Notas iniciais
Oi Oi Estou postando as fics aqui também para divulgar mais. Essa é uma one no universo canon baseada em informações que temos e em headcanons meus então eu não tenho provas, mas essa cena realmente aconteceu kkkkk Boa leitura ♥

Lily Evans tinha certeza que algum dia ela iria matar James Potter. Lá estava ela na sala comunal da Grifinória esperando o maroto encrenqueiro porque teria que supervisioná-lo em outra detenção. O problema não era acordar cedo em um sábado, isso ela já faria, mas era o ano do NOM's e uma manhã extremamente fria de novembro que ela só queria passar no sossego quente que encontrava na biblioteca.

Impaciente de ficar esperando, Lily subiu os degraus para o dormitório masculino pronta para começar mais um dos típicos sermões que dava no garoto, estava furiosa. Abriu a porta de supetão fazendo com que Sirius Black e Peter Pettigrew pulassem no lugar.

—Você não cansa de ser irresponsável né Po... — ela parou, um semblante de choque se formava em seu rosto.

Lily não conseguia reagir, um aperto em seu coração se formou. James estava deitado na cama cheio de machucados e de olhos fechados. Ao longo dos anos, ela já tinha visto ele se machucar bastante por causa do quadribol e das brincadeiras que os marotos faziam, mas ele nunca tinha ficado tão ruim assim. Parecia que ele tinha brigado com alguém, e esse alguém havia sido brutal.

— Faz o favor de não gritar de novo — Sirius falou em tom baixo fechando a porta — O que raios ta fazendo aqui, ruiva?

— O que... O que — Lily balbuciou.

— Pontas tinha aquela detenção hoje, lembra? — iniciou Peter que encarava a cama, mas sua voz tinha mais animo que a de Sirius — Ele pediu para que não machucasse o rostinho...

—Porque ele passaria o dia com a Lily, é verdade — o Black riu fraco.

— Mas que que ta acontecendo aqui?

— Nada que você precisa se preocupar, ruiva.

— COMO ASSIM NÃO ME PREOCUPAR? — Lily estava gritando, tinha saído do estado de choque — OLHA O ESTADO DELE! O QUE VOCÊS FIZERAM, BLACK?

— De novo, não grite — disse Sirius com voz cansada — eu não posso te contar o motivo dele estar assim, mas eu juro solenemente que não fizemos mal a ninguém — os olhos negros encarava os verdes de Lily — palavra de maroto.

Evans assentiu tentando assimilar melhor a cena que encontrava. Ela sabia que os meninos eram excelentes mentirosos, mas eles honravam a "palavra de maroto" mais do que qualquer coisa em suas vidas e ela também sabia disso. Lily encarou Sirius e viu que seus olhos estavam cansados como se não tivesse dormido. Ele também parecia precisar urgente de banho e primeiros socorros. Voltou seu olhar ao Peter e percebeu que ele estava em melhores condições que o Black, mas também precisava se limpar e tinha alguns arranhões.

—Vocês estão horríveis — ela comentou e ouviu a risada fraca de Sirius.

— Achava que era impossível para mim né — ela revirou os olhos igual sempre fazia quando o amigo agia assim, ele sorriu — todos temos nossos dias ruins, ruiva — ele deu de ombros, mas logo ficou rígido quando ouviu James tossir. Peter se aproximou sem jeito da cama em que ele estava, sem saber o que fazer para ajudar.

— Almofadinhas... — ele choramingou.

— Olha, Lily — Sirius tinha uma expressão séria — não conte a ninguém que estamos desse jeito, por favor, eu queria muito poder te explicar, mas não cabe a mim te contar — ele fechou os olhos — eu sei que você odeia o James...

— Eu não odeio ele — Lily o interrompeu. Aquilo foi uma surpresa para todos naquele quarto, mas ela não podia falar que o que ela sentia por James Potter era ódio. Sirius a encarava com a testa franzida, ela se recompôs e formou um plano para ajudá-los, ajudar James — Já que não quer que saibam então enfermaria não é uma opção, certo? — o Black fez que não com a cabeça — Eu sei alguns feitiços, ou melhor, eu to aprendendo alguns feitiços curativos.

