Notas iniciais
Olá lindinhas. Primeiro queria dizer que amei os comentários de vocês e a receptividade ao capítulo anterior. Fiquei meio insegura de abordar esse tema, de vocês não aprovarem. Mas fiquei feliz com a recepção positiva. Os próximos capítulos vão ter um enfoque maior na Giane, ok? Acho que já foquei muito no Fabis HUAHUAHUAHU

_ Como vocês estão indo? – perguntou Malu, enquanto observavam Rafael, Marcela, Miguel e Isabelle correndo pelo campinho.

_ Exatamente assim... Indo. – suspirou Fabinho, virando a garrafa de cerveja – Ela chora, ela não chora. Fica bem, depois fica mal. Se eu tento abordar o assunto ela se esquiva. O pai dela disse que é melhor deixar, afinal, ela é assim. Mas eu não consigo não me preocupar.

_ Seu Silvério está certo. – concordou Bento – Logo ela vai acabar explodindo e soltando o que está sentindo, não adianta forçar.

_ Bento, ela acabou de perder um filho. – lembrou Fabinho – Nosso filho morreu dentro dela. Se ela já ficou um caco quando os gêmeos tiveram que ficar no hospital depois que nasceram, imagina agora?

_ Nesse ponto eu tenho que dar razão para ele. – concordou Camila.

_ É, eu também. – Malu suspirou – Ela está demorando.

_ Eu vou ver o que está acontecendo. Não deixa as crianças entrarem. – pediu Fabinho, se levantando e rumando para o interior da casa. Ele subiu direto para o quarto, sabendo que ela estaria lá – Pivete, está todo mundo esperando.

Ela estava sentada no parapeito da janela, encolhida, a cabeça apoiada no vidro. O rosto estava marcado por lágrimas, que ela tentou secar, mas Fabinho foi mais rápido. Ele sentou de frente para ela, acariciando o rosto da esposa.

_ Giane, por favor... Fala comigo. – implorou ele.

_ Mas eu falo com você.

_ Não tranqueira, fala de verdade. Me explica o que está acontecendo, me deixa te ajudar.

_ Fabinho, não tem mais o que ajudar. Já aconteceu. – ela tentou se levantar, mas ele impediu – Me larga fraldinha.

_ Não até você ser honesta. – ele retrucou, segurando o rosto dela – Giane, marido e mulher, lembra? Na saúde e na doença, alegria e tristeza, bons e maus momentos? Pro que der e vier?

_ Você quer mesmo saber o que está acontecendo? – ela perguntou com a voz rouca, erguendo os olhos cheios de dor – Eu matei o nosso filho, foi minha culpa ele ter morrido.

_ Giane, você sabe que não é verdade. Infelizmente abortos acontecem e...

_ Não Fabinho, é minha culpa. Quando eu descobri que tava grávida eu... Eu fiquei com raiva. – ela admitiu, começando a chorar – As crianças ainda são tão pequenas, eu acabei de voltar a trabalhar... Eu não queria ter que parar tudo de novo, mudar tudo que estávamos planejando. Eu desejei tanto que fosse alarme falso, tanto.

Ele soltou o rosto dela, deixando as mãos caírem no colo. Giane afundou o rosto nos joelhos, soluçando.

_ Você... Você quis perder o bebê? – ela não disse nada – Giane, por favor... Você fez alguma coisa? Me diz.

_ Não. – ela negou – Eu não fiz nada, eu não queria que o bebê morresse. Eu fiquei com raiva, fiquei chateada, queria que fosse alarme falso. Mas depois, quando nós fomos no médico com as crianças, que nós fizemos o ultrassom, eu esqueci isso. – Fabinho suspirou aliviado – Mas ainda é minha culpa. Porque eu não queria a gravidez, então...

Ele a puxou para seus braços, aninhando-a ao seu peito. Ela se agarrou na camisa dele, soluçando. Ele deixou que ela se acalmasse, além de ele mesmo se acalmar, antes de começar a falar.

_ Eu também fiquei surpreso e confuso quando descobrimos, então eu também teria culpa. Se fosse culpa de alguém. Mas não é Giane, não é culpa de ninguém. Podem ter sido um milhão de circunstâncias que fizeram o bebê não vingar, não tinha nada que ninguém pudesse fazer. – ele disse com a voz doce, acariciando os cabelos dela.

_ Então porque eu sinto essa culpa me corroendo? Porque eu sonho com isso? – ela choramingou.

_ Porque você está se culpando. Enquanto você não parar de se culpar, isso não vai passar. – Fabinho ergueu o rosto da esposa – Giane, você é a melhor mãe do mundo, o Miguel e a Isabelle te falam isso todos os dias, qualquer um pode dizer a mãe incrível que você é. Se houvesse algo que você pudesse fazer para ter salvado o bebê, eu sei que você teria feito, sem hesitar. Mas não estava nem ao seu, nem ao meu alcance. Aconteceu. Nós podemos sofrer, era o nosso filho. Mas não podemos deixar que isso nos afogue e destrua, se não por nós mesmos, pelas crianças. Eles precisam de nós dois.

Ela afundou o rosto no peito dele, que a abraçou. Ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas ouvindo a respiração um do outro.

_ Você vai estar do meu lado? – perguntou ela.

_ Enquanto você me quiser aqui. – garantiu ele.

_ Então se ferrou... Porque eu vou te querer aqui para sempre.

~*~

_ Olha quem melhorou. – Fabinho chamou a atenção dos filhos, que estavam sentados com os tios e primos comendo. Eles viram Giane sorrindo e levantaram correndo.

_ Saou mamãe? – perguntou Miguel, abraçado com a cintura dela.

