergar o verdadeiro destino da família. O horror perpassou seu olhar e foi de encontro ao da mãe que tentava lhe acalmar através de um aperto em suas mãos.

— Haja o que houver, fuja дочь. E se puder leve seu брат[3].

∞

28 de março de 1995, Konoha

Dizem que quando estamos próximos de morrer recapitulamos todos os momentos importantes da nossa vida e ali... quase 80 anos depois, ela relembrava daquela noite mais uma vez, mas de uma forma tão vívida que parecia que ainda tinha os seus 17 anos. Em certo momento, ela olhou para as próprias mãos apenas para ter certeza que encontraria as marcas ganhas ao longo dos anos, no ato acabou topando com uma dualidade – mãos velhas, encarecidas pelo tempo e mãos sedosas, límpidas como o mel mais puro.

Emoção tomou conta de si assim que encontrou a dona das pequenas mãos que seguravam as suas... olhos de um esmeralda tão cintilante e que lhe causava estranheza desde que os viu pela primeira vez. A genética mais uma vez havia errado com sua família, pois de acordo com ela, seu irmão não teria chegado a fase adulta, sua mãe não teria conseguido ter tantos filhos e agora... ali ela não teria uma neta com olhos diferentes das safiras que sempre foram motivos de orgulho para si.

A garotinha risonha, em seus plenos cinco anos balbuciava de forma engraçada para a avó, a chamando para brincar, a velha senhora apenas percorreu a mão pelo rosto da criança e no encontro entre as safiras e esmeraldas foi como se ela retornasse novamente ao porão da casa de Ipatiev. Ela ouvia a balburdia do ricochetear das balas pelo cômodo pequeno, os gritos de pavor das irmãs e da empregada de sua mãe ao ver o sangue manchando os rostos de seus pais, o cheiro de pólvora e da fumaça advinda das pistolas que não sessavam em disparar contra si, sua família e os fiéis empregados.

A senhora apenas saiu de seu transe quando percebeu ao redor de si e da menina uma pequena confusão, onde ela acabou encontrando os olhos gentis agora chorosos e espantados devido ao aperto das mãos calejadas em seu rosto infante. O pedindo de desculpas nunca fora ouvido pela garota, mas a idosa havia feito um, onde prometia que o passado ficaria eternamente no passado e nunca voltaria para atormenta-las.

∞

13 de janeiro de 2012, Konoha

— Nossa! Que cara péssima é essa, Sasuke?

— O que você queria? Depois do voo que deveria ter durado umas 5 horas durar mais de 12 horas devido ao maldito inverno russo, sério que você queria que eu estivesse sorrindo à toa, Naruto?

— Grosso como sempre! Sabe que eu não durmo direito desde uns belos cinco meses, desde que o Boruto nasceu? E nem por isso estou com essa cara de quem chupou limão azedo! – o loiro respondeu batendo o porta-malas com uma força que não era necessária. – Você deveria pelo menos ser mais simpático por eu ter vindo te buscar em pleno único horário de descanso nos últimos tempos.

— Já entendi, Naruto! Peguei pesado. – o moreno respondeu entrando no carro logo após ter prendido o cabelo em um rabo de cavalo no alto da cabeça.

— Você sempre pega pesado, Sasuke! Isso não é novidade alguma. – respondeu dando a partida no carro.

— Como anda as coisas em casa?

— Sabe, eu prefiro o Sasuke grosso do que esse que tenta ser bom moço quando sabe que pisou na bola. – Naruto o respondeu dando um meio sorriso divertido, fazendo o amigo revirar os olhos por baixo dos óculos de grau. – Mas me conta aí, conseguiu?

— Quando chegarmos em casa.

Sasuke o respondeu movimentando o banco de passageiro para trás de forma a se acomodar melhor. Ele não estava acostumando a andar em uma SUV como a que o melhor amigo havia tido que comprar, eles não eram daquele tipo de carro. Os dois sempre tiveram carros antigos como o velho Datsun 240Z[4], que Naruto dirigia antes daquele trambolho, agora o velho carro estava aposentado na garagem do Uzumaki que andava com um carro considerado “mais seguro e espaçoso” pela esposa do amigo, para sair com a família.

Para o Uchiha aquela mulher não sabia nada de carros, mas tentava a todo custo não entrar em atrito com a mais nova senhora Uzumaki, porque não queria perder o melhor amigo por causa dela e por isso seguia ressentido naquela caixa de aço avermelhado. O caminho do aeroporto até em casa seria longo, mas ele aproveitaria para tirar um cochilo por ele e pelo amigo que desde que o filho havia nascido não conseguia dormir direito.

Seria difícil adormecer? Na verdade... seria bem fácil, ele estava estressado devido a demora do voo, mas havia dormido todo o percurso... ele sabia que em breve todo pequeno intervalo que tivesse teria que relaxar de olhos fechados onde quer que estivesse, pois os próximos dias seriam de muito trabalho, mas também de grande satisfação. Ele havia conseguido realizar o grande sonho da sua vida desde que entrou no Ensino Superior, ele havia se graduado recentemente e em vez do desemprego como alguns dos colegas de turma e do próprio pai acreditavam que era o único destino dele a realidade se tornava bem mais afável e fria.

Sasuke Uchiha havia conseguido uma vaga na Pós-Graduação em História, pela Universidade Federal dos Urais. Desde criança, ele fora apaixonado por tudo relacionado a História, fosse o período histórico que fosse, mas a Rússia causava um fascínio a mais no jovem que sempre fora incentivado pelo avô, Madara, que lhe contava sobre diferentes batalhas que ocorreram no inverno siberiano. O pai dele, Fugaku, não gostava das narrações épicas do sogro para os filhos, mas nada o impedia de contar aos netos – Itachi e Sasuke.

Foi através das inúmeras horas ouvindo o avô que Sasuke acabou escutando pela primeira vez sobre o Arcano Romanov, mas suas memórias foram sendo selecionadas ao longo dos anos, principalmente após a morte daquele que sempre lhe foi uma grande inspiração. Tudo o que era relacionado ao avô fora silenciado e esquecido por Sasuke até o dia em que teve que decidir qual seria o seu futuro profissional – Engenharia Automobilística ou História?

Duas áreas completamente opostas entre si. Uma praticamente uma obrigação da família e a outra um sonho que havia renegado para o túmulo mais profundo de sua memória e que fazia-o recordar da infância. Obediência ou desobediência? Um futuro concreto ou um incerto?

Dúvidas por cima de dúvidas povoavam a sua mente até o último minuto, quando percebeu que ele não queria perder tempo com engodos e metáforas. Que o seu futuro seria construído dia após dia, mas com um pé no passado, onde ele poderia compreender acontecimentos com um olhar apurado e questionador a tudo e a todos.

Por isso a decisão mais difícil de sua pequena passagem terrena foi uma das que o mais deixou leve, pois com a História estaria sempre questionando e indo vasculhar seja em arquivos, na fala, no olhar e até mesmo no esquecimento de suas personagens. Ele poderia dar voz e vez para homens e mulheres como os seus avós, que eram considerados por muitos como os vencidos e assim sem voz, mas que na realidade para ele, tinham sim muito o que bradar para o mundo.

– Hora de acordar, Bela Adormecida! – Sasuke fora despertado por Naruto, que batia no vidro da janela do carro pelo lado de fora.

— Por que não me acordou antes? – questionou-o antes de abrir a porta.

— Você estava dormindo tão bonitinho que pedi para o Naruto não te acordar, Sasuke! – uma garota ruiva sorria enquanto virava a tela do celular para o moreno.

— Eu vou te matar, Ariel! – o rosto sonolento tomou a configuração de ódio em questão de milésimos de segundo. – Apaga isso agora, Karin!

— Nem morta! Vou imprimir em um pôster. – a garota corria pelo jardim da grande casa sorrindo.

— As princesas da Disney começaram a algazarra cedo, hein? – um senhor de meia idade apareceu fazendo os três amigos estancarem ao mesmo tempo e olharem para a entrada da casa onde o mesmo se encontrava.

— Olá, pai!

— Entrem! Todos estão esperando por vocês. – o homem sentenciou e retornou para dentro da casa.

— Sabe, Sasuke, acho que o tio Fugaku esquece às vezes que ele é humano, porque não é possível esse cara agir como uma Fera assim o tempo todo. – Naruto argumentou enquanto bagunçava os cabelos rebeldes mais do que já estavam desarrumados.

