Aprendendo a amar

4 Ainda mais curioso


Aprendendo a Amar

Cap. 4 — Ainda mais curioso

Lá estava eu mais uma vez na sala de jantar tomando café da manhã, mas ainda não havia nem tocado na minha comida. Minha mente estava em outro lugar, para ser mais específico, minha cabeça estava pensando no comportamento estranho de Hinata na sala de música. Sou uma pessoa que fica cismada com muito facilidade e, agora, estou cismado com a Hinata. Ela me é um tanto que... Misteriosa e um pouco estranha. Sim, acho que essas são as palavras que a define. Pelo menos, por enquanto, pois ainda não a conheço muito bem.

— Naruto! — gritou o Sasuke. — Tá aonde?

— Estava pensando.

— Em? — perguntou o Lee.

— Nada que seja da conta de vocês.

— Pra que tanta falta de educação, Naruto? Estamos tentando ser seus amigos, sabia?

— Eu também, mas ainda não conheço e nem confio em vocês o suficiente para sair contando os meus pensamentos e segredos mais obscuros.

— Concordo com você. Eu te entendo — falou a Gaara —, disse a mesma coisa a eles quando vim para esse internato. Demorei a confiar neles.

— Pelo menos um que me entende.

Ele não mostrou nenhuma reação ou expressão, somente assentiu e voltou a comer. Eles voltaram a conversar entre si e eu voltei aos meus pensamentos, e também a me perguntar o porquê de estar pensando tanto sobre aquela garota.

Procurei por ela pela sala de jantar e pude vê-la sentada à mesa com a Ino. A Ino parecia estar contando algo engraçado, já que a Hinata logo abriu um sorriso largo. Ela tinha uma expressão leve, tão diferente das expressões de dor ou vazias que eu já havia visto tantas vezes em seu rosto.

Pelo menos eu já sabia que ela ainda ria e se divertia. Eu realmente cheguei a pensar que ela tivesse depressão. Pessoas assim não riem tanto, né? Eu não sei, mas, provavelmente não. Depressão só tem um significado e está longe de ser alegria. Isto é óbvio.

Acabei nem tocando na comida. Meus pensamentos tomaram conta da minha fome. Esse é o meu nível de pessoa cismada e curiosa. E e isso que essa garota me provoca: curiosidade. Ela sempre age de uma forma tão estranha e eu estou curioso para saber qual motivo será esse.

O sinal tocou.

Várias aulas haviam se passado, todas um tanto chatas e monótonas. Outra havia acabado nesse instante e, agora, eu sabia que seria aula de educação física. Tinha até vestido a roupa apropriada para a aula.
Fomos para o ginásio e, assim que chegamos, um professor alto e moreno estava lá dentro.

— Bom dia, turma! — falou com alegria. — Naruto é o seu nome? — perguntou olhando pra mim.

— Sim.

— Os professores me falaram de você e eu também já sei que é um aluno... Revoltado?

— Por aí.

Ele riu. Pelo visto, tinha um professor legal naquela escola, pois a única professora que eu tinha me dado “bem” tinha sido a professora Mei. Ela era a única que parecia dar uma aula realmente divertida.

— Bom, prazer em te conhecer. Me chamo Asuma, mas já que é um novo aluno, quero te receber com um clássico: queimada. Serão duas equipes, você e o... Suigetsu serão os líderes. Façam par ou ímpar e quem ganhar começa escolhendo.

Nos aproximamos. Ele venceu, não fiquei zangado. Só um pouco.

Ele escolheu um tal de Deidara, enquanto eu escolhi o Sasuke. Eu não conhecia ninguém da classe, tinha que pegar alguém que soubesse que era realmente bom em educação física.

— Você pode ir me dizendo quem eu devo ir escolhendo? Eu não sei quem é bom ou ruim aqui.

— Tudo bem, sabia que tinha algo por trás para ter me escolhido sem pensar.

Eu ri de leve e baixo.

Ele foi me dizendo e eu fui escolhendo sem pensar. Quando faltavam seis pessoas, eu olhei para Hinata. Ela olhava o banco que tinha perto de si, parecia já saber que iria para lá.

— Escolhe o Juugo.

Eu nem o ouvi e sem pensar em nada acabei falando outro nome.

