Apresentando James Potter
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Quem não gostou tome água sanitária com duas colher de açúcar qq
No sexto ano dos marotos em Hogwarts, o mundo parecia ter ficado louco.
Qual não foi o choque para os estudantes de todas as casas quando James Potter num surto de adrenalina e coragem grifinória parou Severus no meio do pátio lotado de Transfiguração e revelou que tinha sentimentos afetivos por ele?
Severus ficara branco como um fantasma, depois corado, e depois vermelho como um tomate.
Ele, é claro, havia recusado James na frente de toda a escola e havia também saído enfezado.
Depois disso, Sirius e Wormtail haviam suposto que James desistiria, mas não poderiam estar mais enganados.
Afinal, ele era James Potter e sempre conseguia o que queria.
Se Severus precisava de provas para acreditar que ele era sim uma boa pessoa e que só havia feito tudo o que fez por ser um jovem sedento por atenção, em especial a sua, então ele a teria.
Padfoot tentava insistentemente convencer James a não fazer aquilo.
Era o primeiro dia de aulas do sétimo ano depois do desembarque que ocorrera num domingo, primeiro de Setembro, então aquela humilhação seria muito maior caso Prongs resolvesse fazer aquilo em público novamente – a comoção seria dobrada, e conturbaria o último ano deles em Hogwarts.
Wormtail parecia não estar entendendo nada, como sempre, assustado como um ratinho em seu canto, e Moony parecia, apesar dos apesares, contente pela decisão de James em ser uma pessoa melhor e pela forma como estava mergulhando de cabeça naquele sentimento que demorara tanto para aceitar.
Ele ajeitou o visual no espelho do dormitório uma última vez, narcisista, penteou o cabelo rebelde para causar uma boa impressão e ajeitou a gravata.
Sirius e Peter trocavam olhares incrédulos, mas Remus parecia bastante à vontade com tudo aquilo.
Afinal, ao seu ver, o amor era sempre uma coisa boa.
— James, tem certeza? — perguntou Sirius, perturbado.
— Tenho, Padfoot, não enche — disse meio azedo. Sabia o que o amigo pensava sobre Severus.
Com um último suspiro, Padfoot cruzou os braços e sentou-se novamente ao lado de Wormtail, aquietando-se.
Sussurrou baixinho só para que Peter e Lupin ouvissem:
— Como diria Pilatos, lavo as minhas mãos.
James lhe lançou um olhar levemente aborrecido pelo espelho e desceu as escadas, levando consigo a capa de invisibilidade.
— Ué, por que a capa? — foi Pettigrew quem perguntou.
— Ora, vou conversar com ele em particular, é claro — disse sensato. — Não vou me expor como da última vez. Vocês viram que não deu muito certo.
Eles tiveram que concordar, e Peter e Lupin assentiram.
Ele abriu a porta do dormitório, retirou o mapa e tocou-o com a varinha murmurando as palavras-chave e localizando Snape no mapa.
Os alunos da Slytherin acabavam de sair da sala de aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, o que indicava que a Profª Merrythought já deveria ter se recolhido para o seu escritório.
Decidido, ele rumou para o terceiro andar, carregando na bolsa de couro de dragão um ukelele que comprara em uma boutique trouxa no centro de Londres.
Chegando lá, coberto com a capa, esperou que os últimos alunos se retirassem e Severus, como sempre – ele costumava monitorá-lo pelo mapa – ficou por último, ajeitando seus livros e anotações.
Ele fechou a porta e Snape deu um salto.
— Quem está aí? — perguntou, desconfiado, empunhando a varinha.
James retirou a capa com um só gesto.
— Sou eu.
A cara de Severus não poderia ter sido mais azeda.
— Ah, Potter — disse com desdém, tornando a ajeitar os materiais. — Já estou de saída.
Prongs foi se aproximando.
— Ei, espere! — pediu. — Sua próxima aula não é com o Profº Slughorn?
Snape estreitou os olhos.
— Está espionando meus horários? — perguntou.
James deu um sorriso culpado.
— Mas isso significa que ainda temos alguns minutos — disse ele.
— Minutos preciosos que com toda a certeza eu não quero desperdiçar com você, Potter — impôs ele, decidido, e ajeitou a bolsa de couro de dragão bastante popular entre os alunos nas costas, preparando-se para evadir dali.
James, mais alto e forte, entrou na sua frente.
— Severus, dois minutos... — pediu ele, aflito. — Por favor.
Snape o olhou desconfiado.
Ainda não havia engolido aquela palhaçada no pátio de transfiguração que James havia armado em Junho do ano anterior.
Hesitou, cauteloso, pensou e, por fim, olhou o seu relógio de pulso, contrariado:
— Você tem um minuto e quarenta segundos — informou, e James assentiu.
Ele retirou um pergaminho surrado do bolso e entregou para o sonserino.
Snape fez uma careta.
— O que é isso? — segurava-o pela ponta dos dedos, temendo que explodisse ou esguichasse tinta na sua cara.
Não seria a primeira vez caso isso ocorresse.
— Bem, você disse que queria me conhecer pra acreditar que eu não era realmente um babaca, então... Isso é uma lista com todas as coisas que ninguém sabe sobre mim — revelou, muito orgulhoso.
