Notas iniciais
Marina e Taynara disseram que o que Colin fez nesse capítulo não foi grande coisa, mas, se vocês pararem pra pensar, foi sim. [Mais uma vez] Ele salvou a vida de alguém. Imagina se ele não tivesse feito isso e esse alguém morresse? °-° Enfim, pra quem está boiando:

Algo estava errado, muito errado.

Primeiro: Quando aparatamos em outro lugar, ao invés de ter um pouso calmo como em todas as outras vezes, caímos de cara na terra de uma estrada rural. Isso rendeu vários arranhões, mas isso é o de menos.

Segundo: Estávamos em um lugar completamente estranho, como se tivéssemos saído dos Estados Unidos e ido para a África. Isso não era possível, era? Eu nunca tinha visto essa parte de Chicago nas fotos.

E por último, mas não menos importante: Alguém gritou.

Olhei ao redor, seguindo o som do grito, então percebi que só estávamos eu, Julieta e Colin ali.

— Cara… pra onde foi a… — comecei a falar, então eu percebi. O grito viera de Louise.

— Olhe lá — Colin apontou pra uma trilha de areia na qual alguém, ou seja, Louise, tinha sido arrastada.

— Vamos, cara — levantei e corri em direção à trilha, mas ouvi um pigarreio. Virei e vi Julieta com metade do corpo embaixo da grande barriga peluda da Sra. O’Leary.

— Uma ajudinha aqui seria legal — ela tentava se desvencilhar da cadela, o que só fazia prendê-la mais.

Peguei um pouco de carne enlatada que tínhamos armazenado da casa de Ed, Garn e Anastasius. Duraria um pouco, mas logo, logo teríamos que nos abastecer novamente. Ofereci a carne à cadela, que quase imediatamente deu um pulo, libertando Julieta e quase arrancando minha mão com uma mordida.

— E agora, vamos? — falei, impaciente. Afinal, era Louise quem tinha sido pega.

Eles assentiram e nós corremos, seguindo a trilha, a Sra. O’Leary logo atrás.

Chegamos em uma clareira, e eu não acreditei no que vi.

Louise estava toda ensanguentada, com as roupas rasgadas e penduradas pelos braços em uma árvore. Imediatamente meu sensor de pânico começou a palpitar. Olhei para os dois, eles também pareciam chocados, mas Colin parecia estar… analisando a situação. Ela não conseguia falar, mas abria a boca em uma súplica por socorro.

Corri em direção a ela, mas Colin me segurou pelo braço. Tentei me soltar dele, mas, apesar de magricela, ele era forte.

— Me solte, eu tenho que...

Ele pegou uma pedra do chão, e apontou na direção dela.

— Cara, pare com isso! O que você está fazendo? — completei a frase que não consegui pronunciar antes.

Mas ele já tinha jogado a pedra. Achei que ele acabaria de matá-la, mas a pedra atravessou a imagem dela e parou no chão. A pedra afundou. A grama, na verdade, era areia movediça.

— Você é louco? E se fosse ela de verdade? — falei, com raiva.

— Acabei de salvar sua vida, cara. De nada.

— Como sabia que não era ela? — perguntou Julieta, confusa.

— Ela estava usando a camisa do Metallica.

Olhei para a camisa rasgada da miragem de Louise. As letras ‘’AC/DC’’ ainda estavam visíveis através dos rasgos.

— Obrigado — falei, quase inaudivelmente.

— O quê?

— Obrigado — agora um pouco mais alto.

— Ainda não te escutei.

— Obrigado! — gritei.

— De nada! — ele gritou de volta.

E, por alguns motivo, começamos a rir. Rimos até que outro grito emanou de algum lugar. Corremos, seguindo o som.

Chegamos em um velho casebre no meio do nada. Parecia prestes a cair a qualquer momento. Temendo uma outra miragem, joguei uma pedra contra o casebre. A pedra bateu na parede, abrindo um buraco. Entramos na casa apressadamente, e nos deparamos com uma figura encapuzada sentada na cadeira, com um braços cruzados, como se esperasse a gente.

— Ainda bem. Achei que iam demorar o dia inteiro.

— Cadê a Louise?! — perguntei.

— Ah, sua namoradinha? Eu qualquer lugar… em lugar nenhum — ela falou com um sorrisinho no rosto. Depois, chacoalhou a mão, e Louise apareceu na nossa frente, também sentada em uma das cadeiras que circundavam a mesa de mármore.

— Então você domina a névoa… — Colin falou.

— Sim, cria de Atena. Também domino outras coisas, se quer saber. Como por exemplo… aqueles semideuses em Ohio. Como era mesmo seus nomes? Amendoim e Garnier, acho. Também tinha outro… como se chamava mesmo?

