Aprendendo a Viver
2 Capítulo Um - Olhares
Notas iniciais
Espero que gostem e Boa Leitura!
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CAPÍTULO UM: OLHARES
Havia se passado seis anos e os cavaleiros estavam vivendo tranquilamente graças a aquela menininha. Pela primeira vez curtiam a vida como verdadeiros humanos. Sentiam necessidade de agradecer, mas nunca chegaram a encontrá-la. Mas, a cara dele ainda era a mesma. Não queria estar ali, vivendo novamente.
Na casa onde moravam todos juntos, ninguém era capaz de entender os sentimentos dele: Máscara da Morte. Ele era um cara difícil de lidar, seu temperamento era explosivo e o seu maior defeito era não aceitar ajuda ainda mais de uma garotinha. Era humilhante para ele.
Andava pelas ruas ainda se acostumando com a vida que levava. As mãos estavam enfiadas nos bolsos da calça jeans, sua blusa vermelha era tapada pela jaqueta. Seu olhar era duro e não sabia para onde estava indo, mas sentia um desejo incomum de ir à praia. Não entendia aquele sentimento estranho, mas seguiu caminho para lá.
Não estava longe e já podia ver o mar. Parecia estar bravo e um sorriso de canto brotou em seus lábios ao ver o jeito que a água se movia. Adentrou a praia e pôde ver uma mulher parada a beira-mar. Não soube o porquê, mas ficou observando-a, como se estivesse decorando cada parte do corpo dela. Era uma bela visão.
Os longos cabelos castanho-escuros eram empurrados para trás por causa do vento. Os colocou atrás da orelha e se deu conta que mais alguém compartilhava aquele lugar. Foi virando o rosto aos poucos e olhou para o homem parado a alguns passos de distancia. Seus olhares estavam juntos, ligados. Virou-se totalmente de frente para ele, reconhecendo aquele rosto.
A imagem deles selados chegou a sua mente e abriu um sorriso que deixou Máscara da Morte confuso. Não fez questão de retribuir, apenas sustentou aquele olhar sem mudar a postura autoritária. A garota de short jeans e blusa tomara-que-caia laranja começou a andar na sua direção. Máscara da Morte confessou para si mesmo que aquilo o surpreendeu, mas manteve a pose.
Já estavam bem próximos e, Máscara da Morte sentiu no olhar dela um calor diferente, que fez seu corpo tremer por dentro. Seu olhar perguntava ao dela o que queria a aquela distancia e, ela por sua vez respondia silenciosamente nada. O mesmo sorriso ainda contornava os lábios dela, mesmo sentindo o olhar dele percorrê-la por inteira. Lembrou-se imediatamente do acordo que fez com Zeus quando tinha apenas dez anos, aliás, nunca o esqueceu e, naquele momento algo dizia dentro de si que aquele homem a sua frente era o certo para amar.
– Vai ficar me olhando até quando? – ele perguntou, sentindo-se impaciente com aquele jogo de olhares. Não obteve resposta, apenas recebeu um sorriso mais largo e, aquilo o incomodou. Queria ao menos ouvir a voz dela.
Ela aproximou-se dando um passo a frente. Prendeu-se ainda mais naquele olhos azuis.
– Nossa... – ela disse – Você é muito mais bonito do que eu imaginava.
Aquele comentário fez Máscara da Morte arquear uma sobrancelha e lançar um olhar de desentendimento e confusão a ela, mas pelo menos sabia que ela falava. Um segundo sorriso de canto tomou conta de seus lábios antes de dizer com escarnio:
– Não acha que essa cantada é manjada demais, garota? Você nem me conhece... – falou como se tivesse a certeza disso.
– Claro que o conheço, e não foi uma cantada... – sorriu, achando graça da situação. – Provavelmente não se lembra de mim.
– Não. – disse com seriamente, com um olhar duro. – Quem é você?
– Nossa, se passaram tantos anos assim? – suspirou, sentando-se na areia da praia, perto dele.