_ Já sim meu anjo. – ela concordou, pegando-o do chão, enquanto Fabinho fazia o mesmo com Belle – Vocês cuidaram tão bem da mamãe, que ela sarou rapidinho.

_ Nossa, mas se são médicos tão bons, vou chamar eles quando eu ficar doente. – comentou Maurício, da churrasqueira.

_ Você vai é fazer um bife bem passado para a tranqueira aqui, e um mal passado para mim. – Fabinho retrucou, fazendo o cunhado revirar os olhos – E vocês dois? Comendo direitinho?

_ Num goto de tomati. – Belle fez careta, arrancando risos de todos.

_ Não precisa comer tomate princesa. Mas come a cenourinha, a batata e a alface, tá bom? – pediu Giane, e a filha concordou, sendo sentada de volta na cadeira – Você também Miguel.

Os dois voltaram a comer com os priminhos, enquanto Malu e Camila vinham abraçar Giane.

_ Você tá bem? – perguntou a pedagoga, e Giane concordou.

_ Eu vou ficar. – prometeu, indo abraçar Bento, Caio e Maurício. As duas mulheres viraram para Fabinho, que confirmou com a cabeça.

_ Papai, a mamãe pode jodar bola? – perguntou Miguel, mas Fabinho negou.

_ Ela já sarou, mas tem que ir no médico para ele dizer se ela pode jogar bola ou não. Só pra ela não ficar dodói de novo, tá bom? – o pequeno confirmou. Ele virou para Rafael, que encarava a tia, confuso – Que foi campeão?

_ Ade o dodói da dida? – perguntou ele, fazendo Fabinho, Malu e Camila rirem.

_ É um dodói dentro meu amor. Mas já sarou. – explicou a mãe, beijando sua cabeça – Agora termina de comer para vocês voltarem a brincar.

_ Mai eu num doto de vedinho. – reclamou Marcela, encarando a salada em seu prato. Camila bufou, enquanto Caio vinha rindo – Papai, num telo o vedinho.

_ Só um pouquinho bonequinha, para ficar bem bonitona. Aí o papai vai trazer franguinho e carninha para vocês quatro. Mas tem que comer um pouquinho de verdinho, tá bom?

_ Tome Ma, é gotoso. – Miguel mostrou os pedacinhos de cenoura que estava comendo. A menina comeu, sorrindo, e Caio bufou indignado. Fabinho e Camila, por outro lado, caíram na risada.

_ Qual é a graça? – perguntou Giane, abraçando o marido.

_ O playboyzinho tá bravo porque nosso filho já laçou a Marcela. – explicou Fabinho, fazendo Giane rir – Esquece cara, a Marcelinha vai ser minha nora.

_ Voltamos a conversar sobre isso no futuro. – resmungou ele, voltando para a churrasqueira.

_ Giane, já vou começar a ver os detalhes do casamento. – cantarolou Camila, saltitando atrás do marido, arrancando risos do casal marrento.

~*~

_ Gostaram de todo mundo ter vindo aqui hoje? – perguntou Giane, enquanto secava Isabelle depois do banho.

_ Gotei. – a pequena sorriu – O tio Bento vai me leva na Tasa Veide, plantai floi tom ele.

_ Ah, tá roubando o lugar da mamãe, é? – perguntou a mais velha, ajudando a filha a colocar o pijama – Eu que plantava flores com o tio Bento.

_ Mai agoa você tira foto tom o tio Taio. – a garotinha sorriu travessa, fazendo a mãe rir.

_ Isso princesa. Agora vamos deitar na cama para dormir?

_ Tadê o papai? – questionou a pequena, enquanto a mãe a deitava na cama e cobria com o lençol de princesa.

_ Colocando o Miguel na cama. Depois ele vem te dar um beijo. – explicou Giane – Lembra? Cada dia, um coloca um na cama. Eu coloco um dia, o papai coloca outro.

_ Mai a gente tava domindo com vocês. – lembrou Belle, se ajeitando no travesseiro.

_ Porque a mamãe tava doente. Mas agora, cada um dorme na sua caminha. – a corintiana acariciou os cabelos da filha – Acho que precisamos cortar isso.

_ Ah não mamãe, eu goto dele tumpido. – a mulher riu dos errinhos da filha – Mamãe?

_ Fala minha vida.

_ Você saou memo? – perguntou a pequena, preocupada.

_ To sarando meu amor. – garantiu Giane, sorrindo para ela – Não é tão rápido assim. Mas eu já to bem melhor, não to? – a criança concordou – Então... Devagarzinho eu vou ficar totalmente bem de novo.

_ E tuando o Papai do Céu vai manda o maninho? – perguntou ela, fazendo a garganta de Giane apertar.

_ Não sei. Vai ser surpresa, para todos nós. – ela explicou – Mas quando acontecer, nós todos vamos gostar, não é?

_ É... Tonta Bela e a Fea? – pediu Isabelle, indicando que a mãe deitasse ao seu lado. Giane o fez, contando a historinha que a filha havia pedido. Quando achou que ela dormia, ligou o abajur e beijou a testa dela, se levantando para sair – Mamãe?

_ Fala meu anjo. – a corintiana pediu da porta.

_ Ti amo. Muito. – resmungou Belle, abraçando o ursinho e fechando os olhos. Giane sorriu, fechando a porta e indo para o quarto de Miguel. O menino já havia bagunçado as cobertas, jogado a bola de pelúcia longe, e se espalhado pela cama. Ela riu, o arrumando e beijando sua testa, antes de ir para o próprio quarto.

Fabinho ainda não estava lá, devia estar no banheiro. Giane colocou o pijama, deitando na cama. Ele saiu de lá só de bermuda, encontrando ela dormindo em paz pela primeira vez em dez dias.

Notas finais
Bom, como sempre aguardo os reviews, ok? Beijos flores ;@