Arcana Magic Story - Valéria, a Rainha do Mal
3 Capítulo final – Reinar não é tão divertido assim...
A garota de cabelos castanhos e óculos pensa...
A proposta é tentadora, mas será que vai ficar legal?
– Será que posso fazer um “Test Drive” antes de aceitar a proposta? – pergunta Valéria com um olhar desconfiado.
A criatura extradimensional não faz qualquer expressão de desagrado, pelo contrário.
– Faça o que achar melhor. – foram as suas palavras.
Com um gesto com suas mãos aparentemente humanas, um jato de Luz atinge a garota. Uma transformação ocorre. Como naquelas animações de garotas mágicas, o corpo de Valéria sofre as alterações plásticas e estéticas. Todos seus traços femininos são realçados e aumentados.
No final, não estava mais uma menina, mas uma mulher vultosa e transpira sensualidade. A outrora menina se transforma na mulher que sempre sonhou.
– Peraí! Quero ver!!! Dá-me um espelho!!! – diz Valéria ansiosa.
A criatura faz um gesto mágico que materializa um espelho de um metro e oitenta de altura. O reflexo deste releva a garota que não é mais uma baixinha. Além da altura, as suas formas quase pornográficas, a sua idade biológica aumentou.
Valéria fica extasiada. As suas mãos alisam o seu rosto e confrontam o reflexo dos seus olhos castanhos no espelho. Os seus traços estão mantidos, para que os seus colegas possam reconhecê-la, porém todo o resto é impossível que algum homem possa dizer que não é agradável respirar o mesmo ar que ela.
– DEUSES! Eu estou gostosa pra cacete!!! – berra.
– Imagino que esteja do seu agrado... – diz a criatura com uma expressão indiferença como fosse à coisa mais comum do mundo.
Na sua boca carnuda e sexy, os seus dentes mordem o seu lábio inferior. As suas mãos seguram os seus seios expostos e acariciam o seu ventre, posteriormente as suas coxas.
– Agora quero ver aqueles idiotas dizerem que sou anã, não crescida, criança? Agora sou mais gostosa do que aquelas piranhas! Vou roubar os namorados delas e depois chutá-los por puro capricho. Gente... Como a vingança é doce! CARACA! Que rabo é esse?! – e fica olhando para a sua nádega deliciosamente perfeita.
A criatura fica olhando para as suas unhas.
– Gostaria de roupas? Pelo que sei das regras sociais neste mundo, é um tabu sair sem nenhuma peça de vestuário, pelo menos um tapa sexo. – observa a criatura lembrando a sua solicitante que está completamente pelada em sua frente.
– Claro! Que tal roupas de dominatrix?! Espartilho, calcinha erótica, meias três quartos, cinta liga, botas de salto-alto e chicotinho... Tudo preto. Quero uma tiara de diamantes! Quero ser uma RAINHA!!! – os seus olhos brilham. Quero ser uma Rainha do MAL! – dá uma risada diabólica.
Uma piscada da criatura e o que a garota desejou aparece em seu corpo.
Valéria teve orgasmos múltiplos.
– AAHHHH!!! Eu estou diabolicamente sexy! – e dá pulinhos de alegria.
Súbito, um pedaço de papel surge diante dela.
– O que é isso?! – pergunta Valéria contrariada por ser interrompida do seu êxtase.
– O contrato. – responde secamente a criatura. Acredito que tenha dito temos um negócio.
– Deixa ler essa merda! – e começa a examinar o papel. Huumm... Que negócio é esse de casamento?! Eu vou ter que casar contigo? Sabia que era mais uma sapatona. – e faz uma cara engraçada ao fazer uma careta de desagrado e um bico.
– Eu não sou humano. A minha forma de reprodução é diferente dos animais deste planeta e meu conceito de atração é diverso também. – foi a sua resposta.
Os “tics-e-tacs” da garota começam a trabalhar.
– Casamento significa que é um contrato entre pessoas com intuído de garantia de fidelidade entre as partes. Como você não é humano, porém sabe de todas as conveniências sociais de nossa cultura, acredito que exista uma criatura que deseja manifestar o seu desejo de garantir fidelidade de alguma forma. – cogita Valéria.