– Infelizmente, não sou bom da memória. – na verdade, ele nem sabia por que estava perdendo seu tempo conversando com alguém que nem conhecia. – Olha se não...
Ela o interrompeu com voz melodiosa e divertida:
– Samirah. Sou eu que implorou para Zeus que desse uma segunda chance para você. – explicou um pouco mais séria agora.
Máscara da Morte sentiu seu sangue ferver e subir, deixando-o nervoso. Mesmo não sendo mais um cavaleiro, ainda possuía a força de um. A segurou fortemente pelo braço e a fez levantar-se, ficando bem próxima de si.
Os olhos dela, mesmo com aquela atitude explosiva dele, continuavam do mesmo jeito: calmos e penetrantes.
– Maldita... – cuspiu com frieza e ódio no olhar. – Por que fez isso?
– Eu achei injusto vocês sofrerem eternamente só pelo fato de protegerem o nosso mundo. – disse calmamente, sentindo a dor da mão dele em seu braço.
– Isso não era da sua conta... – esbravejou, soltando-a dando um leve empurrão.
– Mas, agora é. – disse séria, passando a mão no braço tentando acalmar a dor. – Estou ligada a isso graças a uma condição que aceitei.
Máscara da Morte sentiu uma pontada em seu coração, mas não queria que ela tivesse feito o que fez. Sabia que no fundo estava agradecido, mas a curiosidade bateu e não se intimidou a perguntar:
– Que condição aceitou?
– Como você disse que não era da minha conta, o meu problema também não é da sua. – falou com voz embargada, sentindo que a qualquer instante seus olhos arderiam por causa das lágrimas.
– Ótimo. – desviou o olhar para o mar.
Samirah sabia muito bem que não seria fácil fazê-lo aceitar a segunda chance que com custo conseguiu. Queria fazê-lo ver que viver não é ruim, mesmo vendo nos olhos dele o contrário. Sentiu por um instante que não o conquistaria fácil e por este mesmo instante sentiu que sua vida seria tomada a qualquer momento. Tomou novamente o caminho para o mar, parando a beira, sentindo as ondas chegando a seus pés.
– Por que fez isso? – insistiu ele, parando atrás dela.
– Eu já disse... – não virou o rosto para olhá-lo e fixou os olhos no sol que já estava se escondendo.
O céu já estava manchado pelo crepúsculo, dando um ar meio romântico. Lembrando-se dele, Samirah pensou como seria bom ser envolta por aqueles braços fortes e musculosos e como seria bom sentir o gosto do beijo daqueles lábios másculos. “Um sonho distante” pensava enquanto virava-se para ele.
Novamente seus olhares se encontraram e, mesmo não querendo o coração de Máscara da Morte acelerou o ritmo. Um sentimento de arrependimento tomou-lhe ao lembrar que fora tão grosso com ela a ponto de chamá-la de “maldita”. Nunca se arrependera de nada na vida e agora estava ali, sentindo-se mal por isso.
– Hunf... Você é uma garota estranha. – sorriu ironicamente.
– E você um homem orgulhoso. – cruzou os braços, lançando a provocação no mesmo tom irônico.
Aquele conversa estava levando-os silenciosamente a se conhecerem melhor. Mas, ele ainda não se abria para essa “segunda chance”. Samirah pensou como ele reagiria de soubesse que além de dar sua vida em troca tinha que amar um cavaleiro, apenas um. Ela mesma não tinha certeza se teria tempo suficiente para isso.
Já era noite, e Máscara da Morte caminhava agora no caminho de casa. Sua mente se recusava a esquecer a sua “salvadora”. Quando os cavaleiros soubessem que a encontrara iriam querer conhecê-la.
Sorriu, um sorrio irônico quando fechou a porta da casa. Evitou olhar para os outros e subiu para o seu quarto. Tomou um banho para tirar a areia da praia e logo foi se deitar.
Antes de dormir ficou fitando o teto pensando que não seria uma má idéia conhecer Samirah melhor.
CONTINUA...
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