Araignée au Plafond

6 Uma Visita Inesperada


Notas iniciais
Uh... Postando tarde, mas antes tarde do que nunca... Espero. LKJHSDLG
Esse capítulo vai com um beijo especial sabor pão-de-queijo para a Shakinha - coincidências a parte, adorei te conhecer de novo. ♥ KSKJDFGS
Boa leitura, povo. :3

Eu comecei a receber visitas dos meus amigos e colegas. Ou meus pais o pagaram para vir, a escola fez algum programa especial de visita a manicômios... De início, alguns colegas antigos vieram — Anya (uma russa que estudou comigo no Ensino Médio), Aleksander (um dinamarquês que costumava beber comigo quando fugiamos da escola) e, por mais irônico que fosse, as antigas amigas da Amy também vieram. Não sei como me sinto quanto a isso... Ainda estou assimilando as informações.

Com o passar do tempo, eu pensei que fosse apenas por pena — e isso me fez detestar a presença deles. Mas depois que Scott insistiu no assunto, ele me fez acreditar que era porque queriam mostrar apoio. Apoio? Mas que apoio? Durante o enterro da Amy, eu não vi apoio nenhum, só vi os olhares que me davam — principalmente as amigas dela, diga-se de passagem.

Mas, um dia, eu recebi uma visita diferente. Estava terminando de fazer a barba quando Scott entrou no meu quarto, e mesmo sem ele falar nada, percebi que estava preocupado. De início, pensei que alguma coisa tinha acontecido com Katya ou Matt, mas antes que pudesse perguntar, ele já falou de uma vez.

— Você tem... Visitas. — Levantei uma sobrancelha, intrigado.

— Mais colegas falsos que estão tentando limpar a consciência, mon ami? — Brinquei, lavando o rosto.

— Eu não tenho certeza que você considera Michelle e Antonio assim. — Eu parei, olhando pra ele. O que aqueles dois estavam fazendo ali?

— Essa brincadeira não tem graça.

— Se fosse brincadeira. — Então ele saiu e eu ouvi o barulho da porta batendo.

Apoiei as mãos na pia e fiquei olhando pra baixo, tentando encontrar uma solução. Tudo passou pela minha cabeça — fingir que estava doente, ter um mal súbito, desmaiar... Eu não conseguiria vê-los. Por deus, eu não conseguiria olhar na cara do Tonio depois do que eu fiz. E a Michelle... Meu ego não vai me deixar ficar perto dela — apesar de, nesses meses que fiquei aqui, eu consegui deixar os sentimentos pra trás.

Eu poderia simplesmente falar que não quero descer e que vou ficar no meu quarto. Pra ser mais delicado, poderia até falar que estou me sentindo mal... Mas acho que os dois viriam até o quarto em ambos o casos, então não posso me aproveitar muito dessas ideias. Não tenho escolha — vou ter que descer. Com consciência disso, aproveitei os meus últimos minutos de paz naquele banheiro, terminei a barba e sai. Percebi que minhas mãos estavam suadas quando encostei uma no corrimão da escada. Não fico ansioso assim desde que... É difícil lembrar.

Quando cheguei na escada principal, vi os dois. Eles estavam conversando entre si e não tinham me visto. Michelle usava um vestido casual azul, sem mangas e que batiam acima do joelho. Tinha amarrado seu cabelo em duas maria-chiquinhas — sempre achei isso fofo -, dois laços vermelhos prendendo-os. Já Antonio, ainda na cadeira de rodas, usava uma calça jeans e uma blusa social branca, mangas dobradas até os cotovelos. Fiquei alguns minutos olhando, então eles perceberam que eu estava lá e viraram.

—x—

— Antonio se deu bem com o Lovino. — Eu comentei, olhando para eles. Pelas atitudes do Lovi, ele deve ter gostado do meu amigo — mal o conheceu e já está xingando.

— Ele sempre se deu bem com pessoas mais novas. — Michelle me respondeu, sorrindo e olhando pro céu.

Antonio percebeu que eu precisava de um tempo a sós com a Michelle, então saiu com Scott, que foi apresentá-lo aos outros. Eu e ela, então, nos sentamos nesse banco e estamos aqui, sem conversar direito, há quase meia hora. Se depender de mim, não vamos conversar mesmo. Mas eu percebi que ela tinha algo a falar, mas que não conseguia. Dei um tempo para que ela pensasse.

Estar aqui, com ela do meu lado e com Tonio, é estranho. Depois das coisas que aconteceram, eu perdi quase que completamente o contato com meus amigos. Michelle era a única que ainda me procurava, tentava me tirar de casa, saia comigo... Pensando bem, ela foi uma ótima namorada e amiga. Insistiu em mim até isso desgastar ela. Durante todo esse tempo, gostei de jogar a culpa em Michelle, falar que ela foi omissa, que não soube ficar do meu lado, não quis me apoiar... E depois que terminamos, eu jurei que ela me odiava. Acho que, pra ela estar aqui, ela deve, no mínimo, sentir pena de mim. Antes isso do que nada.

