Notas iniciais
Oi, gente! Então...

Essa oneshot faz parte de um conjunto de histórias com o tema geral Frutos do Espírito.
O meu fruto, no caso, é Fidelidade.

Mesmo que vc não seja cristão, mas se já acompanha as minhas outras fanfics, te convido a ficar e ler essa pequena história ^ - ^ Tem a mesma qualidade, com um detalhe melhor ainda que é a temática sobre Deus! Não tem religião aqui, apenas Deus.

Espero que gostem e boa leitura ♡

Recife Antigo, Pernambuco — 15:37 hrs

A Praça Rio Branco, mais conhecida como Marco Zero, é uma das praças públicas mais coloridas e visitadas do Recife Antigo, em Pernambuco, Brasil. Embora seja um excelente ponto turístico para conhecer melhor a história e o cotidiano da cidade, para aqueles moradores locais era apenas um lugar comum em um dia comum.

Pretta, apelido de Pietra, é uma garota forte de 1.68cm de altura, raízes africanas e um black ostentador. Naquele dia de muito calor, estava usando um legging preto, top, colete de tecido fino e tênis, mas, de longe, o que mais chamava atenção em si era o seu piercing dourado que costumava ostentar entre suas narinas e que lhe rendia apelidos cômicos como “toureira”. Ela achava engraçado.

— Ei, Pretta, olha ali…

Sussurrou um dos meninos do seu grupinho. Ela costumava ir à praça com uma turma para beber moderadamente, paquerar e conversar, nada mais que isso. Pretta desviou o olhar para a direção que ele havia lhe dado e encarou, ao longe, um garoto sentado em um banco. A praça era extensa, limpa e aberta, não haviam bancos por perto, ele estava bem mais afastado, sob a copa de uma árvore já do outro lado da rua. Pretta ficou o observando por alguns instantes.

— Hum… bonitinho. Deve ser gringo, não?

— Tu não macetava não? Um boy importado daquele gosta de mulheres tipo tu, visse?

— Tá aí! Pretta, vai lá e descola um beijo dele!

Disse uma garota, fazendo todo o grupo rir. Pretta gargalhou e fez um movimento negativo com a cabeça.

— Eu não, credo! Muito europeuzinho pro meu gosto.

— Deixa de ser chata, é só uma ficada! Depois, tu nunca mais vai ver aquele moleque. Vai lá!

Pretta pensou um pouco, mas, devido às insistências dos seus amigos, suspirou e resolveu ceder. Era só um beijinho e ela era muito bonita, não podia dar errado.

Se despediu dos seus amigos e foi em direção ao rapaz. No meio do caminho, o observou com um pouco mais de vontade. Ele não fazia o seu tipo, mas era um jovem muito bonito. Ela chutaria uns 18 anos no máximo, uma idade parecida com a sua, embora o rosto daquele rapaz fosse tão delicado que poderia lhe dar uma idade mais precoce. A pele era clara, as bochechas eram coradas, os olhos eram claros, porém ela não conseguia identificar a cor de longe. Seus cabelos eram curtos e cheios de cachinhos dourados, seus lábios eram rosados e seu rosto parecia muito simétrico. Aquele menino não era recifense, aquele menino não era sequer brasileiro. Na cabeça dela, era apenas um gringo, talvez italiano, talvez alemão, mas um gringo.

Assim que chegou bem perto, mordeu os lábios, estava na hora.

— Oi, posso sentar do seu lado?

O rapaz estava lendo algo, custou a prestar atenção em suas palavras. Depois de alguns instantes, enfim seus olhos alcançaram os dela, eram claros como um rio de águas cristalinas. Pretta ficou um tempo perdida naquele olhar, até que o rapaz sorriu e cedeu um espaço ao seu lado.

— Certus. Esto liber!

Pretta deixou um sorrisinho nervoso estampar o seu rosto, sem entender uma palavra.

— Er… italiano? Espanhol?

O rapaz fez um movimento negativo com a cabeça.

— Neque. Unum tempus experiri.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Eu sou brasileira. Você fala inglês? Do you speak…

Ele gargalhou logo em seguida.

— Eu tô te entendendo! Desculpe, tenho cara de gringo, não é? Acredite, isso é mais clichê do que parece.

