Arabella

1 Maldito fumo.


Notas iniciais
Bom, como já visto, é uma one-shot, não especificamente de Harry Potter, só mencionei a série por que não poderia deixar de fora após ter mencionado o mesmo, e, claro, por conter o Sirius, meu amor, haha. Não quero que isso seja um U/A, pra mim a magia está em tudo, porém pode ser uma one-shot ligada a alguma fanfic, que futuramente, poderei postar. Resumindo, é mais um conto que eu de repente comecei a escrever.

Falaria Ella, ou chamaria Arabella e não era o suficiente para mim. A órbita do seu olho era saltitante e a esclerótica semelhante a uma bola de algodão. E a Fauna amarela, eu diria o seu cabelo, era o meu travesseiro de sossego no verão.

Era uma garota sorridente e alegre, mas a seriedade tornou-se um de seus dons. Ela lia Harry Potter todas vezes e dizia que o Riddikulus seria o seu lema para a dor. Blue, Indie e Rock, eram as suas cores mais intensas no seu instinto tentador. Era a mais sexy das garotas do Hotel De L'Europe em Amsterdã, e seus hobbies eram tão raros quanto conquistar meu coração.

Arabella, minha Ella, ao contrário seria alle: Alle Porte del Sole, sua e minha canção favorita que ouvíamos no porão. Eu copiava suas estrelas e linhas todos os dias, para na dádiva de um dia eu conseguir também brilhar.

Os sapatos eram virados para baixo, e ela dizia — O perfeito contraste para o monótono mês da libra. E eu chorava por dentro. Oh, meu Deus, como eu chorava, que estupidez se ela nunca fosse minha.

Era o seu primeiro, depois o terceiro, garoto aos seus pés.

Uma vez lhe levei a minha insensatez, eu errei, e queimava com ela toda ponta de cigarro e maconha por vez, perdendo de completo a minha pouca lucidez. Mas o verde nos seus olhos, sua visão, sempre trariam claridade para mim.

A Adenota era o seu signo, que eu lia todo mês no hospital, por mais um de seus fumos tentadores. E ela dizia que meu nome era Sirius, personagem do seu livro favorito e constelação em sua noite de terror. E eu chorava mais, por meu Deus, como eu chorava, pela estupidez de um dia se pensei em desistir.

Pois ela era o "inferno" do meu "céu", a cúpula de vidro do meu antigo quartel e a rosa intocável de um conto infantil.

Nós cantávamos a música La mer, do cantor Charles Trenet, em sua piscina de plástico azul. E num estalo repentino, como um tiro do vizinho, a sua taça quebrou em sua mão. Era vermelho, era laranja, ou até rosa como uma aurora, o seu sangue tão vibrante quanto o sol, e eu o olhei, quase exclamei, por se tornar a minha cor favorita.

Era o inverno e tocava Help e eu pedia socorro por ela ir embora para Bulgária. Era meu décimo nono período da faculdade Ella, e a frase mais clichê eu guardei em minha boca. A sua voz sempre dizia — Eu não coro, Sirius! E nesse dia sua face se avermelhou de tanto chorar.

E eu repetia para mim todas as vezes, Riddikulus, mas o mal já estava feito, quando recebi seu convite de noivado.

O meu sufoco tornou-se vistoso quando sua amiga, Clara, a garota dos olhos caleidoscópicos, sussurrou para mim — A fumaça do seu corpo foi contagiosa, Ara, a Arabella espera por ti, na cama daquele antigo hotel, em Amsterdã, ou sei lá, Moscou.

O meu fígado tornaria o seu pulmão, se ela pedisse mais uma vez por perdão, por quase ao findar se esquecer de mim. O seu feto, foi dispensado pelo médico e ela pedia, clamava, pela escuridão do seu quarto, que eu negava a conceder.

Eu falava — Ella! E também gritava — Arabella! Mas não era o suficiente para mim. E seu último suspiro foi tão doce, quanto um doce, que após 18 anos, ainda era o seu beijo de despedida para mim.

Notas finais
Aceito de bom grado qualquer comentário.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!