Aquarela
3 Porta-Retrato
E Thomas rira outra vez, certo, ele entendera. Embora acreditasse que Dylan diferentemente dele não estava escondendo uma paixão, e, sim, simplesmente resolvera fotografar. Andara até o lado do moreno para que ele não fosse ainda mais atingido pela chuva. Então os dois seguiram lado a lado andando pelas ruas estreita de LookWood em direção ao apartamento de Thomas protegidos pelo velho guarda-chuva vermelho
x . x
– Booom... Bem vindo a minha... Ham... – ‘’ Eu devia que ter algum nome legal para isso ‘’ pensou Thomas ao abrir a porta do apartamento dando espaço para que Dylan entrasse, mas seu cérebro não chegou a nenhum nome no mínimo criativo. Queria usar ‘’toca’’, como a toca de Bilbo Bolseiro, mas não soaria bem.
– Casa?
Perguntou Dylan entrando no lugar enquanto bagunçava seu próprio cabelo molhado fazendo com que gotas saltassem para os lados enquanto outras escorriam por sua mão.
– Isso.
O loiro concordou sem graça enquanto chaveava a porta. Dylan andara pelo pequeno corredor chegando até a sala de estar, e não conseguiu deixar de escapar um ‘’wow’’ baixinho. A sala do veterano era como uma foto de uma famosa revista de decoração contemporânea. Praticamente todos os móveis eram de madeira lustrosa, haviam muitas estantes, cheias de livros e decorações com pequenos suvenires de lugares diferentes. Seria fácil dizer que aquela pequena torre Eiffel de bronze, a estatueta de uma gueixa em porcelana, o espelho com desenhos maias na moldura, eram apenas coisas compradas em lojas baratas de decoração, no entanto, as paredes e os porta-retratos abrigavam dezenas de fotografias de diferentes cidades e países, embora Thomas não estivesse em todas as fotos, o estilo fotográfico era o mesmo e Dylan tinha quase certeza que foram tiradas pelo loiro.
O veterano pendurara a mochila em um dos cabides que estavam dispostos ao lado esquerdo da porta de entrada, então andou até o mais novo mexendo em seu próprio cabelo.
– Desculpe pela bagunça...
Thomas sorrira sem graça ao falar e o moreno olhou-o erguendo uma sobrancelha.
– Bagunça? Cara você devia ver meu dormitório.
O loiro rira baixinho, sentia-se melhor com isso, mas tinha um pequeno tic com organização, o que sempre o deixava incomodado. Dylan pegou um dos retratos, um dourado com a moldura em desenhos vitorianos, na fotografia Sangster estava de costas, com os cotovelos apoiados na sacada e ao fundo podia se ver a esplendorosa Torre Eiffel brilhando a noite.
– Você viajou mesmo para todos esses lugares?
– Haram...
Dylan ergueu as sonbrancelhas, aquilo era muito maneiro, e, ao mesmo tempo, invejável, só teve dinheiro duas ou três vezes para sair da cidade, nunca viu o mar, nunca visitou um museu de arte importante. Não que Dylan passasse necessidade, mas entre viajar rapidinho e um celular novo ou ir para a faculdade, optava pela segunda opção. Já para Thomas... Bom, ele amava viajar, sabia que era privilegiado por ter dinheiro para o fazer, mas... Ele já estava acostumado com isso, gostava de pintar enquanto estava nos quartos de hotéis o que vira durante os dias de viajem, mas sempre que terminava, sentia-se só. Não havia ninguém para mostrar a pintura, ninguém para comemorar a finalização com ele, ninguém para ir tomar um café no fim da tarde, no fim, Thomas sempre estava sozinho em um lugar desconhecido. Aquelas fotos tornaram-se melancólicas para ele.
– Que foda. – Dylan colocou o quadro de volta para o lugar e olhou para o loiro – Mas, se puder me emprestar uma toalha... Sabe, não quero molhar mais seu apartamento.
– Oh, claro, vou ver isto.