— Ele só lembra que é humano quando tá com a tia Mikoto, Naruto. Ela é a Bela dele. – Karin ria enquanto falava e pegava o primo e o amigo pelo braço. – Mas a gente tem que enfrentar a Fera e toda a realeza, só espero que você tenha trazido boas notícias pra gente, Sasuke.

A ruiva foi puxando os dois enquanto Sasuke apenas ria de forma descontraída, ao mesmo tempo que uma ventania perpassava por eles. A batalha contra o pai não seria fácil, mas ter os amigos próximos de si iria deixar tudo mais fácil, tanto que ele agradecia pela perturbada da Karin ter chegado ao mesmo tempo que ele e Naruto na casa dos pais dele, por um acaso do destino. Ele sentia que conseguiria tudo tendo-os consigo.

Aquela era a amizade mais pura e verdadeira que ele havia tido o prazer de construir desde criança, os dois primos tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos consigo levaram ondas de calmaria e avalanches de felicidade para a vida monótona dele após a partida do avô. Karin, era uma criança espoleta que adorava água por isso do apelido “Ariel”, Naruto a criança mais “ensolarada” que ele teve a chance de conhecer e carinhosamente apelidado de “Peter Pan” devido à mesmo depois de adulto continuar com o ar infantil que sempre carregou.

Passar pelas marés de incredulidade e desapontamento do pai para consigo havia sido bem mais tranquila com a ajuda dos amigos. E ali ele se encontrava vendo-os construir suas próprias famílias, terem sucessos nas carreiras que escolheram e mesmo que ele continuasse só por um longo tempo ele estaria feliz, pois a família deles era a dele também. O apoio e a atenção dados seja para Boruto, filho do Naruto que achava que o tórax dele fosse uma montanha e não parava de escalar, ou então para Suigetsu, cara de peixe e noivo de Karin eram os mesmos que ele dava ao irmão, Itachi ou a cunhada, Izumi e aos filhos deles.

Mesmo que Fugaku afirmasse que ele nunca teria sucesso na vida devido a sua escolha profissional, para Sasuke ele já era um vencedor apenas pelos laços familiares e de amizade que moldou ao longo dos anos. Uma carreira bem-sucedida e frondosa financeiramente seriam apenas um bônus, um que ele não acreditou que iria conseguir tão logo saísse da simples graduação que havia feito. Seu avô ficaria feliz. Imensamente feliz por todas as suas realizações, e isso bastava, mas havia algo a mais que o jovem Uchiha desejava... ver a fisionomia do pai após anunciar que sairia de casa e não precisaria mais depender do mesmo, ao contrário do que o mais velho sempre afirmava.

— Tenho uma notícia para dar. – Sasuke anunciou ainda com o mais novo Uzumaki nos braços, vendo todos se virarem para ele.

— Sobre o que, filho? – Mikoto Uchiha, a sempre doce e dedicada matriarca da família.

— Sobre o meu futuro, mãe. – os ônix de Sasuke se acenderam para a mãe.

— O de viver eternamente debaixo das minhas asas e das de sua mãe? Isso não é novidade para ninguém, Sasuke!

O clima entre os presentes se acendeu após a sentença de Fugaku, enquanto Sasuke apenas sorria complacente para o pai... ele queria abrir uma champanhe devido a cena que se propagaria logo em seguida.

— Na realidade, pai... sobre aquele em que deixarei de viver as suas custas e passarei a viver do meu trabalho. – falou amigavelmente.

— Resolveu trabalhar na empresa? Finalmente sua ficha caiu sobre aquele curso de drogados que você fez.

— Não vou trabalhar para o senhor, pai. Esse prazer nunca irei lhe dar.

— O que pretende então.

— Simples, daqui a duas semanas vou me mudar para a Rússia...

— O que?! – Fugaku o interrompeu aos berros.

— Isso mesmo que o senhor ouviu, pai. – estava sendo delicioso ver as configurações da fisionomia sempre tão imponente do velho Uchiha. – Minha viagem, como muitos acreditavam, não foram de “férias” e muito menos para a Nova Zelândia. A realidade é que havia ido participar de uma entrevista para um mestrado em uma das principais universidades da Rússia...

— Mikoto, você deu dinheiro para esse moleque viajar? – mais uma vez Sasuke havia sido interrompido pelo pai que acusava a esposa de conluio contra si.

— Claro que não, Fugaku! Eu pensava que ele havia ido surfar! – a mulher se defendeu, se aproximando do caçula. – Filho, por que não me disse nada? E como assim entrevista? Você não fez prova alguma? Só foi fazer uma entrevista?

— Fiz a prova já tem uns bons três meses, mãe. – ele a respondera. – Vocês haviam viajado para Londres e por isso não notaram a minha ausência quando também viajei para fazer o teste. E não, pai. Minha mãe não deu nenhum centavo para isso. – sentenciou dirigindo o olhar para o progenitor que se encontrava com a face irada.

— Sasuke sempre deu aulas nas escolas enquanto estudava, tio Fugaku! – Karin, agiu com divertimento para ajudá-lo. – Até porque, se ele não tivesse trabalhado nunca teria conseguido se formar, já que o senhor cortou a mesada que dava assim que ele decidiu não estudar o que o senhor queria.

— Fique calada, Karin! Isso é assunto de família!

— Karin é tão da família como o senhor, a mãe ou o Itachi, pai. – ele respondera o pai vendo-o inflar de ódio. – E nada do que ela disse é mentira. Eu sempre estudei e trabalhei muito. Enquanto o senhor jurava que eu estava vagabundeando por aí, eu estava lutando pelo o que acredito e quero para a minha vida.

— Então você vai para a Rússia estudar os seus comunistazinhos? – Sasuke percebeu o escárnio na voz e trejeitos do pai, mas não iria se deixar levar por isso.

— Vou! E sabe porquê? – o questionou divertidamente. – Porque sou um comunista tanto quanto eles.

Sasuke sempre amou o capitalismo, mas adorava irritar o pai quando dizia que era comunista. Os dois tinham discussões memoráveis sobre comunismo, socialismo e capitalismo. Ele lembra bem de uma vez que havia chegado em casa vestido com uma camiseta de Karl Marx, aquela havia sido a melhor discussão de todos os tempos.

Por isso, quando ele afirmara de boca cheia que era um comunista, Naruto se aproximou logo para retirar o filho dos braços do amigo que brincava com os óculos do tio e todos começaram a se dispersar do jardim dos fundos, aquela briga não era deles e eles não precisavam ouvir.

∞

17 de julho de 2012, Ekaterimburg

— Hoje faz 94 anos do assassinato da família Romanov, por isso trouxe vocês até aqui.

A voz de Sasuke era ouvida por todos os quase 35 adolescentes que o acompanhavam na visitação à última moradia dos Romanov.

— Em 1977, a casa Ipatiev, como foi conhecida durante longos anos, foi demolida devido a uma ordem do Comitê Central do Partido Comunista, que considerou a casa como sem importância histórica para a sociedade russa...

— Mas isso é um absurdo, professor! É óbvio que a casa era importante, não só era como é importante para falar sobre a nossa História. – um dos alunos o interrompeu fazendo o sorrir de canto perante a questão do mesmo.

— Sim, ela é importante, mas naquela época eles queriam apagar de todas as formas as lembranças dos Romanov e como estava perto do 60º aniversário do assassinato deles, sendo que ninguém possuía o conhecimento sobre o local de sepultamento dos corpos, então por que não acabar com aquela lembrança? – questionou aos atentos seguidores fascinados com a arquitetura da Igreja e do seu passado obscuro.

— Minha avó conta que mesmo com a destruição da casa a população continuava a visitar o local as escondidas, professor, é verdade? – outra aluna mais ao fundo o interrogou.

— Exatamente, Dasha! Mesmo com o governo afirmando que essa localidade não fazia parte da História Russa, muitos peregrinos vinham visitá-la a noite e as escondidas. Devido a isso, a Igreja foi construída já no final dos anos 90. A Igreja do Sangue em Honra de Todos os Santos Resplandecente na Terra Russa[5].

Sasuke ia arquitetado sua fala enquanto os alunos se aglomeravam na frente da escadaria principal, prontos para finalmente adentrarem na basílica.

– Mas antes de entrarmos, há uma curiosidade sobre a Igreja, alguém poderia me responder?

