Arashi X Ame ou Arashi S2 Ame ?
15 Capítulo 15 - Oh-chan, o verdadeiro eu e o beijo
Notas iniciais
“Quer dizer, todos exceto Ohno e Mitsuki que ficaram para trás sem se importar com a primeira colocação, se olharam por alguns instantes, sorriram e seguiram em silêncio para a mesma direção que os outros, não para o mesmo local.”
.:: Narrado por Ohno Satoshi ::.
Argh! Era nesses momentos que eu tinha vontade de matar o Nino! Como ele pode fazer isso comigo? Fazer uma insinuação desse tipo é muito cruel! Não era só eu que estava distraído com ela, ele também. Aiba, Jun e Sho também!
Sorte que ninguém percebeu a verdade de eu ter tropeçado, aquele sorriso foi realmente desconcertante. Agora, entretanto, andando por esse corredor ao lado dela me pergunto se toda aquela afeição era só por serem amigas ou por algo mais. Pensando melhor, senti certa preocupação nos olhos de Mitsuki quando cobria as meninas.
- Oh-chan? – Uma voz me chamou dos devaneios.
- S-Sim? – me sobresaltei quando ouvi meu apelido ser proferido por seus lábios. Ninguém além do Nino me chamava assim. Mas de alguma forma, ouvi-lo ser dito por Mitsuki aqueceu meu coração. Não apenas isso como o sorriso que ela deu logo após me chamar.
- Perguntei a quanto tempo vocês estavam nas escadas – continuou Mitsuki.
- Ah! Estávamos desde que entrou na sala para cobri-las. É normal elas adormecerem daquele jeito? Do nada?
- É sim! Isso acontece sempre! Estão alegres jogando e quando a gente percebe o jogo está ligado sozinho.
- Hahá, parecem crianças! Apesar de eu não poder falar muita coisa. É só parar um pouco para descansar que quando vejo, estou dormindo.
Rimos um pouco daquilo. É engraçado perceber que as coisas não precisam ser grandes para nos fazer rir, um simples fato cotidiano já torna isso possível.
Quando dei por mim, já estávamos em frente ao banheiro, deparados com caras amarradas em frente a porta fechada. As quatro meninas haviam se apoderado do banheiro primeiro deixando os quatro
resmungando:
- Eu disse para vocês arrumarem as coisas rapidamente! Mas nãaaao, vocês não tiveram pressa alguma e olha no que deu – Jun cruzou os braços a frente do corpo.
- Fala isso para o Aiba, que ficou pegando um monte de shampoo, loção corporal e não sei mais o quê de dentro da mala – disse Sho e Nino quase que em uníssono.
Estavam tão entretidos na briga que nem perceberam quando eu e Mitsuki cruzamos o corredor passando por eles direto para o quarto. Essa não seria a primeira vez que saio despercebido, às vezes acho que se eu saísse da gravação de um programa só iriam descobrir depois, quando o fossem editar ou passar na televisão. Às vezes isso me preocupa, essa minha introversão. Será que se eu mudar vai adiantar alguma coisa? Quer dizer, se eu mudar isso irão continuar a gostar de mim?
- Oh-chaaan?
- S-s-siiiiim? – dessa vez corei de verdade, era a segunda vez seguida que ela me chamava assim. Já ia perguntar se ela tinha dito alguma coisa quando ela se encosta no batente da porta do quarto e começa a rir.
- Ei! Do que está rindo? – com certeza era de mim, minha reação realmente estava bem estranha naquele dia. Por que eu não consigo ser menos desligado?
- Hahá... Desculpe por rir, é que... Eu te chamei de todos os apelidos possíveis: Ohno-san, Ohno-kun, Ohno-chan, Satoshi-san, Satoshi-kun, Sato-chan, Riida... Mas você só respondeu quando eu disse “Oh-chan”! – Mitsuki continuou a rir.
Ok, aquilo estava ficando sério! Uma coisa é ser distraído, outra coisa BEM diferente é não ouvir o que os outros falam. Será que eu precisava dormir mais? Acho que pensando isso devo ter feito uma cara tão emburrada que Mitsuki deve ter ficado preocupada:
- Ei, desculpa, não queria ter rido de você! Mas é que... foi engraçado. Quando o Ikuta Toma disse que você fazia uma carinha fofa quando te chamavam assim eu nunca havia reparado. Mas agora eu vi. Desculpe se pareceu que eu estava caçoando de você.
Agora quem ria era eu. Como é que ela consegue ser tão inocente a esse ponto? Era claro que eu não me importava muito com isso, já vivi coisas piores nas mãos do Nino e do Sho, nem mesmo o Aiba e o Jun estavam ilesos da culpa.
- Ei, ei! O que foi? Disse alguma coisa errada?
- Não, claro que não! É que não esperava isso! Você sabe que o Arashi vive tirando uma comigo porque sou assim: desligado. Você não precisa se preocupar com isso – respirei fundo, todas essas palavras haviam sido ditas entre risadas – mas já que você pediu desculpas vou
começar a te chamar de Mi-chan!
Imediatamente suas bochechas ficaram rosadas! Acho que agora ela percebeu o que eu sinto quando me chamam de “Oh-chan”. Não é que eu não goste, mas se me chamam assim, sinto-me mais próximo das pessoas ao meu redor, sinto que estou integrado, mesmo sendo tão diferente, tão distraído e calado como sou.
Mitsuki não me respondeu com palavras, apenas abriu um sorriso. Continuamos a adentrar o quarto, sentei-me e lembrei:
- Você não ia falar alguma coisa? Quando me chamou na entrada do quarto.
