Arabella

11 Just might have tapped into your mind and soul You can't be sure


Notas iniciais
OIIII Hoje é madrugada de sabado, sinto muito pela sexta, mas meu pai decidiu dar uma de engraçadinho e pegou os fios do meu pc e só me devolveu a noite e a noite eu trabalho, o que me restou a madrugada para editar os capitulos e assistir minhas amaveis séries: ahs e gle e E CHERRY VALDEZ FELIZ ANIVERSARIO!

"Ele prestava atenção nos mínimos detalhes, gostava de ouvir a voz de Eliza, isso fazia seus músculos tensos relaxarem."

Quando Travis começou a desenhar ele tinha apenas três anos. É fato que todos se impressionavam com a qualificação que a pequena criança tinha, nos traços maravilhosos que seus desenhos ressaltavam. Era um talento. Foi a partir dali que Abby o considerou um prodígio. Para ela, Travis iria crescer, se tornar um belo rapaz inteligente, educado e humilde. Ela se focou tanto em Travis que chegou a esquecer Connor.

Agora, as coisas inverteram. Connor virou o favorito e Travis não havia se tornado o que ela imaginava.

Com o lápis em mãos, ele desenhava a cidade de Vancouver em sua própria versão. Os prédios eram ainda mais altos e as paredes das casas eram grafitadas. Ele havia sonhado com aquilo, com a sua querida metrópole em uma versão totalmente fora do comum. Travis costuma desenhar as coisas que sonha, especialmente as boas. Os pesadelos ficam guardados na memoria.

Seu punho estava vermelho e seus dedos adormecidos por conta da precisão que tinha em acabar o desenho. Estava sentado na cama com as pernas cruzadas, ao seu lado Katie dormia tranquilamente com a boca aberta, ele riu por horas ao constar que a mesma baba enquanto dorme.

Ao terminar, respirou fundo e analisou os mínimos detalhes antes de fechar o caderno e coloca-lo em cima do criado mudo. Continuou na mesma posição encarando as próprias mãos, escutou a campainha tocar e passos foram ouvidos em direção à escada, depois a porta de seu quarto foi aberta e a cabeça de Connor apareceu no vão.

– Sua gatinha está aqui.

– Manda ela subir.

– Primeiramente gostaria de informar que o Connor não manda em mim – Eliza atravessou a porta com um ar superior e um sorriso de orelha a orelha. Ela estava gripada, fazendo sua voz ficar ainda mais fina e enjoativa que o normal – E eu já estou aqui.

Connor riu e revirou os olhos antes de fechar a porta. Liz abriu os braços e se jogou em Travis, o mesmo sorriu e a aperrou contra si. Claro que ainda não havia superado os inúmeros foras recebido pela sua melhor amiga e muito menos o fato de ambos terem um relacionamento inacabável.

– Estava com saudades. – Falou animada afastando-se de Travis. Seus olhos se arregalaram ao perceber Katie dormindo ao seu lado. – O que ela tá fazendo aqui?

– Ela mora aqui.

– Estou me referindo a seu quarto, sua cama.

– Tia Johanna está ajeitando um quarto para ela ainda, enquanto isso ela permanece aqui.

– Só poderia ser coisa da velha da sua tia. –Bufou e cruzou os braços. Travis estava se segurando para não rir de toda a situação. Levantou-se e calçou um tênis, eles iriam à papelaria do shopping juntos. Travis estava precisando de materiais novos para continuar com sua coleção de desenhos. – Eca, isso aí é baba?

– Aham

– Que horror.

Travis gargalhou e cobriu Katie com um manto antes de sair do quarto. Seu punho ainda estava latejando, porém havia valido a pena ficar gastando tanto tempo em um único desenho. Sua versão imaginária de uma nova Vancouver era maravilhosa.

O clima estava frio naquele dia, Travis mantinha as mãos dentro dos bolsos enquanto Eliza tagarelava sobre os últimos acontecimentos em sua vida. Ele prestava atenção nos mínimos detalhes, gostava de ouvir a voz de Eliza, isso fazia seus músculos tensos relaxarem.