O Uchiha esperava com atenção alguém se pronunciar, mas pela fisionomia de confusão, parecia que ele mesmo teria que responder a própria pergunta.

— Bom, na reali...

— A curiosidade é que não é apenas uma igreja e sim... duas igrejas. – Sasuke se assustou com a voz vinda logo atrás de si, uma que ele sabia que não era de nenhum de seus fieis alunos, o que fez virar para encarar o dono... a dona da voz. – Além delas duas há um memorial dedicado a família Romanov, não é mesmo, professor?

— Sim... você é...

— Sakura, apenas mais uma peregrina. – o sorriso zombeteiro no rosto da jovem moça que estava saindo o fez se questionar se já não havia a visto antes.

— Sasuke, o professor de História. – ele apertara a mão da moça que havia estendido para lhe cumprimentar. – Japonesa?

— Nipo-russa. – Sakura o respondeu ainda sorrindo.

— Uau! Qual a tinta que usa para ter essa cor de rosa lindo no cabelo, moça? – uma das alunas de Sasuke os interrompeu, tocando em algumas mechas rosadas de Sakura.

— Nenhuma, criança. – ela riu com o espanto da jovem. – A cor do meu cabelo é uma mutação genética, minha mãe e minha avó possuem os fios loiros quase avermelhados e por alguma razão da ciência que desconheço, acabei nascendo com os fios rosados.

— Incrível!

A reação de todos os adolescentes foi de espanto, mas se os perguntasse se era devido aos cabelos coloridos originais de Sakura ou se ao russo incrivelmente falado por ela. Fedorova, quando a interrogou, o fez falando em um inglês arrastado pelo sotaque russo, quase tropeçando em algumas palavras, pois pensava que a jovem eram japonesa e por isso não iria compreender o russo falado por eles, já que a mesma havia respondido o questionamento do professor Uchiha em inglês, sendo que ele ainda não tinha segurança quanto ao idioma nativo deles e por isso ainda usava a língua mais difundida mundialmente.

Sasuke conseguia compreender muito bem o russo, mas ainda não conseguia falar adequadamente a língua e por isso, quando assumiu as turmas na principal escola do Ensino Médio em Ekaterimburgo, os próprios alunos escolheram que uma aula por semana ele iria ensinar em inglês. O objetivo era claro para Sasuke, o ajudar a não passar uma vergonha tão grande na frente deles, como também ajudá-los na speaking e listening do inglês. E aquela aula em campo caiu justamente no dia em que ele falaria 100% em inglês.

— Bom, tenho que ir. – Sakura falou começando a andar entre os jovens. – Vou deixa-los com o professor, mas não acreditem em tudo o que ele diz, ok?

— Com certeza! – todos riram enquanto Sasuke ficava cada vez mais intrigado com os olhos de Sakura que antes de pôr os óculos de sol ele pode perceber uma tonalidade meio azulada em meio ao mar de esmeraldas que ela possui.

— Do svidaniya![6]

— Poka![7]— os alunos responderam a saudação da rosada quando está já descia a escadaria das igrejas.

Aquela era a primeira vez que Sasuke encontrava com Sakura, mas para ele o rosto da jovem mulher de cabelos rosados não lhe eram estranhos, algo nela o trazia uma familiaridade gritante para a memória individual dele. Ele não conseguia compreender se era devido aos exóticos cabelos da mesma ou o olhar dela, mas ela não lhe era estranha. Porém teria que deixar o processo de rememoração para outro momento, pois ainda teria um longo caminho a percorrer visitando aquele lugar de tão importante memória russa.

— Vamos entrando, por favor! – o Uchiha mais novo logo avisou aos alunos assim que Sakura partiu no táxi que a esperava próximo a igreja. – Alguém reconhece a arquitetura do lugar?

— Bizantina? – Fedorova, a mesma garota que havia comentado sobre os cabelos de Sakura, se pronunciou.

— Exatamente! Essa era a arquitetura predileta da família Romanov, principalmente do Czar Nicolau II.

— Aquela senhorita disse para não acreditarmos em tudo o que o senhor falar, professor. Isso é verdade?

A gargalhada tomou conta de toda a turma após um outro aluno lembrar em alto e bom som o que Sakura havia dito para eles antes de partir, nisso Sasuke percebeu que seria um longo dia pela frente, sem falar que ainda teria uma reunião com o orientador no final da tarde, para conversarem a respeito do início da pesquisa aos acervos fotográficos deixados pelos Romanov, principalmente as fotografias feitas por Nicolau e pela filha Maria[8].

Como imaginou, Sasuke teve um longo dia tendo seus alunos o fazendo questão de relembrar sobre o aviso de Sakura. Aquilo havia sido cansativo, mas no fundo acabou sendo divertido para ambos, mesmo que ele fingisse na frente de todos que aquilo não o estava incomodando e nem causando nenhuma sensação de divertimento.

Quando chegou em casa ao anoitecer, foi que sentiu todo o cansaço do dia e a visão de Sakura retornou viva em sua mente. Aquela deveria ser uma peça bem pregada por Mnemosine[9], mesmo durante a reunião com o orientador, que estava modificando todo o seu projeto de pesquisa, o olhar dela não saía de sua cabeça e ali deitado em sua cama ele conseguia até mesmo sentir o perfume adocicado com toques de almíscar e flores de cerejeira, que tanto representava o nome dela quanto os cabelos cor de rosa; e assim ele adormeceu, tendo-a tão presente em suas memórias como se estivesse aconchegada em seus braços.

∞

23 de julho de 2015, Konoha

O barulho das cigarras cantando era ouvido por todos os lados na avenida principal de bares e restaurante de Konoha, para alguns a balburdia é completamente ensurdecedora, enquanto outros veem magia na cantoria dos artrópodes. Sasuke Uchiha é um desses que ficam bestificados com o canto das cigarras, principalmente durante o escaldante verão japonês. Ele cresceu ouvindo a mãe contar que enquanto ela estava em trabalho de parto havia um grupo cantando, sem parar, na janela ao lado do quarto em que estava, e só pararam quando ele dera o primeiro sopro de vida.

O jardim de casa, além de ser o principal local em que ouvia as histórias do avô Madara, eram também o lugar onde ele caçava os insetos de sons estridentes. A lembrança da infância e do avô o fez sorrir enquanto levava à boca uma taça de vinho branco, que tomava na calçada do restaurante que os amigos escolheram para o jantar de comemoração do seu aniversário. O calor sempre fazia com que eles escolhessem o mesmo espaço, era praticamente sagrado comemorarem ali, eles eram conhecidos por todos os garçons e ainda tinham desconto por conta do aniversário de Sasuke.

Naquele ano não foi diferente, mas a mesa que antes era preenchida apenas por Karin, Naruto e Sasuke ao longo dos anos passou a angariar novos participantes, como Hinata e Suigetsu, mesmo que o aniversariante não gostasse muito da primeira. A relação de Sasuke com a esposa do melhor amigo era conflitante graças a como tudo se desenrolou durante o início do relacionamento deles. Para ele, ela não era alguém que pudesse se confiar totalmente, porém Naruto parecia estar cada vez mais feliz ao lado da morena de olhar perolado como a noite.

Enquanto isso, Suigetsu era na verdade um pouco marrento, cheio de graças, mas que para Sasuke, completava perfeitamente a balança da ruiva e melhor amiga, a eterna Pequena Sereia. Ele achava interessante a forma como os dois se relacionavam e estava extremamente feliz pela amiga se no melhor encontrar estágio da vida dela, e ele sabia que os dois juntos estariam sempre em um looping eterno de fraternidade, felicidade, companheirismo e romance, mesmo que Karin fosse um pouco explosiva em certos momentos.

Ele era o único do trio que não havia se casado e tido filhos, porém isso não era nada que ele desejava no momento. Era verdade que durante boa parte do mestrado pensou em uma certa garota, mas por não saber exatamente quem ela era, acabou trancafiando o sentimento que jamais pensou que teria, dentro de um baú a sete chaves.

Porém, Karin e Naruto tinham planos para aquela data além do jantar de verão como todos os anos, Sasuke apenas desconfiou do que eles aprontavam após a ruiva comentar que daquela vez uma amiga iria jantar com eles. O motivo de uma sexta pessoa na mesa era cristalino como água pura para o moreno, mas era negado pelos demais que enfatizavam que era devido a mulher estar pela cidade, fato que há muito tempo não ocorria e elas desejavam passar o maior tempo possível juntas.

