Aquilo que os Sonhos dizem.
34 Dessa vez não foi a boca.
Notas iniciais
Acordei sobressaltada novamente. Suando frio.
Encostei a mão na testa e senti minha pele fria. Como a de um cadáver.
Estremeci.
Olhei pela porta de vidro e pude ver que o sol já havia nascido. Automaticamente minha cabeça virou para ver o relógio marcando 9hr20min.
Sai correndo para o banheiro.
Chegando lá, abri a torneira e molhei minhas mãos. Senti uma ardência. Reprimi um grito desviando o olhar quando vi minhas mãos totalmente ensanguentadas de novo.
Fui até o espelho e comecei a sentir uma aflição pela cena refletida.
Mais uma roupa suja de sangue. Dessa vez, sangue de meus braços e não de minha boca. A boca estava intacta, o que quer dizer que durante o sonho não a mordi, mas em compensação arranhei meus braços com as unhas. Depois levantei um pouco da blusa, o bastante para ver que havia arranhões também em minha barriga.
Então, antes de descer, tomei um banho. Como de costume, mas dessa vez para também limpar o sangue e os arranhões.
Senti uma ardência insuportável quando os arranhões entraram em contato com o sabão e trinquei os dentes para evitar gritar.
Sai da banheira, escolhi umas peças de roupas das que papai trouxe para mim para poder usar até ir às compras, dei um jeito no cabelo e escovei os dentes. Depois disso desci de encontro a papai para tomar café.
Encontrei papai na mesa sentando no lugar de costume e lendo jornal.
–Pai? – Disse, esperando a reação de papai quando ele visse os arranhões pelos meus braços.
–Bom dia fi... Alice? O que é isso em seus braços? O que aconteceu? Não me diga que...
–Sim... Sonhei de novo.
Disse isso e corri até papai que me acolheu em um abraço cuidadoso por causa dos arranhões.
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