Hoje eu me peguei lembrando de você,

assim como ontem, antes de ontem, assim como lembrarei amanhã, e depois de amanhã como se fosse ontem.

Em meio aos pensamentos, me lembrei do seu cheiro — um cheiro doce, mas nada enjoativo. Me veio também a lembrança da sensação ao senti-lo pela primeira vez; havia me convencido de que seria a primeira coisa que iria comprar só para ter aquele cheiro todos os dias. Mas não seria a mesma coisa, pois nem sempre o cheiro é apenas o cheiro, entende? Às vezes, o que faz aquele perfume, aquele cheiro ser o que é, é a pessoa que o está a usar.

Tenho certeza de que o frasco não tem a mesma fragrância, não tem o mesmo sentimento. Talvez seja, sim, a pessoa. Então, tenho comigo um frasco incrivelmente cheio, mas sem o sentido, sem a vontade de querer senti-lo, porque é apenas um frasco cheio, mas vazio de sentimento.

Aquele cheiro virou uma boa memória.

Aquele cheiro virou um estou aí mesmo sem estar.

Aquele cheiro virou um esqueci de te esquecer.

Aquele cheiro virou um não era pra ser.

Aquele cheiro virou um você de mim não sai.

Aquele cheiro virou um café com leite.

Aquele cheiro virou um jogo do amor.

Aquele cheiro virou um faz de conta.

Aquele cheiro virou um tô de cara com você.

Aquele cheiro virou um falando sério.

Aquele cheiro virou um meu destino.

Aquele cheiro virou um brinde ao nosso amor.

Aquele cheiro virou um te vivo.

Aquele cheiro virou uma boa memória.

Aquele cheiro virou um te esperando.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!