Aquele que já se foi

10 1° Fase: Rumour has it


Era final de semana. Dia de sol e diversão, de dia um agradável sol da manhã pode lamber a pele deliciosamente, casais vão aos parques, crianças correm de um lado para o outro nas ruas, o final de semana é normalmente as semanas preferidas de alguém. Era assim para Taylor também, podia finalmente sair da lanchonete gordurosa e ir para algumas festa para passar o tempo. Ela nunca pensou que o dia da semana preferido dela iria para o inferno.

Algumas horas. Algumas horas se passou desde que Seth mandou aquela mensagem para ela. Algumas horas. Taylor não se lembra do que aconteceu, tudo era muito vago em sua mente, as lembranças chegavam em sua mente esticando-se feito borracha. Lembra-se de comer e de ir ao banheiro, nada mais. Acho que talvez o garoto dos olhos de uísque almiscarado de avelã veio a visitá-la, quanto tempo que não o via. Sentiu sua falta. Ás vezes sonhar é a única alternativa. Ou a melhor.

Talvez tenha feito alguma coisa interessante ou a companhia tenha tocado... Quem saberá dizer?

A única certeza que ela realmente tinha era de pensar algo como “Mas que borra é esta?” e depois tudo embaralhava. Taylor tinha uns cortes na mão que estava enfaixada cuidadosamente e por incrível que pareça alguém até colocou seu “pijama”, uma blusa de banda antiga e calças de moletom, já que ela não se lembra de ter feito.

Taylor acordou pensando logo numa forte dor de cabeça que viria, mas não veio. Estava em seu quarto quando alguém irrompeu seu quarto e estava dizendo “bom dia”, em suas mãos trazia uma bandeja de café da manhã, aquele ato só podia ser de uma pessoa e essa pessoa era a que ela realmente confiava.

– Oh Jesus, não acredito... É mesmo você Violet?

Taylor pulou da cama ao ver sua amiga materializada ali mesmo em seu quarto. Violet estava de volta!!!!! Sua melhor amiga voltou e no meio de um caos ali estava sua amiga de infância.

– Sim Tay, estou aqui, voltei. – Violet depositou na mesa a bandeja de frutas com algumas outras coisas para Taylor.

Violet abraçou a amiga como sempre fazia quando eram menores. Violet era mais velha que Taylor e sempre sentiu que tinha o direito de protegê-la.

– Ai Jesus Cristinho, como minhas mãos doem.

– Ah claro, o que você queria que acontecesse depois de você dar um soco na janela?

– Oque? Quer dizer... eu soquei uma janela? Por que faria isso?

– Bem, era isso que eu esperava que você me respondesse... Mas primeiramente, vamos comer.

Taylor voltou a se sentar em sua cama com Violet ao seu lado. Violet realmente era uma pessoa de quem se admirava, sempre cuidando dela e consertando as besteiras que ela sempre fazia. Dessa vez ela preparou uma bandeja com cerejas e pães de queijo. Nada melhor.

– Agora que já estamos comemos, poderia me contar o que aconteceu ontem? Não lembro de muita coisa...

– Olha, não sei o que realmente aconteceu, sei que estava voltando do campus, liguei para te avisar antes, mas você não me atendia, então resolvi deixar para lá. Quando cheguei aqui você estava bêbada, muito bêbada, acho que não dei muita ênfase de bêbada. Quando digo que você estava bêbada, não digo que estava somente bêbada. Digo que estava muuuuuuuito bêbada.

– Ok, Violet, já entendi. Prossiga.

– Então... Você me recebeu e quase me jogou no chão de tanto peso no abraço que me deu. Logo depois ficou murmurando coisas sem sentido, jogou a garrafa de seilaoquê na parede e quando foi pega os cacos cortou os dedos, logo após você surtou e esmurrou a parede e começou a falar algo sobre o Seth, mensagens e “cretino”. Tive que acalmá-la e enfaixar sua mão. Depois você se isolou e tive que te dá um xanax para dormir.

Como um interruptor, algo se acendeu dentro dela ao ouvir o nome de Seth. Seus neurônios começaram a processar tudo muito rápido e ela nem conseguia pronunciar uma palavra. Lembrou-se que ia se deitar e alguma mensagem chegou até ela. “Você foi uma bela diversão” “Seja lá o que aconteceu entre nós... Está acabado”

CACETE NENHUM!!!

Lágrimas não derramadas queimou em seus olhos, quem era ele para terminar com ela por mensagem? Cretino. Precisava de uma resposta.

Taylor começou a andar de um lado para o outro, estava inquieta.

– Ahn, acho que esta é a parte em que você me conta o que está acontecendo. – A voz de Violet irrompeu seus pensamentos acelerados.

Taylor não disse nada. Apenas jogou o celular na direção da amiga. Ficou de costa para ela enquanto a própria lia a mensagem.

– Puta merda.

