Aquele Garoto Estranho.
1 Capítulo 1 - Me Recuso a Sair com Bobos.
Tudo que é imperfeito não é aceito. Eu sempre me esforcei muito para ser perfeita, para ser normal, como todos os outros humanos. So que não dá, sempre acontece alguma coisa ou outra, e eu tenho que rapidinho esquecer essa historia de querer ser humana. Eu nasci da morte de meu criador. Foi numa explosão de laboratório. Ele deu sua vida para que eu pudesse viver. Quando eu tinha apenas 1 dia e poucas horas de idade, ele me entregou para minha sensei. Ela me criou, me ajudou a desenvolver meu dom de dominar a neve, e conseguir moldar o gelo para formar armas. Ela me deu o nome de Shirayuki Kisuke, ou como ela me chama, Shira-chan. Moramos na cidade de Ulvidea, e eu estudo na Ulvidea High School. Ulvidea e uma cidade pequena, porém não abandonada. Com muitos comércios e belos lugares, e sempre alvo dos turistas. Porém poucas pessoas moram na cidade a muito tempo. Sensei tem uma loja de doces, na qual eu trabalho todos os fins de semana. Não que isso seja importante, por que a maioria do final de semana eu treino. Mas treino por que? Eu não tenho um motivo, eu apenas quero ficar muito forte. Não neva muito por aqui, portanto eu costumo treinar apenas a parte mais física, e a criação de gelo em formato de armas. Como a Ice Bazooka. Ja destrui quase metade da propriedade com essa maldita. Eu não tenho amigos. Eu não preciso de amigos, na verdade. Alias, e mais seguro para as pessoas que eu não tenha amigos. Sensei diz que eu sou muito bela, com cabelos violetas na altura da cintura, e olhos azuis como gelo, e pele pálida como o mais belo tom de neve caindo 1 semana antes do inverno chegar. Retiro o que eu disse sobre não ter amigos, eu tenho sim alguém. Mas não sei se posso considerar ele como amigo, ja que passa o recreio inteiro me atazanando. As vezes eu penso em atravessar uma lança de gelo nele, mas... Melhor não. Ele se chama Kaien-san. E um rapaz muito bonito, mais alto do que eu, porém, meio fraco e bobo. Hoje é segunda, meu dia menos preferido da semana. Provavelmente o de todos, por que acaba de passar o glorioso final de semana, no qual eu treinei tanto que desloquei o ombro. Foi bom tentar repor o ombro no lugar somente usando a força. A farda da minha escola e mesmo vergonhosa. Bem, considerando o fato de que o diretor e um tarado, acho que faz sentido, a saia chega quase na altura da calcinha, e a blusa tem um decote muito grande, as meias vão até a coxa. São boas para treinar. Roupas so atrapalham.
As vezes, quando eu perco o controle nos treinos, meus olhos ficam negros, e minhas pupilas ficam do mais insando vermelho, dai a Sensei e obrigada a intervir. E estranho perder sua consciencia e virar um monstro. Tudo que você consegue pensar e em ceifar vidas, sem inocencia, loucamente. Desespero. Eu me sinto tão humilhada quando a sensei tem que intervir que acabo não treinando no domingo e ficando zangada na escola durante a segunda. O caminho a escola nem sempre é agradavel. As pessoas ficam olhando para mim, e para meus cabelos violetas. E engraçado até. Elas acham meu cabelo estranho, mas se soubessem da verdade... Bem, eu iria ter que voltar para os laboratórios, iriam arrancar meu cérebro, tirar de mim meu coração, arrancar cada célula minha para estudo. E eu não iria permitir, iria perder o controle e afundar a cidade de Ulvidea. Tenho bom sentido de percepção. Em frente a escola, está uma multidão de meninas aglomeradas em um so lugar. Ah. Lembrei. Ontem algumas garotas estavam falando que um tal de Toushirou Haru viria para a escola. Parece que ele e famoso por sua beleza estonteante, e por ter atuado em várias peças de teatro. Passo direto pelo aglomerado de garotas e entro na escola.
— SHIROOO-CHAN! — Kaien grita, vindo correndo pelo corredor. Preparo meu braço na posição perfeita para que o nariz de Kaien se esmague em meus musculos não aparentes. Acontece como planejado.
— E aí. — Resmungo.
— O que houve, Shiro-chan? — Perguntou ele, com a voz estranha, enquanto tentava estancar o sangue que escorria de seu nariz. Meu braço nem doendo estava.
— Nada.
— Ai... Você está mais forte, Shiro-chan.
— Eu ja disse que meu nome e Shiroyuki Kisuke. Não Shiro-chan. Shiroyuki. — Grunhi.
— Certo, Shiro-chan. — Esse cara deve estar zombando de mim. Consegui sentar em uma das cadeiras da frente. Tirei meu livro de Biologia da bolsa e resolvi dar uma relida. Nem percebi o tempo passando. So fui acordar de meu transe quando um idiota cutucou meu braço.
