Aprendendo a Seduzir
9 Capítulo 9
Milo POV
Lá estava ele. Sentado em uma confortável cadeira de escritório em couro preto quando eu entrei. A camisa de um cinza chumbo – de algum tecido francês absurdamente caro, eu tinha certeza — contrastando maravilhosamente com a pele clara, e os cabelos vermelhos presos por um elástico em um rabo de cavalo baixo. À sua frente uma imensa escrivaninha em mogno estilo Luis XV, exibia um lap top aberto e pilhas de papéis meticulosamente organizados. E, mais atrás, às suas costas, uma fantástica janela de vidro parecia desnudar toda a cidade.
Eu já havia estado em outros escritórios daquele tipo antes, claro, mas o escritório do vice presidente da Invoice Finnancial and Factorig Corporate era realmente impressionante. Como um pequeno apartamento que ocupava quase todo o 11o andar do prédio, sabe. Com direito a sala, ante sala, um gigantesco banheiro com banheira, e uma pequena cozinha. Inteiramente decorado naquele clássico sofisticado, que era elegante sem ser ostensivo.
Quadros de mestres da pintura francesa como Pissaro, Degas e Renoir enfeitavam as paredes brancas. E eu não estou falando daquelas reproduções baratas que a gente encontra pra vender por aí, não. Nada disso. Eu falo dos originais. Feitos pelos próprios mestres impressionistas em pessoa. Dava pra ver as pinceladas que Renoir usara para fazer a renda que ele detalhou com tanto cuidado na manga da garotinha, e as listras do pêlo do gato que a garotinha segurava, no quadro acima do sofá. Sim. Aquele era um Renoir de verdade. E, puxa, com que frequência você entra no escritório de alguém e vê um Renoir original pendurado na parede?
Sério, os franceses simplesmente têm estilo, sabe. Assim como os espanhóis são esquentados, os irlandeses têm sardas, e os gregos são expansivos e ficam meio esverdeados em vez de brancos no inverno
– E então, a que devo a honra? – ele não me convidou pra sentar, em vez disso apenas me olhava, com aqueles olhos rubros quase hipnotizantes, e tão zangado que me fazia lembrar das nuvens de tempestade lá fora: gélidas, ameaçando fazer cair uma torrente a qualquer instante.
Eu não me deixei intimidar.
– Se você não ia – eu respondi, fechando a cara também -, pelo menos poderia ter me avisado.
Eu vi o olhar dele hesitar por um momento, só para voltar a endurecer logo em seguida, quando ele se levantou, determinado, contornando a escrivaninha para ir se postar à frente, recostado nela. Os braços cruzando-se sobre o peito, revelando um pouco da musculatura perfeita sob a camisa fina no gesto. Ele não estava usando nenhum blazer ou gravata, e as calças sociais, em risca de giz, caiam com perfeição sobre os quadris estreitos. Zangado talvez, eu não pude deixar de pensar, mas inegavelmente atraente.
– Por quê? — ele perguntou então, olhando diretamente pra mim, as nuances de vinho dançando nas íris multicor. — Por que você está fazendo isso?
Eu o encarei sem entender.
– Fazendo o quê? Eu não estou fazendo nada.
– Por que veio até aqui? – ele continuou — Por que continua me perseguindo? Eu já disse que não tenho interesse em prosseguir com as nossas...hum... lições. Então por que insiste em me procurar?
'Por quê? ' 'Qual a razão?' Eu estivera me fazendo exatamente a mesma pergunta desde que o relógio da cozinha marcara as seis e meia e eu admitia finalmente que ele não chegaria. Eu realmente não conseguia imaginar que loucura me induzira a telefonar pro Shaka, insistindo pra que ele me passasse os dados do ruivo, pra depois pegar o carro e rodar, parando diante da porta dele.
Talvez eu só não estivesse acostumado a ser deixado esperando, não sei. As pessoas simplesmente não deixam de comparecer aos compromissos comigo, sabe. Mas Camus Lefevre Chevalier, contrariando todos que eu já havia conhecido desde a puberdade, parecia totalmente imune à minha aparência. Que eu sabia ser bem impactante. Ah, qual é? Não tem como um cara aparecer em primeiro lugar durante cinco anos consecutivos na lista das cinquenta celebridades mais bonitas do mundo da revista People e não saber que as pessoas o acham pelo menos charmoso.
Só que embora vários homens e mulheres nos Estados Unidos soubessem disso, e embora vários deles estivessem sempre prontos a pular em cima de mim a qualquer oportunidade, a existência de alguém que realmente não gostava de mim, – na verdade que parecia me evitar como se eu tivesse algum tipo de doença contagiosa séria –, me incomodava mais do que eu gostaria de admitir. E eu não conseguia deixar de me incomodar mesmo quando tantas outras coisas eram mais urgentes – como, por exemplo, roubar uma tiara de diamantes de uma socialite estúpida, ou descobrir quem era o cara com quem o Dohko estava se encontrado, ou quem havia esfaqueado o Shura.
Tudo isso era mais importante do que a rejeição do ruivo, ou do que ele ter me deixado esperando naquela tarde. Mas o fato dele ter feito isso, sem sequer pedir desculpas, me deixara furioso. Ele havia prometido comparecer às seis horas... bem, implicitamente mas havia... e como ele não chegara eu me senti perfeitamente justificado para ir ao seu escritório (que foi onde o Shaka me disse que ele estaria) pedir uma explicação.
