Arabella
3 She's got a Barbarella silver swimsuit
Notas iniciais
"Sabia que, tudo na vida tem um sacrifício. Tudo. Tudo na vida tem um proposito. Tudo tem algo a defini-lo. Era a lei da vida, ou você se acostuma com tudo ao seu redor ou você simplesmente fica por fora dos eixos."
Travis acordou impaciente naquela manha de quinta-feira. Sua cabeça latejava e ele queria mais do que tudo permanecer na cama, mas seus planos foram de água a baixo quando Connor passou pelo corredor saltitando como uma gazela e gritando: "Temos que buscar a Kat Cat em trinta minutos. Vamos lá pessoal, levantem". Definitivamente ele previu que o seu dia iria ser uma completa merda.
Levantou-se e suspirou. Vestiu uma bermuda preta, uma regata branca e uma jaqueta por cima, desembaraçou os cabelos lisos com os dedos e escovou os dentes, não achava necessidade e tomar um banho tão cedo.
Tomou um café silenciosamente enquanto Connor e Johanna tagarelavam sobre como iriam hospedar Katie. Ele estava emburrado e sem paciência para conversas fiadas, por isso continuou quieto bebericando seu cappuccino. Mas, em determinado momento, Johanna disse algo que fez seu sangue gelar:
– O quarto do Travis é o maior da casa. Ela vai ficar no quarto dele.
Connor olhou pelo canto do olho a expressão no rosto de Travis, ninguém entrava no quarto de Travis, ninguém mesmo. Às vezes se ouvia barulhos estranhos vindos lá de dentro, mas nem Connor ou Johanna tinham coragem perguntar o que acontecia.
– A senhora está de brincadeira. – Travis falou zombeteiro e Johanna revirou os olhos.
– O quarto do Connor é quase um, como posso dizer, banheiro. Não sei como ele consegue ao menos respirar lá dentro. – Johanna exclamou fazendo os dois rirem e ela os acompanhou, para em seguida dizer: – Não tem como ela dividir comigo, primeiro por não ter espaço no guarda roupa, segundo porque minha cama é de solteiro e eu fico me remexendo, terceiro eu sou sonambula e quarto porque eu ronco. Então, querido Travis, ela vai ficar no seu quarto. Que é o maior da casa, tem um colchonete debaixo da sua cama, seu guarda-roupa também é enorme e você dorme igual uma pedra. Você não tem defeitos nenhum, então ela vai ficar no seu.
"Não tenho defeito nenhum. Haha. Babacas" – Travis pensou irritado balançando a cabeça de um lado para o outro negativamente.
– Qual é Travis, é só por um tempo enquanto a Tia esvazia a dispensa e faz dela um quarto para a Natureba. – Connor disse e Travis negou – Porra cara, para de friscura. Ela vai ficar no seu quarto e pronto.
– Tá. Vamos supor que eu concorde com isso – Travis exclamou fazendo Connor e Johanna se entreolharem – Não acham que o John ficará incomodado ao saber que a filhinha dele dividi um quarto com um garoto?
– Ele não precisa saber. Já disse que é por enquanto eu esvazio a dispensa e ponho lá uma cama e um guarda roupa. Simples!
Connor assentiu dando um ultimo gole na sua xícara e então todos levantaram-se e pegaram um taxi para o aeroporto.
***
– Acho bom você rasgar essa plaquinha – Travis disse encostando-se no irmão com um sorriso sacana – Tá MUITO escroto.
Connor fez uma plaquinha de boas vindas para Katie no caminho do aeroporto. Saiu uma perfeita porcaria, em parte porque a letra de Connor era ridícula e porque estava escrito "Bem Vinda a Vancouver, querida Kat Cat. Adoramos você, sua Natureba que ama cereal".
Travis chegava a ter vergonha do irmão as vezes, ele o amava, é fato, mas seu irmão agia de uma forma tão idiota que ele se perguntava se ele era daquele jeito também. Talvez os dois fossem iguais nas atitudes também, Travis rezava que não.
