Aprendendo com a Vida

2 Um ogro não tão ogro assim


Notas iniciais
Segunda fic , espero que gostem

Sai da quadra.

Estava com muita raiva, e muita fome também. Acho que minha fome superou minha raiva. Dirigi-me até o refeitório, porém, este estava super vazio, então decidi ir até a lanchonete do outro lado, na frente da escola.

Chegando lá, pedi um suco de abacaxi com muito gelo e um x-salada com muita alface, tem que manter a forma ué.

Estava quieta, olhando para a janela quando a Hikari chega e senta em minha mesa.

- Oi amorzinho, já pensou na roupa? – disse ela, com um sorriso muito forçado.

- Já, desenhei um modelo, vou levar na costureira e até sexta eles ficam prontos. São de um tecido especial, pois é Março, e está muito calor, aí para não ficar com marcas de suor irei usar um tecido bem especial. — disse eu, como se eu fosse uma expert nisso, mas na verdade eu não sou, só entendo um pouco.

- Que ótimo, ah, mudando de assunto, e a nossa festa, na sexta à noite, ainda tá de pé?- perguntou ela, olhando para o lado, coçando a nuca.

- Sim, meu pai vai viajar e a festa está garantida – disse eu, sorrindo.

-Então vamos ao shopping comprar roupas novas?- disse ela. Já saquei o interesse em conversar comigo, ela quer que eu a leve para o shopping, a gente gasta uma fortuna e ela paga bem pouco, aí ela sai toda diva na escola porque anda comigo, tudo isso é falsidade, uma coisa que eu odeio. Mas fazer o que, se você quer ser popular este é o caminho.

- Não, hoje não, eu estou cansada, nós treinamos muito, e eu ainda... ah, deixe quieto – disse eu, lembrando do “garoto não fala merda senão te esculacho” [ desculpem a palavra] .

- O que aconteceu? Me conta, vai! – disse, ela, toda curiosa, pra depois poder espalhar para o colégio inteiro.

- Não, é coisa minha. Já acabei, estou indo. – disse eu, levantando da mesa e deixando o dinheiro em cima desta.

- Tá então, te vejo de noite lá no Kitts Bar, as meninas vão, ai você aproveita e nos mostra o novo figurino para o campeonato – disse Hikari, esta também estava com o uniforme das lideres de torcida.

Sai da lanchonete e fui para fora, tomar um ar. De longe, avistei uma garota de cabelos roseados, carregando seus livros, até que passam alguns alunos do time de basquete, e derrubam seus livros.

Fui até lá.

Passei por eles, eles mexeram comigo, virei e disse a um deles:

— Kurt, porque fez isso com a garota? – perguntei, encarando-o.

— Ino, se não é a gata miss popularidade. – disse ele, zombando da minha cara.

— Vou repetir, porque você fez isso com a garota? – perguntei, brava.

— Qualé Ino, vai defender a nerdizinha?- disse Kiba, outro garoto do bando.

— Cala a boca os dois e vazem, ela não fez nada pra vocês então vocês não tem esse direito – disse eu, brava – xô, anda. – eu fazia gestos com as mãos indicando que era para eles irem embora.

Eles saíram, me agachei e ajudei-a a pegar os livros.

— Você está bem? – perguntei a ela, sorrindo.

— Sim, obrigada – disse ela.

— Precisa de alguma ajuda em alguma coisa?- perguntei, já me levantando.

— Olha, não se preocupa, obrigada por ter me ajudado, mas eu estou bem. Não manche sua reputação ajudando uma garota qualquer esquecida no fundo da sala, eu sei me virar sozinha, obrigada – ela disse, levantou e saiu.

Olhei-a, admirada, que coragem a dela.

Quando passa um carro em alta velocidade e joga toda a lama da poça da rua em mim.

-AAAAARGH! – disse eu, quase chorando- Poxa Deus, o que eu te fiz hoje? – exclamei, olhando para o céu.

— Quer ajuda? – perguntou um garoto, estendendo-me sua mão.

— Quero – olhei seu rosto para ver quem era. PERAI, para tudo, é o garoto grosso senhor “FuckYeah”, agora deve estar querendo zoar com a minha cara, mais um pouco.

Aceitei a ajuda e levantei-me, estava Completamente suja de lama, dos pés à cabeça.

— Qual foi? Vai zoar com a minha cara? – perguntei a ele.

— Não, vim te ajudar. Mas saiba, se eu tivesse uma câmera nesse exato momento você iria virar famosa no youtube e em todas as outras redes sociais- disse ele, sorrindo. Só agora eu percebi o quanto ele é bonito. É alto, tem os olhos profundos, pretos. É muito forte, ruivo, e está usando xadrez.

Parei de olhar ele e olhei para mim, minha calça estava suja de lama, porém minha blusa muito mais. Agora que ferro! Nenhum Taxi vai querer levar uma garota imunda e sujar o banco do carro.

— Ai meu Deus, to ferrada – disse eu, exclamando com cara de choro.

