Aqueles Seus Olhos Azuis

25 Com a viadagem vêm grandes responsabilidades


Notas iniciais
EAÍ SEUS PUTO. Voltei, ye, e dessa vez nem demorei tanto. Achei que o capítulo ficou meio chato no início e talvez sem-pé-nem-cabeça mas hgnn. É meio importante dar o update sobre localização no espaço-tempo e relacionamentos dos personagens, né? Desculpem se ficou sem graça ou confuso. Pelo menos o final compensou~ Bora ler?

Aqueles Seus Olhos Azuis

Capítulo XXIII — Com a viadagem vêm grandes responsabilidades

A presença de um na casa do outro tornou-se mais comum do que já costumava ser. John se tornou visitante assíduo do lar dos Striders depois de três meses, enquanto seu Pai tornava-se ainda mais acostumado a receber Dave por uma noite, duas, um final de semana inteiro. Em retrospecto, as aulas haviam retornado mais rápido do que você conseguiria dizer “Prova surpresa”, e os rapazes voltavam a estudar em escolas diferentes.

No entanto, assim era mais comum de marcar saídas em grandes grupos com o pessoal do Colégio Alternia – geralmente, Dave chamava Rose, Kanaya, Karkat e Terezi para um filme, mas de uns tempos para cá começara a incluir John e Jade. Eles haviam voltado a andar grudados, como irmãos, observou Dave.

A matéria do 1° Ano do Ensino Médio era puxada. O sardento se via frequentemente atarefado, e por isso mesmo agradecia muito quando o irmão lhe fazia o favor de deixa-lo em paz para convidar o namorado para ficar com eles no fim de semana.

Bro também estava se acostumando. Não mais incomodava os dois com perguntas bobas ou apenas sua presença desagradável, nem irrompia no meio dos adolescentes com fotos vergonhosas de Dave quando era bebê. John sempre ria anasalado e depois dizia que tudo bem, estava se divertindo. Mas o loiro tinha quase certeza de que estava tão desconfortável quanto ele.

A agenda das crianças havia mudado completamente. E, pelo visto, suas vidas também: muitos deles haviam mudado radicalmente ou passado por experiências malucas durante as férias de verão. Por exemplo, Eridan Ampora e Sollux Captor agora estavam juntos.

Sim. Não foi um erro de digitação. Eridan, aquele Eridan, aquele famoso Eridan Babaca Ampora estava atualmente saindo com Sollux Nerd dos Computadores Captor. Saindo. Tipo. Estavam num relacionamento. Romântico.

Ou deveria ser romântico, na verdade o que eles mais faziam era discutir e trocar ofensas, e fazer as pazes logo depois com um beijo molhado. Era quase nojento de se olhar. Mas bem, como questionar o amor?

Na verdade, a saída do armário de John e Dave (de uma maneira bem incomum, diga-se de passagem, e não bem o que o Strider tinha planejado para o momento, sendo que Vriska que espalhara a notícia a seu próprio jeito) tinha quase criado uma reação em cadeia em seu grupo de amigos. Primeiro foram Eridan e Sollux, depois Gamzee dando em cima de Tavros bem mais descaradamente, e agora Karkat que corava de uma maneira engraçada quando o supracitado Gamzee chegava perto. Nepeta andava murmurando algo sobre um triângulo amoroso, pelos corredores da escola.

Mas voltando ao assunto principal, a escola era difícil e os sábados eram como uma brisa fresca entrando pela única janela aberta do ônibus em horário de pico. E Dave havia reservado aquele, em especial, para receber John em sua humilde moradia para uma partida amistosa de Call Of Duty.

Também conhecida como berrar compulsivamente para um videogame durante horas.

E no entanto, nada estava indo como o loiro planejara; era sempre Dave que começava os beijos. E isso começava a incomodá-lo.