— Gabriel — disse Julieta, com raiva, — Edward...

— E Anastasius — eu e Colin falamos em uníssono.

— Então vocês estiveram com eles?

— Então você prende eles?

Ela levantou e tirou o capuz. Os cabelos loiros reluziram, eles estavam muito bagunçados, como um ninho de ratos, parecidos com os de…

— Então, se vocês foram pra Columbus — ela falou, os olhos ora azuis ora verdes nos encarando com uma certa diversão —, se encontraram com Luna.

— Claro… — Colin falou, como se tudo fizesse sentido agora — O capuz, os cabelos bagunçados, a Louise de névoa… Você também é filha de Hécate... e você também escolheu o mal.

— Porque é mais divertido — ela deu uma risada estrondosa. — E, aliás, que graça tem ficar ajudando os outros e bla bla bla? — apontou a mão para Louise, que permanecia sentada, imóvel. — Dor e sofrimento. Essa é a verdadeira diversão — ela fechou o punho, e Louise, ainda imóvel, emitiu um som de asfixiamento.

— Quem é você? Deixe ela em paz! — gritei.

— Calma aí, cria de Poseidon. Você, semideuses, são muito exaltados. E, bem…eu posso deixar ela ir... quem sabe se vocês tiverem um pouco de sorte.

Mais um movimento da mão dela, e uma tigela de vidro apareceu em cima da mesa. Dentro da tigela, dois papéis.

— Em um, tem escrito ‘’vida’’, em outro, ‘’morte’’. Se você escolher o de vida, podem levá-la, Juro pelo rio Estige que podem — fez um gesto vago para Louise —, se escolherem o outro… bem, já sabem o que acontece.

Ficamos algum tempo só olhando para a tigela.

Eu não tenho o dia todo, sabia. Vão… ou não? — ela apertou o pescoço de Louise novamente. Eu avancei um passo, mas Colin me parou.

— Confia em mim? — ele perguntou.

— Não muito — respondi.

— Vai ter que confiar.

— Vou, é?

— Dylan, cale a boca.

Eu não falei nada. Ele se aproximou da tigela. A Sra. O’Leary, pelo seu tamanho, não pôde entrar na casa, então tinha ficado do lado de fora, e agora estava latindo. Colin analisou bem os dois papéis, e depois de alguns segundos, escolheu um. Não o abriu, segurou-o na mão.

— Como é o seu nome? — ele perguntou à bruxa.

— Pra que você quer saber? É só abrir o papel.

— Como é… o seu nome?

A bruxa revirou os olhos.

— Meu nome é Talassa. Vai escolher ou não? — ela tinha um brilho nos olhos, parecia que esperava por alguma coisa.

— Pegue o outro papel.

— Por que eu faria isso?

— No que isso muda o resultado?

Ela revirou os olhos mais uma vez e pegou o papel.

— O que tem escrito no papel? — Colin perguntou.

— Colin, só abra o papel. Vai ser mais rápido — falei, com medo do resultado.

— Cale a boca, Dylan — Julieta parecia ter entendido o que ele ia fazer. Eu, naturalmente.

— Vamos, Talassa. O que tem no papel?

— ‘’Morte’’.

Colin deu um sorriso.

— Então no qual eu estou segurando tem ‘’vida’’.

Garoto esperto. Garoto muito esperto.

Talassa fez uma cara de surpresa absoluta. Por essa ela não esperava. Eu segurei o braço de Louise.

— Solte ela. Você jurou pelo rio Estige.

— Sim, eu jurei que soltaria ela, mas não jurei que soltaria… vocês.

— Julieta, o cajado! — Colin gritou, e ela imediatamente entendeu a mensagem. Correu até o canto do casebre, onde uma vassoura e um cajado, quase igual ao que Luna tinha — ou tem — descansavam escostados na parede. Pegou o cajado no mesmo momento que Talassa estendia a mão pra mim, me paralisando também.

— Eu ainda tenho meus truques sem o cajado.

A Sra. O’Leary, vendo o perigo, não se aguentou, e pulou para dentro da casa com tudo, destruindo a maior parte. Julieta apontou o cajado para a cara de Talassa. Louise, já liberta, disse:

— Solte ele.

Ela permaneceu me prendendo nas mãos dela, apertando minha garganta.

— E o que você vai fazer? Só é imune aos meus feitiços.

Julieta apontou o cajado pra parede que ainda sobrou e, uma fração de segundo depois, um raio amarelo saiu do cajado e atingiu a parede em cheio, que depois não passava de um enorme buraco.

— Solte…ele — repetiu Louise, sorrindo em agradecimento para Julieta.

Ela me soltou.