- Nenhum Taxi vai querer você como passageira- disse ele, sínico.

- É eu sei – disse, com cara de tacho.

- Vai de ônibus? – perguntou ele, olhando para a rua.

- Não sei que ônibus pega pra ir até o centro, e outra, não posso chegar em casa suja de lama assim, vou ter que passar em alguma loja comprar alguma coisa. Se meu pai me vê assim, ah, to frita. – Disse eu.

— Hunm. Se quiser eu posso ir até lá com você – disse ele, evitando me olhar.

- Tá, mas vamos passar no centro antes, quero comprar qualquer coisa pra vestir. – disse eu, sorrindo.

- Que seja. – falou ele.

O ônibus chegou, subimos, pagamos e entramos. O único problema, talvez seja o maior, é que o ônibus, estava mais ou menos assim: a multidão de um maracanã lotado dentro de um fusca. Nós fomos sugados literalmente para dentro. Oh meu Deus, o que eu fiz pra merecer isso?!

Meia hora depois, eu já exausta de ficar de pé, exprimida e cheirando as axilas de muitas pessoas, finalmente chegou nosso ponto. Fomos literalmente empurrados para fora.

— Uau, essa é uma experiência da qual nunca mais quero viver. – disse eu, olhando o ônibus se distanciar.

Andamos mais um pouco, eu já tinha a loja certa a ir em mente.

— Porque ta me ajudando? Pensei que você fosse um ogro grosso e idiota. – disse eu, continuando a andar.

- É que, sabe, eu não gosto que maltratem os animais, e se você ficasse lá fora, na frente da escola, toda suja, muitas pessoas zombariam da sua cara, aí resolvi te ajudar. Mas não se acostuma não, cobra é perigoso, então eu só ajudo uma vez – disse ele, sorrindo entre dentes.

Se ele não tivesse me ajudado já teria levado um soco.

Respirei fundo, ignorando todos os palavrões em minha mente.

Chegamos enfim a loja. Era uma loja de marca.

Uma hora e meia depois eu achei uma roupa que preste. Agora o problema era o ruivinho ali fora me esperando. Ele estava da cor do cabelo de tanta raiva, [risos]. Mas espera, nem sei o nome dele, nossa.

Ah, esqueci de dizer, eu estava usando uma saia toda de babado preta bem curta, cintura alta e uma blusa rosa. Ah, e um salto é claro, um salto preto. E minha bolsa transversal de colégio, dentro dela, em uma sacola, estava minha roupa suja.

— Da próxima vez vou te deixar mofando na frente do colégio e vou chamar todo o time de basquete pra te ver cheia de lama – sente a raiva do ruivinho, anw.

— Desculpa, mas nada dava certo. Aqui, eu nem sei seu nome, pode me dizer? – perguntei, coçando a nuca.

- Gaara, Sabaku no Gaara, o seu é Ino certo? – perguntou ele, olhando a rua.

— É. – disse.

Ficamos um bom tempo em silêncio, olhando para a rua.

— To com fome chapeuzinho vermelho, vamos comer alguma coisa? – haha, ele vai ficar muito bravo.

— Chapeuzinho vermelho é a vozinha, falo? Não me chame assim. É, também estou com fome. – disse ele.

Dirigimo-nos até uma lanchonete. Sentamos em um banco em frente a avenida.

- O que vocês desejam comer? – perguntou o garçom.

- Eu quero uma agua e um x-salada com muito alface – disse.

- Eu quero um x-tudo com o maior copo de milk-shake que vocês tiverem, de nutella. – disse Gaara.

- Uau, você vai virar uma bola se comer tudo isso – disse, assustada.

- Não sou uma garota anoréxica que ama ficar magra, e outra, eu to com fome mesmo. – disse ele, provocando.

- Hunm.

Quinze minutos depois a comida chegou. Gaara comeu mais rápido que eu, se é que é possível. Fomos até o ponto de ônibus.

- Eu pego que ônibus? – perguntei a ele.

- Esse. – eu entrei, e para minha surpresa, ele entrou também.

- Garra, sua casa é para o outro lado – disse eu, tentando entende-lo.

- Você é uma patricinha andando de ônibus pela primeira vez, e é muito fresca, não vai conseguir chegar em casa. Te acompanho até lá. – disse ele, do tipo “assunto encerrado”.

Ficamos em silêncio até chegar lá. Vagou um banco e eu sentei, até que enfim [o/]. Quarenta minutos depois chegamos.

Descemos do ônibus e paramos em frente á minha casa.

- Quer entrar? – perguntei.

- Não precisa, já vou indo. – disse ele, entediado.

- Obrigada por você ter me trazido até aqui. – sorri, timidamente.

- Denada, mas eu não vou fazer caridade mais uma vez tá! – disse ele, sarcástico.

- Tá então, to indo. – eu disse, mas antes de entrar, depositei um beijo em sua bochecha, e ele foi.

Continua...

Notas finais
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