Porém eles já se encontravam praticamente no prato principal do jantar e nada da tal mulher chegar, onde Sasuke estava agradecendo a Kami-sama, por não estar sendo obrigado a participar de um encontro de casais justamente no dia do próprio aniversário. Só que, enquanto ele dava graças aos céus, uma certa rosada caminhava pela rua movimentada pelos estabelecimentos comerciais admirando a cantoria das cigarras, igual ao moreno. Ela praticamente estava em outro mundo quando ouviu ser chamada e assim aterrissou novamente na Terra.

— Karin! – a rosada respondeu ao chamado, virando o rosto para trás e sorrindo para a amiga.

— Está atrasada, mocinha! E ainda ia passando direto! – Karin falou enquanto a rosada desviava das mesas ao lado, na calçada do restaurante, para abraçar a ruiva.

— Desculpa! Acabei ficando presa por mais tempo no hospital, você sabe muito bem como a tia Tsunade é! – abraçando a amiga.

— Só te perdoo, porque sei muito bem como ela é. – falou enquanto a apertava.

— Tá machucando, Karin!

— Deixa ela respirar, Ka! – Naruto falou indo ao socorro da amiga.

— Kami-sama! Naruto! – o grito foi mais estridente do que o canto das cigarras, mas a única pessoa que não se incomodou fora Sasuke que estava em estado catatônico olhando para o desenrolar daquela cena.

— Não adianta dar um escândalo dizendo que está com saudade, se estivesse realmente teria voltado há muito tempo. – ele informara em meio a zanga e divertimento.

— Ah! Meu Zangado predileto! – Sakura apenas ria. – Karin contou que você casou e já tem dois filhos! Quase tive um troço quando soube, quando foi que o Peter Pan resolveu ficar adulto?

— Peter Pan?

A voz incrédula de Sasuke foi ouvida pela primeira vez na mesa, desde que Sakura fora avistada por Karin. Sua fisionomia era um misto de confusão e alegria.

— Ei! Eu conheço você!

— É claro que conhece, Sakura! É o Sasuke! – Naruto a respondeu.

— Isso! O professor em Ekaterimburg!

— Oi? – Karin estava agnóstica com a conversa.

— Que coincidência você por aqui e ainda conhecer a Karin e o Naruto!

— Eles são meus amigos de infância. – Sasuke falou sem acreditar no que estava presenciando.

— Seus amigos de infância? – a rosada questionou apontando para o casal de primos. – Impossível! Eles são meus amigos de infância, se você fosse amigo deles eu o conheceria também.

A confusão mental de Sasuke se tornou maior após a sentença de Sakura.

— Somos amigos de infância de vocês dois e os dois também são amigos de infância. Vocês não se lembram? – Karin os questionou.

— Não. – ambos responderam com veemência.

— Sasuke, você se lembra daquela família meio estrangeira e meio japonesa que moravam do lado da casa da Tsunade? – Naruto o questionou, tentando a atenção de Sakura além da do moreno.

— Vagamente, lembro que o vovô Madara gostava muito da senhora que morava lá. – ele respondeu intrigado.

— Espera! Você é neto do Madara? Madara Uchiha?

— Sim... – desconfiado Sasuke respondeu mulher que acabara de saber que possuía os mesmos amigos de infância que ele, enquanto Suigetsu e Hinata apenas riam diante da confusão de todos.

— Eu sabia que te conhecia de algum lugar quando nos encontramos na Igreja, mas nunca pensei que você seria o neto do Madara! – Sakura ria despachadamente da situação. – Eu sou Sakura Haruno, neta da senhora que Madara cortejou a vida inteira e que morava naquela casa ao lado da Tsu.

A memória de Sasuke havia feito uma seleção ao longo dos anos sobre o que lembrar e o que não lembrar, e aquela garota até podia fazer grande parte de sua primeira infância. Porém ele havia a apagado ou apenas adormecido, pois quando a encontrou depois de longos anos na Rússia sentia como se já a conhecesse de outra época, só não lembrava de qual.

— Não deve se lembrar, porque quando ainda erámos crianças fomos morar na Inglaterra, e todas as vezes que voltávamos de férias os Uchiha sempre estavam viajando também. – Sakura falou achando incrível aquele reencontro depois de anos. – Vovó nunca esqueceu de Madara.

— Ele também nunca se esqueceu dela. – Sasuke riu ao lembrar de todas as vezes que o avô comentava sobre a senhora de cabelos loiros avermelhados, que ela sempre seria para ele.

— Bom, já que ambos se lembraram de quem são, bora terminar de comer, porque estou faminto! – Suigetsu falou, dando espaço para Sakura passar para a única cadeira vaga na mesa, ao lado de Sasuke.

— Sui sendo um amor de pessoa como sempre, né, cara de peixe? – Sakura ria enquanto se sentava.

— Não se mexe em time que está ganhando, querida flor de cerejeira.

O jantar continuou em meio a brincadeiras, gargalhadas, parabéns, conversas reveladoras e até mesmo apimentadas entre os três casais de amigos, além de olhares para lá de sugestivos entre Sakura e Sasuke. A proximidade entre as cadeiras dos dois davam-lhes certa salvaguarda para manterem longe do olhar de todos os roçares de pernas e entrelaçamentos de mãos.

Nenhum dos dois estavam acostumados aquela intimidade repentina com o sexo oposto, mesmo que Sakura tivesse tido inúmeros pequenos casos durante a vida, ela nunca teve algo tão rápido com uma pessoa que nem se lembrava que havia conhecido. Com Sasuke não era algo tão diferente, porém ao contrário dela ele tivera poucos relacionamentos, contava-se nos dedos de uma mão e ainda lhe sobrava dedos para esse feito. Karin e Suigestsu por estarem mais próximos dos dois já haviam percebido e com olhares cumplices concordaram em darem mais espaço para ambos.

— Bom, Sasuke, mais uma vez feliz aniversário, mas acho que já está ficando bem tarde. – Karin anunciou.

— Também acho. – Hinata se pronunciou. – Temos que liberar a babá, Naruto.

— Exatamente! Também estou pensando nisso, Hina. – Karin riu olhando para a morena no lado oposto da mesa.

— Sem problemas, já está tarde. – Sasuke falou olhando par ao relógio. – Só vamos pedir a conta.

— Conta paga, meu caro aniversariante. – Suigetsu retornou a mesa, pois havia saído ao banheiro alguns minutos antes.

— Como assim?

— Depois que saí do banheiro passei no caixa e paguei tudo, não é óbvio? – Suigetsu respondeu Sasuke.

— Você e a mania de pagar tudo para todos. Não vai deixar de querer ser o macho alfa nunca, não é Sui?

— Este dia nunca chegará, bela flor de cerejeira! – o albino fez todos na mesa rir.

— Juro que não me importo nenhum pingo por ele ser assim, Sakura. – Naruto falou levando a uma nova onda de gargalhadas pela mesa. – Adoraria que ele pagasse algumas contas lá de casa por sinal.

— Sem exageros, Narutinho!

— Bom, então podemos ir?

— Claro, amore mio! – Sui respondeu Karin fazendo a mesma sorrir, junto com Hinata e Sakura, enquanto Naruto e Sasuke apenas reviravam os olhos divertidos.

— Sakura, quer que eu te dê uma carona?

Naruto a questionou, mas antes dela respondeu Sasuke informou que a acompanharia e que os amigos não precisavam se preocupar. Nenhum deles se preocupou com a decisão dos dois irem embora juntos, houve até uma pequena comemoração entre os outros dois casais enquanto estavam indo embora, pois o plano que tinham criado estava saindo como haviam esperado.

O constrangimento entre Sasuke e Sakura era quase palpável durante o percurso até o hotel em que a rosada estava hospedada. Ele só foi quebrado minutos antes de chegarem ao prédio, quando Sakura o questionou se ele ainda morava em Ekaterimburg e o mesmo respondeu que sim, que estava fazendo Doutorado em História, na Universidade Federal dos Urais. Dessa pergunta em diante eles começaram a perder a vergonha, o que ficou evidente quando ela o convidou para tomarem um chá gelado no quarto em que estava instalada.

A noite dos dois foi muito além de um simples chá gelado... em meio a risos, carícias e lençóis jogados ao chão, Sasuke questionou Sakura sobre o motivo de ter retornado a Konoha.

