Notas iniciais
Oi, alguém conhece um analista, terapeuta, psiquiatra ou psicanalista? Estou precisando.


Foi como se o dia 26 tivesse passado rápido, como um turbilhão.

Mathias participou das dinâmicas, aulas e atividades do seminário como de costume — mas o tal endereço dado por Lina ficou vagando pela sua mente pelo dia inteiro. Assim como fora com o número de telefone, ele decorara o endereço quase que imediatamente.

Após a última aula, perto das 17h, Mathias subiu para seu quarto. Antes de qualquer coisa, resolveu mandar uma mensagem para Lina pelo whatsapp.

"Li a mensagem... é um endereço. E agora? O que faço com ele?"

Ela não demorou a responder.

"Sabe como chegar nesse lugar?"

Ele hesitou brevemente.

"Sim."

"Venha", respondeu ela. "Meu expediente está terminando. Te encontro lá."

Mathias ficou confuso, mas sua curiosidade estava falando mais alto. O animal em seu peito rugiu. Não parecia aceitar que Mathias não saísse agora mesmo pela porta do seminário e fosse até o local indicado por Lina.

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Mathias deixou suas coisas em ordem no quarto. Por instinto, colocou sua roupa de ir correr. Achou que, assim, pelo menos não levantaria suspeitas.

Teve o cuidado de evitar passar perto de padre Wanderson ou dos locais que ele sabia em que o reitor estaria àquela hora, já pelo fim da tarde. Não queria ter que se justificar.

Embora ele tivesse o hábito de sair para correr por aquela faixa do dia, sentiu um arrepio crescendo na espinha. Por vezes tirava a sexta-feira para relaxar e descansar, então, talvez a sua súbita saída dizendo que ia correr pudesse chamar a atenção. Pensara em realmente ir correndo até o endereço, mas, por um instinto, resolveu ir num trote controlado, moderado, para que não cansasse muito nem chegasse lá tão suado. Mesmo sem saber ao certo o que ia acontecer.

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O endereço dado por Lina ficava perto de vários pontos importantes da cidade. O colégio Atheneu, outrora uma das melhores instituições de ensino público da cidade; a Biblioteca Câmara Cascudo; a galeria comercial CCAB; a praça das Flores; além de algumas confeitarias, padarias e restaurantes. Mathias não tardou a chegar lá, mesmo sem apressar tanto o passo.

O endereço levava a um prédio de coloração bege e marrom, bem localizado naquele ponto do bairro, próximo ao entroncamento de algumas das suas principais ruas.

No papelzinho do endereço, que o rapaz trouxera no bolso, havia também o número do apartamento dela. Ele discou os números no painel da portaria.

Logo, o porteiro liberou a entrada dele, dizendo que tinha sido avisado.

Mathias teve o instinto de olhar o celular.

Uma mensagem de Lina havia chegado enquanto ele veio andando:

-Oi menino! Eu vim de uber do trabalho até nosso ponto de encontro. Acho que chegarei antes de você. Deixei avisado na portaria que um amigo estava vindo. Digite o número do apartamento, que deixei anotadinho aí no seu papel. Aí você será liberado na portaria.

Não tinha carros de Uber parados perto da entrada do prédio. Mathias adentrou no condomínio, já ansioso.

Ponderou se deveria subir as escadas ou pegar o elevador. Achou que, mesmo após ter caminhado comedidamente, as escadas poderiam cansa-lo um pouco. Resolveu-se pelo elevador. Digitou para o quinto andar.

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O elevador o trouxe até o quinto andar. O número indicado no papel era 502. Ele se encaminhou para a porta com esse número, e tocou a campainha.

Pôde ouvir um passo apressado vindo lá de dentro.

Finalmente, a porta se abriu. Lina abriu a porta. Estava um pouco descabelada, mas Mathias não se importou — ele próprio devia estar ainda bastante suado e com certeza não estava com seu melhor odor depois de uma longa caminhada desde o seminário. Ela usava um roupão fofinho, na cor roxa, como se tivesse acabado de acordar ou como se estivesse prestes a ir dormir.