Pretta o encarou com um pouco de espanto, foi aí que sua ficha caiu: ele havia acabado de tirar uma com a cara dela.

— Opa, pera lá! Tá me zoando?

— Zoar é uma palavra forte, não? Digamos que eu usei minha aparência de gringo pra ver sua reação.

Ele riu. Pretta já estava começando a se sentir íntima dele, pois sua vontade de lhe dar um bofetão na cara era grande, mas tendeu a rir, precisava confessar que havia sido engraçado.

— Tá, você tem razão! Que língua era essa que você tava falando?

— Latim. Uma tentativa de latim, na verdade. Eu gosto dessas línguas antigas, foi de onde a sua língua se originou, no fim das contas.

— Hum… então tu é mesmo gringo?

Indagou a garota, sentando-se ao seu lado. Ele fez um movimento de mais ou menos com a cabeça.

— Sim e não. Eu não nasci no Brasil, mas moro aqui há um bom tempo.

— Ah… e depois não quer que a gente se confunda. Você é todo gringo, parece até que saiu daquelas pinturas dos livros de história.

— Isso é um elogio? Tem umas pinturas bem esquisitas nesses livros, então espero que tenha sido um elogio.

Brincou. A garota riu baixinho e aquiesceu.

— Aí o problema é seu, amigo, leve como quiser.

O garoto riu e assentiu, agora era o momento perfeito para perguntar.

— Qual o seu nome?

— Pietra, e o seu?

— Miguel.

— Ah, não…

— O que foi?

A garota gargalhou.

— Sério? Carinha de anjinho com nome de Miguel, o clichê anda lado a lado com você, hein?

Ele a encarou com um olhar surpreso, e Pretta percebeu sua reação ao notar suas sobrancelhas arquearem ao mesmo tempo.

— Conhece Miguel?

— Como assim?

— O arcanjo. Desculpe a ignorância, é que você não deve ser crente, não é? Algumas pessoas não passam do nome de Jesus e deixam as outras personalidades bíblicas de lado.

Dessa vez, ela ficou em silêncio. Era um assunto delicado, mas talvez não fosse tão ruim conversar com um desconhecido sobre aquelas coisas. Não faria diferença, provavelmente amanhã não se veriam mais.

Suspirou e deu ombros.

— É que eu já fui crente.

— Mesmo?

— É demais para os seus pensamentos estereotipados?

Provocou, porém Miguel não parecia abalado. Sorriu e voltou a olhar para o livro que estava segurando.

— Eu sei que você era crente, tudo bem? Eu só queria jogar verde pra colher maduro. Deu certo, não deu?

Ela o encarou por um tempo, em seguida sorriu discretamente, sentindo-se vencida.

— Vá se achando… Bom, você pode não ser brasileiro, mas tem o espírito de um, e dos velhos. Só meus tios usam essa expressão.

Ele sorriu e deu ombros. Não conseguiu iniciar um novo assunto, Pretta estava intrigada com uma coisa, precisava lhe perguntar.

— Como sabia que eu já fui crente?

— Hum… aquele é o seu grupo, não é?

Ele fez um movimento com a cabeça e a garota desviou o olhar para aquela direção.

— Sim.

— Eu vou tentar explicar… Você se veste como eles. Você fala como eles. Você anda com eles. Vocês compartilham dos mesmos gostos, creio eu… mas você não é como eles.

Ela franziu o cenho e lhe deu o dobro de atenção, querendo saber onde isso ia dar. Manteve o silêncio, e ele percebeu que precisava continuar.

— Tem um brilho no seu semblante. É uma marca, um sinal. Esse é o sinal de Deus. É uma coisa que só quem conheceu a Jesus com muita intimidade pode ter, não é para qualquer pessoa.

Pretta deu um sorriso de canto, como se não compreendesse aquelas palavras.

— Cara, você tem bons papos, mas como assim? Quem te disse que esse brilho existe, o seu pastor?

Miguel sorriu.

— Não sei se você acredita na Bíblia, mas um dia já acreditou, correto? Em João, capítulo 14, versículos 16 e 17, Jesus disse: “E eu pedirei ao Pai, e ele dará a vocês outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês.” Esse é o Espírito Santo, e ele habita em cada um dos conhecedores da palavra de Deus. Não tenho o poder de julgar se o Espírito de Deus ainda habita em você, mas Ele normalmente não habita em quem se desligou do Senhor. Porém, sua marca está lá, ela é o brilho do seu semblante.