Quando eram pequenos Abigail os confundiam constantemente, quase todos os dias. Eles eram tão parecidos na aparecia e personalidade que ela chegava a chamar os dois e perguntar quem é quem, eles riam e faziam uma copia perfeita dos Weasley com a seguinte frase: " Francamente mulher, e você ainda diz que é nossa mãe!" Eles adoravam a vermelhidão que tomava o rosto de Abigail. Eram bons tempos aqueles, quando eles eram apenas duas crianças hiperativas com varias ideias na cabeça, pregando peças em todo mundo, em qualquer momento que tivessem oportunidade.
Assim que o portão de desembarque abriu Connor saiu saltitando exibindo a sua plaquinha. Johanna revirou os olhos e avisou que iria até a lanchonete, esperaria eles no estacionamento, ela certamente não queria passar vergonha. Travis acompanhou Connor, olhando o aglomerado de pessoas que surgiam. Ele se perguntava como Katie era pessoalmente, se era bonita ou não, se era realmente legal, se merecia dividir o quarto com ele. Ele se perguntava quem Katie era.
– Cadê ela? – Travis perguntou baixinho para o irmão, que gritava "Welcome Katie!"
– Ela não saiu ainda – Connor disse com a voz rouca, talvez por ter ficado tanto tempo gritando – Ela é toda atrapalhada e se atrasa em tudo o que faz.
Travis assentiu e continuou olhando para as pessoas, e então, depois de mais ou menos três minutos, uma garota vestindo uma roupa estranha, arrastando uma mala e uma mochila enquanto falava no telefone surgiu na porta de desembarque.
Travis olhou para Connor, que assentiu, confirmando a pergunta que ele tinha acabado de fazer, e então olhou novamente para a garota, que caminhava na direção dos dois um pouco irritada. Ele olhou novamente para o que ela estava vestindo: vestido florado, jaqueta com estampa de leopardo, botas, diversos anéis, pulseiras e cerca de dois colares no pescoço. O que mais lhe chamou a atenção foi o seu cabelo: Em um coque alto, com a franja sobre a testa cobrindo um pouco dos seus olhos verdes. Ela parecia uma modelo dos anos 70, mas de certa forma com um pensamento moderno. À medida que ela se aproximava ele começou a lembrar-se de uma musica composta por Alex Turner, cantarolou um trecho e quando Katie estava a três passos deles, ele sussurrou:
– Arabella.
Katie parou com as mãos na cintura e um leve ar de superioridade em direção a Connor. Ela forçou um sorriso e tirou delicadamente a plaquinha de suas mãos rasgando-a logo em seguida. Connor fez um murmúrio de desaprovação:
– Poxa vida Natureba, eu...
– Não me chama de Natureba.
– Florzinha...
– Florzinha? O quê?
– Desculpe, árvore. Satisfeita? Não né, então vai ser grama. Pronto, grama. Então, continuando, poxa vida grama eu fiz essa plaquinha e ai...
– Não me chama de grama! – Katie disse irritada e Travis entendeu o que seu irmão queria dizer com "Se irrita fácil". Ela começou a ficar meio vermelha. – Qualquer coisa menos grama, até mesmo Natureba é melhor que grama.
– E florzinha?
– Nem florzinha.
– E árvore? Arvore é legal.
– Mas que diabos...
Katie ira começar a falar, mas foi interrompida por Travis, que já estava enjoado de toda aquela discussão infantil.
– Já chega! Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus do céu! – Ele disse colocando as mãos em cima da cabeça em sinal de impaciência, sua dor de cabeça havia começado a piorar – Parem de brigar, por favo. Vamos logo Connor, pegue as malas dela e vamos sair daqui.
– E que disse que eu vou pegar as malas dessa porca? – Connor perguntou e levou um grande tapa no ombro, dado por Katie, que ficou ainda mais vermelha – Se vira.
