Aprendendo com a vida
3 Capítulo 2-Respirando novos ares[parte 2]
Notas iniciais
Comecei a andar por aquela linda paisagem sem rumo algum, apenas seguindo os meus instintos. Estava tão encantada com aquela beleza rural, que acabei esbarrando em um corpo estranho, que logo falou:
–Você é cega ou o quê?- disse um moreno alto, de forma indelicada.
–De-e-esculpa- falei olhando pro chão e sentindo uma certa vergonha.
–Além de ser cega, também é gaga!- disse ele soltando um monte de gargalhadas, zombando da minha cara.
–Quem você pensa que é para falar assim comigo? Tenha mais respeito!- falei, elevando meu tom de voz com ele.
–Eu sou eu, e faço o que eu quiser e quando quiser!- disse ele, quase gritando.
–Quer saber? Pessoas como você não merecem o meu tempo!- falei dando de costas e andando em direção a um banquinho de madeira que tinha por perto e, antes de sentar, dei uma pequena olhada para trás e vi que o moreno estava com uma expressão de ‘não tenho resposta’ e com isso não pude aguentar, dei uma pequena gargalhada e me sentei no banco.
Coloquei os meus fones de ouvido e selecionei uma música, mas precisamente Tempo Perdido, do Legião Urbana. Meio antigo? Sim, o mundo pode ter evoluído, mas prefiro o mundo de antigamente. Comecei a batucar os dedos no banco, acompanhando o ritmo.
‘Como eu queria que meu violão estivesse aqui comigo’- pensei, me lembrando de como gostava de tocar com as minhas amigas em tempos vagos que tínhamos, comecei a cantar aquela música quando meu fone foi violentamente arrancado de meus ouvidos. Quando olhei para cima, vi aquela linda figura, que ainda pouco havia discutido comigo.
–Qual o seu problema?- perguntei tentando pegar os meus fones de ouvido da mão do rapaz.
–Nenhum, eu só percebi que gosto de te atentar. – disse o moreno de forma indiferente dando um sorriso travesso.
–Só me faltava essa! Agora me devolve os meus fones!- falei, pulando em cima do rapaz e, em seguida, caindo no chão.
Eu esticava o meu braço para tentar pegar os fones e o moreno ria e esticava ainda mais o braço, tentando evitar que eu pegasse. Até que, finalmente, eu consegui pegar da mão do moreno e guardar no meu bolso da calça jeans, levantando-me do chão.
–Nunca vi pessoa mais irritante e infantil na minha vida!- falei fitando o moreno, que só ria da minha cara.
–Obrigado pelo elogio, mas quem te perguntou?- disse o moreno com uma expressão meio irritada.
–Não sou movida a perguntas. – falei, o encarando pronta para a próxima resposta que ele ia dar.
–Nossa! A gatinha está afiada hoje. – disse ele rindo e, logo depois, indo embora.
O fiquei observando. Quando ele foi embora, pensei:
‘Que legal! Já tenho uma pessoa para encher o meu saco! Tomara que eu não o encontre mais’
Peguei o meu celular e já eram cinco e meia da tarde! Eu sei que só é para voltar para casa sete horas, mas até eu descobrir onde eu estou e achar um ponto de táxi, vai demorar. Comecei a ficar meio aflita, mas tive sorte, nessa hora estava passando uma moça alta de cabelos ondulados e, na hora, eu a abordei e perguntei onde tinha um ponto de táxi e ela apontou para a próxima rua e disse para eu virar à direita. Agradeci e saí que nem uma criança correndo até o ponto de táxi. Quando cheguei no ponto, entrei rapidamente em um táxi qualquer e falei o meu endereço para o taxista, mas não ouvi nenhuma resposta, então repeti e nada.Eu me afastei um pouquinho para frente no banco de trás, para ver o que estava acontecendo e, para minha surpresa, encontrei o taxista tirando uma pequena folga do trabalho, dormindo e roncando.
Fiquei com pena do rapaz e saí do táxi tentando não fazer nenhum tipo de barulho para o acordar, pensei em como o mesmo deveria estar cansado depois de tanto ter trabalhado naquele dia para sustentar a sua família e, logo depois de eu conseguir sair em silêncio, entrei no táxi que se encontrava logo atrás e sentei no banco de trás.