— Por que? — Peter ergueu a cabeça, estava genuinamente curioso.

— Por causa do que vivemos agora, é bom estarmos preparados — uma corrente fria entrou pela janela e o silêncio caiu sobre eles até que James tossiu novamente — Tudo bem, eu vou pegar o livro no meu quarto enquanto vocês dois fiquem aqui e — ela se interrompeu — Cadê o Remus? — em sua voz tinha um certo pavor, se ele estava com os meninos quando isso ocorreu então talvez ele estivesse em condições piores.

— Ele está bem, não está aqui. — Lily ia questionar mais só que James gemeu de dor.

— Tudo bem, precisamos dar um jeito no James — Sirius levantou as sobrancelhas e ela achou estranho — o que?

— Você nunca chama ele de James...

— Agora o mais importante é o jeito que eu chamo ele? — respondeu irritada, porém as bochechas estavam um pouco ruborizadas.

— Não, não é — Sirius omitiu o sorriso que ele deu para a cena

— Ótimo — ela bufou — bom, eu tenho uma ideia — ela respirou fundo — e como vocês nunca se importaram em quebrar regras...

— Lily Evans, você está mesmo dizendo o que eu acho que você está dizendo — o sorriso maroto de Sirius voltou a brilhar em seu rosto e Lily revirou seus olhos novamente.

— Ou é isso, ou levar ele para a Madame Pomfrey — isso fez Black balançar a cabeça diversas vezes negando, mas o sorriso ainda estava brilhando em seu rosto — tudo bem, eu te dou uma lista do que preciso para fazer uma poção simples e você arruma os ingredientes.

— Não importa como eu os consiga?

— Não — Evans se arrependeu no mesmo instante, mas era a verdade, não importava como ele iria conseguir — só não sejam pegos, certo? To cansada de perder meus sábados tendo que vigiar vocês em detenções... droga — ela esfrega a testa lembrando do motivo inicial de estar ali — a detenção.

— Bom... você pode dizer que ele estava vomitando muito e que vai fazer ele cumprir no próximo sábado — Pettigrew agora estava mais próximo dos dois com um pano que parecia uma capa em seus braços.

— É uma boa ideia, ninguém nunca acharia que você mentiria, muito menos para o James escapar de uma detenção — Sirius deu de ombros — afinal todos acham que você odeia ele

— Eu não... — sua voz estava frustrada, mas não iria reafirmar que não odiava o garoto — tudo bem, eu já volto — e ela saiu.

A ruiva parecia um furacão. Correu para o seu quarto e quando sentou para escrever um bilhete para a professora McGonagall, ela percebeu que suas mãos tremiam. Teve que ficar concentrada, deixando os pensamentos e o sentimento de medo de lado, Potter precisava de sua ajuda e até mesmo Sirius. Enquanto escrevia a lista de ingredientes para a poção curativa e de dor, uma mão pousou em seu ombro que fez a Evans pular e logo sacar a varinha.

—Por Merlim, Lily se acalma, sou eu — disse Marlene com as mãos ao alto.

— Ah, desculpe Lene — ela murmurou e logo voltou ao papel.

— Você não devia estar com o Potter? — a loira estava desconfiada, era perceptível em sua voz e feição.

— Ele está doente, vomitando muito — Lily respondeu simplesmente, tentando não parecer tão nervosa como estava. Pegou o livro e os papéis, estava apressada para sair dali já que odiava mentir para a melhor amiga — entrega pra Professora McGonagall para mim?

— Lils — os olhos da loira se estreitaram — tem algo de errado, o que você não está me contando?

— Confia em mim? — a ruiva tinha uma expressão de súplica, não podia contar e não queria mentir.

— Com a minha vida — respondeu Marlene, havia muita verdade em suas palavras.

— Então para todos os efeitos o Potter está passando muito mal e eu estou estudando em algum canto no castelo — havia preocupação nos olhos de Marlene — vai ficar tudo bem, mas é só isso que você e todos podem saber

— Tudo bem — ela assentiu e saiu do quarto logo seguida de Lily, mas por caminhos diferentes.