Porém mais do que isso, talvez eu tivesse ido... pra ver. Para ver o quê exatamente, eu não estava bem certo. Para ver se ele estava arrependido. Para ver se o vice presidente da Invoice Finnancial, que eu não considerava uma pessoa covarde, estava se escondendo por trás da corporação, com medo das reações que eu sabia haver despertado em seu corpo... Ou talvez apenas pra ver se ainda haviam centelhas voando naqueles olhos brilhantes. E se fosse esse o caso eu já tinha a minha resposta. Sim elas estavam ali, tudo bem. Centelhas e até, eu fantasiava, uns quantos foguetes.
Só que eu não podia responder nada disso à ele.
Tampouco eu podia lhe dizer que fora incapaz, desde a primeira vez que vira seus fascinantes olhos multicor, de tirá-los completamente da cabeça. Ou que, diferentemente do que poderia parecer, eu sentia uma espécie de afinidade com ele. Que sentira isso desde momento em que o vira rir daquele jeito no banheiro do teatro. E, mais ainda, quando eu descobrira, durante aquele beijo altamente erótico que nós havíamos trocado no meu escritório, que eu o queria. Que o queria muitíssimo.
Não, eu não podia falar isso a ele. De forma que tudo que eu respondi foi:
– A verdade, Ruivo, é que você me interessa.
Ele me fitou incrédulo.
–Interesso a você? – ele repetiu. – Eu te interesso?
– Sim, – eu assenti seriamente. – me interessa. E quando uma pessoa me interessa eu faço um esforço para conhecê-la melhor.
E, como pela expressão dele estava evidente que ele não acreditava em mim, eu resolvi provar-lhe, sentando-me no amplo sofá que havia em frente à mesa dele (mesmo sem ele ter me convidado pra isso) e dizendo:
– Conte-me.
Ele pareceu confuso.
– Contar o quê?
– O acidente com seu irmão.
Ele piscou incrédulo. Fosse lá o que ele estivesse esperando que eu fosse dizer, certamente não era aquilo. Eu poderia dizer, a propósito, que ele estava de boca aberta.
– Seu... – sua voz estava fraca. – seu acidente?
– Sim, você me disse que ele foi baleado. – eu respondi — Em Harvard, não foi? Sente aqui e me conte direito o que aconteceu. – eu bati de leve no assento do sofá ao meu lado.
Ele avançou um passo. Sua expressão passando de incrédula a suspeita.
– Por que você quer falar sobre o que aconteceu com meu irmão? – ele perguntou com cuidado.
Por quê? Bem... Porque aquilo ainda parecia afetá-lo e eu queria provar que eu me interessava por ele. Porque aquela história me parecera meio estranha e eu estava um pouco curioso. Porque era aquilo, eu estava certo, que o prendia àquele noivado estúpido dele... Ou talvez simplesmente porque eu nunca havia conhecido alguém como ele antes. Aquele inexorável senso de dever e decoro me deixava perplexo. O seu controle e a sua disciplina me fascinavam. O riso dele me encantava. O beijo dele me enlouquecia. Ele era um mistério delicioso e intrigante e eu tinha necessidade de decifrá-lo.
– Porque... – foi o que eu respondi, no entanto – parece que nós teremos que passar um bom tempo aqui dentro – eu lancei um olhar em direção a janela onde flocos de neve já começavam a se chocar com força — e seria melhor se nós tívessemos algo sobre o que conversar enquanto isso. Além disso – eu continuei -, você me interessa, lembra? E, embora pareça que ele se recuperou totalmente, eu me atrevo a dizer que o acidente do seu irmão, ou qualquer menção a ele, ainda parece te incomodar bastante. E eu gostaria de saber o por quê.
Ele deixou cair os braços ao lado do corpo, resignado.
– Porque ele quase morreu? – ele respondeu, num tom que sugeria que isso devia ser uma coisa óbvia, enquanto se dirigia a um móvel no canto da sala que escondia uma adega — daquelas climatizadas, sabe -, de onde ele tirou um Merlot.
– É mesmo? – eu falei, enquanto assistia ele despejar um pouco do liquido vermelho em uma taça, girando-o sob o nariz antes de prová-lo.
Ele parecia entender de vinhos. Bem, ele era francês, não era? Eu já saíra com um enólogo uma vez. Ele tentara me impressionar contando sobre a diferença entre um Merlot e um Montepulciano, mas eu não prestei muita atenção. Eu tinha coisas mais importantes com as quais me preocupar – por exemplo, como achar a entonação adequada pra uma cena romântica, de modo que o diálogo não soasse tão forçado. Agora, no entanto, olhando pra ele, eu não podia deixar de achar tudo aquilo tremendamente sexy. E de repente eu me vi imaginando se a noiva dele também gostava de vinhos e se isso era uma coisa que eles tinham em comum.
– Você bebe alguma coisa? – ele perguntou, então, mais por educação, eu sabia, antes de terminar de se servir do vinho.
– Um whisky não seria má idéia. – eu respondi.
– Desculpe. Nada de destilados. – ele falou, e como eu o olhasse surpreso ele explicou — Eu não bebo destilados. Na última vez que fiz isso, acordei no dia seguinte achando que minha cabeça ia explodir.
– É mesmo? E o que você bebeu? – eu quis saber, agora aceitando o vinho.
