Aprendizes de Assassinos-Creepypasta Interativa
4 #3 Marverik, o mercenário. Alexa, a agitada
Notas iniciais
A água morna descia pelo corpo magro e forte do rapaz. Já havia um tempo que ele não sentia aquela sensação boa de estar limpo e leve, já que depois que seus pais foram mortos por um assassino em série só teve tempo de se trancafiar. Morou por um tempo em um orfanato para depois fugir para uma floresta e encontrar uma casinha no meio de montanhas onde passou cerca de quatro anos. Assim descobriu como era viver apenas com a roupa do corpo, diferente de quando ainda morava com os pais ricos.
Aos dezoito anos teve a sorte de conhecer um ser esguio e sem-rosto, vestido de terno e gravata. O homem totalmente desconhecido surgira de repente da floresta, não era ninguém mais e ninguém menos que o próprio Slenderman.
Juntos decidiram acabar com o assassino que havia matado os pais do garoto, já que ambos tinham a sede de vingança por Jeff the Killer...
Com isso, o rapaz passou a se tornar aprendiz de Slender. Foi à cidade, para pegar dinheiro da conta de seus pais e torrou tudo em armas e entrou no mercado negro. Tudo com um único objetivo: matar Jeff.
Agora, no banho de águas vindas diretamente das montanhas aquecidas a gás, se sentia livre dos sempre presentes coletes a prova de balas, das armas de fogo pesadas e das granadas alemãs. Só tinha ele ali. Tentando relaxar um pouco.
Passou a mão pela nuca, sentindo o relevo de uma cicatriz deixada pelo assassino de seus pais. Mas o seu motivo de ódio, também abrigava o motivo de orgulho. Para cobrir visualmente aquela marca, fez com que o símbolo de seu mestre fosse posto sobre aquilo.
Depois de um tempo, finalmente desligou o chuveiro e saiu do banheiro já vestido; enxugando os cabelos escuros e levemente azulados com a toalha.
Andou um pouco pela casa até encontrar preso a porta de entrada uma página de caderno. Chegou perto para poder ler a mensagem deixada por Slender. Dizia:
“Maverik; estou na floresta, qualquer coisa sabe onde me encontrar”.
O rapaz, agora conhecido por Maverik estalou a língua e amassou o papel, jogando-o para qualquer canto. Se seu mestre não estava em casa era mais do que óbvio que estaria na floresta. Francamente, aquele ser ainda achava que ele era burro assim?
Resolveu deixar isso para lá. E para se distrair, passou a olhar pela janela, analisando a situação em que se encontrava na atualidade. Não demorou até que começasse a falar sozinho.
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– Quero matar logo, mestre! – Reclamava manhosa a garota de cabelos longos, cacheados e loiros. Também possuía uma mecha negra que caía sobre seus olhos, o que chamavam atenção já que um era cor de chumbo e o outro de um azul límpido. Em uma de suas orelhas havia uma porção de piercings. Alexa Montenegro estava em uma posição estranha no sofá da casa que passou a chamar de lar depois de ter fugido dos pais que queria interna-la em um hospital psiquiátrico por ela ter tendências assassinas. Sua cabeça quase se encostava ao chão e as pernas estavam viradas para cima, no encosto do sofá, de um modo que ela tivesse uma visão de ponta-cabeça de seu mestre preso no computador – A Jade tá louca pra sentir sangue de novo! – Insistiu se referindo a sua faca presente em sua mão.
– Já disse que amanhã! – O mestre respondeu, sem sequer olhar para ela. Ocupado demais na tela do PC.
– Mas quero agooooooora – Continuava teimando.
– Sou seu mestre não é mesmo? Então tente pelo menos me obedecer.
Alexa desistiu de discutir com ele. Sentou-se direito no sofá e olhou para a janelinha que se encontrava naquela sala.
– Já está na metade da madrugada. Vamos fazer o que?
– Humm... Só um instante – Digitou algumas coisas e então finalmente se virou para ela. Seus olhos eram totalmente negros, com apenas um pontinho vermelho como um laser no centro. Deles escorriam sangue. Ajeitou o gorro verde da cabeça e então respondeu – Hoje a gente vai dar uma visitazinha para o meu meio-colega Jeff.
A garota pareceu ter se animado:
– Legal! Quando?
– Já estou indo – Voltou sua atenção para o computador – Vá indo que te encontro lá.
– E eu vou saber onde ele está? – Resmungou A.
– Qual é Lex! Mando-te as coordenadas pelo celular.
– Okay... – Fez um bico, mas logo saiu animadamente. Não admitia, mas tinha uma pequena paixão por Jeff the Killer.
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[Primeira pessoa]
Não sei como consegui, mas acabei dormindo novamente depois de ter conversado por uns instantes com o Jeff. Acho que agora me tornei meio que seu aprendiz e ele meu mestre. Mas que complicado.