Pretta parecia muito concentrada naquelas palavras, tentando ligar os pontos dentro de sua limitação cética. Todavia, Miguel tinha lá certa razão, ela realmente já foi cristã, ela entendia de algumas coisas, ela não era tão negacionista como seus amigos provavelmente seriam se estivessem em seu lugar.

— Hum…

— Quer uma confirmação? Em Mateus, capítulo 18, versículo 18, Jesus diz: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”. É possível se desligar das coisas de Deus, e é possível se reconectar. E… bom, respondendo a sua pergunta, sim, foi o meu pastor que disse todas essas coisas. Jesus. Há orientador melhor?

Pretta ficou pensando em toda aquela conversa. Lentamente se afastou, suspirou, eram palavras demais para digerir.

— Acho que eu já ouvi falar dessas coisas…

Ela murmurou, tinha pequenas lembranças do seu tempo de convertida. Massageou suas próprias mãos enquanto seu olhar resvalava para o chão, pensativa.

— Se me permite…

Murmurou o rapaz, o que a fez contemplar o seu olhar mais uma vez.

— … por que saiu da igreja? Se puder falar sobre isso…

Ela suspirou.

— Não me sentia pronta. Eu percebi que… quando você se converte, as pessoas esperam que você seja perfeita. Eu não conseguia me desassociar de alguns hábitos antigos, e as pessoas julgavam muito, tanto dentro quanto fora da igreja. Eu resolvi sair de uma vez do que “servir a dois senhores”. Viu como eu entendo dos termos?

Ela lhe deu uma piscadela, e o rapaz deixou uma risada discreta escapar, todavia, não ofuscou o seu suspiro profundo que veio logo após.

— Entendi. Te faltou fidelidade com o Espírito Santo.

Aquela afirmação fez a garota arquear a sobrancelha, e só então ele percebeu enfim o que havia dito.

— Digo… não me leve a mal! Não quero te julgar, me desculpe.

Pretta sorriu fraquinho.

— Tudo bem… eu preciso ouvir um pouco mais, mesmo.

Ela se ajeitou em seu cantinho e se virou para ele.

— O que você quis dizer com fidelidade?

— Bom… o Espírito Santo nos produz frutos, frutos esses que edificam nossa vida espiritual. Fidelidade é um dos frutos e, ouvindo seu relato, pensei que… talvez… você estivesse precisando de um pouco mais de fidelidade com Deus.

— Você tem algum motivo específico para desconfiar disso…?

— Acho que sim. Olha só…

Ele se espreguiçou e relaxou em seu canto. Dessa vez, desviou o olhar para o horizonte, aos poucos o sol já se mostrava brando no céu, logo seria fim de tarde.

— A fidelidade espiritual é uma via de mão dupla. Deus é e sempre será verdadeiro conosco, Ele sempre vai deixar claro o que quer para nossas vidas, como quer cuidar de nossas vidas, os caminhos que devemos tomar e assim por diante. Nós retribuímos essas coisas seguindo os seus conselhos e praticando a sua boa palavra.

Ele a encarou.

— Ele é fiel com a gente, nada mais justo que retribuirmos da mesma maneira, não acha? Só que às vezes isso é complicado. Não nos sentimos aptos a nos desfazer de alguns costumes, ou de algumas amizades. Eu entendo um pouco disso…

— Pera aí… o senhor perfeitinho entende?

Ele gargalhou.

— Ninguém é perfeito, moça. Pietra. É Pietra, não é?

Ela sorriu.

— É. Miguel.

— Bom… a fidelidade não é nada mais, nada menos que confiar nas coisas que Deus escolheu para nós.

Pretta sorriu, deu ombros e relaxou os músculos no banco.

— É bonito quando você fala assim… mas acho que estou com as coisas sob controle. Quando eu estava na igreja, era muito chato lidar com aqueles comentários. Pelo menos, fora dela, ninguém vem tentar mandar na minha vida. Tenho um pouco mais de liberdade.

— As pessoas não importam muito, Pietra.

Ela o encarou.

— Não…?

