Aquele que conheci na morte.
2 Olhares.
Acordei como antes, meu pijama arrastava no chão, e eu não precisava ir para a escola, parecia as férias de verão, senti o cheiro de café pela casa, e fui até o quarto do Jer, para chamá-lo afinal, ele não pode dormir tanto assim. Abri a porta pesada de madeira, fechei os olhos e sai correndo em direção a cama, para pular em cima dele. A cama estava vazia. Não, Jer ?
"Tia Jenna, cade o Jer ?"-gritei como uma criança lá de cima, mas, onde estava a Tia Jenna, ela não respondia, "Tia ?", desci as escadas afobadamente, e cai no penúltimo degrau, e o cheiro de café vinha da máquina de café, programa... Na geladeira, um bilhete:
"Delegacia, não LIGUE, Beijos Titia."
Mas por que a Tia Jenna foi na delegacia, o que tinha de errado, será que ela queria deixar de cuidar da gente.. De mim. Eu me esquecia do luto, passou a ser algo tão natural, acho que eu já estava no estado de negação, mas tudo era tão instável, como uma pena, quando parece que ela vai parar de planar, vem uma brisa, e deixar ela mais no alto. Minha agonia, minha garganta coçava como nunca antes, meus olhos lagrimejavam, o que fazer ? Não tinha como ligar para a polícia, o desespero me consumia, comia minha alma como um pedreiro faminto como um bife.
A cachoeira que se fazia em meus olhos eram aconchegantes, o gosto de sal na minha boca me fazia perceber que ainda estava viva, a dor que eu sentia me deixava viva, e em alerta.
Fui para o andar de cima, abri a porta do quarto de Jer, deitei em sua cama, e pude apreciar o teto que ele apreciava, no momento de sua morte. A morte de Jer não tem uma explicação, por que alguém com 16 anos tinhas que morrer ?? POR QUE ?
Aos poucos pude sentir a água indo embora, meus músculos relaxavam como nunca antes, e meu coração, quase a zero, um encontro rápido com a morte, que durou mais ou menos cinco segundos. Pude ver minha vida inteira, me lembro somente das partes que choro, posso resumir minha vida assim....
Desperto do devaneio como telefone. Tia Jenna. Desci as escadas, e como sempre, caí no primeiro degrau, Tia Tia !!!!
"Alô ?"-falei com um tom de esperança.
"Elena? Elena?"- era a a Tia Jenna, meu Deus.
"Tia, o quer houve tia? "- desespero.
"Elena, saia dessa casa agora, Elena, saia daí"- a voz dela estava falhando, não conseguia respirar, o que esta acontecendo.
"Elena, não fale com ninguém, saia daí !"-desligou.
O que esta acontecendo ?? Por que eu tenho que sair, a voz da tia estava muito estranha, comecei a chorar de novo, e andar pela casa, minha calça caia, não tinha me trocado ainda, meu Deus !!!! Precisava falar com alguém, como sair assim do nada, para onde eu vou, e as minhas economias ? Reservei para a a faculdade. Minha vida estava sendo demolida, a morte do Jer foi como uma bola de demolição.
Precisava falar com alguém.
Stefan. Stefan sim é a pessoa certa, mas como eu ia falar com ele, ele era conhecido do Jer.
Subi as escadas, novamente, e desta vez, não olhei o chão, abri as gavetas do Jer, me desculpe Jer, e encontrei o telefone de Stefan Salvatore, no meio de papeis com números, muito números.
Disquei. Atendeu.
"Alô"- a voz dele tinha engrossado.
"Stefan? Oi é a Elena."- a gente já tinha se beijado.
"Elena! Como esta ? "- a animação dele me irritava.
"Stefan, é preciso de sua ajuda, você pode vir aqui em casa?"-tentei ser o mais convincente possível, não queria parecer desesperada para ele.
"Estou indo, beijo."
Stefan e eu, eramos mais que amigos, mas isso nunca prejudicou sua amizade com Jer, que até nos apoiava, eu não estava preparada para um relacionamento, e minha mente estava muito ocupada, com o sumiço de Jenna, e com os olhos azuis. Como eu queria os olhos azuis.
Stefan chegou, e nem bateu na porta, entrou, eu estava na cozinha, ele me segurou na cintura, tive um momento de excitação, estava sozinha, queria um carinho, mas não, agora não.
" Cade o Jer ?"-ele perguntou sorrindo, como ele não sabia, certamente deveria estar fora da cidade.
"Ele morreu."-disse secamente, sem qualquer expressão, apenas ódio, ódio, muito ódio, Jer era meu guia, a razão de ser alguém, ele era tão pequeno, e como ja sou maior de idade, queria cuidar dele, como uma família.
Stefan não disse nada, apenas me abraçou, afoguei meu rosto em seus músculos, nossa, como ele tinha crescido, ele não aparecia ter mais 16 anos.
"Stefan, a Tia Jenna, que cuidava de mim e do Jer, esta em perigo,não sei o que fazer."- disse, meus olhos eram arregalados, e os dele verdes.
"Vamos achá-la, temos que esperar mais um dia para poder dar queixa, certo?"- ele estava tão calma, como conseguia, eu assenti. Fomos juntos até o quarto do Jer, e ele ficou apreciando os livro que Jer lia, Stefan era o único que não fumava no grupo de amigos, Jer fumava um pouco, eu me preocupava, mas agora ele esta morto.
Ele fechou as cortinas, e o quarto ficou mais escuro, era meio dia ainda, mas a fome não reinava em mim, apenas a angustia. Andou até mim, eu estava sentada na cama, segurou meu queixo,se curvou e me deu um beijo macio, muito macio, pude sentir seus dedos escorregando até minha cintura. Ele parou, olhei em seus olhos, eram verdes lindos, seu cabelo castanho, ele era lindo. Eu levantei, acariciei sua nuca, e roubei um beijo.
Stefan e eu eramos perfeitos. Uma perfeição triste. Mas perfeita.
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