– No contrato, o interessado quer que as suas relações reprodutivas sejam limitadas com o contratante nos seus períodos férteis. – explica.
– Então o cara que me engravidar e quer ter certeza que é dele. É isso? – conclui a mulher sensual e de óculos.
– Exatamente. – diz o ser que tem a mesma aparência de Valéria, só que com o seu corpo todo de azul, inclusive a sua pele.
– Dá-me a caneta. – ordena.
Foi entregue.
Valéria não hesita, assina o contrato.
– Cadê o meu noivo? Ele é bonitão?! Se não for também... Dane-se! Com o corpo que tenho, posso me consolar a vontade. – e gargalha.
Só ai que a criatura sorri com gosto.
– Sábia decisão, Vossa Majestade. – e se ajoelha para Valéria.
– Arton... Tremei! Eu vou dominar essa joça a partir de hoje! – e aperta a mão como sinal de determinação.
A criatura pega o contrato, enrola em forma de canudo e guarda por entre os seus seios.
– Para formalizar o contrato, o contratante que ter a garantia de ser uma boa esposa. Por isso o mesmo quer ter uma comprovação de sua vontade de contrair os laços do matrimônio. – diz o ser.
– Em suma. Quer trepar comigo! – diz o óbvio.
– Precisamente.
– Que seja! Onde será o nosso ninho de Amor?! – pergunta a mulher com um olhar sexy e mordendo sensualmente a unha.
A criatura acaricia o espelho e surge um portal dimensional que revela um quarto de motel, com rosas, balões estilizados com corações vermelhos e, até, uma cama redonda.
– Nossa, que romântico... Não sabia que ainda tratam prostitutas de uma forma tão delicada nos dias de hoje?! – ironiza Valéria.
A criatura bate na bunda da mulher como uma forma de incentivo.
– Não se acanhe. No início dói um pouquinho, depois é só prazer. – e pisca o olho.
– Huummm... Passou por isso, safada. – conclui a mulher atravessando o portal.
– Isso e muito mais... Amor... – e conduz a “vitima” para deitar-se na cama redonda. Pode retirar o seu tapa-sexo e aguardar o seu maridão. – e sorri.
Valéria sabia que estava entrando numa fria, mas o que seria mais comum. Por muito menos, ela mesma se prostituiu antes de conhecer o professor Carlos Castanheira. Para alimentar a si e as Sprites, Valéria sofreu todo tipo de abusos. Não é por acaso que saiba o que é sexo e a dor que causa ter o seu corpo maculado por uma criatura asquerosa e repulsiva.
Não é novidade nenhuma.
– Vem, gostosão!!! A sua vadiazinha está esperando o seu machão faminto... – provoca a garota em uma posição sensual e bem vulgar mesmo deitada de lado na cama redonda.
Ouvisse um grunhido animalizado e horripilante.
– Huumm... Deve ser um animal. Dane-se eu já fiz isso com animais mesmo. Até com goblins. – e ri.
O barulho medonho aumenta.
– Eu aguento... Só vai me arrebentar toda... Acho que não vou andar por uns dias... – começa a ficar com medo.
Então o ser surge.
Não há palavras para descrever o horror que é a criatura. O bicho, lesma ou que quer que seja não é desse mundo. Ou de qualquer mundo. Valéria procura alguma coisa que possa ser antropomorficamente semelhante a um humano.
Acredite, não há.
O problema não é a criatura. O real motivo da garota se desesperar foi o fato que o seu corpo de transformou-se num horror tão similar ao dele. Tanto que um dos tentáculos sai do espelho e puxa o “advogado” que apresentou o seu contrato para dentro do “Ninho de Amor”.
Dizendo em uma língua não humana, Valéria berra em desespero. “Filha de uma vaca mal parida! Que merda é essa de transformar o meu corpo lindo e sexy neste aterro sanitário genético?”
