Aquarela

1 Aquarela


Primeiro, azul para o fundo.

Um azul-céu constante e equilibrado, com algumas poucas flutuações no tom, que habitava seus cabelos 90% do tempo, caracterizando a calma tranquila que era tão intrinsecamente parte da personalidade de Teddy Lupin.

Umas explosões de amarelo em alguns pontos aleatórios, mas constantes.

Amarelo-folha que ele usava para o anúncio da Copa das Casas e para os jogos de quadribol da Hufflepuff, ou apenas porque acordara excessivamente orgulhoso de sua Casa naquela manhã.

Uma moldura falha e pincelada de rosa, contornando todas as bordas.

O rosa-chiclete de quando ficava muito animado, ou de quando eram crianças. A cor que ele mais queria saber usar, e que aparecia nas reuniões de família. O rosa-chiclete dos agasalhos bordados pela avó Weasley, dos porta-retratos nos corredores de casa e de sua mesa-de-cabeceira. O rosa-chiclete de quando o chamavam de Edward Tonks Lupin.

Alguns fracos pontos de vermelho aqui e ali, como uma segunda moldura, mais fina e falha.

O vermelho do brasão da gryffindor; vermelho de orgulho de quando se dirigiam a ele como “Lupin”. O vermelho com que fazia questão de assinar o que quer que fosse, que usava para desenhar a Lua Cheia, que ocupava uma mecha discreta quando James Sirius ia jogar.

Pequenos pontos de laranja, tão discretos que mal podem ser notados.

O laranja escuro, quase podre, que ardia. Laranja-fogo, quase Weasley, nem de perto tão gentil quanto eles. O laranja de quando alguém ofendia seus amigos ou família – para ele, tudo a mesma coisa. De quando alguém xingava lobisomens, ou fazia pouco de alguma Casa. O laranja raro, porém ardente, da raiva que cortava o azul sereno.

Riscos de verde slytherin cortando a tela.

Seus cabelos em dias chuvosos e quando abraçava Albus. As pontas dos fios quando Scorpius entrava em campo. O verde que usava quando bebê, imitando os olhos do padrinho, que usou para comemorar a Casa do primo, que refletia nos seus olhos quando perguntavam onde estava seu pai, o auror Potter. Verde de orgulho quando Harry o chamava de “filho” sem querer.

Explosões de violeta, fluidas e disfarçadas.

O violeta de quando eles se beijaram pela primeira vez. De quando ele olhou em seus olhos naquela tarde chuvosa e pediu que ela não saísse com o Cedric Chang de novo. Violeta de quando ele beijava seu pescoço, de quando passavam a noite juntos, de quando ela acariciava seu rosto distraidamente e ele fechava os olhos. Violeta de quando ele sussurrou, pela primeira vez, “eu te amo”.

Salpicos de cinza, espalhados pela tela inteira.

Cinza prateado como a luz da lua cheia. Cinza de quando ele não conseguia dormir, de quando acordava no meio da noite pensando ter ouvido a voz da mãe. Cinza de insônia, de passar a noite em claro olhando pela janela, de sentir um aperto no peito e ter que ter certeza de que o coração bate. Cinza prateado de saudade, de perda. Cinza prateado de Lupin.

Manchas de índigo, escondidas no fundo claro, confundido entre o verde e o violeta.

Índigo como os olhos dela; índigo de quando eles iam à praia e ele mergulhava com um pouco de gillyweed para ficar mais tempo debaixo d’água. Índigo de Poção Mata-Cão que ele encarava com saudade, das gravatas que ela esquecia na sua gaveta, de seus cabelos quando ele olhava em seus olhos. Índigo de quando ele queria dizer “eu te amo”, mas as palavras não vinham.

Um tracejado de marrom, tão fraco que ninguém deveria perceber.

Marrom acastanhado de quando ele dormia sem sonhar, de quando estava muito triste, de quando se decepcionava. Marrom de quando alguma coisa dava errado, de quando ele se sentia perdido, de quando eles brigavam. Cor de folha seca. Cor de visita ao cemitério no dia 02 de maio.

Esfumaçou um pouco de preto, porque achou que precisava.

Preto, como mais da metade de suas roupas. Preto de quando saía com Harry e Ginny e não queria se destacar. De quando vovó Tonks o chamava de “Edward”, de quando ele tinha um pesadelo, de quando tinha que agir com responsabilidade. Preto de quando encontrou um bicho-papão, de quando Andrômeda desmaiou e foi parar no hospital, de quando tocava violino. Preto de medo, de dor. De elegância.

Victoire sorriu, recostando-se na cadeira e encarando a tela.

Suas mãos pingavam tinta e água, sua camisa estava um nojo de tantas manchas, o chão estava uma bagunça. Fleur ia matá-la. Mas tudo bem, porque sua obra-prima estava pronta. Só faltava um detalhe.

Pegou uma pena e molhou-a na tinta magenta para assinar o quadro e adicionar seu título:

“Teddy Lupin – por Victoire Weasley”.

Notas finais
Teddy Lupin melhor pessoa ♥ Gostaram? Odiaram? Deixem-me saber pelos comentários ♥ Obrigado por ler =^.^=
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!