— Bom, só estou de passagem. – o respondeu acariciando o peito do mesmo. – Tsunade pediu minha ajuda em relação ao tratamento de um paciente e por isso vim.

— Qual a sua especialidade médica?

— Infectologista. Faço parte da Cruz Vermelha e atuo bastante na África.

— Uau!

— E você, qual área da História se especializou? – ela lhe devolveu a pergunta levantando a cabeça olhando-o nos olhos.

— Na realidade gosto de todas as áreas, mas acabei entrando pela Biografia-histórica, onde abordo a o uso de fotografias e a História Oral, porém a maioria dos meus entrevistados estão morrendo e vou acabar ficando apenas com os registros fotográficos e algo me diz que vou acabar enveredando pela Imprensa. – concluiu pensativo enquanto retirava uma mecha rosada do rosto dela.

— Diz isso por que suas personagens estão falecendo?

— Também...

— Algo mais?

— Talvez mude a perspectiva do projeto de pesquisa, dessa vez não falando sobre Nicolau e Alexandra, mas talvez por algum dos empregados deles.

— Você estuda os Romanov? – o interesse de Sakura foi imediato.

— Sim... o que quer saber? Esses olhos parecem curiosos demais...

— Qual período você estuda sobre eles? Antes ou depois do período dos Bolcheviques no poder? – o brilho e excitação era perceptível no olhar de Sakura.

— Os dois períodos mais o bônus de pós-morte. Mas quero projetar minha pesquisa para outras personagens que ficam de fora da maioria dos estudos. – ele esticou o braço para pegar o relógio que jazia no criado mudo a esquerda da cama para olhar as horas.

— Cansado?

— Não, apenas mania de conferir o tempo...

— Coisa de historiador? – Sakura o questionou já sorrindo.

— Sim. – ele respondeu rindo da piada dela.

— Sasuke, você já ouviu falar sobre o Arcano Romanov?

Há anos o Uchiha não escutava ninguém falando sobre aquela teoria. Ela havia sido colocada em cheque após a descoberta dos corpos de Alexei e Anastácia ou Maria Romanov, anos após o descobrimento dos restos mortais de seus pais e de suas outras três irmãs. Aquela durante muitos anos era considerado o maior enigma acerca do fatídico dia 17 de julho de 1918, na casa de Ipatiev.

Várias teorias acerca do desenrolar dos fatos daquela noite foram elaborados por diferentes investigadores policiais, como o principal deles Nicolai Sokolov e diversos historiadores da família Romanov. O mais conhecido deles referente aos relatos de Sokolov, que foram publicados em 1924, descreviam como se deu a busca pelos remanescentes Romanov até a descoberta de pertences da família e alguns ossos calcificados em uma mina na região dos Quatro Irmãos[10], nos Urais.

A teoria de Sokolov era a principal, a de que os vermelhos – como os bolcheviques eram conhecidos – haviam assassinado toda a família; a segunda teoria era referente a de que apenas Nicolau II estava morto e sua família havia sido transportada em segurança para fora da Rússia e assim, não pudessem mais causar nenhuma revolta no país. A terceira teoria referia-se justamente ao Arcano Romanov, onde se acreditava que o czarevich Alexei e uma de suas irmãs mais velhas, muitos acreditavam ser Anastácia ou até mesmo Maria, tivessem sobrevivido a chacina de Ipatiev.

Ouvir Sakura falar sobre essa teoria não era estranho devido a forma como muitos acreditaram nela, mas por saber que com toda a certeza ela sabia que essa perspectiva havia caído por terra no momento em que se descobriu os corpos das duas últimas crianças Romanov e do qual testes de DNA comprovaram serem membros da realeza russa, isso lhe era alheio.

— Sim, mas essa teoria já foi deposta há quase 10 anos, Sakura, tanto que Alexei e Maria estão enterrados junto com o restante da família na Catedral de Pedro e Paulo. – ele respondeu vendo-a se sentar na cama.

— Alexei e Maria estão enterrados junto com o restante da família? – Sakura o questionou séria.

— Sim! Qual o problema? Os corpos foram encontrados no final 2007 e testes feitos por legistas forenses russos e estrangeiros comprovaram em 2008 que eram deles os restos mortais. – a respondeu intrigado. – Onde esteve nos últimos anos, Sakura? Isso foi noticiado em jornais de todo o mundo.

— Qual empregado dos Romanov você quer estudar, Sasuke?

— Não muda de assunto, Sakura.

— Não estou mudando, mas será que dá para me responder quem você quer estudar agora? – o respondeu ríspida.

— Ainda não sei, estou em dúvidas entre o médico da família o Dr. Eugene Botkin ou Demidova, a criada principal da czarina Alexandra. – a respondeu achando a conversa deveras sem sentido e tentando lembrar quando eles tomaram aquele caminho para uma conversa pós-sexo.

— Investigue Demidova.

— Como?

— Estou te dizendo para estudar sobre a Demidova, tenho certeza que irá se surpreender com o que vai descobrir sobre ela. – ela ria de lado como se estivesse dando o assunto por encerrado.

— Pode me dizer o motivo disso? – Sasuke continuava incomodado com a situação deles.

— Instinto feminino. Faça uma análise de gênero entre as trabalhadoras russas do início do século XX, tendo a figura de Demidova como personagem central para a sua tese.

O beijo que Sasuke recebeu após aquela sentença ele percebeu que tão cedo iria retornar para aquele assunto e tirar todas as dúvidas deixadas nas entrelinhas por Sakura, naquele momento resolveu deixar para depois, precisamente para quando amanhecesse, pois ela sabia que não poderiam continuar na cama pelo restante do dia que ainda ia nascer. Porém ele não contava que quando acordasse com o sol escaldante tocando-lhe a fase perceberia que estava sozinho no quarto do hotel, com uma mesa de café da manhã farta e um bilhete em cima da xicara de café.

“Desculpe não ficar para o café, mas meu voo estava marcado para logo cedo. Acho que Karin e nem Naruto te contaram isso, não é mesmo? Bom, foi um prazer relembrar de você, Sasuke!

Um prazer digamos bem saboroso, divertido e excitante!

Mas como tudo na vida acaba, nosso momento juntos também chegou ao fim. Espero te encontrar novamente e quando esse dia chegar desejo que me conte tudo o que descobriu sobre Demidova.

Do svidaniya, Sasuke!”

Definitivamente ele não estava acreditando naquele bilhete, mais uma vez ele teria que trabalhar sua memória seletiva para desconstruir os paradigmas que Sakura havia edificado apenas em uma única noite juntos, mas de uma coisa Sasuke tinha certeza – a ideia que ela havia dado para estudar as trabalhadoras domésticas antes e pós-1917, tendo Demidova como pano de fundo, era um trabalho interessante de se construir.

∞

25 de janeiro de 2018, Ekaterimburg

Dois meses e dezessete dias. Esse é o tempo exato que Fugaku Uchiha havia falecido. Na última vez que Sasuke viu o pai ele não sabia o que sentia, o que esperava daquele encontro e muito menos das palavras que ouviu o progenitor pronunciar no tom mais alto que conseguia no momento, entre uma respiração e outra.

Durante muito tempo o jovem Uchiha esperou ouvir do pai que era amado e que o mesmo sentia orgulho de si... e naquele dia, inesperadamente enquanto ajudava as enfermeiras do Hospital Central de Konoha a limpa-lo, ele finalmente escutou. Na hora uma onda de choque percorreu por seu corpo, deixando-o meio catatônico de onde saiu apenas quando os aparelhos ligados ao pai começaram a apitar e uma profusão de enfermeiros e médicos começaram a entrar e sair em meio a comandos intensos de ordem. Para logo em seguida ele ouvir a marca do tempo que ele nunca desejou sentir.

Ele não negava que era mais apegado ao avô do que ao próprio pai, mas Sasuke amava-o independentemente do nível de relação que eles tivessem. Perder Fugaku fez com que memórias da infância viessem à tona. Memórias de dor e prazer... o motivo que levou com que toda a família viajasse para fora de Konoha durante as férias de verão, lembranças das brincadeiras de rua entre ele, Karin, Naruto e Sakura, como o apelido dado pelo avô a rosada... Anastácia.