-Ah... o-oi, menino — disse ela, e pareceu sem jeito pela primeira vez desde a primeira conversa de ambos. — Fico feliz que conseguiu chegar direitinho aqui...

Ela remexia bastante no cabelo.

-Foi tranquilo, era um trajeto fácil de seguir — explicou ele, ainda parado ao portal de entrada. — O que exatamente você queria me chamando até aq...

-Vamos, entre — disse ela, pegando-o pelo braço. — A gente conversa melhor aqui dentro.

Mathias aceitou e deixou-se ser puxado pelo braço para dentro do apartamento. Logo que ele passou por ela, Lina se voltou para a porta com uma certa pressa e trancou-a. O rapaz ergueu de leve as sobrancelhas.

-B-bom, então...! — começou ela. — Você andou muito, não foi? Talvez esteja com sede, posso te oferecer um copo d'água?

-Claro — disse Mathias, exibindo uma calma que ele próprio não reconhecia. Desde que conhecera Lina, não estivera calmo nos últimos dias. O animal em seu peito enfim se manifestou, após muito tempo quieto. Parecia ronronar, como se farejasse alguma coisa.

Subitamente, Lina diminuiu o passo. Parecia estar bem elétrica e alarmada antes.

-Bom, tá certo então!! Eu vou buscar sua água e...

De repente, no meio do passo para sua cozinha, provavelmente para buscar a água, Lina deu um passo na direção de Mathias.

Uma de suas mãos tocou o peito do rapaz, a outra tocou-lhe no lado do pescoço.

E ela levou seus lábios aos lábios dele.

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Mathias não era beijado há tempos. Demorou para reconhecer a sensação.

Logo, porém, sentiu um sabor doce vindo dos lábios de Lina. Parecia algo como amoras? Talvez fosse o sabor de seu batom.

O animal no peito dele rugiu triunfante. Mathias sentiu seu corpo todo em polvoroça. Como se ansiasse por aquilo há tempos e apenas não soubesse antes.

Ele não tentou impedir Lina. Pelo contrário, pôs as mãos no quadril da moça. Aquilo estava maravilhoso. Só estavam os dois ali, com o mundo lá fora alheio ao momento entre os dois.

Logo Lina foi puxando ele ainda em meio ao beijo. Chutou levemente a porta do quarto, conduzindo Mathias para dentro.

Lina soltou uma das mãos e desfez o nó que prendia seu roupão. Logo a peça caiu.

Ela não usava nada por baixo.

Eles se soltaram brevemente e Lina começou a ajuda-lo a tirar a roupa de caminhada.

Logo os dois estavam como vieram ao mundo.

Mathias perguntou se ela possuía preservativos em casa. Algo dentro de si dizia que devia ser educado e pelo menos lhe perguntar isso antes que continuassem.

Ela sorriu. Aquele sorriso derreteu o rapaz. Mesmo com a ventilação do apartamento, ele sentiu o calor aumentar. Tanto dentro quanto fora de si.

-Eu tomo anticoncepcional, gatinho. Pode me amar sem medo, sem pudor, sem amarras.

E ela o beijou novamente.

Imediatamente após, os dois estavam acomodados na cama dela. Sobre ela, Mathias sentiu a pele do corpo de Lina em diversos pontos tocando na sua. Sentiu que seus corpos se entrelaçavam, se fundiam, até que se tornavam um só. Sentia-se dentro do corpo dela — e estava mesmo. Entrava, e saía, entrava, e saía. Ouvia Lina exclamando baixinho no seu pé de ouvido. Intercalavam com beijos suados e quentes entre eles. Mathias sentiu jorros de felicidade romperem dentro de si como há muito não sentia.

Sentiu seu suor se espalhando. Depois sentiu algo parecido... mas não era somente o seu suor. Era outro líquido que, agora, escorria entre ele e Lina em meio ao momento mágico e belo que os dois estavam se permitindo naquele momento.