Atravessaram a rua e pararam em frente ao enorme edifício. Ao contrario dos outros shopping’s esse era maior que o normal e suas paredes eram recobertas de aço puro, dando uma impressão de que brilhava em contato com a luz do sol.

O aquecedor da livraria estava ligado e Travis suspirou em alivio ao sentir o vapor quente contra seu rosto. Andou pela loja recolhendo pinceis e tintas novas, escolheu pontas mais resistentes para sua grafite e lápis de cor da melhor marca. Não se cansava em gastar seu dinheiro com aquilo, afinal, dava-lhe ainda mais prazer do que enfrentar os caras durões da Dark Night.

– Você bem que poderia me desenhar algum dia – Eliza confessou baixinho, estavam na fila do caixa, ambos tinham as mãos ocupadas com os novos materiais de Travis. Ele percebeu que seu semblante havia ficado triste de uma hora para outra. – Por que nunca me desenhou?

– Costumo apenas desenhar coisas que eu sonho e acho interessante.

– Não me acha interessante?

– Eu acho, Liz, estou dizendo que nem tudo que sonho eu desenho, apenas aqueles sonhos que acho interessante.

– Então você nunca sonhou comigo?

Travis suspirou pesadamente. Eliza sempre foi um tanto quanto lerda, o que causava uma irritação fora do comum em seus pensamentos. Ele assentiu e ela apenas deu um leve dar de ombros, como se aquilo não importasse.

Pagaram tudo e caminharam em sincronia na volta para casa. Dessa vez, Travis falou mais que o habitual, diante das perguntas de Eliza ele se via obrigado a responder e sempre lhe dar uma extensa explicação. Apesar do gene forte e curioso da pequena, Travis a achava adorável, especialmente pelo fato de ainda, lá no fundo, ter uma grande queda por ela.

– Eu espero que você sonhe comigo esta noite. – A confiança em suas palavras surpreendeu o rapaz quando pararam em frente à casa dos Stoll. Ele sorriu piscando os grandes olhos e assentiu com a cabeça, trocaram um abraço desajeitado. Travis a seguiu com o olhar à medida que Eliza atravessava a rua, um sorriso de canto estampado em seu rosto.

Ao entrar na sala, escutou a voz eufórica de Katie e em seguida o gemido de dor de James, para então escutar a risada de Angel. Estavam os três em frente à TV, o canal transmitia o show de David Gueta ao vivo. Katie dançava e pulava diversas vezes consecutivas em cima de Stiles e tudo o que Angel conseguia fazer era sorrir.

Travis pôs as coisas em cima do sofá e se sentou. A voz do cantor deixava uma energia positiva no ar.

– AI MEU DEUS. AGORA A SIA VAI APARECER. AI MEU DEUS. – Katie gritou e começou a pular. James e Angel gargalharam em sincronia e se encararam estranhamente antes de acompanhar Katie em sua dança desajustada. – EU AMO ESSA MUSICA. STOLL, VEM DANÇAR COM A GENTE.

Travis negou e pôs se apenas a observar a euforia da garota. Angel sentou-se ao seu lado, ainda rindo, e cantou vagarosamente a musica. Katie remexia os quadris e tentava fracassada mente imitar a Sia, James fazia passinhos estranhos e eles riam por conta de qualquer bobagem. Estava claro que Katie estava mais feliz que o habitual.

Ela deu um grito agudo antes de a musica acabar e levantou os braço dando saltinhos aqui e ali, fazendo seu vestido levantar graciosamente como o de uma bailarina.

– Hoje está sendo o melhor dia da minha vida! – Declarou e olhou para Stiles, esse parou de rir no momento que ela correu em sua direção e pulou em seu colo, o garoto arregalou os olhos e a segurou pela cintura. – Eu te amo!

Em um flash ela estava no chão e beijando o rosto de Angel.

– Eu te amo, vaca. – Disse risonha e dando um beijo estalado na bochecha da loira, que se encontrava em estado de choque. Se afastou um pouco e deu um abraço meio hesitante em Travis, esse estava tão fora de órbita que não retribuiu. Katie sussurrou: — Eu também te amo, Stoll.