— Eu e Antonio estávamos ansiosos para vir te visitar. Sua mãe nos falou o endereço e disse para esperarmos algum tempo... — Ela falou, olhando pra mim — Como você está, Francis?

Aquela pergunta não era daquelas usuais que fazemos para os nossos conhecidos ou que você responde “estou bem” no automático. Ela realmente queria saber se eu estava bem, e aquela preocupação toda me incomodava. Não que eu não gostasse, mas é um pouco irritante quando todas as pessoas que você gosta sabem que você está mal e querem saber se está recuperando... Ok, dane-se, não gosto disso.

— Estou melhor. — Respondi, sorrindo de lado. Ela estreitou os olhos, desconfiada, mas logo voltou ao normal.

— Sabe, Francis. Eu não fui totalmente sincera com você antes. — Michelle falou, dando uma pausa relativamente curta. — Eu estava esperando você voltar de viagem para terminarmos. Quando você voltasse para Ottawa, eu terminaria. — Ela confessou, olhando pra baixo. — Eu já estava com esse pensamento em mente quando você foi... E, sabe, quando eu soube o que aconteceu com sua irmã, decidi que ajudaria você a superar isso. Podíamos terminar depois... Mas, naquele momento, você precisava de apoio. E eu tentei ser esse apoio pra você. — Ela olhou pra mim por alguns segundos, sorrindo. Então voltou a olhar pra baixo. — Mas o tempo passa. Depois daquele tempo todo, você ainda não tinha se recuperado. Então eu percebi que, mesmo se eu quisesse, não daria mais certo. Eu precisava viver minha vida... E, mesmo preocupada com você, eu não podia largar tudo para ficar do seu lado. Você precisava seguir em frente sozinho.

Eu encostei as costas no banco, analisando as coisas que ela me falou. É verdade. Durante aquele ano que passamos juntos, ela sempre esteve comigo — e, algumas vezes, até ia mal na faculdade por faltar aulas ou não entregar trabalhos. Tudo por minha causa.

— Então você fez isso pro meu bem? — Perguntei, rindo ironicamente.

— Entenda como quiser, Francis. Mas se eu ficasse com você por pena — o que é totalmente diferente do que eu fiz -, não me perdoaria por isso. E... Bem, eu não queria ser uma Alice na sua vida.

Eu ri novamente, mas, dessa vez, com sinceridade. Alice é a minha ex que eu detesto — e é um sentimento completamente recíproco. É claro que, depois de tudo, eu poderia odiar Michelle e expulsar ela daqui com um chute na bunda, mas não dá. Antes de sermos namorados, fomos amigos, e eu quero manter essa amizade com ela.

Quando ela percebeu que eu estava calado, segurou minha mão, sorrindo. Como nos velhos tempos, antes daquele acampamento, antes do beijo, antes do pedido... Antes de tudo. Minha antiga amiga Michelle. Minha ex-namorada que, depois de todo esse tempo e todas essas coisas que aconteceram, sempre vai ser a minha melhor amiga — sim, porque, depois de Amy, ela era a pessoa com quem eu mais tinha intimidade. E ao perceber isso, sorri de volta para ela, então nos abraçamos.

Tudo vai voltar ao normal.

—x—

Hoje a família de Matthew está visitando-o. É estranho ver eles interagindo. Quando eles chegaram, Matt veio e nos apresentou a eles. Sua mãe se chama Margareth, ela é morena e já sei de quem Matt puxou os olhos — estes, com olheiras e algumas bolsas embaixo. Apesar do sorriso, ela vagamente me lembra uma daquelas mulheres que costumam aparecer em filmes de drama de baixo orçamento. Seu pai também se chama Matthew — que gracinha, ele é o júnior da família — e é empresário. Descobri que tem negócios com a minha família. Isso é bom, não perderei contato com Matt quando sair daqui.

O último é seu irmão... E por todos os deuses existentes, ele é um saco. Creio que Matt tem a mesma opinião porque, apesar do Alfred — esse é o nome dele — estar feliz de ver o irmão, o outro está sério. É a primeira vez desde que cheguei que vejo Matt com essa cara. Mas é um pouco estranho, também. Ele parece estar incomodado psicologicamente com a presença do seu irmão.

Uma hora, Alfred entregou uma flor — acho, não tenho certeza, que é uma tulipa -, fechando a cara e falando alguma coisa para o outro. Então eu vi uma cena que não esperava ver. Matt apertou a flor na mão, esmagando as pétalas, então torceu, soltando o que sobrou da flor, deixando cair no chão. Então empurrou o caule para o outro.

Aquilo me deixou um pouco preocupado. Será que a flor tinha algo a ver com o motivo de Matt estar lá?

Notas finais
Uh... Então, reviews? Also, feliz Dia do Pi e White Day. :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.