Taylor não reagiu.

– E agora? O que pretende fazer?

Conforme Taylor não respondia seus comandos, ela falou de novo.

– Taylor você está bem?

– Não sei Violet. Não sei. Não sei nem que merda está acontecendo, está tudo confuso. Preciso de respostas. Isso deve ter sido coisa do pai dele.

– Quê? Como assim?

– Ah Violet, você realmente fez falta.

Taylor tornou a desatar sobre os relatos da semana e claro, sobre o cafetão. As expressões de Violet mudava conforme ouvia as barbaridades, aquilo tudo era inaceitável de incrivelmente louco.

– Não posso ficar aqui me corroendo sem saber o que realmente ouve, preciso sair Violet.

Com isso Taylor entrou no banheiro e fechou a porta.

***

Na noite passada

Clarissa sentia muito frio, aquela cidade bolorenta a noite só faltava nevar, mas era impossível já que esta mesma se localizava em um deserto.

“O inferno é gelado”

Clarissa se lembrou dessa citação que leu uma vez em algum livro qualquer e por coincidência este termo se encaixava perfeitamente para esta cidade. Ela apertou o treench coat e acelerou o passo.

Andando pelas ruas ela chegou a uma casa térrea com decoração antiga e feita de pedra. Nada grotesco, até confortável, aliás, esta tinha sido sua casa. Ela já tinha a chave, sempre vinha visitar o irmão que vivia adoentado. O pobre garoto tinha uma saúde muito delicada e sua irmã sempre zelava por ele.

Ela entrou no recinto e logo sentiu o cheiro de casa e de biscoitos caseiros que Catarina sempre fazia. Tirou o casaco e pendurou no cabide, depositou suas chaves em um pote ao lado e chamou por Catarina.

James ouviu a voz da irmã e logo veio correndo em sua direção.

– Cla, você veio, você veio. – disse o garotinho que tinha um lençol amarrado no pescoço fingindo ser uma capa. O menino se jogou nos braços da irmã que já estava de braços abertos para recebê-lo.

– Oi meu amor, claro que vim, não podia faltar. – Clarissa amava tanto seu irmão, não sabia definir isso, sempre fez as vontades do garoto, dava sua alma para salvar o garoto.

– Ainda bem, mamãe fez aqueles biscoitos de chocolate. Venha. – James arrastou Clary para cozinha onde estava Catarina tirando as assadeiras cheia de biscoitos caseiros. A mãe ao ver Clarissa entrando na cozinha, a saudou.

– Olá Clarissa, como vai?

– Ah, oi Catarina.Vou bem e você?

– Igualmente

Clarissa se sentou na mesa enquanto James corria pela casa fingindo ser um super-herói. A menina aproveitou para dar uma olhada em sua mãe de criação. Catarina já estava com bastante fios grisalhos e magra como sempre foi, algumas olheiras acentuava seus olhos castanhos, umas rugas aqui e outras acolá. Fora isso ela continuava sempre a mãe caseira que foi e determinada.

– Cate, como está o James? A saúde dele quero dizer.

Catarina soltou um suspiro.

– Não vou mentir para você Clarissa, ele está bem agora, mas não sei até quanto tempo. Os médicos disseram que ainda precisa fazer alguns exames para identificar o problema dele e começar logo um tratamento.

Clarissa logo ficou desolada, esse era o seu ponto fraco. James. Passou as mãos pela nuca, gesto que Catarina conhecia como preocupação.

– Prometo Catarina, seja qual for o preço dos medicamentos... Eu irei pagar.

– Você sabe o quanto sou agradecida por você pagar os tratamentos do James, sabe que não tenho condições de pagar os medicamentos e zelar a casa.

– Não se preocupe. Aliás você é minha mãe e James é meu irmão e família serve para isso.

As duas se abraçaram. Clarissa quase nunca falava essa palavra “mãe”, desde criança sempre fora assim.

Dos olhos de Catarina saiu uma lágrima que rolou até a ponte do seu nariz, ela enxugou logo e foi para a sala junto com Clarissa.

– James querido, vamos tomar banho.

– Ahhhh, tem que ser agora?

– Sim querido.

– A Clary também pode me dar banho?

Dessa vez foi a voz que Clarissa que respondeu.

– Sim meu amor.

– Clarissa vai lá no meu quarto e pegue uma toalha que está no baú ao pé da cama enquanto preparo a banheira, por favor.

– Ok

Clarissa atravessou o corredor que tinha fotos de Francis e Catarina quando eles eram mais jovens. E mais recentemente a foto dela quando criança e logo depois a do James quando nasceu. Ela terminou de atravessar o corredor verde escuro e foi para o quarto de Catarina.

