Arcana Magic Story - A Redenção de Sally Parkers

1 Capítulo 1 - A Melancolia de Sally Parkers.


Quando estava presa, as únicas coisas que pensei foram, o que estou fazendo aqui e por que quis fazer aquilo? Sou uma Nagah. Todos sabem que somos uma raça de traidores. Ainda mais uma fêmea de nossa espécie. Somos uma raça que uma ordem natural e instintiva para o matriarcado.

Sempre questionei este fato.

Se formos uma espécie de fêmeas dominantes, por que seguimos a vontade de um Deus masculino, só por que é uma serpente?

Eu fui adorada por humanos. Tive uma criação religiosa, mas não ligada a qualquer Deus maligno ou trapaceiro. Sou uma pessoa honesta e digna.

E gosto de ser assim...

Tudo começou a mudar depois que entrei na Academia Arcana.
Entrei em contato com o que tem de pior que Arton pode oferecer. Li livros proibidos e conheci pessoas igualmente perigosas e nocivas. Só porque sou de uma espécie de uma raça de serpentes humanoides que são “traidoras por Natureza” . Fui jogada num grêmio que é considerado o pior dos piores. De fato, o são. Todavia, quando fui eleita como líder do grêmio, aposto que pensaram que seria a represtante desse Deus que nem sei o nome.

Deuses... Eu os usei esta fama para sobreviver naquele meio nojento.
Preconceito é o seu nome. Por isso que matei aqueles clones. Queria estragar tudo. Mostrar que a traição é algo ruim e não deve ser cultuado e reverenciado.

Aqui estou, presa. E mais irônico. Por uma simples questão burocrática e aparência social.

Este cubículo de tijolos, não é um calabouço, mas parece uma detenção para aqueles bêbados que fazem arruaças no meio da rua. Eu posso ver a cidade de Valkaria lá embaixo. Concluo que estou numa torre.

Sou uma “princesa-serpente” presa no alto da torre.

Que romântico.

Eu pego os meus óculos e ponho no mau rosto. Aliso o meu cabelo longo e macio com uma escova. Soube que enviaram presentes de agradecimento por evitar um ataque de Doppelgangers contra os seus parentes e amigos.

Eu, uma heroína... Que piada.

Logo o carcereiro gordo e relaxado abre a minha cela e pede que eu saia.

Eu me ergo de minha cama macia e limpa. O meu uniforme é confortável, mesmo que use o meu dorso humano a minha parte serpente é coberto por uma calça típica a minha espécie presa por uma cinta forte em minha cintura.

O guarda gordo fica impressionado com a minha altura e o meu porte altivo. Ele não diferente dos outros alunos da Academia Arcana.
A minha altura impressiona.

— Queria me acompanhar, senhora... – pede o carcereiro.

Pego os meus objetos pessoais e saio da minha cela.

Dizem que serpentes não conseguem descer de escadas, eu provo do contrário. Como a maioria das coisas que as pessoas costumam inventar a respeito dos Nagah.

Todavia, eu seguro no corrimão, sou prevenida, como qualquer pessoa que desce as escadas.

Quando chego lá embaixo sou recebido um grupo de agentes femininas e me obrigam a assinar uma pilha de papeis. Depois entregam os meus objetos pessoais no momento que fui presa.

O julgamento foi rápido, tive que ficar uma semana de prisão, que se resumiram em três dias. A qual cumpri só por estar aqui. É isso que aqueles documentos significam, a minha soltura.

Depois de trocar de roupa, que resume no meu uniforme da Academia Arcana, fui recebida pela responsável de minha prisão.

— Olá, Sally. – e ela estende a sua mão em sinal de amizade e cordialidade.

— Saudações, investigadora Louise Burker. – respondo.

Depois de um rápido cumprimento, começamos a fazer uma coisa chamada acareação.

— Olha, a nossa conversa não tem nada de mais. É só uma conversa informal para esclarecimentos. Tudo bem? – comenta a investigadora procurando ser simpática.

Sei que isso não é uma conversa informal. Tanto que vejo o auxiliar dela no canto da sala, nas sombras, para servir de testemunha. Mesmo sendo considerada uma heroína sou uma assassina. Por tanto, perigosa.

— Tudo bem. – respondo procurando colaborar com a mulher de cabelo rosa.

