Aranhas
5 Ganho uma visita inesperada
Notas iniciais
Desvio dos ataques de uma cabeça de urso. Depois de tentar lutar contra ela, desisti e comecei a correr em círculos. Minha mente estava focada em a)Me manter vivo b)Desvendar o plano de Annabeth e c)pensar em um jeito de vencer Campe sem muita destruição.
Vejo Blackjack sobrevoando o ar acima de mim. Um plano veio a minha mente. Era uma coisa insana, arriscada e completamente idiota. Vamos executá-la.
Aceno para o Pégaso, que desce em minha direção. Calipso desmonta e logo atrás Annabeth. Calipso estava toda descabelada, o vestido branco rasgado. Os olhos de Annabeth estavam completamente cinzas. O cabelo loiro cobria os olhos e ela tinha uma expressão meio triste, como se tivesse acabado de descobrir que iam jogar todos os seus livros fora para substituir por outros.
–Jogue isso dentro dela. — Diz me entregando um pote de fogo grego.
– Pode deixar.
Monto Blackjack e subimos. Como o imaginado, Campe nos segue.
E aí, Chefe. Blackjack me cumprimenta. Pronto para salvar o mundo?
– Só o acampamento dessa vez. – Rio- Só o Acampamento.
Subimos alto o suficiente para não enxergar mais nada do chão. Agora era só eu e Campe.
Ela ataca, as adagas em punho. Desvio. Quer dizer... Blackjack desvia. Ela avança e ele também. Ela abre a boca e eu entro em ação, jogando o pote inteiro goela abaixo. Ela queima, mas não antes de desferir um último golpe. Ele é lento demais e o golpe acerta a lateral de seu corpo.
Caímos. O chão cada vez mais perto. Mas eu não ligo. Minha única preocupação é salvá-lo. Apesar de tudo ele era o meu pégaso.
– Blackjack!- Grito.
Ele recobra a consciência e acabamos pousando levemente. Desmonto no momento em que seus cascos tocam o chão. Ele desaba. Sangue jorrava do ferimento. Ajoelho-me perto do meu amigo.
Não se preocupe comigo, chefe. Eu estou bem.
– Blackjack. Não...
Você acha que tem um paraíso de pégasos? Um onde terá muitos torrões de açúcar?
Luto contra as lágrimas.
–Claro. Muitos torrões de açúcar. É o que você merece. Milhões de torrões de açúcar.
Obrigada, Percy Jackson.
E os olhos dele se fecham. As batidas do coração param totalmente e eu sei que ele está morto. Morto.
A raiva se apodera de mim. Percebo que a floresta está pegando fogo. Então eles querem água, né?
Sinto um repuxão no abdômen e uma onda se ergue sobre a praia. Toda a minha raiva direcionada a um só lugar. O mar. A onda furiosa atinge a floresta, o fogo se extingue. Caio de joelhos, afastando as lágrimas que insistem em cair.
– Percy! — Nico grita. Não sabia onde ele estava. Só ouvia sua voz.
– O que é? – Berro- Vocês não podem me deixar em paz um momento da minha vida?!
– Annabeth está morrendo. – Ele responde com raiva. – Quer mesmo ficar em paz?
A cor foge do meu rosto. Levanto, de repente com toda a energia possível. O sangue zunia nos meus ouvidos. Annabeth... Morta?
– Achei que não. – Ele fala- Chalé 3.
Corro. Corro de um jeito que nunca corri na minha vida. Era como se minha vida dependesse daquilo. E dependia.
Encontro-a na minha cama. A luz fraca da janela iluminava seu rosto. Seu cabelo loiro espalhado no travesseiro como um tapete. Uma linha de sangue escorria do seu queixo para a camiseta empapada. Mas tudo parecia sem cor, sem vida. Somente os olhos continuavam normais. Cinza tempestade.
Aproximo-me e rasgo sua blusa. Um corte profundo se instalava no seu umbigo. Pego sua mão e ela aperta a minha.
–Percy...?- Ela chama.
– Não diga nada. – respondo- Você não vai morrer.
– Eu te amo, Cabeça de Alga.
– Também amo você, Sabidinha. — E a beijo.
Sinto seus lábios sobre os meus. Mortos. Ela não respirava mais. Annabeth estava morta.
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