Thomas foi rápido para o banheiro, ficou feliz ao ver que estava limpinho graças à empregada que fora lá pela manhã. Abriu o armário escolhendo qualquer toalha macia, Dylan ia tomar banho no seu apartamento, quando sonhara que isto poderia acontecer? Sorriu para o pensamento ‘’ Não se anime Thomas, você não vai entrar no banheiro junto, definitivamente’’. Sangster dobrou a toalha se levantando voltando para a sala.
– Aqui, posso emprestar algumas roupas para você...
Dylan riu pegando a toalha.
– Valeu loirinho, mas não vão caber em mim.
– Tenho algumas maiores... Comprei na internet e não serviram em mim, enfim.
– Certo, mas se rasgar, eu avisei.
Sangster deu batidinhas no ombro do mais novo.
– Não se preocupe Dylan, não é tão musculoso quanto acredita ser.
O loiro sorrira se virando para seu quarto em busca das roupas de numeração errada para ele. Dylan ergueu uma sobrancelha, então sorrira revirando os olhos, não imaginara que o loiro teria esse humor sarcástico. Olhou para seu próprio braço, ta até que ele devia ir mais para a academia, ‘’ mas ainda sou o dobro do Sangster’’.
Thomas encontrara facilmente as roupas no fundo do armário, tudo estava organizado por tipo de roupa, tamanho e cor. Foi para a sala, mas Dylan já não estava mais lá, então girou nos calcanhares andando até a porta do banheiro. Pelo menos não ouvira o som da água, então não seria tão constrangedor. Bateu na porta falando baixinho.
– Dylan...
E em seguida ele abriu a porta. O loiro trancou a respiração ao vê-lo daquele jeito, ainda vestia a calça e a roupa intima, mas quanto á blusa... É talvez estivesse errado quanto à questão da falta de ir à academia de Dylan.
– Ah, valeu.
O moreno pegou as roupas da mão de Sangster que ainda tinha dificuldade em raciocinar. Piscou algumas vezes erguendo rápido seu olhar para Dylan, feliz por ele olhar para as roupas e não para sua cara de idiota.
– P-por nada...
E Dylan fechou a porta. Sangster se assustou com o baque, aquilo o tirara de seu transe temporário graças ao corpo de Dylan. Respirou fundo colocando uma mão sobre o peito suspirando em seguida sentindo suas bochechas corarem. ‘’ Eu vi ele sem blusa, eu vi ele sem blusa, eu vi ele sem blusa’’, só conseguiu assimilar isto enquanto terminava de preparar o café para ambos, gostava do seu sem açúcar e com leite, não colocou nada no de Dylan, esperando que falasse o que queria quando saísse do banho. Arrumou a mesa com pratinhos pequenos, talheres, guardanapos e um bolo de chocolate no meio, afinal, todo mundo gosta de bolo, principalmente bolo de chocolate. Estava terminando de misturar o leite em sua xícara quando Dylan passara pela porta.
– Hey.
O loiro pulou assustado, sorrindo sem graça ao ver o mais novo. Mesmo com o cabelo molhado sobre a testa, Dylan ainda era lindo.
– O-oi...
– Te assustei? – Dylan riu andando até o veterano.
– Um pouco... – Admitira Thomas nervoso passando uma mão por seu cabelo, virando-se para a bancada novamente onde estavam as duas xícaras de café – E-eu fiz café, se quiser...
– Quero sim.
– Açúcar?
– Exatamente.
Thomas rira pela resposta ainda sem graça pelo susto, preparou rapidamente o café esticando a xícara para o mais novo. Dylan sorrira para ele pegando a xícara, bagunçando o cabelo do loiro em seguida voltando-se para a mesa da cozinha.
– Valeu loirinho.
O veterano sorrira pelo toque apoiando suas mãos na bancada, sentindo seu rosto esquentar outra vez. Agia de modo tão bobo perto de Dylan... Era difícil para ele evitar, seu coração disparava só ao ver o mais novo a três metros de distancia.