— Hinata.

Todos me olharam surpresos, até mesmo ela. E pude ver sua boca se mexer, como se estivesse falando: “O quê?”

Eu também fiquei um pouco surpreso quando falei o nome dela. Eu não tinha a intenção, saiu por sair.

Ela veio um pouco receosa e ficou atrás de todo o grupo.

— Por que escolheu ela? Ter ela no nosso time vai ser a mesma coisa que nada.

— Se vai ser a mesma coisa que nada, por que se preocupar? Todos são bons, uma mediana não vai fazer diferença.

Ele bufou irritado, mas eu não liguei. Depois daquela pequena surpresa, continuamos escolhendo os que faltavam normalmente.
Depois o jogo começou. Fiquei surpreso e ri muito nos breves momentos que eu olhava para Hinata e a via desviando-se da bola e acertando alguns que reclamavam de dor logo em seguida. Ela ria alto, eu desconfie que todos aqueles eram os que ela mais odiava já que ela deu uma bem na cara do Suigetsu. Foi tão lindo que ele até caiu no chão.

Ali todos até acabaram parando o jogo e riram dele, mas só pelo olhar de ódio que ele deu para Hinata, deu para ver que ela desanimou no mesmo instante.

Depois o jogo continuou normalmente. Perdemos? Sim, perdemos, mas ninguém se importou, eles estavam ligando mais para fato da Hinata ter ido bem e, ainda por cima, ter dado uma bela bolada na cara do Suigetsu.
Agora todos nós estávamos no chão ouvindo o professor.

— Muito bom! E parabéns para o time do Suigetsu por ter ganho. Quanto ao outro time: talvez na próxima vez ganhem, e você foi muito bem hoje, Hinata.

Todos olharam para ela. Ela simplesmente deu um sorriso bem pequeno e voltou a sua expressão que parecia ser diária.

O sinal tocou e todos nos levantamos. Eu resolvi ir na direção da Hinata, queria tentar ter uma conversa com ela. Já disse que quero conhecê-la, quem sabe não nos tornamos bons amigos.

— Oi.

E ela me olhou. Sua expressão era de uma pessoa assustada.

— O q-q-que você quer?

— Conversar.

— Ah... E-Eu não estou muito afim, eu só que-quero tomar um banho. Tchau. — Ela praticamente saiu correndo na direção da saída do ginásio.
“Assim vai ser difícil, mas tudo aos poucos, espero ter paciência.” pensei enquanto coçava minha nuca um tanto nervoso.

— Por que estava conversando com a maluquinha? — perguntou o Sasuke.

— Nada demais.

— Naruto, não sou fofoqueiro. Acha mesmo que um “emo gótico” pode ser fofoqueiro?

— Sei lá.

— Pode me dizer por que quer tanto conversar com ela então? Parece interessado nela?

— Nem a conheço para estar “interessado”

— Sério?

— Sim.

— Então por que a olhava tanto no café da manhã?

Eu perdi a fala. Eu não estava interessado nela... Até agora nem nos falamos muito. Quando uma pessoa só fala sobre aprender a tocar, não dá para saber se é uma pessoa legal ou não.

— Estou certo?

— Puff, tudo bem. Estava olhando para ela, mas não estou interessado. Praticamente só falamos sobre como aprender a tocar piano. Só estava olhando ela, pois sou curioso e cismado além da conta.

— E está curioso sobre ela?

— Sim, ela é uma garota um tanto estranha, não vou mentir, mas eu quero tirar minhas próprias conclusões sobre ela. Quero ver mesmo se ela é essa pessoa estranha e doida que vocês falam, ou se é uma pessoa legal e muito divertida. Talvez só seja antissocial e tímida por todo bullying que sofre.

— Talvez — ele riu pela primeira vez desde que estou aqui —, tenho algumas teorias para o futuro.

— Como assim? — perguntei confuso.

— Deixa pra lá.

Eu continuei ainda um pouco confuso, iria perguntar novamente do que ele estava falando, mas os outros se aproximaram e eu decidi não perguntar nada.

