Notas iniciais
A aquarela mais bonita é a miscigenação.

Naquela tela,

minha aquarela

é minha vida paralela.

É o reflexo

dos meus sentimentos,

dos meus pensamentos,

das minhas contradições.

É inexorável,

algo escondido, subentendido,

mesmo não fazendo sentido

para mais ninguém.

Mas existe outra tela,

embora não falem muito dela

pois é injusta, desigual

até parece surreal.

Tem cores negras,

pardas e amarelas,

todas muito belas,

mas não gostam de falar delas.

Porque preferem a tela em branco,

que é superior,

sendo que é só uma cor.

O que tem de diferente nela?

E todas as outras cores belas

têm de ficar na delas,

porque são desprezadas,

julgadas, criticadas.

A cor mostra

se dinheiro você tem,

se educação você obtém

se teu futuro é fazer o bem.

E esquecem que a morte é só uma,

abrangente, indiferente

à tua raça, à tua cor,

à tua vida, a teu amor.

Ninguém entende,

que isso é só aparência,

que o que importa é a essência,

o caráter, a convivência.

Então continuo com minha aquarela

com as cores mais belas,

porque seria sem graça

se só o branco pintasse a tela.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!