- Ah! Sim! Eu ia perguntar se você gostaria de fazer algo, enquanto os esperamos desocupar o banheiro. Acho que fazer uma fila na frente do banheiro não é a solução, certo?
- Concordo, ainda mais que estou com tanta preguiiiiça – me joguei no colchão com os olhos fechados por um instante. Mas os abri quando notei, no canto do quarto, atrás do armário, camuflado entre os pôsteres, um violão. Tão bonito e... gasto.
Levantei como de súbito e resolvi matar minha curiosidade:
- Você toca?
- O que? – perguntou-me com um sorriso.
- Violão – foi só dizer essa palavra que seu sorriso vacilou em seu rosto. Um misto de tristeza e felicidade mesclavam-se em sua face. Resolvi perguntar de novo – Você toca?
- Toco – Respondeu-me por fim. Então, insisti:
- Toca para mim? – De onde eu havia tirado tal coragem para perguntar isso a Mitsuki, nem eu mesmo sabia. Mas aquele misto de felicidade e tristeza me preocupava cada vez mais. Algo estava
errado.
Vendo que Mitsuki não se movia para pegar o violão e que seu olhar ficava cada vez mais baixo, levantei-me, fui até o violão, peguei-o e o entreguei a Mitsuki.
- Toca, vai? – Dei meu melhor sorriso, mas ela não o viu. Tudo bem se não viu, pois tinha certeza que podia me ouvir. E assim, acrescentei a frase: – Só para mim, Mi-chan.
O efeito foi imediato: Mitsuki corou, sorriu e pegou o violão e o acariciou. Como se a muito tempo não o tocasse. E disse por fim, sentando-se na cama, disse:
- Faz muito tempo que não toco, então, pode ser que não soe bem.
Virou as cordas do violão com delicadeza afinando o instrumento. Sentei-me novamente em frente a Mitsuki. E novamente, seu semblante se misturava. Já havia visto aquele sorriso antes. Nos lábios de Matsujun quando este interpretou Hayakawa Bito no dorama “Smile”: o sorriso para camuflar tudo o que realmente se passava dentro de sua mente e coração. Mas esse que Mitsuki dava agora era diferente do de Matsujun, pois era verdadeiro, não uma encenação.
Quando voltei a mim, Mitsuki já havia terminado de afinar e perguntou se eu desejava alguma música, por mim, qualquer música estava boa. Foi então que começou:
Ame no shirabe tadayou namida no kanade
A melodia da chuva, o som das lagrimas abraçando o ar,
kasumu sora ga nozoiteita
crescendo obscuramente, o céu olhando para mim
toki wo tomete madoromu mori no fukaku ni
Parando o tempo, eu vou fundo para a floresta adormecida
kioku wo kakushita mama hikari sagasu
continuando a ocultar minhas memórias, eu procuro pela luz
E senti meu coração se aquecer. Sua voz era tão tranquila e relaxante que estremeci. Podia dizer que me senti nas nuvens. A música que houvera escolhido era uma das melhores que um dia eu cantei: "Shizuka na Yoru Ni". Deixei que cantasse só por algum tempo. Entretanto, eu queria, eu tinha, que cantar com ela. E foi o que fiz. No refrão a acompanhei.
Nobashita te no hirani fureta hikari toori sugite yuku
A luz toca abertamente minha mão passando pelas
mezame wasureta hana wo nurashite
flores enxarcadas que foram esquecidas dormindo
marude sore wa itsuka mita keshiki modorenai
como se fosse uma cena que eu já tinha visto uma vez antes (uma vez)
hitori egaki tsutzuketa shizuka na yoru ni
eu não posso continuar desenhando, nessa quietude da noite
E a cada palavra que cantávamos juntos aumentava minha vontade de continuar cantando com Mitsuki. Talvez, porque nunca havia cantado com outras pessoas além do Arashi, claro, no Johnny Jr. cantei com outros garotos, mas nunca com a voz de uma menina.
Tsuki wa kimi wo utsushi dashite shiroku kagayaku
As silhuetas da lua, e sua, brilhando brancamente
Ame wa furiyamu koto mo naku boku wo tsutsunda
e a chuva interminável, me envolveram
Continuamos ali envolvidos na música quando notei uma lágrima escorrer pelos olhos de Mitsuki. Ali estava ela, a verdadeira Mitsuki. Não aquela que sorria e apesar de conseguir sorrisos de imensa gratidão e luz, às vezes transparecia uma mistura de sentimentos bons e ruins. Mas a verdadeira, que estava escondida nos confins do seu coração.
Não entendi muito bem meus movimentos a partir de então. Apenas me aproximei de Mitsuki, rompendo a distância entre as duas camas e sussurrei:
- Então... Era aqui que você estava?
E selei seus lábios nos meus. Não sei e fiz por simples querer, ou se o fiz como uma tentativa de dizer que eu ueria protegê-la. Mas naquele momento eu percebi: amava Mitsuki desde que a havia visto. Gostaria que ela me dissesse a verdade a seu respeito. Dizer que apenas gostava de Arashi e fingir ser a garota mais feliz possível já estava fora de cogitação: ela já me mostrara seu coração ferido.
Notas finais
Nyaaah... Desculpa Tammy! Novamente me vejo correndo com os fatos... Desculpe mesmo, estou tentando não forçar a barra com essa correria, mas está difícil! Vou tentar ser menos anciosa! >< mesmo assim, espero que continue acompanhando ;)
Bjoookas
CamiTiemi
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