Sua voz saiu tão séria com o sangue do rapaz gelou e ele se sentiu ficar tenso. Mas a partir do momento que a garota deu uma gargalhada gostosa e revirou os olhos, ele soube que havia algo errado com ela. Se Katie estivesse em seu estado normal, ela nunca pularia no colo de James, nunca beijaria Angel daquela maneira e nunca diria que o amava.

– Você fumou? Comeu fezes? Bebeu? – James disse incrédulo, ainda espantado pela atitude da garota. Ela apenas sorriu e negou com a cabeça.

– Você é louca. – Travis sussurrou.

– Naaaaaao. – Cantarolou jogando-se em cima de Angel. Foi então que Travis percebeu que ela ainda estava usando vestido com estampa do Pokémon. – Meu pai me ligou hoje cedo e disse que vai passar o final de semana aqui em Vancouver! Estou tão feliz, estava com saudades dele e da Abby, aí de quebra minha prima também vem! Estou maravilhada. E olha que engraçado, tem um unicórnio em cima da TV dançando igual a Sia!

– Um unicórnio? Mas de que merda você tá falando? – Angelina guinchou a empurrando. Katie ficou em pé e deu outra gargalhada. Todos os três olhavam estranhamente para a menina, que sentou-se de pernas cruzadas no tapete frio da sala. – Você tá bem?

– Nunca estive melhor. – Balbuciou e deslizou os dedos pelo tapete, com um sorriso alienado e os olhos meio fechados. Sua voz estava meio grogue e ela parecia que iria desmaiar a qualquer momento. – Esse tapete é tão felpudo. Dá vontade de passar uma eternidade deitada sobre ele, rolando, fazendo sexo, dormindo, seja o que for. Estou no paraíso, isso aqui é como estar deitada sobre as nuvens. Experimentem, deitem aqui comigo, juro que não mordo.

– Será que devo ligar para o manicômio? – Travis perguntou olhando especificamente para Stiles. – Ou para o pai dela e informar que ela está louquinha?

– Já disse que não to louca, seus trouxas. – Berrou e James se assustou. O garoto se afastou rapidamente e se sentou no sofá. Estava Stiles, Travis e Angel encarando-a de cima a baixo, sem saber qual conclusão tirar daquilo. – Sabe do que eu preciso? De brownies! Aqueles bolinhos são a chave para o país das maravilhas, o Connor deixou uns em cima da mesa e eu comi t-o-d-o-s. Estavam deliciosos, eu quero mais. BROWNIES!

Houve um longo silêncio entre os quatro. James tentou segurar o riso, Travis bufou e Angelina parecia que iria ter um AVC a qualquer momento. A veia de seu pescoço pulsou e ela abriu bem a boca antes de gritar:

– CONNOR STOLL EU VOU CORTAR O SEU PINTO FORA E VOU JOGAR PARA OS CACHORROS DA SARJETA, SEU DESGRAÇADO. – James tampou os ouvidos e Travis desatou a rir. O palavreado de Angelina fazia com que sua má fama aumentasse ainda mais. Ela xingava demais. Falava demais. Gritava demais, mandava demais. Demais, demais, demais. Era por isso que as pessoas se cansavam dela, é por isso que ninguém a aturava além de Lily. Mas apesar disso, conseguia ser a rainha suprema da escola. – VOCÊ É UM CARA MORTO!

Passos rápidos foram ouvidos descendo a escada e em seguida um Connor vermelho apareceu na sala. Ele estava ofegante e alternava seu olhar de Katie parar os três do sofá. O olhar fulminante de Angel fez seu sangue gelar. Travis rolou os olhos, prestando atenção em tudo o que Katie fazia, não queria que sua Arabella fizesse uma bobagem, apesar da mesma estar sorrindo feito uma débil mental sobre o tapete e conversando sozinha com as próprias unhas.

– Mas que porra...?

