Notas iniciais
Eu moro em uma casa de espelhos.
E por isso...

Eu sou só mais uma menina depressiva.

Depressiva por querer ajuda, por ser criança e dependente — e ao mesmo tempo, tão normal.

Sou deprimida por ser solitária, e sou uma andarilha pois sou tão fechada. Eu me inspirei nas ostras do mar, apenas não possuo pérolas minhas para te oferecer. No que restar, vou mesmo me afogar, e depois buscar refúgio no fundo do mar, engolir as impurezas com prazer, desde que não impeçam meu lazer.

Lazer esse o meu que não é te escutar. Gosto na verdade de tentar me explicar. Prosear sem compromisso, inventar minhas histórias e depois delas participar.

Eu sou também uma bailarina frustrada. Frustrada por ser diferente, por não ter oportunidade e por não me encaixar. Pois eu queria ser igual, ou pelo menos o meu melhor.

Eu sou uma definição de uma estrela.

Eu sou uma rocha do mar.

Eu sou um pássaro, e queria saber cantar.

"Mas de repente, não és mais nada. Não significas nada, pois és uma ideia também. És o melhor que conheço, uma encantadora mulher, uma garota inocente, uma virgem amante e uma fogosa apaixonada. E és sua amazona".

Mas isso me disse meu espelho, e nele eu não soube confiar. O que por um momento ficou, não perdurou, e agora já não quero mais ser eu.

Antes d'eu ser o alguém do espelho, eu era só eu. Mãe e geradora, nervosa, ansiosa, exagerada, dedicada. Irreconhecida e irreconhecível.

Mas não se acostume comigo, pois agora eu troquei de espelho. Agora já não sei se sou eu, ou se sou meu novo espelho.

Notas finais
Agradeço à inspiração que me veio para escrever esse desabafo, tão diferente dos que costumo escrever, mas de um tipo já regular em minha vida.
Então talvez, eu esteja agradecendo indiretamente os acontecimentos da minha vida.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!