Quer dizer, seria legal se John fosse o primeiro a beijá-lo pelo menos uma vez. Era sempre Dave a ficar todo touchy-feely para cima do namorado, e às vezes parecia que John nem sequer queria contato. Quando estava concentrado em um videogame, por exemplo, ou conversando com outra pessoa no Pesterchum. Mas caramba, era pedir demais querer ficar um pouquinho grudado nele enquanto fazia outra coisa?

E foi numa dessas ocasiões em que Dave se jogava em cima de John para beijá-lo, que o moreno o afastou bruscamente com uma mão no rosto, reclamando:

–Agora, não, Dave!! Estou quase...!

Dave projetou o lábio inferior para a frente, frustrado. John estava jogando há horas, por que não deixava o joystick de lado por uns minutos e dava ao namorado um pouco de amor? Era o que o loiro queria dizer, mas não queria parecer carente demais.

–Ah, qual é, John –ele afastou a mão do outro e colocou as duas mãos no sofá, inclinando-se na direção do rapaz- Vamos fazer um trato: Se você me beijar primeiro uma vez, só uma, eu nunca mais te incomodo com isso de novo.

John suspirou profundamente, ainda sem tirar os olhos do jogo, até abaixar o joystick devagar.

–É sério? –olhou na direção do namorado, que assentiu com a cabeça. John deixou o controle de lado, afinal, e se ajeitou no sofá para segurar o rosto do namorado com as duas mãos. Se aproximou, fechando os olhos, para apenas um beijo rápido nos lábios, mas tampouco uniu suas bocas, Dave lhe agarrou os pulsos.

E John meio que entrou silenciosamente em pânico.

Dave puxou suas mãos, empurrando-o na direção do sofá, aprofundando o beijo bruscamente e dando a John apenas tempo para gritar mentalmente.

Demoraram-se. Pelo canto do olho, a televisão exibia uma tela de “VOCÊ PERDEU” que quase feriu os sentimentos do Egbert. Mas, bah. Tinha coisas melhores no que se concentrar.

Deu sua porcentagem diária de atenção a Dave. Quando o loiro finalmente se deu por satisfeito, se esticou sobre o colo do namorado, como se fosse o dono da casa. Era, mas isso não vem ao caso.

–Ah, não, sai. –John começou a empurrá-lo, rindo- É sempre você que fica todo confortável, namoro é um jogo a dois, Dave!!

–Mas a justiça do sofá funciona de acordo com as vontades do dono do sofá, que no caso sou eu. Então se aquieta –retrucou Dave. Levaram-se alguns minutos de empurrões e argumentos fracos dos dois lados até que o loiro concordasse em trocar de posição por puro cansaço; agora, era John que descansava sobre suas pernas dobradas, sorrindo confortável. Quando entrelaçou seus dedos da mão, Dave aceitou silenciosa e passivamente em continuar naquela posição o quanto o moreno quisesse.

–Sabe, cara –o moreno abriu a boca, Dave se limitando a admirar os olhos azuis do namorado enquanto este falava- ‘Tô só dizendo. Mas você é mais gay que eu. Tipo, numa escala de Um para Gay, é você bem aí, bem no final do espectro. E também, você me beijou primeiro, então caso encerrado.

O sardento riu. Tinham o estranho costume de fazer essas coisas. Competir. E, do nada, um deles sempre propunha um tópico para uma discussão nada séria. E o outro ia na onda.

–É –concordou o Strider, usando a mão livre para afundar os dedos nos cabelos escuros do rapaz abaixo de si- Mas quem foi que me beijou logo depois, hein, Sr. Policial? Isso é passação de mão excessiva com um suspeito que está cruzando alguma provável linha totalmente falsa no código de conduta.

–Você é mesmo um criminoso ardiloso, Dave.

John estava rindo. Dave riu também.

–O que posso fazer? –o loiro murmurou, a boca quase fechada- É a minha natureza.

Fechou os olhos quando John esticou a mão direita para lhe retirar os óculos, e deixou-se ser beijado. O moreno ficara melhor nisso. E mais confortável com o fato, também.