Sasuke não entendia muito bem, mas recordou que Sakura era uma figura importante em sua vida e que era querida tanto quanto a avó dela por Madara. Durante o luto, ele relembrou que uma vez questionou o antigo patriarca Uchiha sobre o apelido dado a jovem e lhe disse “ela é uma joia russa, a mais bela e preciosa de todas e nada mais justo do que chamá-la pelo nome que ela deveria ter, igual a avó”.

Com os últimos preparativos para a conclusão da tese de doutorado, juntamente com a dor da partida precoce do pai, Sasuke acabou esquecendo novamente da sentença dita por Madara, mas ali, em meio a apresentação de suas conclusões finais de pesquisa... vendo-a sentada ao lado de Karin, como se não tivessem passado os últimos anos sem nenhuma notícia um do outro, as palavras do avô o atingiram mais uma vez. Um fato que sempre o acompanhou desde jovem e que ele eclipsou durante quase trinta anos, o alcançou de forma tão cristalina como o olhar esmeraldino de Sakura que dependendo do tom a deixava com olhos turquesa.

Tudo o que ele necessitava naquele momento era falar com ela, perceber com clareza os não-ditos vindos diretamente dela... as entrelinhas necessitavam de fontes para serem comprovadas e ela era a principal fonte de seu novo romance acadêmico. Sakura Haruno ou seria Sakura Romanov? Mas antes disso, Sasuke precisava terminar a arguição e ouvir todos os conselhos da banca, como ele iria conseguir a proeza de se concentrar? Ele não sabia, mas Clio[11] iria guiá-lo até o fim.

Do momento em que viu Sakura entrando no auditório até a hora que que a banca deu por encerrada a arguição dele, como também os comentários, as réplicas e tréplicas sobre o estudo se passou mais de uma hora e meia. Sasuke suava frio não com medo de não ser aprovado, mas sim pelo o que estava prestes a ouvir de Sakura, tanto que na ocasião em que seu orientador solicitou que todos se retirassem para que a banca decidisse sobre a aprovação ou não da tese ele partiu em disparada, sem olhar para ninguém a não ser a rosada sem dizer uma única palavra a levou para uma parte afastada da entrada da sala de defesa.

— O que aconteceu, Sasuke? – o estranhamento pela atitude do moreno era visível na voz e fisionomia de Sakura.

— Acho que está pergunta é minha, senhorita Romanov. – o tom rouco de Sasuke cortou o ar até chegar aos ouvidos da mulher, que quando compreendeu apenas sorriu de canto.

— Fico extremamente feliz que tenha seguido a minha ideia e foi estudar gênero e trabalho, Sasuke.

— Não mude de assunto, Sakura!

— Não estou desconversando, muito pelo contrário. – a confiança que Sakura trazia estava deixando Sasuke fora de si. – Lembra quando disse que Alexei e Maria estavam enterrados junto com o restante da família?

— Lembro, mas...

— Pedi para que fosse estudar Demidova e não o Dr. Botkin. – ela o interrompeu. – Você não entendeu o motivo da minha mudança de assunto na época, porém acho que agora entendeu...

— O que uma dama de companhia tem a ver com isso, Sakura? – foi a vez de Sasuke interrompê-la.

— O que tanto você sabe sobre ela?

Os olhos de águia sobrevoando a presa prestes a dar o bote, era assim que Karin, Naruto e todos que saíam do anfiteatro olhavam Sakura de longe, juntamente com o sorriso de vencedora. O brilho que ela trazia era impressionante, fazendo com que Mikoto desejasse conhecer a mulher com quem o filho mais novo conversava e parecia completamente encantado, mesmo que ela percebesse que Sasuke se encontrava tenso com o que fosse que eles discutiam.

Todos desejavam dar felicitações a Sasuke pela desenvoltura durante a apresentação, porém a aura ao redor deles afastava qualquer um que tentasse se aproximar. Karin e Naruto eram os únicos que se arriscaram a se aproximar do casal, mas eles apenas o rodeavam aflitos e preparados caso um embate mais ferrenho ocorresse entre eles. A posição de mãos fechadas e maxilar travado do Uchiha o deixavam em suspensão, mesmo que Sakura continuasse a sorrir como se estivessem em uma brincadeira de criança.

— Ela era a principal criada da czarina Alexandra, que tudo indica que era a sua bisavó. Todas as imagens e alguns diários e cartas a colocavam como a mais devota de todos, que a ajudava não apenas com a própria doença ou com os cuidados de Alexei, mas também na criação das outras filhas. – Sasuke respondeu-a, prestes a explodir. – E ela foi a última a morrer na chacina.

— Descobriu porque ela foi a última? – uma ave de rapina, era assim que Sasuke descrevia Sakura em pensamento.

— Os alvos principais da chacina eram os Romanov, eles deveriam morrer primeiro, os homens de Yurovsky receberam instruções em quem e como deveriam atirar, mas devido as roupas das grã-duquesas estarem adornadas de pedras preciosas as balas começaram a ricochetear pelo quarto. Demidova não vestia nenhuma “armadura preciosa”, mas se defendeu o quanto pode com a ajuda de uma almofada e...

— Essa é uma das histórias contadas na época, Sasuke, apenas mais uma como todas as outras que foram propagadas ao longo do tempo, mas a única que tem um caráter “oficial” podemos dizer. – Sakura interrompeu a narração de Sasuke mais uma vez achando graça das expressões faciais dele.

— O que quer dizer com isso?

— Eu não queria mesmo interromper vocês, mas... a banca está chamando... – Naruto os avisou, apontando em direção a sala onde podiam ver o orientador de Sasuke convocando todos para entrarem novamente.

— Não saia daqui! – Sasuke sentenciou.

— Preciso ir...

— Sakura!

— Fica tranquilo, só vou até a Igreja, lá poderemos conversar melhor. – Sakura tentou passar um olhar confiante para Sasuke sobre as suas intenções, mas o moreno não conseguia acreditar 100% nela.

— Espero que realmente esteja lá!

— Vamos, Sasuke! Só está faltando você, a Sakura vai te encontrar depois, vamos!

Naruto o saiu arrastando para a sala e assim que o amigo entrou, os azuis do loiro se encontraram com as esmeraldas de Sakura, como se suplicasse que não fugisse mais uma vez como há três anos e esta apenas assentiu com um singelo sorriso sapeca seguido de uma afirmação com a cabeça. Ali ela conseguiu acalmar o coração do amigo que estava angustiado desde o minuto em que viu Sasuke saindo alterado da apresentação, como forma de agradecimento e de dar forças para ela, Naruto deu seu costumeiro sorriso ensolarado juntamente com um “ok” com o polegar.

Ele sempre seria o Peter Pan, aquele que mesmo com todos os problemas do mundo conseguia fazê-los rir como se tivessem voltado a serem crianças mais uma vez. Era nisso que Sakura pensava quando foi embora da Universidade, ela precisava buscar algumas coisas antes de encontrar com Sasuke novamente, na mesma igreja em que eles se reencontraram pela primeira vez... a mesma que está localizada onde em 1918 ocorreu o assassinato dos Romanov.

A indicação para publicação da tese de Sasuke, à respeito do trabalho feminino na Rússia czarista e pós-1917, foi unânime. As comemorações se iniciaram assim que os elogios se encerraram, um verdadeiro banquete havia sido preparado para a banca e convidados, mesmo com todos desejando lhe dar felicitações, solicitações de indicações de leituras por alunos da Graduação e do Mestrado e até mesmo pedido de orientações, a única coisa que Sasuke pensava era que não deveria estar ali.

Ele tinha que encontrar Sakura o mais rápido possível. Ele necessitava de respostas que apenas ela poderia elucidar. Com muito custo, ele conseguiu escapar de todos os presentes e rumou em direção ao complexo da Igreja do Sangue Derramado e de Todos os Santos Resplandecentes na Terra da Rússia, onde subiu as escadarias em um único fôlego, com o medo por ela poder não estar lá o dominando quase que por completo.

— Sempre me contaram que historiador é uma raça fofoqueira, mas eu nunca acreditei... ledo engano...

Assim que Sasuke entrou no hall do Museu dedicado aos Romanov, na parte detrás da Igreja do Sangue, Sakura se pronunciou, negando com a cabeça pela forma como ele se encontrava, tentando respirar com dificuldades.

— Por que ordenou ao sacerdote que me enviasse para cá? – ele a questionou com um olhar acusador, enquanto respirava pesadamente.