O resto da tarde fora extremamente agradável, fantástica para o pequeno apaixonado. Eles comeram bolo, várias fatias de bolo na verdade, tomaram mais de uma xícara de café e conversaram, conversaram sobre a faculdade, discutiram sobre arte, Dylan percebera que tinha muito o que aprender com o loiro. Alguns artistas que ele citara O’Brien nem conhecia, mas definitivamente pesquisaria depois. Sabia que Thomas era bom no que fazia, mas não sabia que tinha tanto conhecimento, afinal, ele nem abria a boca durante a aula, mas agora provou ao contrário, Dylan definitivamente gostou de ouvi-lo, na verdade, mais do que a alguns professores. Ambos descobriram como suas técnicas de pintura eram diferentes, mas partilharam das mesmas dificuldades do ramo da arte, Thomas deu dicas a Dylan, e Dylan fizera Thomas rir. Ambos nem perceberam como o tempo passara, como o sol se fora e como a chuva parara. Até Dylan olhar para a janela ao terminar de comer um ultimo pedaço de bolo colocando sua mão sobre a barriga – definitivamente comera demais.
– Ah, parou... Céus, preciso ir, tenho uma prova amanha.
Thomas ainda ria de uma piada de Dylan, mas diminuíra o sorriso ao ouvi-lo, gostaria tanto que ficasse mais tempo... Thomas emprestara-lhe uma mochila velha para levar suas roupas e a própria mochila encharcada de Dylan. O loiro abrira a porta triste, pensou na possibilidade de fechá-la e atirar a chave pela janela, mas seria um tanto estranho.
– Obrigado, de novo, pela ajuda.
Dylan sorrira para ele já ao lado de fora. Thomas teve de se esforçar para sorrir, Dylan ia embora, e, no dia seguinte, tudo seria como antes, Dylan conversaria com seus amigos, e Thomas ficaria desenhando o novato em seu caderno velho. Antes estava bem com esta situação, mas agora provara da sensação boa que era ter Dylan ao seu lado, e estava sedento por ela e assustado ao perde-la. Ah Dylan tinha lábios tão lindos, e uma voz tão bonita...
– Por nada... Pode me chamar caso precise que alguém o salve na chuva outra vez.
– Vou me lembrar disso. Até amanhã.
E dizendo isso virou-se andando em direção ao elevador. Thomas sentira o coração disparar novamente, Dylan estava indo embora. Quando o teria tão perto novamente? Ele clicara no botão entediado. Thomas segurara a maçaneta com mais força, ‘’ Thomas faça algo, ele vai ir embora, vai ir... ’’. Ouviu o ‘’ trim’’ do elevador se abrindo e Dylan estava prestes a entrar. E, em um grande impulso, sendo provavelmente a primeira vez que seguira seu instinto, Thomas correra até ele.
– Dylan!
O moreno virou-se para ele confuso – O qu...
Não pode completar sua frase graças aos lábios doces de Sangster que tocavam os seus de modo tremulo enquanto as mãos do loiro seguravam sua jaqueta emprestada. Dylan não reagira por alguns instantes, em choque ao ver o pequeno garoto daquele modo. Thomas sentira seu peito apertar-se, não fora correspondido. Começou a afastar seu rosto tentando criar desculpas boas o suficiente, isso até o moreno puxá-lo pela cintura contra seu corpo forte tomando os lábios do Sangster. Finalmente, ambos pararam de pensar em ‘’ se ‘’ ou ‘’ por que’’, e apenas continuaram daquele modo, apreciando um ao outro, provando mais um do outro. A única razão para se afastarem fora a falta de ar. Thomas demorara para abrir os olhos ainda segurando a jaqueta do outro, ambos arfavam se olhando em silêncio.
– Até amanhã.
Thomas falara e soltara Dylan, antes que o moreno conseguisse pensar no que dizer o loiro correu para dentro do apartamento fechando a porta encostando suas costas na mesma, fechara os olhos suspirando pesado deixando que seu corpo escorregasse até o chão. Colocara alguns dedos sobre os lábios, ofegando, não sabia se fizera besteira, não sabia se Dylan o olharia nos olhos amanhã, mas sorrira largo ao lembrar do gosto dos lábios do outro, não esqueceria aquela sensação tão cedo.
Fale com o autor