Travis revirou os olhos e sem delicadeza nenhuma puxou a mala, que por incrível que pareça não estava pesada. Os três andaram lado a lado, com Katie no meio dos dois discutindo com Connor. Travis pôde observar o quanto ela era baixa. Ela deveria ter, no máximo, um metro e cinquenta e nove, enquanto ele tinha um metro e setenta e três, mais ou menos, o que deixava ele parecido um poste e ela uma tampinha. O percurso ate o carro de Johanna foi um completa chatice, na opinião de Travis, pois Katie além de ainda não ter lhe dirigido nem ao menos o olhar, brigava com Connor.
Ele já iria gritar novamente, pedir para que os dois parassem de se comportar como idiotas ao entrar no carro, mas por incrível que parece Katie ignorou todas as idiotices de Connor quando viu Johanna. Ela lhe direcionou um sorriso e as duas conversaram por pequenos momentos, enquanto Travis colocava as malas dentro do carro.
– Ela chega a parecer gente perto da tia Jo. – Connor disse de forma cruel ajudando Travis, esse que apenas sorriu e assentiu – E ai, o que vamos aprontar com ela?
– Deixe por minha parte — Travis falou baixinho fechando o bagageiro – Já que ela vai ficar no meu quarto é bem mais fácil de trolar ela. Não se preocupe, a vida dela vai ser quase que um completo inferno. Quem sabe assim ela volta pra Chicago, não?!
Connor deu um sorriso diabólico de quem iria aprontar: – Do mal.
Travis e Katie sentaram-se no banco de trás, enquanto Connor e Johanna tagarelavam na frente. Travis estava se sentindo desconfortável ao lado de Katie, essa que batucava os dedos distraidamente no seu moletom. Os dedos dela estavam próximos de mais do braço dele, onde estava cheio de curativos, e ele temeu que ela pudesse perceber.
Em determinado momento Johanna teve de abastecer o carro, ela e Connor desceram enquanto Travis e Katie permaneceram em silencio. Ele olho-a de soslaio e ela virou-se para ele, com uma mão estendida.
– Sou Katherine Gardner.
Ele olhou para sua mão erguida e logo depois para seus olhos verdes, então desviou o olhar para o a janela, como se observar o mundo lá fora fosse bem mais interessante que olhar para Katie, mas ele sabia que não, por mais que odiasse admitir ele sempre teve uma queda por olhos claros, sendo azuis ou verdes, era por isso que encarava Angel por longos minutos, para não deixar de apreciar aquele azul intenso. E ele sentia que com Katie iria ser a mesma coisa, por isso precisava fugir dos seus olhos verdes esmeraldas.
– Sou Travis Stoll – Ele disse baixinho olhando para as pessoas que andavam na rua.
– Você é tímido? É isso? – Katie perguntou se aproximando e colocando uma mão em seu ombro, Travis se segurou para não rir – Ain, eu também sou tímida, não sabe como está sendo um sacrifício falar com você. Eu fico vermelha e irritada muito rápido, além de que não suporto que pessoas fiquem me encarando. Ser tímida é uma droga, eu te entendo, pois você é assim também, não é?
– Não – Travis virou-se para ela com um sorriso travesso e as sobrancelhas arqueadas – Na verdade sou amigo de todo mundo, sou popular e tudo mais, essa coisa de tímido tica para os losers. Bom saber que você é tímida, Natureba.
Katie o olhou incrédula e fez um resmungo, tirou a mão rapidamente do ombro de Travis e se afastou, com o rosto vermelho. Ela parecia irritada. Ela sempre estava irritada.
– Seu filho da mãe! E eu achando que você era diferente do Connor! São iguaizinhos! – Ela disse com repulsa e Travis levantou uma sobrancelha. Ela levava tudo a serio mesmo? Nossa – Odeio vocês, Stoll's babacas.