Evans voltou ao quarto dos meninos já esticando a lista para Sirius que assentiu e logo saiu com Peter, sem dizer uma palavra. Lily se aproximou da cama pela primeira vez e encarou James, novamente o aperto em seu peito doeu. Ele podia não ser sua pessoa favorita do mundo, mas ela se importava com ele sim.

Ao encostar a mão na testa de James seu coração acelerou, ele queimava de febre. Com o balançar da varinha, Lily levitou o corpo dele até o banheiro e logo o enfiou de baixo do chuveiro. Ela tirou as roupas extras, ficando só com a camiseta e a calça que usava antes de adentrar ao chuveiro e ligá-lo. Deixou na temperatura adequada e começou a tirar a camiseta do menino que agora tinha acordado.

— Podia pagar uma cerveja amanteigada primeiro, não acha?- Lily levanta a cabeça e lá estava o sorriso convencido que não suportava, mas pela primeira vez sentiu alívio em vê-lo nos lábios do garoto.

— Cala a boca, Potter — e ele obedeceu por não estar se sentindo tão bem.

Lily começou a analisar os machucados enquanto tentava lembrar algum feitiço que pudesse ajudar na febre do garoto. Ela tocou de leve na costela dele e por seu alívio não tinha quebrado, mas provavelmente estava dolorido já que ele retraiu ao toque dela. Não sabiam quanto tempo ficaram em silêncio de baixo do chuveiro, mas logo ouviram a voz preocupada de Sirius.

—Estamos aqui — Lily disse e logo o de cabelos negros apareceu na porta.

— Vocês...

— Nem começa — a ruiva virou-se com a varinha levantada para ele que não evitou o riso seguido do de Potter — vem me ajudar com ele, preciso ver onde mais está machucado e Peter — ela berrou para o garoto que parecia começar a chorar por ter visto o sorriso de Potter — preciso que você pegue o caldeirão e comece a separar as coisas da poção.

Assim, cada um fez o que ela pedia. James mal se mexia, sentia muita dor e não queria demonstrar isso para ninguém ali, ele era assim. Lily iniciou a limpeza dos ferimentos com sabonete, eram arranhões e estavam sujos e obviamente a deixou intrigada. Sirius percebeu e disse que faria isso para que ela pudesse preparar a poção e assim se seguiu.

Em algum momento a febre de James cedeu e Sirius o tirou de lá levando-o para a cama, já com uma calça seca. Quando voltaram para o quarto perceberam que a poção estava quase pronta e Peter não estava mais ali, mas não pronunciaram uma palavra, apenas trocaram um olhar significativo. Sirius foi até sua gaveta para pegar uma muda de roupa secas para ele mesmo, mas James estranhou quando ele tirou o dobro de roupas sendo que ele mesmo já tava com uma camiseta em mãos.

—Aqui, Lils — Sirius entregou para a ruiva com um sorriso — Você vai ficar resfriada se ficar com roupa molhada assim.

— Obrigada — Sem entender, Lily sentiu as bochechas esquentarem com o sorriso de Sirius direcionado para ela — não põe a camiseta ainda — James se interrompeu no mesmo momento. Ela transfigurou duas taças e colocou o liquido de dois caldeirões — Agora tome todo o líquido, Potter — disse entregando as taças para ele — e você tire a sua camisa — diz a ruiva enquanto pegava a muda de roupa oferecida pelo garoto.

— Tá bem atrevida hoje ein Evans, primeiro eu e agora o Sirius — comenta James tentando ser brincalhão, mas logo recebe um olhar bravo dela.

— Eu percebi que ele também está machucado, não tanto quanto você, mas ele está — a ruiva apontou para a cama à esquerda dela e sem dizer uma palavra, Sirius a obedeceu e tirou a camiseta antes de sentar.

Lily iniciou os feitiços curativos em Sirius, mas não conseguiu deixar de reparar que ele tinha algumas marcas e cicatrizes antigas, agora com os feitiços de Lily ele teria mais algumas em sua coleção. A ruiva terminou, mas não conseguiu evitar de tocar uma cicatriz antiga dele se perguntando o motivo. O corpo de Sirius recebeu um arrepio gigante pelo toque dela e ele enrijeceu.