Ele ainda estava meio de costas, então era difícil ter certeza, mas as bochechas dele pareciam ter ficado um pouco vermelhas. Ele sussurrou uma palavra inaudível.
– O quê? – eu perguntei
– Bailey's Irish Cream – ele repetiu, agora com mais clareza. E sim, as bochechas dele definitivamente estavam vermelhas.
Eu sorri.
– Ah, que criança inocente. – eu exclamei — É claro que você ficou com ressaca. Aquilo não é bebida de verdade. Uma bebida de verdade é uma grande amiga.
– Destilados – ele assegurou, terminando de despejar o Merlot em uma segunda taça – nunca foram meus amigos.
– Talvez– eu concordei -, em condições normais. Mas isso aqui é bem diferente. Poxa, você está preso no seu escritório com um cara que você odeia. Você deveria ter estocada uma remessa de bebidas fortes pra ocasiões assim – eu brinquei.
– Eu non odeio você – ele falou, me entregando a taça.
– Certo. – eu respondi. Era impossível esconder um sentimento de vitória por ele ter admitido que não me odiava. Sim é ridículo, eu sei. Ficar feliz só porque ele não me odiava. Pelo amor de Deus, quantos anos eu tinha? – Mas você não gosta de mim.
– Bem, isso é verdade – ele concordou, levando a taça aos lábios.
Ótimo. Eu tinha pedido por isso, não tinha? Por que eu nunca sabia quando parar?
Eu provei um gole da minha taça também. O vinho era forte e encorpado. Eu podia não entender de vinhos, mas sabia o suficiente para distinguir essas características. O gosto era delicioso na boca e delicado na língua. E por um momento eu me peguei pensando se a boca dele estaria com aquele gosto também.
– E foi um único tiro ou atiraram várias vezes? – eu voltei no assunto, tentando me distrair daquele pensamento.
– Apenas um – ele falou, acompanhando meu raciocínio — a bala entrou bem aqui – ele apontou para uma área logo abaixo do coração.
Eu assenti compreensivo.
E, de repente, lá estava ele. Sentado ao meu lado. As pernas cruzadas sobre o assento, a taça de bebida na mão. E tão perto que eu podia sentir o perfume cítrico que ele usava, misturado a fragrância de vinho que pairava fortemente no ar.
– Sim. Imagino que deva ter sido horrível. – Eu comentei com calma. Ou pelo menos tentando aparentar calma. Eu não estava me sentindo particularmente calmo. Alguma coisa no corpo dele, quando estávamos próximos, me deixava agitado por dentro.
– Non conseguiram removê-lo – ele disse – E tivemos que permanecer em Boston por várias semanas até ele estar suficientemente forte para ir pra casa. Mesmo assim, não tínhamos certeza de que ele sobreviveria à viagem. Mas meu pai só confiava nos médicos de New York, por isso achava que o risco valia à pena.
Segundo ele o garoto sobrevivera à custa da providência e graças à intervenção milagrosa de sua noiva, que, colega de faculdade do rapaz, passava pelo campus justamente no momento do acidente, chamando socorro e acionando prontamente as autoridades.
– E conseguiram descobrir o motivo do ataque? — eu perguntei.
Ele balançou a cabeça.
– A policia acredita em tentativa de latrocínio. De acordo com eles o ladrão teria se assustado com a chegada da Sa... digo, da minha noiva... e fugido sem terminar o ato.
Latrocínio? Aquilo me parecia um tanto estranho. Mesmo sendo um Chevalier, e estudante de Harvard e tudo, o que um aluno universitário poderia carregar de tão valioso que justificasse um latrocínio? Não, se o interesse do cara fosse dinheiro, um sequestro teria sido muito mais efetivo.
Eu convivera por tempo suficiente naquele meio, no entanto, pra saber que sequestradores raramente atiram naqueles que pretendem sequestrar. Assim como eu também sabia que ladrões comuns quase nunca têm acesso à boas armas. Sim, porque o ataque havia acontecido dentro do campus de Harvard, no mínimo o cara tinha que ter usado um silenciador.
Não, a pessoa que atirara no garoto definitivamente não era um sequestrador, tampouco um assaltante qualquer. E não apenas por ter atirado na vítima ou por ter pronto acesso a uma pistola com silenciador, mas porque ele tinha habilidade para lidar com ela. E, mais do que isso, ele respeitava a arma que tinha e a mantinha em bom estado. Caso contrário, aquele garoto não estaria vivo hoje pra contar a história. A ferrugem acumulada no interior da cano da arma teria dado cabo do rapaz com a mesma eficácia com que o tiro o faria. Sim, o atirador tinha prática, e não era pouca. O tiro parecia ter sido preciso, calculado e limpo. Um pouco baixo, talvez. Quase como se houvesse errado seu alvo de propósito.
Eu pensei em dividir minhas suspeitas com ele, mas depois refleti que aquela história poderia muito bem ter sido criada pelo próprio rapaz apenas para esconder do irmão a verdade sobre como ele fora baleado, e não quis prejudicar o garoto. Vai saber no que o moleque andava metido. Eu sabia muito bem no que eu andara metido na idade dele. De forma que apenas deixei passar. Talvez eu só estivesse ficando um pouco paranóico, de qualquer forma. Não haveria de ser nada, afinal.
