Aquilo que os Sonhos dizem.
72 A peça que estava faltando.
Notas iniciais
Quando terminei de ler o diário, olhei pela porta de vidro do meu quarto e pude perceber que já era começo de tarde.
Fui até o banheiro, lavei o rosto e depois fui até a cozinha para comer alguma coisa, afinal, não almocei. Preferi deixar o almoço pra depois e ler o diário.
É estranho... é como se a garotinha, dona do caderno, não fosse eu. Me senti uma intrusa lendo meu próprio diário.
Cheguei na cozinha e encontrei papai e Blue conversando. Ela perguntou se eu queria comer alguma coisa agora e fiz que sim com a cabeça. Fui até papai, o abracei rapidamente e me sentei ao seu lado no balcão.
–Então? Como foi? — Papai perguntou.
–Li do começo ao fim. — Falei. — Eu tenho certeza que esse diário guarda a solução pra eu me livrar desses sonhos.
–Fique tranquila, meu bem. Você vai conseguir encontrar a resposta. — Me confortou.
–Vou ligar pra Lucy e pedir que ela me encontre na praça. Vou contar pra ela sobre o diário e tenho certeza que ela vai saber me ajudar.
–Ótima ideia! — Madame Blue falou. — Lovegood com certeza irá ajudar nossa Jovem Rose. — Disse e meu deu um beijo no alto da cabeça.
•••
A praça, que fica a quatro quarteirões de minha casa, é um grande espaço ocupado por árvores, frutíferas ou não, canteiros de flores, bancos de madeira, brinquedos para as crianças se divertirem e possui uma ciclovia ao seu redor.
Fiquei esperando Lucy enquanto ouvia música no celular e pausei quando vi ela chegando.
–Hey, Rose! — Fez sinal de paz e amor. — Como vai a vida?
–Mais ou menos...
–O que aconteceu? — Perguntou me olhando com seus olhos verdes questionadores.
–Aconteceu que eu achei isso. — Mostrei o diário para ela.
Ela fez um gesto com as mãos para que eu continuasse.
–Esse diário é meu. De quando tinha sete anos.
–Oow! Então quer dizer que...
–Possui coisas sobre meu trauma, sobre Peter... e meu amigo.
–O tal do Jack, né?
–Isso ai.
–Como você achou isso?
Comecei a contar o que aconteceu hoje de manhã. Tudo. A caixa, as cartas, a foto e o diário. Tomei cuidado pra não deixar nada de fora. Tirei o cordão com a chave, que pendia em meu pescoço, e abri o cadeado. Lucy fez uma breve leitura das páginas.
–Meu coração tá tão apertado, Rose. — Ela falou quando virou uma página.
Ficamos lendo juntas quando Lucy comentou.
–Percebi uma coisa.
–O que?
–Você constantemente fala desse amigo e de como quer saber por que ele foi embora. Por que ele te abandonou. Veja. — E leu em voz alta. — ''Por que ele fez isso? Por que ele foi embora sem se despedir de mim? Sem me agradecer por eu ter salvo a vida dele, assumindo a culpa da morte de Peter? Imperdoável''– Recitou. — Tem mais essa também: ''Se eu pudesse encontra-lo, perguntaria por que ele fez isso. Por que ele tomou essa atitude'' .
Então eu lembrei de uma coisa que eu li e falei com a voz baixa.
–Eu fiz uma promessa.
–Que promessa? — Ela falou assustada.
–Deixa eu ver. — Peguei o diário e procurei a página. — Olhe.
Lucy leu o trecho que indiquei.
–Eu quero me livrar desses sonhos, Lucy. Eles estão acabando comigo.
–É a única maneira de você se livrar desses sonhos, Rose. Você tem que encontrar Jack.
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