— Ei. Qual é seu nome? — Grunhiu o parasita.
— Shirayuki Kisuke. O que quer de mim? — Respondi áspera.
— Shiro-chan, esse é... — Kaien-san começou a falar atrás de mim, mas não prestei atenção.
— Eu me chamo Toushirou Haru, e esse lugar e meu. — Falou ele, mais grotescamente ainda.
— Deixou de ser. — Todas as garotas que pareciam estar vidradas em Haru-san começaram a tagarelar e a brigar comigo, dizendo argumentos sem sentido sobre lugares e garotas de cabelo violeta.
— Ah, vamos lá. Sem complicações. Saia daí. — Revirou os olhos. Nem era um garoto tão bonito assim. Kaien era mais bonito do que ele. Eu ja estava ficando com raiva, então em um moviendo rápido, peguei meus livros e minha mochila e fui para o fundo da sala, pisando antes no pé de Haru e dando uma trombada nele. Ele olhou para mim com uma cara de :Qual é o seu problema?
Fiquei com raiva por ter sido intimidada com ele, mas na verdade eu cedi o lugar por que não queria arrumar confusão. Assim que a hora do almoço chegou, peguei meu almoço e fui direto para a varanda da sala, aquele lugar que todo mundo tem medo de almoçar por que acha que não é um lugar seguro. Parece que somente eu tenho a cora...
— Shira-chan! O que trouxe de almoço hoje? — Kaien interrompeu minha linha de pensamento.
— Ahn? O que você trouxe? — Devolvi.
— Um monte de coisa, olha só...
— Como você come tanto e continua magro? — Perguntei.
— Do mesmo jeito que você. Metabolismo acelerado. — Respondeu dando de ombros. Resolvi ser gentil com o Kaien hoje.
— Você tem muita sorte. A sensei não cozinha muito bem. — Resmunguei.
— Quer dividir então? Adoro comer os vestigios de comida torrados da sua sensei. — Ficamos um tempo quietos. — Shira-chan, o que você achou do Haru?
— Um idiota. Shirayuki, não Shira-chan, certo?
— Certo, Shira-chan!
— Eu tenho a impressão que você está me provocando. — Falei zangada.
— E se eu estiver? — Falou ele, aproximando demais seu rosto do meu. Kaien idiota. Estiquei meu braço, dando um soco nele.
— Perto demais. — Falei enquanto comia a deliciosa comida da mãe do Kaien.
— Shira-chan! Desse jeito nunca vai ter um namorado. — Resmungou. — E ainda machucou de novo meu nariz.
— Não preciso de um namorado... — Respondi serena. — ... e aquele soco era pra quebrar seu nariz.
— Shira-chan... Você é minha única amiga. — Falou ele tristemente. — Na verdade, você é a minha única amiga verdadeira.
— Se eu sou a amiga verdadeira nem imagino como eram os outros. — Brinquei.
— Shira-chan...
— Por que você fica repetindo meu nome, seu idiota! Eu estou bem aqui do seu lado. — Berrei. Percebi então que eu não estava me incomodando de ficar tão do lado assim de Kaien. Nossas pernas estavam coladas, nossos ombros colados também. Percebemos isso na mesma hora, e fomos nos afastando sorrateiramente.
— Shira-ch... Shirayuki-chan, você quer... — Kaien ia perguntar alguma coisa, mas Haru o interrompeu.
— Shurayuki? Quero falar com você a sós. Se importa de mandar seu amiguinho ir embora? — Falou ele grosseiramente.
— Você não é o rei do universo. Fale na frente dele. — Retruquei com raiva. Esse Haru... Me da nos nervos.
— Prefiro falar pessoalmente. — Insistiu.
— Esta tudo bem, Shira-chan. Eu estou na sala, caso precise de mim.
— Eu não preciso de você. Vá logo, Kaien.- Resmunguei. Haru esperou mais uns instantes para falar:
— Sinto muito por ter sido grosseiro hoje cedo. Eu estava tendo um dia ruim. Você me perdoa? — Ele tento fazer uma cara de coitado, mas terminou parecendo um buldogue.
— Se eu puder socar sua cara, perdoou na hora. — Respondi.
— Prefiro que me beije. Eu me perdoaria na hora. — Brincou. Pelo menos eu acho que foi brincadeira. Não, e melhor ele TORCER, caso ele goste da VIDA DELE, que tenha sido uma brincadeira.
— Tudo bem. Isso não é importante. Eu ja vou. — Falei saindo.
— Shira-chan? — Chamou Haru.
— Para você e Shirayuki-sama.
— Que tal sair comigo na sexta? — Falou ele com os olhos brilhando. Ele olhava diretamente para meus... seios? Dei um soco no rosto, que deveria partir sua cara ao meio, e sai pisando forte no chão.
— Eu me recuso.
— Você não tem opção.
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