Ele continuou a contar sobre como ele e o restante da família estavam em Paris quando souberam do acidente, e sobre como o irmão só resistira até que eles chegassem da viagem graças em grande parte aos esforços da sua jovem noiva, cuja ajuda, ele afirmava, fora uma dádiva, fazendo todos os arranjos necessários e cuidando do garoto quase como se ele fosse seu próprio irmão.
Nunca houvera uma amiga tão devotada. A bondade da moça jamais poderia ser adequadamente retribuída pelo Francês e sua família.
– E assim – eu concluí, quando ele ficou em silêncio após terminar sua narrativa – você não teve outra escolha senão pedi-la em casamento quando ela passou a demonstrar um interesse pouco fraternal por você.
Ele umedeceu os lábios, incomodado, e eu senti mais do que vi uma das pernas, que ele mantinha cruzadas, mudar de posição, e então os dois sapatos estavam pousados no chão.
– Non foi bem assim- ele afirmou, bebericando um pouco mais do seu vinho. – Ela era bonita também... e popular... o sonho de todo homem, sabe? A namorada perfeita. E ela havia escolhido a mim. O nerd esquisito. O cara que estava mais interessado em livros e programas de computadores do que em roupas da moda e carros importados. Eu estava realmente lisonjeado.
Eu olhei pra ele. A forma como ele falava... era como se ele não tivesse qualquer noção do quão lindo ela era. Estranho. As pessoas bonitas normalmente sabem que são bonitas.
– Não é de se admirar então – eu brinquei, malicioso — que você estivesse tão 'ancioso' em querer aprender a seduzir sua futura esposa.
Ele não respondeu, mas suas bochechas ficaram rosadas. Adoravelmente rosadas. Assim como as pontas das orelhas e o começo do pescoço.
Eu tentava me convencer de que era o vinho que me fazia achar aquele rubor tão sexy. Que era só efeito da iluminacão os olhos dele estarem tão grandes e vivos, e seus lábios tão atraentes e convidativos...
– Bem... – eu continuei, mal sabendo o que dizia... mas eu estava bastante consciente da proximidade dele, do calor que ele irradiava, do cheiro do seu cabelo – agora que eu estou mais ciente do quanto você deve à essa garota, acho que vou ter uma idéia melhor dos tópicos que devemos cobrir durante as suas lições.
– Sobre as lições... – ele disse, agora sem a mais leve ponta de rancor na voz rouca. – Eu realmente acredito que o que aconteceu foi um erro. Um terrível erro. É claro que eu pretendo manter a minha parte no acordo e firmar o seu patrocínio. Mas creio que faríamos melhor, muito melhor, se não continuásemos com as... hum... lições.
Eu estava tentando tomar o cuidado de não olhar nos seus lábios. Mas eu também não podia olhar dentro daqueles olhos hipnóticos. Fixei o olhar em suas mãos. Infelizmente não tinha como não notar que os dedos daquelas mãos eram brancos e alongados, ou que os ombros, logo acima delas, mesmo cobertos pela camisa, eram fortes e bem definidos.
– Eu não creio que tenha sido um erro – eu falei então, sentindo que o meu corpo se mexia, mas sem saber de fato o que ele fazia. Colocando minha taça sobre a mesinha e inclinando-me em direção a ele, e, antes que ele pudesse se dar conta do que eu estava fazendo, passando uma perna sobre ele, posicionando um joelho de cada lado do seu quadril. Prendendo-o sob o meu corpo.
– Não creio absolutamente que tenha sido um erro – eu sussurrei, à milímetros dos lábios dele.
Ele levantou o rosto e seus olhos se fixaram nos meus. Tão escurecidos quanto os meus. Só que com aqueles lampejos vermelhos que os meus próprios não tinham.
– O que exatamente você pensa está fazendo? — a voz dele era severa e seu corpo estava rígido.
O que eu estava fazendo? Brincando com fogo, era isso que eu estava fazendo. Eu sabia disso, mas não conseguia evitar. Eu era atraído para ele como uma mariposa para a chama. Era como se meu corpo se movesse sozinho. Orientado por alguma força invísivel que me fazia soltar o elástico que prendia aqueles cabelos e entremear os dedos nos fios lisos. Eles eram como seda nos dedos.
– Milo, pare com isso. – ele se remexeu sob o meu corpo, e seus quadris resvalaram deliciosamente nos meus fazendo-o recuar imediatamente, como se eu o tivesse queimado.
– Você é sempre tão perfeito, Ruivo, que me dá vontade de acabar com toda essa ordem – eu murmurei em seu ouvido, sentando-me sobre ele, no colo dele, uma das mãos ainda segurando com força os fios vermelhos, prendendo-o a mim –. Se eu pudesse fazer as coisas do meu jeito, eu o arrastaria pra uma poça e esfregaria lama por todo o seu corpo.
– Milo... – ele falou parecendo contrariado, mas seus olhos eram incapazes de se desviar da minha boca – eu realmente gostaria muito que você me soltasse.
– Não – Eu coloquei a mão livre sobre o peito dele, desabotoando lentamente a camisa, revelando aquele abdómem alvo, perfeito. Deslizando os dedos, sentindo a rigidez dos músculos sob a pele macia. Uma onda quase incontrolável de excitação percorrendo meu corpo -, eu realmente não acho que queira isso.
Ele fez um som estranho, como se estivesse com falta de ar.