–Senhor, eu gostaria de ir para o lote 'A Fifonha' por favor.- falei para o senhor, que aparentava ter uns 40 anos na face.
–Ok.- disse o senhor, ligando o carro.
Fechei os meus olhos e pus-me a dormir no banco do táxi.
–Moça, moça, moça!- disse o taxista, enquanto me cutucava.
–Já chegamos?- falei ainda meio sonolenta.
–Sim moça e eu não sabia que uma moça tão bonita e educada, roncava tanto.- falou o taxista dando gargalhadas.
–Desculpa!- falei quase rindo.
Me despedi do taxista, adentrei o lote, onde se localizava a minha mais nova casa, e olhei que horas eram no meu celular.
'Cheguei no horário, graças a Deus'- pensei, sacudindo as minhas mãos para o alto em sensação de alívio e bati na porta, esperando o meu pai abrir.
Depois de uns cinco minutos, meu pai todo sorridente abriu a porta e me cumprimentou com um abraço bem apertado seguido de um beijo na testa bem demorado.
–Oi, filha!- disse meu pai em um tom de alegria, me libertando de seu abraço e também de seu beijo.
–Oi, pai. A vizinhança é tão bonita e cheia de árvores, animais, pássaros, tudo é tão mágico aqui!- falei, me recordando do passeio que havia feito nessa tarde.
–É verdade, mas será que agora a senhorita poderia fazer o favor de arrumar o seu quarto?- disse o meu pai.
–Sim.- respondi, meio desanimada, enquanto subia as escadas.
Após subir as escadas com grande esforço, entrei no segundo quarto que havia no corredor.
'Que quarto lindo'- pensei, olhando tudo com ansiedade e rapidez.
Era todo vintage, do jeito que eu queria.Tinha uma cama de casal com formato oval e fotos espalhadas pelas paredes com moças trajando roupas vintage.
'Acorda Carolina!Você tem que arrumar as suas coisas!'- pensei alto, dando um sermão em mim mesma.
Então, comecei a tirar as minhas roupas e calçados da mala, colocando no chão e depois colocando dentro do armário, de forma organizada.
'Din-don'- fez o barulho da campainha.
–Deixa que eu atendo!- falei enquanto descia as escadas rapidamente e abri a porta de forma brusca.
–Olá nós somos seus vizinhos e viemos aqui dar boas-vindas- falou um senhor alto e moreno acompanhado de sua esposa e seu possível filho, que nesta hora estava virado de costas mexendo em seu celular.
–Oi, prazer! O meu nome é Carolina, mas podem me chamar de Carol.- disse, esboçando um sorriso em meu rosto.
–Prazer Carol, me chamo William Cooper, essa é a minha esposa Dione Cooper.- falou apontando para uma moça que tinha ao seu lado
–E por último, esse é o meu filho Oliver Cooper.- disse apontando para o garoto, que estava guardando o celular em seu bolso e se virando para me cumprimentar.
Quando ele se virou, não pude evitar abrir a boca e colocar a minha mão sobre ela.
–Ah, não acredito!- dissemos eu e o moreno ao mesmo tempo, em tom indelicado. Sim, aquele moreno insuportável que havia implicado comigo e que fez eu perder a minha paciência por completo.
– Vocês já se conhecem?- perguntaram o senhor e a senhora Cooper espantados.
–Sim, eu o conheci em um belo passeio que estava fazendo e ele me fez uma ótima companhia.- disse, com ironia.
–Olá, são os nossos vizinhos?- perguntou o meu pai, se colocando do meu lado.
–Sim e trouxemos comida.- disse a senhora Cooper com uma travessa de lasanha de presunto e queijo na mão.
–Entrem, vamos comer todos juntos.- disse o meu pai, alegre, fazendo um gesto para a família entrar.
Depois de todos entrarem, nos dirigimos à cozinha e a senhora Cooper deixou, com cuidado, a lasanha na bancada.