— No seu depoimento, até mesmo diante do juiz, você disse que poderia identificar qualquer doppelganger através de sua visão. Como é isso? – pergunta a mulher sentada e apontando para uma poltrona para que eu me sente.

Eu me sento no lugar indicado por ela e começo a minha explicação pacientemente pela milésima vez.

— Todo Doppel exala um tipo de aroma característico que é refletido pela Luz solar, mas é invisível aos olhos humanos, pois o seu reflexo é do espectro da ultravioleta. – digo esperando a pergunta.

— Ultravioleta?! O que é isso? – fica confusa a investigadora.

— No espectro da Luz existem duas cores que são invisíveis aos olhos humanos, o infravermelho e o ultravioleta. Por eu ser uma Nagah, posso ver estes dois tipos de cores. Pode ser pelo fato de ser uma predadora e não ser humana. – explico não tendo muita esperança que ela acredite nas modernas teorias do meu colega, Gorila God.

— Interessante. — foi o seu comentário. Se você tem uma visão tão boa, por que usa óculos? – pergunta à investigadora.

— Os meus óculos são um artefato místico. Não servem para corrigir qualquer problema que eu tenha. – respondo.

— Posso vê-los? – e ela estende a sua mão.

Retiro-os do meu rosto e entrego para a investigadora.

Ela examina e usa em seu rosto.

— O que eles fazem? A principio são óculos sem grau... – pergunta Louise.

— Identifica ataques místicos. Sou líder de um grêmio odiado. Posso sofrer ataques tanto dos grêmios rivais, quanto dos meus próprios colegas. – digo sem hesitar.

— Por que os seus próprios colegas? – pergunta inocentemente.

— O grêmio da serpente não é um grupo de colegiais delinquentes, são potenciais magos e feiticeiros malignos no futuro. Muitos cobiçam a minha vaga. Eu mesma tenho inimigas. – digo de uma forma direta e sincera.

- E amigos? – pergunta à investigadora.

— O único que converso mais é o Gorila God. Outros são estúpidos ou idiotas mesmo.

Parece que um brilho surge em seu olhar ao dizer o nome do meu colega.

— Então o Gorila God é o seu amigo... – balbucia.

— Não. Eu converso com ele. Não somos “amigos”. Trocamos experiências, explico tudo sobre Arton e ele explica as suas teorias. É uma troca de conhecimentos. – digo numa mais sucinta possível.

— Curioso... Por que ele quer saber sobre Arton? Não acha isso suspeito? – cogita venenosa.

— Não acho. Eu mesma não sei de muitas coisas de nosso mundo. Se não fosse as perguntas dele não teria descoberto sobre as minhas habilidades visuais. – concluo.

— Então ele te auxiliou a identificar os clones?

— Não. Ele não sabia. Não por mim. Eu decidi matá-los, pois eu imaginei que seria um plano dele para dominar a Academia Arcana. Pense tenente, um macaco gigante que não sabe muito de nosso mundo e subitamente começa a aparecer criaturas substituindo professores e alunos. A minha conduta ética não iria permitir que algo acontecesse aos meus colegas. – decreto.

— Mesmo que não sejam os seus amigos? – questiona a investigadora.

— Mesmo assim. Pensei nos meus pais adotivos e o medo que sofram qualquer tipo de “invasão” a qual fui omissa. Entende? – espero que ela acredite em minha explicação.

O seu olhar é de desconfiança, mas...

— Tudo bem. È só isso. Pode ir, senhorita Parkers. – diz a mulher de cabelo e roupas rosadas.

Eu me ergo da poltrona e começo a me retirar, quando a investigadora faz a sua derradeira pergunta:

— Você tem um namorado?

O meu corpo fica paralisado na hora.

— Não. Não tenho... – se ela perguntasse que tenho um relacionamento, responderia que sim.

— Você é uma mulher bonita, mesmo sendo uma Nagah... Por isso a pergunta.

— Claro, tenente... Obrigada. – e saio do local.

Depois de alguns minutos, sou recebida por os meus pais adotivos. Despeço de todos e entramos na carruagem alugada. No interior do veículo, nada conversamos e nem teríamos o que conversar. São desconhecidos, pois os meus países adotivos nunca se dariam o trabalho de retirar-me da prisão. Eles mais se livram de mim para não “contaminar” os seus filhos biológicos com a minha presença nefasta.