– Realmente, Milo – ele disse, e pela primeira vez sua voz parecia um pouco vacilante –, você não pode simplesmente sair por aí agarrando as pessoas desse jeito.
Eu baixei a cabeça e beijei o queixo dele, naquele ponto em que ele fazia um pequeno ângulo, na junção com a mandíbula, e em seguida a linha simétrica do nariz, onde havia algumas pequenas sardas. Bem poucas. Depois pressionei os lábios levemente contra um dos cantos da sua boca.
Ele fechou os olhos e respirou fundo, mas não se mexeu.
– O que é isso? – ele perguntou. A voz levemente enrouquecida. — Mais uma das suas lições com beijos?
– Sim – eu respondi, com um sussurro, os lábios roçando levemente em suas faces enquanto eu falava. Delineando o rosto dele com beijos, saboreando aquela textura suave... a pele dele era tão fina... sentindo o gosto de sabonete e baunilha que ele tinha – Eu quero ter mais uma dessas lições com você, Francês.
– Realmente, Milo, isso... não está certo. – sua voz estava fraca.
– Bem... – eu deslizei a língua para dentro da orelha dele e senti um tremor percorrer seu corpo. – isso me parece muito certo, Ruivo.
– Milo... por favor... – ele pediu em voz estrangulada.
Eu inclinei mais uma vez a cabeça para explorar o pescoço alongado, depositando beijos suaves na pele macia, arranhando com os dentes, deixando marcas vermelhas na superfície branca.
Eu senti seu corpo contrair embaixo do meu e seus lábios se entreabriram, deixando escapar um suspiro, quando eu comecei a contornar a boca dele coma língua. Bem de leve. Lentamente. Inebriado pela textura suave, o cheiro de vinho, o gosto que ele tinha. Para depois depositar um último beijo no outro canto da sua boca, deixando que a minha língua escorregasse — só um pouco — por entre seus lábios no gesto, e então recuar o corpo, logo em seguida.
Eu havia feito a minha jogada, era a vez dele agora.
Com os lábios a milímetros dos dele, eu esperei, suspenso, tão perto que a minha respiração se misturava a dele. A tensão levada a níveis quase insupertáveis.
Ele permaneceu absolutamente imóvel.
Eu continuei a esperar,
Um segundo se passou, dois... três.
A sensação de urgência começou a tomar conta de mim, misturando-se à exitação, até ser impossível distinguir uma da outra.
Nunca alguém havia feito aquilo comigo. Nunca uma pessoa tinha me dado tanto trabalho. Esperar assim. Sempre tinha sido o contrário. Homens ou Mulheres. Eram eles que sempre se jogavam sobre mim, insinuando-se, me fazendo agrados, tentando me beijar... Mas ele não era como os outros.
Eu ainda esperava, o controle por um fio, os olhos fixos em sua boca com uma espécie de maravilhamento hipnótico, mas ele não se mexia.
E então, quase de repente, ele fez um barulho estranho. Murmurou uma praga em voz baixa. E aqueles lábios, que segundos antes eu admirava, já estavam sobre os meus, e eu não conseguia pensar em mais nada.
ooOoOoOoo
Camus POV
Realmente, tinha que ser imoral o modo como ele me fazia sentir. Como se só houvéssemos nós dois no mundo. Como se eu não tivesse nenhum lugar mais importante pra ir, ou algo melhor pra fazer do que ficar sentado ali e lentamente explorar a boca dele, deixando-o fazer o mesmo comigo.
Só que ele não estava fazendo o mesmo comigo. Eu percebi, tarde demais, que, enquanto eu estava ocupado em desfrutar a pilhagem sensual que fazia em sua boca, outra muito diferente estava ocorrendo, mais abaixo, na braguilha da minha calça. A mão de Milo Scorpion – a que não ficara na minha nuca – deslizara até a minha cintura e descobrira o fecho do meu cinto, e o zíper que seguravam as minhas calças.
Eu tentei protestar quando senti as mãos dele correrem pelo meu quadril e o tecido fino deslizar, descendo pelas minhas pernas, para ir parar no chão, junto dos meus sapatos. Eu tentei dizer chega. Realmente tentei . Mas era tão... difícil. E não apenas porque a língua dele estava na minha boca, mas porque... bem, porque eu não queria que ele parasse.
Mesmo assim, não estava certo aquela história com as minhas calças. Nem estava certo a forma enlouquecedora com que ele se mexia sobre o meu colo. Tampouco era certo que ele deslizasse o corpo sobre o meu daquele jeito, enroscando os dedos no cós da minha cueca, puxando-a pra baixo.
– Pare de se contorcer, Camus – ele afastou a cabeça para trás e acrescentou abruptamente – eu não consigo terminar de tirar sua roupa!
– O que você está fazendo aí embaixo? — mesmo enquanto eu falava, meus lábios formigavam prazeirosamente pela maneira como ele os comprimira ao retribuir meu beijo — Eu non te dei permissão para que me despisse!
Mas eu devia saber, é claro. Eu devia ter imaginado o que ele poderia estar querendo. Devia ter adivinhado que ele tiraria a taça vazia das minhas mãos. Devia saber o que ia acontecer quando, ao colocar a taça na mezinha, ele afundou os joelhos no carpete fofo. Devia ter previsto que ele colocaria as mãos no meu joelho, e que, em um gesto firme e gentil, ele ia afastá-los...
