Aprendizes de Assassinos-Creepypasta Interativa
15 #14 Que comece a Guerra!
Notas iniciais
A músiquinha do nosso capítulizinho bem AQUI~
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[Primeira Pessoa]
— De jeito nenhum Lawlliet! — Tatsuya exclamava sempre que eu tentava convencê-lo com uma frase diferente, porém mal terminava de falar e ele me cortava. De qualquer jeito tentei mais uma vez:
— Desta vez eu juro que volto mais cedo. — O segurei pelos ombros, vendo o ruivo abaixar a cabeça. Estávamos do lado de fora de seu internato, perto do muro de tijolos que nos separava da floresta. Jeff estava do outro lado, longe de seus olhos, contudo perto o suficiente para nos escutar — Estão precisando de mim lá fora. É questão de vida ou morte.
— Me explica agora o que está acontecendo. — O ruivo pediu. Os olhos mostrando o quanto não queria que eu fosse.
— Se eu voltar, eu lhe contarei tudo. É uma promessa.
E antes que Tatsuya pudesse falar qualquer coisa, o deixei e saltei o muro, me juntando ao meu mestre.
— Pensei que ficaria aqui até anoite. — Resmungara Jeff.
— Desculpe.
— Vamos logo. — O segui apressadamente. Desta vez eu estava determinado a fazer certo. Eu não pararia no caminho. — Temos muito que repor. Se eu fosse você pegaria três vezes mais pesado nos treinos.
— Vou me esforçar.
Eu podia sentir seus olhos sobre mim, o que era desconfortante. Continuávamos a caminhar por um caminho familiar, porém aqueles dois aros negros continuavam a me observar. Tudo o que eu conseguia fazer era seguir initerruptamente os passos de meu mestre, encarando fixamente o chão, não querendo levantar a cabeça e dar-me de cara com Jeff.
Estávamos perto de chegar a casa onde tudo começou quando ele parou na porta, a mão sobre a maçaneta.
— Qual o problema? — Indago.
Jeff ficou com os músculos tensos, de modo que seus ombros se encolhessem. E ficou dessa forma por alguns segundos. Resolvo não insistir na pergunta, já que já sabia o quanto sua paciência era limitada. Então simplesmente espero alguma ação diferente de sua parte, encarando as costas do moletom sujo.
Passou-se um tempo antes que sua postura relaxasse e Jeff me chamasse:
— Lawlliet.
Franzi as sobrancelhas. Foi a primeira vez que ele me chamava daquela maneira. Pigarreei antes de respondê-lo.
— Sim?
Meu mestre se virou vagamente em minha direção, ficando de frente para mim. Quando olhei mais uma vez para a sua face desfigurada, com aquele corte reaberto há pouco tempo e a expressão fria no rosto me lembrei do quanto àquilo era tenebroso e me segurei para não demonstrar o arrepio que percorreu minha espinha. Talvez tivesse me esquecido o quanto Jeff era perigoso.
— Eu... — Ele hesitava se devia mesmo continuar, embora seus olhos se mantivessem firmemente presos aos meus. O assassino abria e fechava a boca várias vezes como quem quisesse dizer algo, mas não conseguia, tentando arranjar várias formas diferentes para se expressar.
— Senhor? — Falei no tom mais baixo que consegui, não querendo desconcentrá-lo.
Jeff pareceu ter desistido, estalando a língua e passando por mim, deixando a ideia de entrar de lado.
— Vamos começar a treinar desde já. — Eu sabia que não era isso que ele queria ter me dito antes, porém, mesmo assim o segui. — Tenho muitas coisas ainda para lhe ensinar.
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[Terceira Pessoa]
As últimas semanas tiveram sido corridas para todos os aprendizes e mestres. Faltava apenas um único dia para o dia oficial da Guerra de Assassinos. O dia seria dedicado para que descansassem e estivessem bem dispostos na luta, porém, alguns ainda preferiam treinar um pouco mais, apenas para garantir que tudo estava em ordem.