—Pode tomar a poção do caldeirão esquerdo, vai ajudar com a dor e você conseguirá dormir.

— Mas...

— Ordens médicas — ela sorriu gentilmente e se aproximou de James agora fazendo os feitiços nele — esses feitiços requer descanso, alimentação e hidratação.

— Então eu deveria... — Sirius começou a falar, mas foi interrompido pela ruiva.

— Se deitar? Sim foi o que eu disse Black — Sirius parecia meio desorientado e isso arrancou um sorriso de James. Ele sabia que Sirius não estava acostumado que cuidassem dele — quanto a comida e água, eu busco pra vocês assim que terminar de curar o Potter.

— Melhor obedecer, Almofadinhas, não vamos querer estressar a Lírio — a voz de James estava fraca, mas ele mantinha o bom humor de sempre.

— Evans, Potter — Lily respondeu automaticamente enquanto se aproximava dele para iniciar os feitiços.

— Bom... casamento é o mínimo, não acha? Depois do banho... Ai — James encolheu com o toque de Lily em seu ferimento — Coisa feia se aproveitar da minha situação, Lírio — ele fez um beicinho para ela que logo revirou os olhos — de novo... — falou baixinho, mas Evans tinha escutado e tocou novamente o ferimento sem delicadeza.

— Depois eu que não devia provocá-la, né Pontas? — Sirius estava com um belo sorriso animado, estava mais aliviado agora que o amigo estava acordado.

— Você sabe que não resisto a usar o meu charme — Lily revirou os olhos e bufou, causando um riso de James e Sirius.

Lily finalizou os feitiços com rapidez em James e verificou a temperatura dele novamente, estava morno, o que ainda a deixou um pouco preocupada. Ela entregou a camiseta a ele sem dizer nada, se trocou rapidamente no banheiro dos meninos e saiu para buscar alimento para eles, já estava próximo ao horário do almoço. Na cozinha, os elfos foram muito gentis com Lily, como sempre eram, até levaram tudo para a sala comunal da Grifinória para ser mais fácil para ela.

Logo estava no quarto dos meninos almoçando com eles, dessa vez Peter estava de volta. Eles fizeram piadas e falaram sobre coisas comuns como quadribol e os professores, como se nada tivesse acontecido. Lily percebeu que era a primeira vez que estava assim com eles sem o Remus, isso apertou seu coração, esperava que ele estivesse bem.

— Em que está pensando? — sussurrou James depois de um tempo em silêncio, Sirius e Peter tinham caído no sono e Lily estava sentada em uma cadeira próxima a cama de James.

— Remus

— Ele está bem — James parecia ter falado mais para si mesmo do que para ela, mas Lily assentiu.

— Por que você não dorme também? Precisa de descanso...

— Você parece preocupada, Lírio, eu vou ficar bem também tá? Sou mais forte do que aparento — ele abriu um sorriso convincente e piscou para ela.

— Você não é invencível, James — Lily estava séria enquanto encarava ele — se você ficar com febre de novo.. só vai dormir, por favor, para ajudar no efeito da poção.

Potter assentiu, conseguiu perceber que Lily estava muito preocupada com ele e isso o fez se xingar internamente pensando em outra pessoa que estava preocupado também. Ele de fato não era invencível, mas o que ele podia fazer? Remus contava com ele para impedir que ele causasse qualquer mal e dessa vez o lobo estava muito animado. O Potter esticou a mão e tocou a de Lily, acariciando com o dedão, por um milagre ela não tirou a mão dali e se não fosse por Remus, ele claramente acharia que teria valido a pena somente por aquele momento.

—Obrigado, Lily — ela o olhou surpresa — obrigado por cuidar de mim e dos meninos, por guardar segredo.

— Como sabe que eu não vou contar? — a ruiva sorriu para ele.

— Porque eu te conheço — o sorriso se transformou em surpresa e James depositou um beijo delicado nas costas da mão de Lily — obrigado mesmo — e com uma dor da separação, James soltou a mão dela.