– Mal me conhece e já me chama de babaca?
– Mal me conhece e já me chama de loser?
– Foi uma piada, Katie, poxa. Aprenda a levar na esportiva para poder conviver com todos nós.
Katie permaneceu quieta e assentiu. Por um momento se sentiu envergonhada pela atitude que teve. Encolheu-se um pouco e apertou mais a jaqueta contra o corpo. Travis a estudou por um longo tempo antes de desviar os olhos para a janela e depois para ela novamente.
– Desculpa. Foi mal mesmo – Ele falou e lhe direcionou um sorriso amigável — Sou Travis Stoll, 17 anos, sou ótimo em pregar peças, e você?
– Você está falando sério? – Katie perguntou de olhos arregalados, mas ao ver Travis sorrir debochadamente achou que ele estava brincando. Mal ela sabia que o que ele havia falado era realmente verdade – Sou Katie Gardner, 16 anos, sou ótima quando o assunto é natureza, biologia e tudo mais. Ao contrario de você, não minto.
Travis segurou a língua para não dizer "Mas eu não menti!"
– Foi mal, de novo, tô fazendo drama, sou horrível quando o assunto se trata de trolar as pessoas, eu gosto de desenhar e... Só, é a única coisa que me defini.
– Interessante.
Travis olhou para Katie e ela olhou de volta. Eles se encararam durante um bom tempo, nenhum dos dois queria desviar o olhar. Ele gostava de observar como a franja dela chegava a tampar um pouco seus olhos e ela estava concentrada na pequena marquinha de catapora que ele tinha na bochecha. Katie nunca foi de pegar doenças, não sabia o que era ter o corpo coberto por bolhas que irritam a pele. Em Chicago ela raramente saia de casa, seus lugares favoritos eram apenas a biblioteca, estufa, jardim central e a lanchonete December's. Tinha pouquíssimas amigas, apenas Miranda era a mais próxima de todas, além de que Katie nunca teve um namorado.
Enquanto Travis era popular e totalmente confiante, falava com todos, era amigos de todos, era “O” cara. Ela sabia, Katie sabia que ele iria trazer problemas para ela no futuro.
Travis olhou para a pasta que ela segurava desde que havia chegado e ele se perguntou o que de tão importante poderia ter dentro, e antes mesmo que ele pudesse perguntar qualquer coisa dois "toc toc" na sua janela o fez desviar os olhos de Katie, fazendo assim ele se deparar com uma criatura loira com mechas verdes. Ela era uma copia perfeita da Avril Lavigne misturada com o estilo da Lorde.
Eliza deu um grande sorriso e Travis abriu a porta do carro, saiu, fechou e deu um grande abraço em Liz, a quanto tempo não se viam? Um, dois ou três anos? Talvez mais.
Katie permaneceu quieta dentro do carro observando os dois abraçados, se sentiu um pouco incomodada pelo olhar que a garota lhe direcionou, fazendo-a se encolher mais do que o necessário.
Connor voltou e entrou no carro sem dizer uma única palavra enquanto mastigava chiclete, Katie aproveitou a oportunidade e se esticou sobre seu banco, colocando a cabeça entre a divisão dos bancos do motorista e do passageiro, para poder melhor visualizar Connor.
– Quem é aquela? –Katie perguntou com uma sobrancelha arqueada.
Connor de inicio a ignorou, mas depois olhou para Travia e a garota lá fora. Disse então com uma voz debochada : – Primeiro amorzinho dele. Eliza Grigori, mais conhecida como Liz G. Eles se conhecem a mó tempão e chegaram a ter uns amassos, mas nunca passou disso, porém Travis é meio que um bobo apaixonado por ela. Pelo menos era, da ultima vez que eu chequei.