— Bom… elas, com certeza, estão querendo apenas o seu bem, mas às vezes não sabem como ajudar. Esqueça um pouco os comentários e se concentre no que a sua alma precisa, que é a fidelidade. Às vezes as opiniões das pessoas sufocam, porque são apenas opiniões, sejam elas de pessoas cristãs ou não. Tente se concentrar no que você precisa, não no que as pessoas acham que você precisa.

— Ei… isso vale pra você também, não vale?

Ela brincou, e ele riu baixinho.

— Claro! Mas há uma diferença, porque o que eu estou falando não vêm de mim, mas são parte de tudo o que aprendi com Deus. Diz em Mateus, capítulo 10, versículo 8: “Vocês receberam de graça; deem também de graça”. Estou apenas te dando o que recebi.

Pretta suspirou e aquiesceu.

— É, você entende bastante da Bíblia…

— Você pode entender mais do que eu, você sabe… E eu…

Ele suspirou e passou a mão nos próprios cabelos, parecia um pouco acanhado.

— As coisas não estão perdidas, sabe…? Eu espero de verdade… que você volte.

Pretta o encarou por alguns instantes, pensativa com suas últimas palavras. Ela aquiesceu discretamente, ainda muito perdida. Falar sobre aquele momento de sua vida, mesmo que indiretamente, havia lhe provocado lembranças passadas, havia a feito refletir novamente sobre se estava mesmo tomando o rumo certo de sua vida. Às vezes ela não gostava de pensar nisso, pensar nisso a fazia questionar e ela confessava que gostava da ignorância. Pensar era cansativo e a forçava a tomar decisões difíceis.

Ela lentamente se afastou.

— Er… eu tenho que ir, cara. Valeu mesmo pelo papo! A gente se vê outro dia, beleza?

Pretta se afastou. Miguel se levantou quase que imediatamente, mas não a seguiu.

— Pietra!

Ela suspirou e lentamente se virou.

— O quê…?

— Você quer uma prova…? Você sente que não precisa muito voltar a pensar nessas coisas, não é? Que está tudo sob controle. Eu acredito que… você já tenha orado, certo? É um conselho, siga se você quiser. Ore. Faça uma oração simples. Converse com Deus e depois pense consigo mesma se houve alguma diferença.

Disse. A garota não entendeu muito bem aquele pedido, mas ele prosseguiu.

— Deus é fiel com a gente, mesmo quando não somos a Ele. Ore, e você vai ver que Ele nunca abandonou você.

Sorriu, logo em seguida voltou a se sentar. Pretta lentamente se afastou e guardou aquelas palavras em seu coração.

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00:42 hrs

Depois de conversar um pouco com os amigos via bate-papo, Pretta se preparou para dormir. Vestiu um pijama, tomou uma água, se espreguiçou e foi para a cama. Porém, antes de deitar, pensou novamente sobre as palavras do estranho rapaz daquele dia.

Há tempos não orava, não lembrava exatamente a ordem da oração do Pai Nosso, mas recordava que ele havia dito para fazer uma oração simples. Talvez apenas dialogar com Deus já fosse suficiente para fazer essa oração, afinal, ela se lembrava que orar não era nada mais, nada menos que um diálogo com o Senhor.

Ela não sabia o que esperar, mas resolveu arriscar.

Ajoelhou-se na beira da cama, juntou as mãos e fechou os olhos.

— Deus… er… eu sinceramente não sei por que estou fazendo isso, mas um garoto me aconselhou. Esse garoto foi mandado pelo Senhor, não foi? Eu quase pensei que ele fosse um anjo de verdade… O Senhor pode fazer essas coisas? Trazer os anjos para conversar com a gente. Hoje foi muito diferente… eu achei que ia sair da praça com um contatinho, mas fiquei horas falando sobre Ti com esse menino.

Ela suspirou.

— Eu realmente não sei por que estou fazendo essa oração, mas… eu gosto da sensação de falar com o Senhor. Eu tinha me esquecido como é bom… conversar e sentir que estou sendo ouvida, que não estou sendo analisada ou julgada. Esse Miguel… esse menino… ele me disse que me faltava fidelidade contigo, Deus. Eu… eu realmente não tenho sido muito fiel a Ti ultimamente, tenho esperado coisas de Ti e não feito por onde. Eu… não sei se consigo caminhar tudo de novo à essa altura do campeonato, não sei nem por onde começar. Senhor… se tudo isso que aconteceu hoje tem algum propósito, se tudo isso não foi em vão… então me ajude, por favor. Eu não consigo sozinha.