— De nada, James — ela sorriu pra ele, deixando ainda ele segurar a mão dela.

— É a segunda vez hoje.

— O que? — a confusão alcança o olhar dela e ele ri, James adorava quando Lily franzia a testa para ele, perdida por culpa dele.

— Que você me chama de James — diz Potter já sentindo seus olhos pesados.

— Na verdade é a terceira — ela comenta e ele sorri mais ainda — Durma, James — e assim ele fechou os olhos.

Lily sentia sua mão formigando onde James tinha tocado com seus lábios, onde ela tinha sentido o hálito quente dele. Ela balançou a cabeça e viu um livro na cabeceira do garoto, precisando de uma distração enquanto esperava eles acordarem Lily iniciou a leitura do livro que era um romance da literatura bruxa. Algumas vezes ela desviava os olhos de sua leitura para os meninos, tão pacíficos e relaxados dormindo. Ela parou de ler um momento quando sentiu frio e ela pegou um suéter que tinha próximo a cama com o brasão da Grifinória bordado junto com um P gigante, era bem quente e tinha cheiro de perfume amadeirado.

Já tinha escurecido quando Sirius acordou, ele apagou e teve um sono sem sonhos, o que era bom já que sempre tinha pesadelos. Ele quase deu um pulo para fora da cama o que assustou a ruiva que agora prestava atenção no garoto que olhava para fora percebendo o céu escuro. O Black chegou ao lado da cama de Peter e começou a balançá-lo.

—Rabicho, acorda seu preguiçoso! Estamos atrasados — ele mantinha a voz em tom baixo.

— An? Que? — Peter pronunciou, mas já estava virando para o outro lado — mais 5 minutos.

— Rabicho já é de noite! — ao ouvir essa informação, Peter se levantou e começou a andar em direção a porta.

— Onde os panacas pensam que vão? — A ruiva já estava de pé encarando os dois, os braços estavam cruzados em frente ao peito.

— Lils, nós precisamos muito ir a um lugar agora — ela abriu a boca para questionar e Sirius logo a interrompeu — não adianta, precisamos ir e eu preciso que você me faça o favor e impeça que James nos siga.

— Mas Six... — Lily teve uma comunicação silenciosa enquanto encarava os olhos negros do amigo, por algum motivo dentro dela estava a mesma certeza que eles tinham a de que Sirius e Peter precisavam sair aquela noite — você fica me devendo essa, Black.

— Com toda certeza — Sirius abriu um sorriso e correu até ela, pousando um beijo em sua testa — muito obrigado, ruiva — dito isso ele pegou uma capa, um pergaminho velho, sua varinha e correu para fora do quarto seguido de Peter que só teve forças para acenar para Lily antes de sair.

Lily sentia um certo nervosismo já que mesmo que sabia que eles precisavam sair, seu coração continuava preocupado. E se Sirius ou Peter se machucassem como James? E se o pior pudesse acontecer? Ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo então decidiu voltar ao livro, se distrair até que James acordasse. Potter acordou um pouco depois que os dois marotos tinham saído e sua reação foi igual a de Sirius só que mais lenta e com mais murmúrios de dor.

—Onde eles estão? — Lily levantou os olhos deixando o livro de lado.

— Você sabe onde eles estão — a ruiva abriu um sorriso que fez James cogitar que ela sabia que ela sabia do problema peludo do Remus e que eles ficavam juntos em noites assim — Deita, Potter.

— Não — James estava indo em direção ao armário para pegar uma outra roupa — ele precisa de mim — Lily percebeu o singular da frase, mas não iria comentar sobre isso. James podia ter diversos defeitos, mas quando tinha os marotos envolvidos na história ele faria qualquer coisa para ajudá-los.

— Potter se você sair daqui essa noite eu vou contar para a Minerva — o garoto que já estava a caminho da porta parou e se virou para encará-la, essa foi a primeira vez que Lily recebeu um olhar de ódio do garoto, mas isso não a abalou por fora — Você não está em condições de ajudar ninguém e se sair daqui desse jeito só vai prejudicar todo mundo — a respiração dos dois estava falhada e eles se encaravam, havia fogo e determinação no olhar.