— Hoje o Museu não vai ser aberto a visitações, então será mais tranquilo para conversarmos...

— Narre a sua versão dos fatos, Sakura! – a cortou.

— Por que está sendo tão grosso, Uchiha? – questionou-o cruzando os braços.

— Que tal por que você simplesmente desapareceu durante esses três anos e do nada reaparece e justamente no dia da minha defesa? Por um acaso pensou em como eu fiquei durante esses anos? Ou em como eu ficaria te vendo assistir minha apresentação como se estivéssemos tomado café da manhã juntos? Por que diabos nunca entrou em contato, Sakura?

O choque dos sentimentos desenvolvidos por Sasuke para ela a atingiram em cheio. Não era como se ela tivesse desaparecido totalmente porque queria, Sakura era médica humanitária e sempre amou o que fazia, porém... todas os períodos de descanso que obteve no período eram destinados a voltar para Konoha, onde implorava a Naruto e Karin que não contasse a ele que estava ali.

Ela precisava compreender os sentimentos que passou a nutrir após aquela noite, Sakura nunca foi uma mulher que se prendesse a alguém. E quando notou que aquela noite poderia ser mais do que uma simples transa... ela fugiu... sem olhar para trás e ver o rastro de dor que estava causando no Uchiha, que ao longo desse período apenas se trancafiou mais e mais dentro de sua própria casca.

Os seus momentos de timidez começaram a ser mais frequentes e um Sasuke mais taciturno tomou conta dele. Ela sabia que durante todo o período ele havia procurado por ela, questionado Karin e Naruto sempre que tinha oportunidade... fosse por telefone ou presencialmente, quando voltava para Konoha, mas devido a promessa que fizeram a ela sempre diziam que não sabiam, mesmo que isso quebrasse pouco a pouco uma parte do amigo. Tanto que após ser bombardeada por Sasuke, Sakura não pode se defender e apenas ficou com o olhar triste caído ao chão.

— Não vai falar nada?

— Mesmo se eu pedir milhões de desculpas, sei que não vai me perdoar... então fico calada... – ela o respondeu levantando o rosto para fita-lo.

— Tente. – a cortou secamente.

A deixa de Sasuke fez com que ela tivesse apenas uma única saída para aquela confusão mental que estava tendo após todos os questionamentos dele. Narrar sobre o que ocorreu no porão da casa de Ipatiev, em 17 de julho de 1918.

— Minha bisavó, a Czarina sofria de dores excruciantes, devido a uma inflamação no nervo ciático, Demidova era mais do que uma simples dama de companhia dela. Elas eram confidentes, o papel de Demidova na família era essencial para todos. Naquela noite, ela estava mais uma vez carregando a almofada mais preciosa da família, Alexandra havia ordenado que ela a carregasse, pois tinha um pressentimento ruim sobre aquela chamada inesperada para fotografias tão tarde da noite.

“Minha avó contava que daquela vez, quem havia sido o apoio de Alexandra tinha sido ela e não Demidova, como sempre... eu lembro bem dos olhos dela quando contou a primeira vez para mim sobre a nossa família... eu tinha apenas 12 anos... era uma menina apaixonada por um dos baús mais incríveis que ela guardava em casa. O meu presente de aniversário naquele ano foi justamente abri-lo e descobrir sobre o passado dela e consequentemente o meu.

Ela olhava para cada foto, joia, diários que contavam pouco a pouco sobre tudo o que passou para se esconder e se tornar Lena Haruno, uma simples enfermeira russa que se casou com um médico japonês da Cruz Vermelha.”

— Cruz Vermelha? – Sasuke a questionou confuso em meio ao relato dela.

— Sim, Cruz Vermelha... o sonho dela era ser enfermeira, mas por conta da pouca idade não pode, então Nicolau acabou criando um hospital que atendia soldados feridos durante a Primeira Guerra... vovó e a irmã mais velha, Maria, geriam o hospital.

— Como ela conseguiu escapar? – Sasuke já havia sentando-se no chão ao lado de Sakura que estava com uma pequena caixa em mãos, onde ela ia retirando cartas, fotografias e um diário datado de 1919, com a grafia AR.

— Bom, vovó contou que sentiu os guardas que faziam a vigilância da casa agindo de forma estranha e quando foram acordados para fazerem as supostas fotografias, para comprovar que toda a família Romanov estava viva e bem, ela não encontrou nenhum deles durante o caminho dos quartos no andar superior até o porão. Enquanto eles desciam, ela conversava secretamente com a mãe, tendo Demidova sempre ao lado.

“O que todos comentam, de que ela era a criança Romanov mais espoleta de todas é a mais pura verdade e foi justamente por isso que ela foi escolhida para fugir da carnificina, levando o irmão – Alexei. Quando os tiros começaram pelo quarto, Demidova se colocou na frente dela, protegendo ambas com a almofada adornada de joias, enquanto o soldado que havia sido designado para o garoto, errava todos os tiros e nisso Maria conseguia arrastá-lo para perto de dama de companhia da mãe e de minha avó.

Ela disse que nunca se esqueceu do cheiro da pólvora que se alastrou por todo o cubículo em que eles foram colocados. A fumaça densa devido aos tiros acabou os ajudando, Demidova não foi a última a morrer apenas porque estava com medo da morte, mas sim, porque tentava a todo custo proteger os filhos da Czarina... ela estava cumprindo a missão de salvar a dinastia Romanov, nem que fosse apenas por dois membros – Alexei e Anastácia.”

— Como eles conseguiram escapar da casa e da Rússia? – Sasuke estava extasiado com a riqueza de detalhes da história narrada por Sakura e de todos os objetos que tinha em mão.

— Maria... – ela respondeu sorrindo enquanto o olhava diretamente nos olhos. – O soldado que havia sido designado para Alexei, havia passado um tempo no hospital em São Petersburgo e os dois haviam tido um pequeno romance. Foi ele quem os ajudou. Infelizmente não conseguiu levar Maria consigo, como era de seu desejo.

“Ele carregara Alexei, enquanto vovó corria em seu encalço levando a almofada de Demidova. Os três apenas pararam quando chegaram a estação de ferroviária de Ekaterimburg, naquela noite um trem partiu da cidade. Foi justamente o trem que durante muito tempo consideraram que transportou todos os Romanov, exceto Nicolau II.

O que ninguém sabe é que aquele trem viajava com médicos e enfermeiros da Cruz Vermelha Japonesa, praticamente os mesmos que estavam presentes no trem que transportou os Romanov às escondidas para os Urais. Um dos médicos havia se apaixonado pela minha avó durante a ida até Ekaterimburg, Hirumi Haruno...”

— Sakura, você está dizendo de que as teorias de que os Romanov foram levados para os Urais através de um trem da Cruz Vermelha Japonesa e de que o comboio que saiu de Ekaterimburg naquela noite possuem fundos de verossimilhança?

— Sim...

Compreender que muitas teorias sobre os Romanov seriam colocadas por terra, enquanto outras seriam edificadas devido aquelas informações estavam deixando Sasuke em êxtase, porém... ainda havia algumas dúvidas...

— Foram encontrados dois corpos, um pouco longe de onde os outros 8 pertencentes aos Romanov e agregados haviam sido encontrados, testes de DNA foram feit...

— Meu pai é geneticista e foi ele quem comandou as investigações. – ela o respondeu antes mesmo de Sasuke concluir seu pensamento.

— Como... como meu avô sabia de tudo isso? – talvez essa foi a questão mais emblemática para ele. – Eu lembrei de você, de nós quando crianças e lembro que ele te chamada de Anastácia.

— Ele era vizinho do meu avô no Japão. Assim, que eles chegaram da Rússia, pois não era seguro permanecerem na Europa, Madara foi a primeira pessoa que eles conheceram, vovó uma vez contou que Alexei e ele eram inseparáveis, porem a hemofilia não deixou que a amizade se estendesse por longos anos.

— Meu avô sempre soube sobre a sua família?

Sasuke tentava a todo custo ligar todos os pontos do que Sakura narrava, mas seu lado desconfiado de historiador tentava fazer com que questionasse tudo... sua mente estava em uma verdadeira batalha histórica. Fatos eram rememorados, diálogos contestados, teses depostas e tudo devido as fontes que Sakura havia lhe trazido naquela pequena caixa, além do relato da própria sobre a história de vida da avó, que agora ele sabia ser nada mais do que Anastácia Romanov.