A criatura responde em Anko que o seu corpo tem que adaptar aos anseios biológicos e sexuais do contratante. Afinal, o corpo humano não está preparado para abrigar doze mil ovos que resultam de cada cópula.
As palavras “doze mil” ecoam na mente atordoada e modificada daquela que foi a humana Valéria.
Com raiva, Valéria joga a sua “amiga” para os “braços”, isto é, sei lá que é aquilo da criatura e a mesma tenta fugir daquele lugar. Ela mesma exala horrores fétidos de seu corpo.
O bicho ou sei lá o que fica excitado. E começa a fazer sei o lá o que com a representante.
– Tira-me daqui! – grita a criatura em anko. Não quero engravidar de novo!!! AAAHNN!!!
– Foda-se!!! — berra em anko Valéria.
– Eu quebro o contrato! Faço o que quiser, mas não me deixe aqui!!! AAHHNNN!!! – berra a criatura.
Pensando bem, não é divertido deixá-la assim. Ser estuprada por uma criatura dessa e ser mãe de doze mil dessas merdas em miniatura. O seu pedido em anko em transformá-la em humana e retirá-la daquele lugar foram prontamente aceitos.
Logo as duas criaturas saem daquele “Cantinho-do-Amor” o mais rápido possível.
Cansadas e revertidas em suas formas anteriores, a dupla começa a conversar sobre as consequências daquela experiência única e inesquecível.
– Vou queimar aquela porra de livro de merda!!! – ameaça Valéria com ódio nos olhos.
– Olha... Dá-me o livro e você nunca mais irá me ver novamente. – propõe a criatura.
Sentada, ainda com o seu corpo de Deusa erótica da pornografia, Valéria olha com desconfiança.
– Se levar o livro, eu mantenho este corpo delicioso para sempre? – pergunta esperando obter alguma vantagem nessa história.
– Vais voltar à forma anterior de nosso encontro. O contrato foi quebrado. – decreta taxativa a criatura que tem a aparência da Valéria adulta.
A garota pensa um pouco.
– Posso pedir que leve todas as minhas maldições? Pelo menos... – implora.
A criatura lambe os beiços, pois sentiu o sabor delicado da energia das fadas.
– Feito. – e ambas apertam as mãos.
Uma semana depois, Valéria recebe uma pontuação baixa por abandonar o local da biblioteca, ainda mais deixar o local uma bagunça maior.
Porém todos notam uma mudança maior do próprio comportamento da garota.
Valéria está gentil.
Um fato inteiramente novo. Todos os seus colegas estão surpresos com a nova Valéria. Um comportamento de uma menina normal e humana. Essa mudança toda se deve pelo fato que, depois de vinte e oito anos, Valéria teve a sua primeira menstruação. Tanto que a sua menarca contida num recipiente oculto em seu quarto.
As suas mudanças biológicas e psicológicas foram recebidas com alegria para as suas companheiras de infortúnio, As Sprites. Tanto que Valéria teve uma conversa sincera e com profunda emoção.
– Olhem, queridas. Eu sei que fui má por muitos anos... Tive atitudes cruéis e beirando a insanidade. Eu sofri todo tipo de abuso, acredito que vocês mesmas presenciaram isso. Quero começar uma nova era de cordialidade e respeito entre nós. Juro que poderemos trilhar uma estrada de Amor e Felicidade, peço que confiem em mim. – e uma lágrima escorre dos seus olhos.
Emocionadas, as sete Sprites abraçam a sua dona. Todas ficam em lágrimas, inclusive Jeniffer que escutava escondida a conversa.
Depois de um tempo, as pessoas se acostumaram com a nova Valéria.
Até um dia, a casinha de boneca das Sprites aparece queimada e destruída no meio do hall de entrada do Grêmio do Falcão.
Quem faria isso?
“Acha mesmo que eu ia aguentar ser boazinha todo esse tempo ?” Pensa Valéria no telhado do alojamento olhando o círculo de pessoas chocadas entorno daqueles destroços, ela mesma cheirando a álcool e com um isqueiro na mão. Brincando com ele.
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