— Você se encrencaria também se fizer isso, Evans

— Não me importo — ela nao tinha desviado o olhar — não posso permitir que você se machuque mais ainda e além disso não sou só eu que estaria encrencada, não é? — por mais que encrenca e marotos andassem juntos, eles teriam problemas seríssimos se aquilo vazasse.

— Almofadinhas pediu para você me impedir não é? — James desviou o olhar dela para a janela atrás da garota — Você é uma boa duelista, por que não usar a varinha para me fazer ficar?

— Você está desarmado — a ruiva deu de ombros — mas se for preciso, eu uso — ele soltou uma risada fraca assentindo.

— Não tenho escolha — James sempre se perdia nos olhos verdes da garota, dessa vez não foi diferente.

— Não mesmo — E com isso, James voltou para a cama dele e Lily relaxou. Ela começou a encarar os machucados novamente — O que aconteceu?

— Se você acha isso ruim, deveria ver o outro cara — ele abriu um sorriso convencido e por um momento seu coração falhou, o medo a atingiu de novo.

— O que você fez com o Severus, Potter? — Lily se mantinha de pé ao lado da cama do garoto, em sua voz era tingível o desespero e ameaça.

— Mesmo que ele mereça, eu não fiz nada com ele — agora Potter queimava de raiva, não acreditava ainda que Lily era capaz de ficar defendendo um cara como o Snape — fique tranquila que eu não toquei no seu precioso seboso — as palavras pareciam muito amargas saindo de sua boca.

— Não o chame assim! — havia raiva queimando dentro de Lily, agora ela se lembrava o motivo que ela e James não eram amigos e viviam brigando, na cabeça da ruiva os dois eram muito diferentes.

— Sério, Evans me fala por que você está fazendo tudo isso? — James estava sentado na cama e mesmo assim estava na mesma altura que Lily, encarando os olhos que queimavam de raiva — Você claramente me odeia então por que está se arriscando assim?

— Eu não te odeio, Potter — o seu tom não abrandou, ainda era palpável a raiva — eu não te suporto em diversos momentos e te acho um arrogante e bem babaca também, mas eu não te odeio.

Por mais que as palavras de Lily não foram tão agradáveis, ouvir que ela não o odiava o fez abrir um sorriso, o sorriso presunçoso que irritava ela e fazia as outras pessoas suspirarem. James encostou na cama esticando a mão para sua varinha e com ela em mão fez um movimento simples fazendo com que alguns doces do esconderijo dos marotos fossem para sua cama.

— Alcaçuz, seu favorito — ele comentou e começou a comer o doce. Lily ainda sentia seu interior queimar, mas se sentou novamente na cadeira — Pode comer, está chegando outra ida a Hogsmeade então poderemos abastecer o nosso estoque.

— Como se vocês não saíssem mesmo sem ter passeio — o sorriso de James brilhou mais e ele piscou para ela. Lily cedeu e começou a comer alguns doces com ele — Não sabia que gostava de romances — ele encontrou o olhar dela curioso e então a garota levantou o livro para ele.

— Ah, esse livro é da minha mãe — ele sorriu sem graça — mas sim eu gosto

Com isso eles iniciaram uma conversa sobre livros que foi para música e todo o tipo de arte. Lily falava do mundo trouxa e James contava sobre as coisas do mundo mágico que ela não sabia, ambos dividindo o sonho de viajar pelo globo e explorar os dois lados. Em algum momento, Lily foi parar na cama de Remus e adormeceu. Já James demorou para dormir, ficou encarando a lua cheia pensando em seus amigos e no avanço que teve com Lily.

— Pelo menos ela não me odeia — riu de como se sentia patético, James era perdidamente apaixonado pela ruiva mesmo que ainda não admitira para seus amigos, mesmo que apenas dizia que era só um "crush passageiro", mas Lily Evans sempre será mais que isso.

Notas finais
Gostou? Achou curta? Eu tenho vontade de ela virar uma série dos marotos e Lily na época de Hogwarts e na primeira Guerra então se você gostou comenta!! Se não por favor comente o que acha que posso melhorar Até a próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!