Após essas palavras, Pretta lentamente abriu os olhos e sentiu as suas bochechas gelarem. Havia chorado e não percebeu. As suas lágrimas frias repousavam em sua pele escura e aveludada, e ela as tratou de limpar imediatamente. Engoliu seco, indagou-se sobre por que estava se sentindo tão diferente, e foi quando colocou a cabeça em seu travesseiro que sentiu paz pela primeira vez em tempos.

Pela primeira vez, Pietra sentiu algo diferente.

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15:22 hrs

Na tarde do dia seguinte, naquela mesma praça, Pietra foi até o banco no qual havia conversado com o tal garoto.

Ela foi sozinha, preferiu não chamar os amigos. Naquele dia estava se sentindo um pouco mais leve, então não quis se produzir muito. Vestiu um moletom confortável e deixou os seus piercings brilhantes em casa. Aguardou, de alguma forma, uma faísca de esperança em reencontrar aquele rapaz, mas, depois de um certo tempo, sentiu que estava esperando em vão.

— Talvez tenha sido mesmo um anjo…

Sussurrou. Levantou-se, mas levou um susto quando percebeu o mesmo garoto sentado do outro lado da praça.

Não sabia o motivo, mas sentiu uma alegria inundar seu coração. Foi em sua direção e ficou ainda mais alegre quando percebeu que era mesmo ele. Chocou o olhar no seu e aquilo a paralisou um pouco. Miguei sorriu.

— Boa tarde, madame… Pietra? Você está mais… hum… bonita hoje.

Ela cruzou os braços.

— Eu estava feia ontem??

— Ei, ei! Não quis dizer isso, só não era o meu tipo…

Ele brincou, em seguida riu e foi acompanhado por ela.

— Olha… eu segui o seu conselho. Você sabia que orar me faria sentir diferente…?

Ele lentamente assentiu.

— Em Isaías, capítulo 38, versículo 3, o rei Ezequias prestes a morrer disse: “Lembra-te agora, de que andei diante de ti em verdade, e com coração perfeito, e fiz o que era reto aos teus olhos” e, graças a isso, ganhou mais 15 anos de vida. Deus sempre é fiel com a gente, sobretudo com aqueles que são fiéis a Ele. Se você está se sentindo assim agora, vai ver quando estiver conectada com Deus mais uma vez.

Ela sorriu.

— É… eu estou vendo isso aos pouquinhos. Você me ajuda?

O garoto sorriu, parecia genuinamente feliz.

— Claro! Mas então… vi você ali, paradona…

Ela o encarou com espanto.

— Você me viu ali, do outro lado da praça, e não foi me ver??

— Ué, era pra eu te ver? Se bem que ia ser muito engraçado se você achasse que eu era um anjo e que eu não ia aparecer mais, hein?

A garota gargalhou e deu um soco fraquinho no braço do rapaz, que riu com sua reação. Eles já pareciam bem próximos.

— Ei, você é forte!

— Foi fraquinho, não chora! Mas você tem razão, eu achei que você era um anjo…

— Ah, muito obrigado. Agora, minha missão aqui está feita. Voltarei para os céus, tenho uma legião de anjos para comandar.

Ela gargalhou e lentamente balançou a cabeça em negação.

— Miguel, Miguel…

— Ei, quer tomar um sorvete?

— Só se você pagar.

— Sou um cavalheiro, madame! Mas confesso que ia te fazer pagar metade…

— Nem pense nisso, você que convidou!

Eles riram e se afastaram da praça. No fim das contas, para além de uma reconciliação espiritual, o que já é importante por si só, Pietra percebeu que havia ganhado uma outra coisa também muito importante: um amigo. E o melhor… um amigo de Deus.

Notas finais
Obrigada por terem acompanhado! Espero que tenham gostado ♡ ♡ ♡

As demais histórias do projeto podem ser lidas aqui: https://www.spiritfanfiction.com/listas/projeto-frutos-do-espirito-7920837
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!