Katie olhou para a garota com uma sobrancelha arqueada. Eliza tinha os braços ao redor do pescoço de Travis e ele estava com um grande sorriso, ela se sentiu ruim por isso, ruim porque ele nem ao menos tinha olhado direito para ela e agora estava abraçado com Eliza.
Ela ficou observando a garota por um tempo, depois desviou o pilhar para Travis e observou um grande band-aid no seu pescoço, ela estranhou, percebendo que estava meio roxeado ao redor, percebeu que era um grande hematoma. Já iria perguntar para Connor o que era aquilo quando Johanna chegou, gritando para Travis entrar no carro logo e lançou um olhar estranho para Eliza. Katie soube de cara que elas não se entendiam.
Quando Travis entrou todos soltaram um "Hummmm" encarando-o e ele riu corado. Katie notou que ele não era muito de sorrir, ficar envergonhado ou coisas do gênero. Ele parecia apenas uma pessoa ao qual estava ocupando espaço, mas ela sabia que não, que ele tinha algo que poderia ter grande importância.
***
– Isso é uma casa? – Katie perguntou com os olhos esbugalhados encarando a casa ao qual Johanna lutava em abrir o portão. A pintura estava gasta, com neve cobrindo a entrada e o portão estava enferrujado.
Travis e Connor se entreolharam com um sorriso de deboche e então disseram: – As aparências enganam.
Johanna abriu e porta e eles entraram, fazendo com que Katie se lamentasse por achar que a casa era horrível, pois na verdade era um lugar bem aconchegante. O piso era de madeira e havia vários moveis espalhados pela casa bem iluminada.
– Já faz uns quatro meses que eu falo para esses preguiçosos pintarem a fachada e o portão, mas quem disse que eles fazem o que eu peço?! – Johanna exclamou olhando feio para os Stoll's que fingiram estar ofendidos – Mas agora tenho mais uma pessoa para me ajudar! Você vai pintar a fachada e o portão, não vai pequena?
Katie arregalou os olhos e os irmãos gargalharam. Ela assentiu minimamente, se sentindo explorada, tinha acabado de chegar e Johanna já estava lhe dando deveres? Tsc.
Travis tentou parar de rir. Ha muito tempo não via uma cena tão cômica e engraçada. Uma parte dele queria rir até se acabar e a outra queria dizer para Katie que estava tudo bem, que sua tia estava brincando. No fim, ele escolheu a primeira opção.
– Tudo bem. — Katie falou ajeitando a franja e ignorando o jeito estranho que Connor estava lhe encarando, como se ela fosse um palhaço de circo. – O meu quarto é...?
– Segunda porta a direita. – Johanna falou sorridente empurrando a garota em direção ao quarto. Abriu a porta e Katie soltou um "Nossa".
O quarto era, basicamente, uma casa. E tinha uma cama enorme, tv, uma mine geladeira e alguns moveis espalhados, um piano de calda no canto e um banheiro. Ela olhou maravilhada para Johanna.
– Ai, não precisava essa mordomia toda. Eu sou bem simples. Não precisava ter ajeitado, colocado tv e essas coisas todas.
– "Essas coisas todas" são minhas. – Travis disse cortante revirando os olhos – Esse quarto é meu, vamos dividi-lo.
Katie abriu a boca, totalmente surpresa. Olhou bem para Travis e viu que seus olhos, uma mistura engraçada de castanho, mel e pequenos tons de azuis, um olho sobrenatural, estavam gélidos. Ele abriu um sorrisinho e ela pode perceber que aquilo não iria prestar.
– Você... Você está falando serio? – Ela perguntou baixinho, enquanto Connor e Johanna riam e Travis assentiu – E.. Onde eu vou dormir, colocar as minhas coisas, como me vestir, eu meio que... Nunca compartilhei meu quarto.
– Nem eu – Travis disse dando de ombros e entrando mais no quarto, se jogando na cama – Um dia você dorme na cama enquanto eu durmo no colchonete, a gente vai trocando, fazendo um rodizio. Suas coisas vão ficar no lado esquerdo do guarda roupa e você se troca dentro do banheiro. Simples.