Apesar de que ainda corava e não sabia como agir quando Dave agia excessivamente gay com ele, era uma reação fofa, e além do mais ele cedo ou tarde retribuía o susto. Surpreendia o namorado com um beijo estalado no pescoço ou um abraço por trás, e Dave confessava que sua reação nunca era apenas surpresa, mas sempre positivamente surpresa. Em ver que John estava mais confortável com ele, e com a própria sexualidade, e aos poucos mais seguro de afirmar que era bissexual e estava namorando um garoto. Que amava um garoto. Dave sentia a necessidade de derrubar três paredes na base da porrada só para recuperar a masculinidade, quando John sorria e dizia com tanta certeza que o amava.

Quando o beijo acabou em um som molhado de estalo, John sorriu bobamente com aqueles dentes salientes. Voltou a se recostar e fechou os olhos. Suspirou, feliz.

Dave sorriu de canto e alcançou os óculos abandonados no canto do sofá, voltando a coloca-los. Não precisava deles dentro de casa, mas gostava de parecer descolado e inalcançável quando John estava com ele.

Assumia, secretamente, que ainda queria impressioná-lo, às vezes.

Ficaram em silêncio por um tempo. O jogo havia sido esquecido, e John se preocupava apenas em respirar, enquanto Dave namorava seus cabelos escuros e bagunçados. John não cuidava muito bem deles, e por isso não eram macios como os seus...mas ah, o que importa? Dave os amava mesmo assim.

Demorou quase quinze minutos para John finalmente se pronunciar. E parecia até um pouco incomodado ao fazê-lo:

–Um...Dave?

–Hum?

–Sabe...a gente...tá namorando há quatro meses, quase.

–Hum.

–E a gente se conhece há anos.

–Hum.

–E já fizemos muita coisa juntos.

–Hum-rm.

–Mas eu... –John estava ficando vermelho- Acho que...sei lá, devíamos...

Aonde ele estava tentando chegar? Dave agora estava prestando 100% de atenção, embora os óculos escuros escondessem seus olhos arregalados.

–Devíamos, ah...subir...um...degrau?

–Quê.

–Na nossa relação –John ergueu os olhos- Sabe? Subir, uh...o que eu quero dizer é...você sabe o que eu quero dizer. –corou mais ainda, se é que isso era possível.

–A julgar pelo vermelho das suas bochechas, assumo que quer fazer coisas impróprias comigo. –ergueu uma das sobrancelhas.

–Bem, é. É isso.

Primeiro o cérebro de Dave deu um pane, depois seu rosto ficou gelado. Então as orelhas pareceram entrar em combustão espontânea, e Dave apertou a mão do namorado.

–Espera, tá falando sério?

–Tô –John se sentou, fazendo um claro esforço para o olhar nos olhos- Eu não brincaria sobre isso.

–Então, você...você quer fazer?

–É.

–Quer fazer aquilo?

–É.

–Aqui e agora?

–É!

Dave teve que soprar com força para se livrar da surpresa. Passou a mão livre nervosamente pelos cabelos. Caramba! Nunca nem se atrevera a acreditar de verdade que John algum dia iria...quer dizer, não tão rápido. Tudo bem que se conheciam há anos, mas estavam saindo há apenas três meses.

–Eu—eu não vou contestar –disse o loiro- Mas você acha mesmo que...? Quer dizer, é um passo grande. Significa uma intimidade bem maior.

John revirou os olhos.

–Dave, você tá fazendo drama. Vamos só...olha. Relaxa. Tá bom? Não vou fazer nada que você não queira... –ele se aproximou.

–Mas eu quero –confessou- Muito.

Se aproximou ao mesmo tempo. Estavam há centímetros um do outro, agora.

–Então foca em mim –a voz de John não passava agora de um sussurro- E esquece todo o resto.

Notas finais
Queria primeiro agradecer todo mundo que ainda deixa reviews. Vocês são uns doces :³ Lembrem de escrever suas sugestões, pedidos, opiniões e especulações! Piadas bestas são bem vindas. Deem força à essa autora preguiçosa a postar próximos capítulos, e kissus~