Levanto-me do sofá, onde eu estava cochilando e me espreguicei demoradamente. Se for pensar direito, ele não me deu muita escolha. O jeito que ele me fez a proposta não foi exatamente... Uma proposta. Jeff praticamente me obrigou a me tornar seu aprendiz.
Dei de ombros, suspirando. Dane-se, contanto que ele continue me dando comida está tudo bem. Acho.
Ando um pouco e mal chego ao hall quando a porta da frente é arrombada. Olho indignado para o causador daquilo e me deparo com uma garota de cabelos cor-de-rosa cachados e corpo esbelto. Os olhos azuis me encaravam desconfiados e nem me deu tempo de falar qualquer coisa. Veio para cima com um machado empunhado em mãos.
Acabei caindo no chão e ela tentou decepar minha cabeça. Por pouco consegui desviar, perdendo apenas alguns fios de cabelo. Ela era forte, e tentou meio que me enforcar com o cabo do machado. Ficamos brigando ali, eu tentando empurrar o cabo de volta e vice-versa. Eu estava em uma posição difícil e realmente não pretendia deixa-la vencer. Comecei a perder o controle:
– Caralho mulher! Saia de cima de mim! Nem te conheço!
Ela não respondeu, continuou forçando mais e mais.
Mas que filha da pu...
Com certo esforço pude virar o jogo. Consegui de alguma forma improvável ficar por cima dela, agora conseguindo com mais facilidade empurrar o cabo do machado sobre seu pescoço. A rosada começou a fraquejar. Eu já tinha ganhado o jogo, agora era só esperar e ver seus olhos perdendo a vida lentamente...
– Lawlliet! – Vi Jeff na porta da cozinha, olhando para mim de uma maneira repreensiva.
– AMY! – Olhei para trás, em direção ao garoto que havia exclamado isso. Usava um cachecol listrado, cabelos castanhos um tanto compridos e possuía olhos verdes como esmeralda. Parecia um pouco com o meu mestre.
Apesar das devidas circunstâncias, continuei tentando acabar meu serviço. Eu ia matar aquela infeliz!
– Lawlliet Blake, solte já essa garota – Ordenou calma, porém impacientemente, Jeff.
Nem dei ouvidos, estava bem irritado com ela.
O garoto que havia a chamado de Amy entrou em ação. Empurrou-me para longe dela e tentou ajuda-la a se recuperar das tosses incessantes. Peguei minha faca que havia deixado no bolso e já estava pronto para atacar ambos quando Jeff me repreendeu novamente:
– Pare agora mesmo com essa infantilidade ou eu mesmo lhe mostro o que acontece quando me desobedece – Seu tom foi claro. Respirei fundo algumas vezes para tentar me controlar e larguei a faca, pondo-me firmemente de pé.
Um pouco de tempo se passou até que o garoto desconhecido e a suposta Amy se pusessem de pé, recuperados do susto. Jeff encarou o garoto de cabelos castanhos e então disse:
– Liu.
– Jeff – Devolveu ele, fitando-o de volta.
– Vejo que tem uma aprendiza.
– E vejo que você tem o seu.
Usavam palavras rápidas, como se economizassem as falas.
– Está é Amy – Apresentou o tal Liu, indicando com a mão inteira a garota de cabelos rosa – Minha melhor aprendiza até hoje. – Isso a fez corar um pouco.
Jeff não teve a mesma delicadeza comigo. Puxou-me pelo pulso para o seu lado, com certa agressividade.
– E este é Lawlliet Blake. Meu primeiro pirralho aprendiz.
Fiquei um pouco irritado pelo jeito que ele se referiu a mim, mas ignorei.
– Pelo jeito vocês dois se conhecem – Comentei, puxando meu braço para dentro dos bolsos do moletom.
– Ele é meu irmão – Jeff falou calmamente.
– Seu... Irmão? – Franzi o cenho e olhei para Liu mais uma vez, da cabeça aos pés.
Nessa hora, um cachorro bem parecido com a raça Husky Siberiano entrou na casa. Mas havia alguma coisa errada com aquele cachorro, pois... Desde quando cães sorriam? Este Husky tinha um largo sorriso, tão grande quanto ao de Jeff. Sem contar os pelos vermelhos como fogo.
O animal caminhou sem hesitar até meu mestre, que para minha perplexidade, acariciou lhe os pelos.
– Smile Dog... Quanto tempo – Sussurrou Jeff.
Amy me encarava de um jeito assustador. Talvez estivesse desejando mentalmente minha morte.
– Mas que reunião de família hein? – Uma outra voz debochada disse, na porta de entrada. Parecia um garoto duende, de gorro e camiseta verdes, cabelos loiros e orelhas pontudas. Sorria de canto com uma das mãos na cintura, carregando um notebook. Ao seu lado se encontrava uma garota loira, bonita.
– BEN Drowned – Os dois irmãos já antes presentes murmuraram juntos.
Francamente... Que noite cheia.
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