Ela teve que se esforçar um pouco para conseguir ouvir a voz abafada de Travis pelo travesseiro. Assentiu e começou novamente a tirar e colocar o anel no dedo. Estava nervosa.
– Quando eu vou frequentar a nova escola?
– Próxima semana – Connor falou com a boca cheia de cereal, havia ido à cozinha e voltado com uma vasilha. Katie mordeu o lábio inferior e se aproximou, olhando fixamente para a vasilha. Connor se afastou e deu um sorrisinho – Nada disso Srta. Cereal, compre ou faça o seu próprio.
Travis e Johanna gargalharam e Katie se sentiu terrivelmente estupida. Ela queria neste momento ir correndo de volta para o aeroporto e voltar para sua Chicago, mas aí ela se lembrou da pasta que estava dentro de sua bolsa e seu corpo esquentou, seus olhos se iluminaram e então se lembrou do motivo de estar ali. Ela estava disposta a aguentar a ignorância de Travis, idiotices de Connor e comandos de Johanna. Nada importava, o que importava era que ela finalmente iria conhecer sua mãe.
Sabia que, tudo na vida tem um sacrifício. Tudo. Tudo na vida tem um proposito. Tudo tem algo a defini-lo. Era a lei da vida, ou você se acostuma com tudo ao seu redor ou você simplesmente fica por fora dos eixos.
Travis observou atentamente Connor e Johanna deixarem o quarto, fazendo com que ele Katie estivessem sozinhos se encarando. Ela começou a organizar suas roupas dentro do guarda roupa e Travis percebeu que ela tinha apenas vestidos. Inúmeros deles. A maioria era floridos ou verdades e alguns bordados. Ele estava sentado na cama hora olhando para o filme chato que passava na Tv hora para Katie. Vê-la arrumando seu cantinho era bem mais interessante. Ela tirou vários cd's e pequenas miniaturas de uma mala, livros e um notebook, além da pasta que ela não parava de tamborizar os dedos nervosamente. Ele percebeu sua mania de tirar e colocar o anel prateado no dedo do meio. Morder os lábios inferior várias vezes no dia. Estalar os dedos nervosamente cantando uma musica qualquer do Pink Floyd. Tentar colocar a franja atrás da orelha enquanto ela insistia em cair sobre seus olhos. Ficar na ponta dos pês e da três pulinhos para conseguir ver algo muito alto. Limpar duas vezes seguidas o mesmo lugar. Piscar os olhos diversas vezes como se estivesse se divertido com isso e cutucar as unhas quando estava distraída. Tudo em um período de duas horas observando-a depois de ter arrumado tudo. Sentada ao seu lado assistindo o mesmo filme que ele. Eles não trocaram nenhuma única palavra, estavam apenas lado a lado sentados na cama rindo de cenas estranhas que chegavam a ser bem engraçadas.
Katie estava cansada da viagem e Travis com sono por ter acordado cedo de mais, além de que teria aula extra as três da tarde. Deitou-se no colchonete, para que Katie pudesse dormir na cama. Ligou o ar condicionado e apertou mais a jaqueta contra o corpo.
Por um minuto ele olhou para o espelho no canto do quarto, tinha quase dois metros de altura e era largo, fazendo com que ele conseguisse ver Katie deitada na cama. Ela estava de joelhos, olhando os mapas em suas mãos enquanto nervosamente rodava o anel nos dedos, ele sabia que ela estava se esforçando para não tira-lo e coloca-lo nos dedos varias vezes. Sua franja atrapalhou sua visão novamente e ela ajeitou, olhando para o espelho.
O olhar dos dois se encontraram. Os olhos castanhos fixamente nos verdes. Ela lhe direcionou um sorriso e tudo o que Travis fez foi fechar os olhos, para cair no sono profundo.
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