Aquilo que os Sonhos dizem.
63 A criatura vira a cabeça pra mim pela primeira vez.
Notas iniciais
–Não. Obrigada. – Disse com as maçãs do rosto vermelhas de novo.
–Ok Rose. Bem... Acho que vou indo. Já está tarde. A intenção não era ficar até essa hora, mas seu gato me conquistou. Desculpe.
–Ok Adam! Até amanhã. – Disse enquanto o acompanhava até o portão.
–Até. – Disse.
E quando abri o portão e antes que eu pudesse impedir, me deu mais um beijo na bochecha e foi embora.
–Idiota. – Disse, mas ele não ouviu.
•••
–Já chega. – Disse para aquela coisa que me perseguia.
Já não é a primeira vez que me irrito assim. E sempre que falo com essa forma humana simplesmente sou ignorada, pois aquela coisa só sabe sibilar ‘Não toque na Alice’.
–Por favor. Não agüento mais. Pode pelo menos falar por que você não tem olhos? – Ignorada de novo.
Mas dessa vez aconteceu algo diferente.
Em vez de ficar olhando para todas as direções, dessa vez a coisa olhou para mim. Pela primeira vez.
Olhar não é a palavra certa, pois a criatura não tem olhos, acho que virar a cabeça de uma forma sinistra como se o pescoço estivesse quebrado, como sempre faz, é o termo certo.
Frio.
Medo.
Tristeza.
Esses são os sentimentos que senti quando a coisa virou a cabeça na minha direção pela primeira vez.
Fale com o autor