Snape ergueu as sobrancelhas, surpreso, e por fim ergueu os olhos negros e frios para o Gryffindor.
— Muito bem, é só isso? — perguntou, seco.
James não se deixou intimidar. Estava acostumado com aquele tipo de reação por parte de Severus, e aquilo já era de se esperar.
Mas ele sabia ser insistente e não estava disposto a desistir assim, tão fácil.
— Não, eu... — Ele hesitou, e retirou o ukelelê da bolsa. — Fiz uma música para você.
Ajeitou o instrumento diante do peito teatralmente.
Snape ergueu as sobrancelhas.
— E desde quando você canta? — perguntou desconfiado.
— Isso não importa, escute... — apressou, temendo estar ficando sem tempo.
Severus se assentou, abaixando a guarda e James ficou de frente para ele, respirando fundo e pigarreando antes de começar.
— Bem, eu sou um ótimo apanhador. Mas isso eu acho que você já sabia, e você não está perguntando, mas eu torço pros Chudley Cannons — revelou, olhando para um Severus impassível nos olhos. — E eu gosto de cupcakes de morango. Na verdade, de chocolate também e de todos os sabores... Eu gosto de comida trouxa num geral. Prefiro Fanta Uva a suco de abóbora.
Snape torceu o nariz.
— E eu gosto muito de esportes muggle, também. Adoro assistir à copa mundial na casa dos meus avós. Inclusive, comprei esse ukelele e aprendi a tocar só para você, sabia?
Ele sorriu ao dizer aquilo, e Snape duvidou com o olhar, pouco convencido daquilo, mas precisou fazer esforço para não sorrir.
Merlin, estava dando certo...
— Eu sou um animago, mas, shhh... — Ele abaixou dramaticamente o tom de voz sem perder o ritmo da cantiga. — Porque minha animagia é ilegal...
Snape abriu a boca para intervir, chocado.
Não queria ser cúmplice de um crime como aquele.
Ele podia ser um trasgo quando queria, uma verdadeira pedra de gelo, mas ele, assim como Lily, tinha muito respeito pelas normas, apesar do grande interesse nas artes das trevas.
— ...e minha forma de animago é um veado. Na verdade um cervo, mas assim fica mais engraçado. — Severus riu, não se aguentou, mas logo retomou o semblante sério.
James começou a cantar mais alto, muito satisfeito consigo mesmo.
Céus, havia conseguido fazer Severus Snape sorrir!
Aquilo era um milagre.
O que o amor não é capaz de fazer, não é?
— Eu sei conjurar o feitiço do patrono corpóreo, e a forma que o meu assume também é a de um cervo. Acho que gosto de cervos... — ponderou cantando. — É por isso que me chamam de Prongs, inclusive. Por causa da galhada.
Snape riu mais.
— Eu adoro quando você cora, você fica realmente muito fofo... — Ele parou de rir subitamente, e ficou envergonhado. Pensou em ir embora, fez menção de levantar, mas James se ergueu – estava agachado – e o agarrou pelo pulso, impedindo-o. — E minha amortentia tem o cheiro que você exala. De ervas misturadas, trituradas para poções.
Severus se encolheu na cadeira e evitou o olhar do grifino, começando a se envergonhar.
— Na verdade, eu não odeio sonserinos, tenho até amigos que são... — E Snape riu de novo. — E meu futuro marido é sonserino, também, então... — Ele deu de ombros numa encenação e Snape olhou-o perplexo. Marido? Oi? — Não gosto de doces bruxos. Exceto feijõezinhos de todos os sabores, adoro a surpresa de não saber o que vou encontrar e eu...
Ele parou por um momento.
— Eu tenho sonhado com este momento desde que te conheci, porque acho que você quer me beijar. E estou certo. — Ele aproximou o próprio rosto do de Severus, olhando-o profundamente nos olhos, e o sonserino recuou, sentindo o coração acelerar – Merlin, aquilo estava indo rápido demais. — Ah, e sabia que venho de Rye, uma cidade do Reino Unido? Morei lá até meus nove anos, por isso tenho um pouco de sotaque.
Snape consultou o relógio reassumindo a postura hostil e abriu a boca para interrompê-lo, mas James continuou:
— Provavelmente, agora você sabe mais do que gostaria — disse sério. — Com os outros eu sou um babaca, tenho uma personalidade um pouco narcsista, mas você me faz querer ser melhor. Prazer, te apresentando o verdadeiro James Potter.
E sorriu, estalando de surpresa um beijo nos lábios do sonserino, sem esperar por convite ou intervenção.
Se afastou em seguida e Snape levantou, rubro.
— Potter! O que acha que está fazendo? — disse lívido.
Ele soltou o ukelele.
— Ué, te beijando — disse inocentemente.
— Isso é um absurdo! — esbravejou Snape, e um silêncio constrangedor tomou a sala por alguns segundos.
...
...
...
— Faça de novo — pediu Severus por fim, reaproximando-se e dando um raro sorriso ao Gryffindor.
James sorriu de satisfação, com os resultados, mas também de orgulho de si mesmo.
Ele sempre conseguia o que queria.
E não havia nada que quisesse mais do que Severus.
F I M
Notas finais
Mas não neguem que ficou fofinha e engraçadinha, vai. u.u
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