– Seus brownies são deliciosos a primeira vista, claro que são. Pena que o recheio é de maconha. Seu infeliz! – Angelina se levantou em um pulou e deu diversos tapas no ombro de Connor, e Travis não conseguia parar de sorrir. – Sabe, você bem que poderia ter uma overdose ou sei lá o quê comendo esses seus bolinhos de merda, tá legal que em toda festa nós vemos um, MAS PUTA MERDA VOCÊ DEIXOU A KATIE COMER, você tá louco? Ela nunca nem bebeu, nunca fumou, nunca transou, nunca fez nada das coisas que nós estamos acostumados. Ela é santa, que merda. Quer que ela vire a Arabella que o Travis tanto deseja? A verdadeira Arabella?

– Eu não tenho culpa se ela comeu. – Disse em um fio de voz.

– Aposto que se ela soubesse do que se tratava, não comeria.

– Vocês estão gritando demais, não sou paga para ouvir ladainha de fofoqueiros. – Katie declarou se levantando. Ela parou em frente de Stiles e deu uma risadinha. – James, sabia que você é muito lindo? – Perguntou e o garoto automaticamente estranhou, respondendo arrastado um “Sei”. Katie exibiu um sorriso de praxe enorme antes de se aproximar do garoto. – E eu quero muito te beijar, seu lindo.

– C-R-E-D-O. – Angelina gritou tampando o rosto com as mãos.

Katie realmente iria beijar James se o mesmo não tivesse se afastado e Travis colocado a mão em sua cintura. Ela fez um biquinho e tentou se aproximar novamente, mas o aperto de Travis estava forte. Ele esperava qualquer coisa depois disso, qualquer coisa mesmo, menos que a Gardner poderia de uma hora para outra ficar verde e vomitar nas pernas de Stiles.

– Isso é salada de frutas? – Perguntou depois de uma sessão de vômitos. Todos ali a encaravam incrédulo. Travis estava tentando a todo custo fazer com que Katie não passasse por uma vergonha maior ainda, ela estava drogada, afinal. Mas ela era uma drogada difícil de lidar. – Que legal. Saiu salada de frutas da minha boca. Será que saí chantilly também?

Travis suspirou pesadamente tentando manter a garota em pé. Ela ria e cambaleava, Angel batia constantemente no braço direito de Connor e James limpava sua calça jeans. Ele certamente nunca mais iria usar aquela peça de roupa, não depois do estrago que sua amiga havia feito ali.

– Você poderia colaborar, Katie. – Travis sussurrou, irritado.

– Trabalhar? Meu pai não me deixa trabalhar. Eu não posso trabalhar. – Disse indignada olhando para Travis e depois sorriu piscando os olhos fortemente. – Você é uma gracinha, Stoll. E eu quero beber um milk shake de baunilha. É para colocar cobertura de chocolate e...

Katherine parou de falar e fechou os olhos, seu corpo ficou mole e ela respirava calmamente. Todos ali pararam no mesmo segundo o que estavam fazendo e suspiraram em alivio. Agora, Katie era uma drogada desmaiada com roupa de Pokémon jogada no sofá, não faria mais nenhuma loucura e não passaria mais nenhuma vergonha. Os quatro amigos se entreolharam e desataram a rir. Claro que todos ali já haviam provado os brownies de Connor e claro que todos já haviam chegado aquele estado. Mas estavam acostumados, aquilo já era rotina para eles, especialmente para os Stoll’s, os reis da farra.

Travis apenas só conseguia pensar em como faria para manter a Arabella santa longe de encrenca e em como não deixa-la se tornar a mesma Arabella de Alex Turner. Seria uma tarefa difícil, mas ele não desistiria fácil, ainda mais pelo fato de não querer seu general cortado por John Gardner ao saber o que havia acontecido com a filha por deslize dele.

“Isso que dar ser babá de uma criança” – Travis pensou.

Mas o que ele não sabia, era que Katie, de criança, não tinha nada.

Notas finais
gostaria de agradecer a Lília pela ajuda Gostaram? odiaram? ME FALEM