...e deixar que o seu rosto se perdesse entre as minhas pernas.
– Milo! – eu exclamei, colocando a mão sobre a cabeça dele e segurando um punhado das mechas douradas entre meus dedos – O que você... Milo, pare com isso. Você non pode...
Podia sim. E fez. Sua língua quente me inundando, deslizando torturante pela minha virilha até encontrar seu objetivo, me fazendo contrair o corpo e tremer com o toque úmido sobre a carne sensível.
– Sabe qual é o seu problema, Ruivo? – ele falou então, afastando um pouco os lábios. Os olhos azuis escuros de tanto desejo, um sorriso travesso na boca perfeita, o hálito quente provocando pequenos arrepios no meu corpo. – Você pensa demais. Às vezes, você tem que parar de pensar e deixar que as coisas aconteçam.
Ao dizer a última palavra, sua boca desceu sobre o meu membro. Tomando-o por completo. Sua boca presa a mim tão firmemente quanto suas mãos. Sugando forte. Fazendo-me arquear o corpo e morder os lábios pela força das sensações. Suas mãos envolvendo meus quadris, trazendo-me para mais perto dele, enquanto os dedos acariciavam minhas nádegas, que não valiam 2 milhões de dólares.
Ele era cruel. Ele usava armas contra as quais eu não tinha defesa. Ele era desleal comigo. Ele era uma ameaça para todas as pessoas, na verdade.
Não havia nada que eu pudesse fazer. Nada, a não ser puxar seus cabelos com mais força e gemer. Minhas costas e pescoço se arqueando cada vez que ele aprofundava as carícias, traçando espirais indescritíveis com a língua.
Causaria espanto dizer que eu acabei me deitando no sofá, esquecendo todos os argumentos que tinha contra aquilo?
Eu sabia que não era certo. Sabia muito bem.
Mas, o que mais eu podia fazer? Lá estava eu em seus braços, na verdade sob ele, 'envelopado' por ele. Ele era tudo o que eu podia ver, tudo o que eu podia tocar, tudo o que podia provar. Sua respiração irregular era tudo que eu podia não só ouvir como sentir. Tudo que me chegava ao nariz era seu delicioso perfume masculino: uma mistura de sabonete e loção pós-barba, e, mais ao longe, de amaciante de roupa e vinho. Um cheiro que, eu tinha certeza, por anos e anos iria me trazer lembranças dele.
Era ridículo, totalmente ridículo, imaginar que uma coisa como aquela – cheiro de amaciante e vinho – pudesse fazer com que eu me agarrasse com ainda mais força a ele, em uma entrega quase selvagem. Mas era exatamente isso que estava acontecendo. Era algo que eu não conseguia explicar. Era assim, e isso era tudo
E então eu imaginei o que exatamente a mão dele estaria fazendo entre as minhas pernas. O que os dedos dele estavam fazendo ali. Pressionando-se com firmeza contra aquele local quente e apertado entre as minhas nádegas. Tão firme, de fato, que era como se um ou dois dedos pudessem ter escorregado para dentro de mim.
E eu nem me incomodei.
Mas quem poderia me culpar? Era tão celestial ter a boca dele ali, com seus dedos me acariciando por dentro daquele jeito. E era tão boa a forma como ele me acariciava... tão suave e ternamente. Só que ainda persistia aquele anseio, aquela sensação de que se ele apenas fizesse um pouco mais de pressão 'lá'... 'lá' aonde exatamente, eu não saberia dizer.
Mas ele sabia. E quase de repente ele o fez.
Eu arquei o corpo e apertei os dedos em seus cabelos, incapaz de conter um grito...
Mas não de protesto, absolutamente.
Como se fosse um sinal pelo qual ele estivera esperando, os lábios dele se afastaram do meio das minhas pernas, traçando um caminho pelo meu abdómen. Passando pelas costelas, brincando com meus mamilos, antes de tomar novamente a minha boca. Os dedos dele ainda empenhados naquela exploração que ele fazia dentro de mim. Indo e voltando. Pressionando insistentemente aquele ponto.
Eu não estava preparado pra aquilo. Pra aquela reação física forte e imediata. Instantaneamente eu me dei conta de que tinha sido inundado por uma ânsia, e que ela parecia enraizada em um desejo incontrolável de me pressionar ainda mais forte contra ele. Contra os dedos dele.
E o pior é que eu gostava daquilo. Gostava muito. Era só ver como eu me mexia, e estava claro o quanto eu gostava. Com meus quadris contra ele, indo e vindo, enquanto os lábios dele procuravam meu pescoço e sua mão livre buscava mais uma vez aquele órgão rígido e pulsante sobre a minha virilha.
Eu gemi alto. Era como se meu mundo tivesse começado a girar de forma constante e fora de controle. Quase que subitamente, eu havia me transformado – pelo mais simples toque da boca, e dos dedos, de Milo Scorpion – numa coisa lasciva e indecente, que não conseguia pensar em nada senão...
Bem, 'naquilo'.
Era loucura. Era o paraíso. Aquilo tinha que parar. Sério, não havia possibilidade de eu continuar sendo um escravo do desejo daquela maneira...
Mas como era bom. Aquilo era algo que calava minha voz interior. Aquela que insistia em dizer que essa história não ia acabar bem. Finalmente, ali estava uma coisa que calava todas as vozes, todos os conselhos ao longo dos anos.. ele podia ter tudo, contanto que continuasse me fazendo sentir aquilo.