Tudo era como ela se lembrava. Uma cama de casal de madeira simples, umas luz amarela reguladora e lânguida, um enorme guarda-roupa também de madeira. O quarto de Catarina sempre foi organizado e com cheiro de madeira e sândalo. Ao pé da cama como tinha dito ela, possuía um baú antigo e com algum segredo. Clarissa já sabia qual era a combinação e logo o abriu. Dentro do mesmo tinha diversas toalhas coloridas, mais ao lado algumas roupas antigas e documentos, fora outros objetos que eram de recordação para Catherina. Clarissa queria pegar uma toalha que ela sempre usara na infância, uma de tom vermelho cereja, tinha sempre um cheiro acolhedor e a cor do vermelho era reconfortante. A garota viu a toalha no fundo do baú e teve que tirar todas para poder pegá-la. Enfim encontrando a toalha, ela abriu para poder sentir o cheiro de sua toalha e um medalhão caiu no fundo do baú fazendo um barulho oco.

Clarissa percebeu o barulho oco que fez no fundo do baú e achou muito estranho. Agachou e bateu de novo no fundo do baú e o barulho se repetiu. Tateando o fundo ela viu uma pequena protuberância da madeira invisíveis a quem vê. Através da pequena protuberância ela conseguiu abrir o fundo do baú, uma pequena parte escondida.

“Porque Catarina teria um fundo falso?” Logo pensou a garota.

Aquilo tudo estava soando estranho e a curiosidade de Clarissa a convenceu destampando aquele fundo falso.

De todas as coisas que Clarissa Klaus podia esperar, aquilo superou todas elas. Dentro do fundo falso tinha uma manta azul clarinho, tão claro quanto o céu ao alvorecer. Tinha também uns sapatinhos vermelho sangue de bebês recém nascidos, uma fita vermelha enrolada em alguns fios de cabelo preto carvão com outro loiro platinado, tinha também uma escova de tamanho normal, feita de madeira e de cor azul, ela estava desenhada com algumas flores rosas e as cerdas eram tão macias, além dessas coisas, também tinha um papel, na verdade uma carta enrolada com a fita vermelha e os pedaços de cabelo. Com cuidado Clarissa desatou o nó e tornou a lê-la. Não tinha nada de mais, apenas. Cuide bem dela. Só isso.

Clarissa logo concluiu que aquelas coisas era dela. O manto em que estava enrolada, os sapatinhos vermelho sangue, até os cabelos loiros platinados era o dela, só não sabia de quem era o outro. Deixou o cabelo em cima da cama e percebeu que estava se esquecendo o medalhão. O medalhão possuía uma delicadeza incrível. Ele era todo de prata puro com desenhos de galhos e flores em sua borda, os galhos iam entrelaçando até chegar a uma enorme pedra azul safira que tinha na frente. Alisando o medalhão Clary encontrou uns escritos atrás do medalhão que diziam algo como

“O amor que move o sol e todas outras estrelas”

Com amor, D.M. para S.M.

Quem era D.M. e S.M.?

Questionou a garota curiosa. Logo ao abrir o medalhão tinha uma foto dela ainda bebê, com os longos olhos azuis com de gelo adornado pelos cílios loiros.

– Clarissa, onde está você e a toalha? – A voz de Catarina ressoou pelo quarto e Clarissa logo se agilizou para colocar as coisas de volta no fundo falso e a toalha por cima, porém guardou consigo os cabelos enrolados na fita e o medalhão, se sentia como uma garota que tinha sido pega fazendo algo de errado. Pegou a sua antiga toalha vermelho cereja e saiu do quarto com os turbilhões a mil.

***

Taylor pegou uma jaqueta de couro e logo saiu de seu apartamento. Estava muito inquieta e precisava de resposta do Seth. Ela rodou as chaves nos dedos enquanto ia descendo as escadas, as chaves era da moto de Violet.

Taylor tentou ligar para ele, mas suas ligações não eram retornadas. Por isso que resolveu pegar emprestado a moto de Violet e ir ela mesma ao apartamento dele e ver que borra que estava acontecendo com os próprios olhos.

O apartamento de Seth não era muito distante mas também era muito perto. A barra de seu vestido rosa claro batia contra o vento, ainda bem que botara um short por baixo. O sol batia forte no capacete e deu impulso para Taylor acelerar mais.

Toc toc toc

Taylor bateu três vezes na porta daquele apartamento e esperou. Esperou mais um pouco e nada. Não sairia dali até que encontrasse respostas. Uma hora se passou e nada de Seth. Ele deve ter saído, seila. Duas horas de passaram. Taylor era muito persistente, não desistia de algo com facilidade. Três horas, o sol da tarde já se erguia forte pela cidade bolorenta. Taylor cansou, estava com fome e tinha outras coisas para resolver. Ela decidiu esperar pelo elevador e assim que este abriu seu coração deu um pulo. Ali estava ele glorioso como sempre, sempre ocupando espaço com sua beleza. Seth.

– Olá Seth, acho que precisamos ter uma conversa.