Maverik era um desses, treinando a precisão de seu rifle. Ele não parara nunca, e quanto mais treinava, ficava cada vez melhor. Slenderman adorava o rumo que aquilo tomara. Conseguiriam sua vingança contra Jeff the Killer. Contudo, Unfair ainda não estava completamente seguro. Nunca tivera visto o aprendiz do maior inimigo em ação, então todo treino era pouco. Jurou que ganharia de qualquer forma. Apreensivo ou não, ele iria massacrar o grupo um.
Thomas D’Sangria e Adryan Moore observavam o colega de longe enquanto acendiam uma fogueira para aquecê-los do frio de inverno.
— Hey — Thomas disse para Adryan — Você por acaso sabe o motivo para essa guerra toda? — E esfregou os braços para tentar parar de bater os dentes.
— Não. Acho que ninguém mencionou isso antes. Pra mim era apenas porque todos se odiavam.
— Mas isso é muito vago... — Tommy lamentou. — Se nós vamos lutar por algo, preciso saber o que é.
— Pergunte para o seu mestre, oras.
— Se eu quisesse perguntar para ele já teria feito isso há muito tempo, né? — O albino revirou os olhos, logo ouvindo seu estômago roncar. — Eu bem que queria um bom lanche agora.
— Nem me diga.
Um pouco mais longe, numa casinha na periferia, Emmy jogou sua faca. A lâmina rodopiou algumas vezes antes de acertar diretamente o centro. Jane deu um amplo sorriso e sua aprendiza comemorou o sucesso de seus treinos. Estava determinada após tanto esforço.
Yun observava a cena também dando um pequeno sorriso. Para ela, eles tinham uma grande chance na Guerra. Acariciava os pelos de Death que a separava de Filipe, também sentado brincando com uma de suas facas.
— Estais pronto? — A morena indagou para ele.
— Estou. Pronto até demais.
— Desejo-te boa sorte. Ajudarei sempre que for preciso.
— Digo o mesmo.
Yun deu um último sorriso antes de virar-se para tirar um cochilo antes que as coisas não lhe permitirem mais isso.
Myara perdia seu tempo desenhando, para variar. Alison e Anmarie conversavam casualmente sobre o rochedo onde a menor dentre as três se encostava até que Eyeless se aproximasse.
— Perdendo tempo de novo, Mya White?
A garota fez uma expressão emburrada no rosto.
— Foi você mesmo que me disse para descansar.
Eyeless suspirou.
Alexa Montenegro saiu pela tela do celular de BEN, ganhando um gesto de aprovação de seu mestre. Não sabia exatamente como usaria aquele truque na guerra, porém tinha a sensação de que ajudaria seu grupo com aquilo. Estavam sob o mesmo teto que o restante de seu grupo, sendo que Amy terminava de ler seu livro e Liu afiava sua faca.
Após a volta de Lawlliet o grupo número um ficara mais forte, e assim como Maverik Watterson e Slenderman, Jeff e seu aprendiz paravam raramente para descansar. Naquele momento, BEN, Liu e suas respectivas aprendizas sabiam que os dois estavam em algum lugar ao redor, enfrentando o frio de rachar e batendo lâminas por aí.
Infelizmente, ninguém sabia ao certo sobre o progresso de Lawlliet. Suas habilidades eram totalmente desconhecidas até mesmo para o grupo. Mas uma coisa era certa: Jeff não dera mole, o que significava que era uma boa aposta acreditar que seu aprendiz impressionaria.
Ao visto, aquele inverno substituiria a neve por sangue. Todos estavam loucos para decapitar alguém e levar seus grupos para a vitória. O que não sabiam era que o Grupo Número Zero cuidava dos detalhes. Nunca facilitariam para ninguém, deixando armadilhas no meio do caminho para que abrisse as feridas nos corações de cada um e atrapalhando suas chegadas até eles. Afinal, não pretendiam serem bonzinhos para com os outros grupos. Se sobrevivessem na prática, deveriam aguentar a guerra psicológica que ainda estava por vir.
Isso animava Key. Claro que tinha suas próprias expectativas dos aprendizes e seus mestres, e prometeu tornar cada luta um espetáculo.
Todos os grupos só tinham uma coisa na cabeça:
“Que comece a Guerra!”
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