— Não ache que me intimida com o cajado, semideusa. Você não pode fazer mal a mim com ele. Só vou deixar vocês para a líder. Ela vai usufruir mais. Eu já tive muita diversão aqui.

Vendo que não podia atingi-la com sua própria arma, Julieta resolvou tentar usar a arma contra ela, mas de outro jeito. Segurou o cajado com as duas mãos, uma em cada ponta, levantou o joelho, e colocou o cajado no alto, pronto para quebrá-lo a qualquer momento.

— Não… faça… isso, você não sabe o quanto seria difícil arranjar outro desses. Eu já lhe dei o que queria.

— Não deu tudo — subiu mais o cajado. — Solte os semideuses em Columbus.

— Ah, sem essa. Do que eles valem pra você?

Ela bateu o cajado contra o joelho, e uma pequena rachadura apareceu.

— Tá, tá. Juro pelo rio Estige que vou soltá-los. Agora vá — ela chacoalhou a mão novamente, e Louise tinha voltado ao normal.

Joguei o cajado pela janela, e Talassa foi correndo buscá-lo.

— Vá semideus! Corra direto para o caminho do sofrimento e da morte!

Me aproximei de Louise.

— Você tá bem? Ela fez algo com você?

Ela me abraçou, o que eu levei como um ‘’está tudo bem agora’’. Depois abraçou Colin e Julieta. Então ela pudera ver e ouvir tudo o que estava acontecendo.

— Temos que ir — ela falou, as bochechas parecendo duas maçãs.

Mas, assim que ela disse isso, a imagem que eu via começou a revirar, como se eu estivesse entrando em outra daquelas visões de Luna, mas eu não parecia estar entrando… parecia estar saindo. O casebre agora era uma casa, iluminada pela luz do sol, já que estava toda quebrada.

Saímos pelo buraco, e eu assobiei para a cadela, que veio correndo conosco. Mas, antes de sair, eu vi algo peludo no chão de onde um dia fora a sala da casa. Não podia acreditar no que eu estava vendo.

— Dylan, o que está fazendo? — disse Julieta. — Temos que ir. Agora.

— Ela tem razão — disse Colin.

— Só um momento, calma.

Eu peguei minha mochila, e tirei o ursinho de Luna, que eu decidi não jogar no lixo, porque, um dia, eu o colocaria no túmulo dela. Um detalhe que eu esqueci de lhes contar: uma perna do ursinho tinha sido arrancada de lá, e como vocês já devem ter adivinhado, foi a perna dele que eu achei no chão.

— O que foi? — perguntou Louise.

— Estamos na casa que Luna nos mostrou — e, para provar minha tese, mostrei o ursinho e a perna para todos. — O pai de Luna morreu aqui.

Eles pareciam chocados.

— Não faz diferença — dei de ombros, e subi na cadela. — Vocês vêm?

— Pode crer — disse Colin, subindo.

Louise e Julieta também subiram.

— Acha que eu vou desistir? — perguntou Louise, em tom de desafio.

— Team DJCL! — gritou Julieta. Eu senti uma pontada por causa do “M”, mas sorri por causa do “C”.

— Ei, Colin — falei. — O que tem nesse papel aí? — apontei para o pedaço de papel que ela ainda segurava.

Colin desdobrou-o.

Assobiei, e nós viajamos. Enquanto isso, a imagem rodopiava em minha mente. A palavra era de uma intensa tinta preta.

Morte.

Notas finais
Pra quem não entendeu direito o que ele fez: Talassa colocou dois papéis numa tigela, certo. Depois, disse que em um deles havia "vida", e em outro, "morte", o que ela não jurou, ela só jurou que se Colin tirasse "vida", soltaria Louise. Então, tendo uma ideia do que ela pretendia fazer, Colin fez Talassa ler o que tinha no outro papel, então, como ela disse que havia "vida" em um e "morte" em outro, e como no papel que sobrou tinha "morte", Colin falou que no dele só era possível que tivesse "vida". Foi bem inteligente, pra mim. Vocês vão entender melhor depois. E pra quem sabe, (e quem não sabe) acabou a parte 1 da fanfic. Por isso que o final foi centralizado e tal. E eu vou dar uma parada pra preparar a parte 2 e tal, porque na versão antiga eu só tinha escrito a parte 1 ;-; mas, nesse tempo, vocês não vão ficar vagando por aí, eu vou tentar fazer umas coisinhas pra vocês entenderem melhor como todo mundo chegou ali. E, quando tiver tudo pronto, eu vou voltar com a fanfic propriamente dita. Se alguém tiver alguma ideia pra nova capa, podem comentar, afinal, a caixinha aqui em baixo tá aí pra isso. Até lá :)