–Antes de comermos, eu gostaria de mostrar os cômodos da casa para vocês.- disse meu pai, convidando os vizinhos.
–Aceitamos esse convite com o maior prazer!- falou a senhora Cooper sorrindo.
–Carol, você poderia por a mesa, enquanto eu mostro a nossa casa?- perguntou o meu pai.
–Sim, pai, sem problema.- respondi, já abrindo uma porta do armário, que ficava sobre o fogão, onde se encontravam os pratos de porcelana.
–Oliver, seja cavalheiro e ajude a Carol, ok?- perguntou o senhor Cooper ao moreno.
–Sem problema.- disse o moreno, esboçando um sorriso fraco no rosto.
–Não precisa, eu faço sozinha, sem nenhum problema.- respondi, tentando evitar ficar algum tempo sozinha com o Oliver.
–Não querida, o Oliver te ajuda.- disse a senhora Cooper.
–Tudo bem.- falei, desanimada.
'Vou ter que aguentar ele de novo!'-pensei, perdedora.
–Tchau, voltamos já, já .- disse meu pai desaparecendo com os vizinhos pela escada.
–Que ótima surpresa!- disse Oliver, irônico e fazendo careta.
–Só falta a gente ser da mesma escola, ai sim vai ser o meu fim.- como eu queria que estas palavras não tivessem saído da minha doce boca.
– Nem me fale uma coisa dessas.- disse Oliver, colocando os pratos na mesa e eu, os copos e talheres.
Depois de pormos a mesa, nos sentamos em cadeiras bem distantes e nos evitamos esperando o meu pai e os pais dele chegarem.Depois de uns 15 minutos, o meu pai chegou e agradeceu por nós termos posto a mesa e convidou os pai de Oliver para sentar. Os vizinhos se sentaram perto de Oliver, enquanto meu pai sentou ao meu lado.Quem se serviu primeiro foram os vizinhos e depois eu e meu pai.
–Estou tão feliz por Carol já ter um amigo aqui.- disse meu pai, enquanto dava uma mordiscada naquela deliciosa lasanha.
–Nós também!- falaram o senhor e a senhora Cooper, simultaneamente.
–Olha, nós não.....- eu ia continuar a falar e explicar que eu e Oliver não somos amigos, mas fui interrompida por um olhar de reprovação do meu pai, evitando que eu continuasse.
–Então, contem mais de vocês.- disse o senhor Cooper repetindo o prato de lasanha.
–Bom, eu e Carol morávamos em Bridgeport, em uma casa de dois andares. Eu tinha filiais da minha empresa Capple lá, e moramos lá desde que a Carol nasceu, somos só ela e eu, desde os 8 aninhos dela, pois a mãe dela, infelizmente, morreu em uma viagem de negócios e viemos para Appaloosa Plains, pois tenho novas filiais aqui. Resumindo, é isso.- disse meu pai.
–Nós sentimos muito sobre sua esposa.- disseram a senhora e o senhor Cooper com a mão no coração.
–Obrigado.- disse meu pai, deixando uma lágrima rolar sobre seu rosto, discretamente.
–Onde a Carol vai estudar?- perguntou a senhora Cooper.
–Na Escola Crestview.- respondeu o meu pai.
–Que grande surpresa, Oliver também estuda lá!- falou a senhora Cooper de maneira eufórica.
–Que saco!- murmurei, o mais baixo que pude.
Para minha grande surpresa, o moreno só se manteve calado durante todo o jantar, comendo.
–Que foi Carolina que disseste?.-perguntou meu pai.
–Nada.- falei, de forma seca.
–Olha a hora!Temos que ir!Tchau!- disse o senhor Cooper, se despedindo, acompanhado de sua esposa e filho.
–Tchau!- dissemos eu e meu pai, enquanto víamos todos saírem pela porta.
–Pai, vou dormir!- falei, me levantando da mesa e indo em direção a escada.
–Ok, mas amanhã vamos coversar.- disse meu pai, sério.
Subi as escadas, que nem um furacão e, quando avistei o meu quarto, pulei em cima da cama e fechei os meus olhos, deixando-me levar pelo cansaço.
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