Mas então aconteceu uma coisa.
Uma coisa que me fez perceber o tamanho da minha loucura.
Ele colocou uma das minhas pernas sobre o seu ombro e, ao me mexer de encontro ao corpo dele, eu senti algo duro, algo duro e quente, pressionar o meu glúteo sob o tecido da sua calça. E subitamente eu me dei conta do que estava prestes a acontecer comigo.
Porque tudo o que ele precisava fazer era desabotoar a calça, e não haveria nada, absolutamente nada, que evitasse que nós fizéssemos exatamente a mesma coisa – bom, com algumas diferenças, é claro — que eu vira a Saori e ele fazendo àquela noite, na festa.
E então tudo estaria acabado. Porque não havia futuro para gente, mas só prazer momentâneo... Seguido de – no meu caso, pelo menos – uma vida de culpa e arrependimento.
Eu jamais conseguiria olhar pra minha noiva de novo. Pior do que isso, eu não conseguiria sequer olhar pra mim mesmo outra vez.
Eu tentei afastá-lo. Eu tinha que me desvencilhar dele. Mas, Deus, como era difícil conseguir fazer alguma coisa quando você precisava se concentrar tanto pra simplesmente ser capaz de respirar!
Mesmo assim eu não podia continuar com aquilo. Eu precisava fazê-lo parar. De qualquer jeito. Então eu só tirei a perna do ombro dele, segurando-o pelo cotovelo e levantando o joelho, até encostá-lo naquele traseiro tão famoso. Depois, puxando os cotovelos dele e empurrando-o com o joelho, eu o lancei por cima da minha cabeça, até que ele fosse parar no chão, ao lado do sofá.
O palavrão que ele soltou ao aterrisar seria digno de qualquer censor de Hollywood.
Eu me sentei, estava me sentindo tonto. O coração batia em meu peito e eu respirava com tanta dificuldade como se tivesse acabado de correr. Meu membro pulsava, e uma dor lembrava minha loucura.
Eu me virei e comecei a juntar minhas roupas. Eu não podia olhar pra ele. Eu simplesmente não podia olhar. Eu ouvia a respiração ofegante, entrecortada, dele às minhas costas e senti, mais do que vi que, que ele havia se levantado. E eu sabia que ele estava furioso. Eu não precisava olhar pra ele pra saber disso. Por um momento eu realmente achei que ele fosse me acertar. E cheguei mesmo a retesar o corpo preparando-me par a o golpe. Mas tudo que ele fez foi olhar friamente pra mim e dizer:
– Ela não ama você. – ele estava sendo maldoso. Propositalmente maldoso, eu saiba, mas não podia culpá-lo — Você sabe que não. Então, por que...
– Eu te disse o por quê. – eu interrompi, ainda sem me virar pra ele. Eu precisava ser capaz de manter meu cérebro longe da minha virilha, e olhar pra ele não ia ajudar.
– Seu irmão. – agora havia frustração na voz dele.
– Sim, meu irmão. E depois... – eu balancei a cabeça -... merd, Milo, será que você non vê? – eu me voltei pra ele. — Não vê o que isso faz de mim? Algo horrível! Eu non sou nem um pouco melhor do que ela. Do que a minha noiva e... seu amante. Na verdade, posso ser ainda pior, porque por tudo o que eu sei ela pode muito bem estar apaixonada por... pelo homem que eu vi com ela. Pode non ter conseguido evitar, talvez sentindo uma paixão incontrolável por ele, uma paixão ardente, enquanto eu... enquanto nós...
Ele levantou uma sobrancelha e disse:
– 'Enquanto nós'?...
– Nós estamos apenas envolvidos em um jogo – eu completei, desviando o olhar para janela. Lá fora a neve continuava caindo. Agora mais devagar e em menor quantidade. Mas os flocos continuavam grandes e pesados. Tudo estava quieto... não se ouviam mais buzinas nem alarmes de carro disparando ... Cada som estava abafado, cada galho se curvava com o peso de tanta coisa branca. Cada janela estava coberta por ela.
Eu sentia os olhos dele sobre mim, observando meu perfil no silêncio.
– Então é isso que você acha? Um jogo? – ele perguntou finalmente.
'Não para mim'. A frase chegou a minha mente antes mesmo que eu pudesse impedí-la. Antes até que eu fosse capaz de entender completamente o que ela significava. Como um escape inconsciente, me assustando. Por que eu havia pensado aquilo?
– Bem – eu falei, quando me senti capaz de olhar pra ele de novo sem deixar transparecer minha confusão. – Que outro nome você daria para isso? Não é como se você e eu estivéssemos loucamente apaixonados um pelo outro.
– Não estamos?
A pergunta foi feita de um modo tão suave, que em um primeiro momento eu não tive certeza se tinha escutado direito. Era como se o vento soprando contra a vidraça, houvesse soprado a pergunta, não ele.
Mas fora ele. Inquestionavelmente fora ele. Dava pra ver isso na maneira confusa com que ele me olhava. Dava pra ver no modo como ele parecia se conter, pronto para dar um salto à frente e me agarrar outra vez, fazendo- me sentir e sentir – Mon dieu, as coisas que ele me fazia sentir!