Eu novamente estava atrasado para a aula de música. Acabei chegando sem fôlego na sala, não queria uma bronca da professora. Eu estava realmente tentando seguir a linha. Estava perto do final de ano, e eu queria tentar — mesmo que fosse bem difícil — passar de ano e me livrar da escola pra sempre. Assim indo para a minha sonhada universidade de música. Sei que vou ter que estudar de todo jeito, mas vai ser menos chato já que estarei interessado no assunto.

— De novo, Naruto? Vou pegar meu celular e vou começar a abrir o Google Map para te achar.

— Eu queria, querida professora, mas a culpa não é minha se o internato proíbe qualquer tipo de tecnologia.

— Tá, vai logo aprender a tocar piano, eu ganho ensinando aos outros a tocar alguma coisa e não a discutir com um aborrecente.

— A senhora estaria rica se esse fosse o seu emprego.

— Pena que não pagam para isso — ela riu —, se alguém pagar, por favor me avise, quero ter uma ilha particular algum dia.

Eu ri e fui até onde Hinata estava. Ela olhava para o nada. Ela viajava pelos seus pensamentos, era algo que estava parecendo diário, só parecendo.

— Hinata? Hinata? — Eu a balancei.

Ela olhou para mim e colocou a mão em seu coração, parecia ter voltado a realidade.

— Des-Desculpe-me, eu só estava... Refletindo.

— Posso saber sobre o quê?

— Nada de interessante. Coisas idiotas, sou “maluca” — fez aspas com o seu dedo —, o que deve se passar na cabeça de alguém assim? Eu deveria, né? Já que sou a maluquinha da escola, a que tem problemas psicológicos. Engraçado como uma fofoca idiota de um jornal escolar pode tornar sua vida em um inferno — deu um sorriso irônico.

Eu não sabia como falar algo sobre aquilo, ela havia me colocado em uma situação bem desconfortável. Como de um simples “posso saber sobre o quê?”, se tornou aquele tipo de diálogo um tanto que...Triste? E também do modo que ela falou rápido, me deu um pequeno nó na cabeça, fiquei sem saber o que responder.

— Bom — lambeu seus lábios —, a culpa não é sua. Fico surpresa por você ainda não ter me feito nada.

— Eu... Só não vejo motivo para bater em alguém que nunca me fez nada.

— E contra o Suigetsu? Tem algo? Você bateu e acho que ele nunca lhe fez nada, já que nem o conhecia.

Eu não respondi.

— Acertei? Bom, provavelmente. Só não sei por que me defendeu, foi um idiota por ter feito isso.

E u fiquei revoltado quando ela me chamou de "idiota", eu a ajudei e é assim que ela retribui? Me chamando de idiota? Eu iria começar a brigar, mas professora chegou perto e eu preferir ficar calado. Olhamos para ela e ela então falou:

— E então? O Naruto está te dando trabalho, Hina?

— Um pouco, senhorita Mei, mas é só ele se esforçar mais que ele consegue.

— Ótimo, se ele não estiver se esforçando me avise. Puxo ele pela orelha até a diretoria — disse e foi ver outros alunos.

— Bom... Vamos para a aula. Perdemos tempo demais conversando sobre coisas banais.

Eu não insisti, ela parecia uma garota complicada de se entender, não iria brigar com ela por uma coisa tão besta — mesmo que ainda estivesse irritado — e, eu ainda estava curioso. Não iria conseguir ser seu amigo assim, eu só queria descobrir quem ela é de verdade. Só isso.

No final da aula, ela saiu direto sem nem falar com a professora. Eu saí logo em seguida, indo direto para a sala de jantar. Espero não demorar muito para chegar lá.

Jantei, conversei com os meninos, tomei banho e estava na cama pronto para dormir. Minha cabeça estava naquela conversa.

“Eu não consigo entender: 'Só não sei por que me defendeu, foi um idiota por ter feito isso.' Como assim?” pensei confuso.

Suspirei cansado. Aquilo era burrice minha ou ela que não explicava nada com nada? Porque para eu não conseguir entender só podia ser um desses motivos.

Aquela conversa só me deixou confuso, mais cismado e mais curioso.

Ela me parece mais um enigma do que uma garota comum.

Suspirei novamente e fechei os meus olhos. Talvez dormir coloque minha cabeça em ordem para o dia de amanhã.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.