Até hoje não sei o porquê eles me adotaram...

— Tem uma sacola de dinheiro em sua mala, joias e documentos para que estude. – diz a minha suposta “mãe”.

— Foi dele? – pergunto revirando a mala.

— Quem mais? – responde o senhor olhando à paisagem.

Eu entrego um maço de notas para cada um deles.

— Sei que foram pagos. Considerem que foi pelo fato de serem honestos. – explico.

A dupla me olha com certa raiva.

— Bem que gostaríamos de roubar esse dinheiro, mas estamos lidando com magos e feiticeiros. Ele fez algo com a gente para que não pudéssemos fazer isso. – diz o homem com sinceridade.

Eu rio, pois o meu mestre usa o meu código de ética para fazer o encanto da obediência. Coitado deles...

— Às vezes, honestidade compensa. Não é sempre, mas tem os seus momentos... – digo com ironia.

Depois de umas horas chego à entrada dimensional da Academia Arcana. Sou recebida pelo zelador e levada ao campus. O meu retorno foi um choque para grande maioria dos alunos. A própria Lady Esplenda me recebeu com simpatia.

— Olá, Sally! Por favor, não me mate. – diz ela em tom de brincadeira.

Eu a olho com frieza.

— Posso providenciar... – diz com um sorriso falso no rosto, para mostrar que estou brincando.

No fundo, poderia matá-la num piscar de olhos, mas sou tolhida com a minha conduta ética e senso de justiça. Não posso matar um professor, mesmo que quisesse. Todavia, dependendo da situação...

Sou levada diante da sede do grêmio da Serpente. Deferente dos outros alunos, sou tratada com frieza. Vejo a bagunça e o caos que a minha ausência provocou em nossas instalações.

Eu ajeito os meus óculos e peço a Harumi que explique tudo que aconteceu. A mulher raposa surge como num relâmpago. Ela é uma estrangeira de um lugar chamado Moreana ou algo assim.

Ela é uma “puxa-saco” nojenta.

— Sim, Senhora! – diz a garota. As Lâmias comemoraram a sua prisão fazendo uma festa. Rachael se autoproclamou líder do grêmio da Serpente e está dormindo em seu quarto.

— Hunf... Não estou a fim de discutir com ela agora. Depois que ela sair do meu quarto, queime a minha roupa de cama. Toda ela! Entendeu? – ordeno com uma expressão de nojo.

— Sim, Senhora! – repete como todo adulador faz. Deseja mais alguma coisa?

— Vou ao laboratório. Não quero que me siga! Quero conversar com o Gorila God. – explico sabendo que ela vai me seguir e vai ficar espionando.

Ela faz uma reverência afirmativa e sai de minha vista.

Eu serpenteio pelos corredores e muitos colegas se assustam com a minha presença.

Gosto dessa atmosfera de terror que provoco neles...

Momentos depois, chego ao laboratório e fico diante o Gorila God.

O grande macaco olha em minha direção e eu fico encantada com aquele olhar penetrante e que me domina por inteira.

— Oh, Amor... – e sucumbo ante a presença do meu Deus. Obrigada por libertar-me! – e faço uma reverência religiosa colocando o meu corpo inteiro no chão.

— Disse tudo que pedi para a tenente caso ela fizesse perguntas? — questiona o símio.

— Foram as perguntas que o Senhor previu, exceto uma. – respondo erguendo um pouco o meu rosto.

O gorila coça o queixo.

— Qual? – pergunta curioso.

— Se eu tenho um namorado... – eu fico vermelha.

O macaco ri.

— O que respondeu? – pergunta achando divertida a situação.

— Não. Eu não tenho namorado. Mas ela perguntasse se tenho um relacionamento, diria que sim. Pois sou escrava do meu Deus... Escrava em todos os sentidos! – eu fico toda excitada ao dizer estas palavras.

O macho se aproxima e ergue o meu rosto com as suas mãos grandes e negras como ébano.

— Essa é a minha serva mais fiel e doce que conheci por aqui. – e me beija.

Os meus lábios tremem e sinto um prazer indescritível. Sou dele.

Meu macacão...

Notas finais
(Continua.)