E de repente eu tive medo, mais do que eu me lembrava de já ter tido. Duas palavrinhas – 'Não estamos?'-, e meu mundo, que ele já havia virado de cabeça pra baixo, começou a dar voltas, até eu não saber mais diferenciar direita de esquerda, noite e dia, cima e baixo.
– Milo — eu pedi, tentando estoicamente esconder o meu desespero -, é melhor você ir embora agora.
Eu não podia deixar que ele continuasse ali. Com aqueles olhos indecentemente azuis sobre os meus. Os cachos loiros em desordem pelo contato turbulento que tivéramos. A camisa, que em algum momento eu abrira, expondo a barriga firme e definida, com aquela faixa de pelos loiros que descia desde o peito, e sumia dentro das calças jeans. Como uma seta apontando para o tesouro. O 'caminho abençoado', como o Afrodite gostava de chamar.
– A neve já amainou – eu continuei, tentando me desviar daqueles pensamentos. Tudo nele me arrebatava. Tudo me confundia. -, e eu estou certo de que você será perfeitamente capaz de chegar vivo até a sua casa agora.
– Camus...
Ele tentou argumentar, mas eu não o deixei continuar.
– Apenas saia, sim? – minha voz saiu firme. Quase autoritária. Eu tinha que parar com aquilo. Eu simplesmente precisava parar.
Seu rosto se fechou, os olhos estreitando-se, desafiador.
– Eu vou, Camus- ele falou pausadamente, ameaçadoramente — mas saiba que no momento em que eu cruzar àquela porta – ele apontou para a porta da sala -, será a última vez em que você me verá passar por lá.
Eu não respondi. Eu sequer fui capaz de olhar diretamente pra ele. A ameaça se perdendo no silêncio da madrugada.
Ainda assim eu pude ver quando a expressão dele mudou. A raiva dando lugar a um sentimento mais vago, vazio, indefinido. Um sorriso estranho desenhando-se em seus lábios. Mágoa? Desprezo? Decepção?
– Sabe, Camus, — ele falou então, a voz quase como o sorriso — eu não sei se foi a alguma coisa na sua educação ou se é por causa do seu trabalho, mas você é frio, Ruivo. Mais frio do que os vinte dedos de gelo lá fora.
Eu ouvi a porta bater e então estava acabado. Eu não precisaria mais ficar confuso. Era o que eu queria. Nada de gregos malucos me agarrando dentro da garagem. Nada de atores famosos aparecendo na porta do meu escritório. Eu não seria mais perseguido, provocado, ou sexualmente molestado. Eu devia estar feliz...
Então por quê eu não conseguia me sentir dessa forma?
Notas finais
Aqui estou eu de novo, e dessa vez nem demorou tanto, vai, e olha que o ch é gigantesco o.o. Na verdade eu me esforcei ao máximo pra conseguir liberar esse ch pra vocês antes das minhas provas começarem ^^.
E, nossa, tanta coisa que eu penso em dizer, daí chego aqui e esqueço tudo XD. Mas, bom, primeiro já vou avisar que não sou eu que estou sendo contraditória, o Milo é que está. Eu sei que ele começou dizendo que estava jogando e depois veio com aquela coisa de 'Então é isso q você acha? Um jogo?' e ele fica dizendo que não tá apaixonado pelo Camus e me vem com essa de 'Não estamos?'. Pois é, é que agora eu estou aos pouco fazendo eles tomarem consciência do que no fundo eles já sabem. Então do mesmo jeito que o Camus teve aquele pensamento que ela não sabe explicar de onde surgiu, o Milo tb lidou com problemas parecidos, só que no caso dele, como ele não costuma pensar muito pra falar, o pensamento saiu pela boca XD. Mas isso será melhor explicado pelo próprio Milo no ch que vem, o que eu posso falar agora é que nesse momento o Milo tá dando com a cabeça na parede (não literalmente, eu espero) por ter sido tão idiota na frente do ruivo XDD. De qualquer forma acho que vai ser bem emgraçado daqui pra frente, pq o mecanismo de defesa do Milo é a negação, então ele fica, tipo: não, isso não tá acontecendo, eu não sinto isso. Mesmo que obviamente esteja. Já o do Camus é a racionalização, então ele fica: ok, está acontecendo, tudo bem, mas isso não muda nada pq (um monte de argumentos, até coerentes, se você desconsiderar a premissa de que ele não vai ser capaz de manter nada do que ele está falando XDD)
E eu enfim consegui colocar mais umas pistazinhas da trama principal da história o/, será que deu pra pegar? E eu quero saber o que vocês acharam do Lemon, ou melhor, do quase, quase, quase Lemon XD. Pleaseee! Camus foi tão mau, cubo de gelo insensível Ng contou pra ele que não pode parar as coisas numa hora dessas? u.u... XDD
Ah, nossa, pra variar acabei falando muito, então é isso aí gente, muito obrigada a todos que acompanham pelo carinho, e um obrigada ainda maior aqueles que perderam um pouquinho do seu tempo pra me deixar uma review ^^: Kamy_Jaganshi, maah_belee, lihchan, Minos_d_Griffon, LikaNightmare, ddd, Lilicris, gabiihbian e Moro-chan. Obrigada mais uma vez meninas ^^.
Bjos
PS: credito devidos: à Meg Cabot, como sempre, e à Laura Guhrke, de cujo livro "Muito Mais Que Uam Princesa"eu tirei algumas coisas pra esse ch.
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