Essa noite eu me peguei pensando

De forma bastante teatral

Pensando sobre valor

Pensando que na verdade

Apesar de tudo ter um valor enorme

Tudo vale tão pouco

Que aquilo que vale tanto

Tanto vale

Quanto aquilo que não vale nada

Mesmo que tudo isso tenho um valor inestimável

Afinal

O valor de que nos vale, na vala?

O valor da moeda

O valor da merenda

O valor do arrebol

E daqueles moleques da vila...

Sabe... Não sei se você entendeu

Mas tudo que não tem assim tanto valor

Tem muito valor

Claro

Não por ser valoroso assim

Como montanhas de ouro

Mas por serem importantes

Para mim e para todo o mundo

De forma que a sua própria existência

Se resuma numa peça única

Em um colar de brilhantes

Momentos assim simples

Com versos singelos

E rimas bem tímidas

Como o brilho de cachoeira

Como o coração de bananeira

Como o perfume de cabeleira

Coisas assim pequenas

Quem sabe valem demais

Valem o mundo

Que é grande assim

Maior que meus braços

Maior que essa casa e que tudo

Esse mundo grande

Cheio de gente grande

Tão cheio de gente tão grande

Será que o mundo que vale tanto?

Será que vale tão pouco

Que nele tudo vale demais

Mas mesmo nada vala nada

Ainda que na vala

É claro que vale

Tudo vale

Tudo é bonito neste vale

E mesmo que tudo o que existe

Vale pouco

Dê valor ao mundo

Ou ao menos à um calmo segundo

Um sorriso sincero

Um abraço apertado

De amigo ou de amado

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.