Ele ainda tentava ligar outras entrelinhas, mas a principal que ele desejava era entender a relação da figura do avô com toda a trama envolvendo os remanescentes da última dinastia czarista russa. Descobrir que ele participou e ocultou a verdade de todos era praticamente inacreditável, mas com o tempo as poucas lembranças que ele havia recuperado da infância passavam a ter sentido em sua cabeça.

— Sim! Ele sempre soube, Alexei era apegado a Madara e acabou contando, seu avô não acreditou, mas após o escândalo que meus avôs deram quando descobriram a confissão não teve como não acreditar. – Sakura o respondeu, vedo ler algumas páginas aleatórios dos diários que havia levado.

— Minha vida inteira pesquisei sobre os Romanov, devido a ele ser apaixonado pela história deles, mas nunca pensei que essa paixão houvesse se dado por isso. – a voz dele saia quase em um sussurro rouco. – Sempre o questionei, junto com Itachi sobre o porque dele gostar tanto de uma família que havia sido dizimada, mas ele sempre desconversava...

— Que tal por que a tal família não tinha sido extinta? – ela sorria enquanto levantava o rosto dele para olha-la. – Desculpa por ter sido tão infantil ao ponto de fugir e só reaparecer agora como se nada tivesse acontecido.

— Sakur...

— Eu sei que já falei demais, porém... me deixe terminar... – com um olhar gentil, Sakura lhe acariciava a face. – Quando nos reencontramos anos atrás nesse mesmo lugar, meu coração sabia que você era o mesmo garoto por quem eu era apaixonada quando criança e do qual fui afastada tão repentinamente, mas meu cérebro negava-se a acreditar. Qual a probabilidade de quase 18 anos depois te reencontrar logo em Ekaterimburg?

— Nenhuma... – riu, com a lembrança.

— Sinto muito por tudo o que aconteceu, Sasuke. – suas palavras o atingiram em cheio o levando para quando ambos tinham 8 anos de idade. – Eu não sabia o que estava fazendo...

— Nós erámos crianças, Sakura. Você não tem que pedir desculpas por nada do que houve naquela época... eu sim tenho, devido a como o meu pai tratou você e a sua família, que por sinal eu só lembrei recentemente.

— Karin me contou sobre... – Sasuke abriu os olhos com aquela confissão. – Eu sempre soube o que acontecia com você, foi por isso que retornei agora. Bom, finalmente me senti segura sem a ameaça de Fugaku...

— Saku...

— Eu sei! Eu sei que ele era o seu pai, mas o temi a minha vida toda, Sasuke. Temi por você também, pelo o que ele pudesse fazer com você caso imaginasse que tínhamos nos reencontrado. – o moreno sentia a sinceridade no tom de voz dela, o que fez secar uma das lágrimas que caiam no rosto dela. – Abandonamos tudo em Konoha, porque ele achava que eu fosse um perigo para você e eu não o culpo por ter te amado, mesmo que ele transparecesse o contrário. Ele só queria o melhor para os filhos e eu... a intrusa quase matei o caçula dele.

— Você não teve culpa, Sakura! – sentenciou, segurando o rosto dela com as duas mãos.

— Eu chamei vocês para a cachoeira, Sasuke. Fui eu que o desafiou e por pouco não causei a sua morte.

— Não se culpe! Eu fui porque quis!

— Não...

— Por favor, Sakura! Nossas famílias e nossos passados já nos corroeram o suficiente. Não precisamos nos culpar por coisas de que não temos culpa. – ônix contra esmeraldas. – Estarmos aqui, juntos é o que importa e nada mais.

— Nem mesmo por eu ser uma Romanov? – em meio a lágrimas ela tentou sorrir.

— Não vou poder contar ao mundo sobre esse fato, vou? – a questionou enquanto aproximava suas testas e se miravam atentamente.

— Não... – respondeu em um suspiro.

— Nem poderei dizer que Anastácia e Alexei sobreviveram a Ipatiev e não é nem ele, nem ela e muito menos Maria que foram enterrados com o restante da família, após falsos exames de DNA?

— Isso prejudicaria muito o meu pai...

— Você sabe que mesmo que eu nunca conte nada, a teoria de que eles tenham sobrevivido continuará?

— O Arcano Romanov nunca morrerá, Sasuke! Enquanto eles estiverem na memória de cada russo, eles sempre estarão vivos. – ela o respondeu com o olhar brilhante.

— Então... não, você ser neta de Anastácia Romanov não importa... porque para mim, você é apenas Sakura Haruno, a médica infectologista que resolveu infectar todo o meu ser e é a única que pode me curar.

Sasuke sabia que Sakura estava certa... a imaginação popular nunca abandonaria as teorias de que Anastácia e Alexei sobreviveram a chacina de Ipatiev comandada pelos bolcheviques. A memória deles seria levada ao longo do tempo de geração em geração, não apenas através da escrita, mas principalmente da oralidade... nas histórias de fim de tarde de avós para netos e assim sucessivamente.

A imperatriz havia acertado, Anastácia realmente foi aquela que salvou e restaurou a família, de forma privada, sem holofotes e a sua própria maneira... e ali em seus braços estava Sakura... a prova viva de que nem todos os filhos do czar Nicolau II e da czarina Alexandra haviam perecido a Ipatiev.

Sasuke mais uma vez agradeceu a Demidova, por seu ato heroico e de fiel dama de companhia real russa. E a única certeza que ele tinha naquele momento, era a de que construiria uma nova história para si e para Sakura, juntos...

[1] Mãe em russo.

[2] Filha em russo.

[3] Irmão em russo.

[4] Esse carro foi um modelo esportivo bastante popular no Japão, devido ao conforto e ao basto custo de manutenção. Mesmo com vários outros pontos positivos o Datsun 240Z começou a desaparecer das estradas japonesas no final dos anos 70 e passou a ser item de colecionadores.

[5] A Igreja do Sangue em Honra de Todos os Santos Resplandecente na Terra Russa, realmente existe e ela foi construída com o intuito de comemorar a canonização dos Romanov, que ocorreu em 1981, pela Igreja Ortodoxa Russa.

[6] Do svidaniya significa literalmente até o nosso próximo encontro, em russo.

[7] Poka significa tchau, em russo.

[8] O último Czar russo era um aficionado por fotografias e seu legado foi repasso para a sua terceira filha com a Czarina Alexandra – Maria.

[9] Filha de Gaia e Urano, deusa que representa a memória.

[10] Os Quatro Irmãos é uma região na floresta siberiana denominada assim devido à quatro grandes pinheiros que se encontravam lado a lado. Segundo os relatos de Nicolai Sokolov os corpos da família Romanov e de seus empregados que haviam sido fuzilados juntos estavam nessa região, precisamente num antigo poço de mineração, que na época estava desativado e parcialmente inundado – o Poço de Ganin.

[11] Clio é a filha de Zeus e Mnemósine (a deusa da memória), considerada a musa da História.

Notas finais
Gaby Uchiha: E aí pessoal? *---* Como prometido, vamos começar esse ano com pé direito e nada melhor do que começar um ano com um desafio/parceria! Muitos já estão carecas de nos ver falando uma da outra nas Notas das histórias e em como adoramos desafios, nada melhor do que nos desafiar em um projeto em conjunto! ♥ As histórias não serão coautoria, cada uma vai ter liberdade de escrita pela história escolhida para adaptar, mas sempre tem aquele toque da outra ou uma ajudinha para preencher uma lacuna hahaha EU QUE O DIGA! Aleksia Kyle sempre me ajudando hahaha Esperamos de coração que curtam esse nosso projeto para 2018, assim como estamos nos divertindo muito produzindo as histórias com casais que tanto amamos! Nada melhor do que começar com “Arcano Romanov” *---* Daqui a 20 dias voltamos com mais *---* Divirtam-se pessoal! Aleksia Kyle: se você chegou até aqui: PARABÉNS!!! E eu prometo não escrever mais nenhuma outra one do desafio com esse tanto de palavras! Rsrsrs A culpa de quase 11k é toda de Gan e bom... caso tenha ficado alguma ponta solta, estou a postos para responder sobre todos os questionamentos de vocês. Beijinhos e até a próxima! ♥ Gaby: VAI SER MENOR NADA! A TUA PR?“XIMA VAI SER DE 20K! HAHAHAHA Amém, Gan! Aleksia: Nem comento...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!