Notas iniciais
Disclamer: Saint Seiya não me pertence, o que é uma pena realmente XD Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens, se você não gosta, não leia

Camus POV

Sentado na escrivaninha do meu escritório eu tentava pela terceira vez equacionar a somatória do gráfico que a tela do computador a minha frente apresentava.

Em vão.

O que estava acontecendo comigo? Eu costumava ser capaz de lidar com muito mais números na minha cabeça. Equacionando, achando as variantes e calculando os desvios também. Por que parecia que não estava mais conseguindo fazer isso? Por que não conseguia me concentrar?

Eu sabia por quê.

Mas me recusava a pensar nisso. O que tinha pra pensar?

Era melhor assim. Era melhor ficar longe dele. Olha o que ele havia feito comigo! Eu não conseguia mais fazer uma simples soma. Se ficasse com ele por mais tempo, poderia ficar sem nada da inteligência que possuía. O que aparentemente era o que acontecia quando alguém se apaixonava. Seu cérebro era sugado ou ficava gelatinoso.

Então era isso o amor? Era escrevendo sobre isso que poetas gastavam páginas e páginas? Era isso que Shakespeare exaltava? Se fosse, e eu tinha toda a razão para acreditar que sim, baseado em minha completa inabilidade para pensar em qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, que não nele, eu não queria mais saber disso. Não se isso significasse que eu teria que viver o resto da vida com esse nó no estômago, com esse aperto no peito.

Alguém bateu à porta.

Eu levantei da cadeira e, como já estava me habituando a fazer, parei em frente às portas francesas que davam para os jardins ao passar por elas. A luz que passava pelas vidraças havia mudado do dourado do pôr do sol para o tom lavanda do crepuscúlo.

O que ele esperava conseguir agindo daquela maneira tão tola? Eu pensei, alçando mais uma vez os olhos sobre o lugar em que o vira pela última vez. A forte chuva me impedira de ver claramente suas feições, mas eu sentira o impacto de seu olhar, tão certamente quanto um raio de sol atravessando as nuvens. E, por alguns instantes, meu coração imaginara que poderia ter visto tristeza em seus olhos, ou mesmo arrependimento. Eu sabia que não devia confiar nele, meu coração já provara ser cego como um morcego

De novo bateram à porta.

– Acho que não preciso perguntar no que você está pensando.

Eu me virei para olhar para o Afrodite, quando ele entrou.

– Bati várias vezes, mas você não respondeu... – ele disse.

– Por que me preocupar? – eu respondi. – Sabia que você ia entrar de qualquer jeito

Ele apenas sorriu em resposta enquanto se servia de um cálice de vinho de uma garrafa, em uma bandeja sobre o aparador.

– A propósito – soltou displicente — Caso você ainda esteja pensando em resistir, eu não acho que o seu grego seja um homem que desista facilmente. Vinho?

Eu havia lhe contado o que acontecera, na noite passada. Não tivera outro jeito, ele não parara de me atormentar até conseguir toda a verdade.

Eu balancei a cabeça e disse:

– Non, merci. Você tem razão, ele non desiste facilmente, mas mais cedo ou mais tarde terá que fazê-lo.

Assim que visse que ia precisar de mais do que uma visita martirizante sob a chuva para me fazer mudar de idéia, ele desistiria.

No entanto era um mistério a razão pela qual estava fazendo aquilo, em primeiro lugar. O que ele estava querendo provar? O que mais havia a dizer sobre sua traição? Será que esperava de algum modo entrar de novo na minha vida pra conseguir roubar a tiara, ou estava de fato arrependido? Talvez eu devesse simplesmente ficar frente à frente com ele por tempo suficiente para que pudesse lhe fazer todas essas perguntas. Mas tinha medo do que poderia acontecer se o visse.

Aquele meu lado fraco sentia terrivelmente a falta dele, e queria muito acreditar que, assim como eu, ele também era uma vítima da situação, e que tudo o que me dissera era verdade. Eu não sabia se minha outra parte ainda estava forte o suficiente pra resistir. Porque era muito intenso o impulso de perdoá-lo. De tomá-lo nos braços e lhe dizer que estava tudo bem.

Eu queria que houvesse uma razão muito forte para que ele precisasse daquela tiara. Queria estar certo sobre ele. Que ele realmente fosse o homem que eu acreditava ser. E era por isso que não queria vê-lo, porque tinha medo de descobrir o quão errado estava.

Ou, pior, que afinal estivesse certo.

Mon Dieu, qual de nós estava sendo o mais idiota agora? Ele, por continuar insistindo, ou eu, por acreditar que sua insitência poderia realmente significar alguma coisa?

Eu observei enquanto o Afrodite se sentava no sofá e equilibrava a taça no descanso de braço com olhar pensativo.

– Ele vai acabar desistindo uma hora. – eu reafirmei.

Ele franziu o cenho, óbviamente porque achava que aquilo ainda podia demorar um bom tempo.

– Talvez fosse uma boa idéia você falar com ele. — disse — Esclarecer as coisas. Essa história toda está muito confusa, Camie.

– Não posso. – Eu caminhei até a mesa e me sentei outra vez – Ainda é tudo muito recente. Se o visse agora, não seria capaz de distinguir entre mentira e verdade.

Ele bebeu de seu vinho, e sua expressão demonstrava compreensão.

– E não quer ao menos saber o que ele disse ontem? – perguntou.

– Non. – respondi, desviando o olhar pra janela outra vez.

Mas como sempre ele não me ouviu.

– Disse que nada mudou, -revelou — que você ainda é a escolha dele e... – ele franziu um pouco a testa — ah, sim, que há sempre um pouco de razão na loucura, seja lá o que isso signifique. – Ele deu de ombros, dando outro gole no vinho.

Eu senti um aperto no coração.

Fechando os olhos, lutei contra a tentação que me ameaçava. Eu sabia o que aquilo significava – o que ele queria que eu pensasse. Ele havia me dito antes que descobrira que havia uma escolha pra ele, que havia escolhido a mim. 'Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura'. Fora o que ele me dissera depois de achar meu livro, no dia em que declarara que me amava.

Eu respirei fundo.

– Ele quis dizer que escolheu mudar por mim, — eu disse — e que ele me ama.

Eu o vi entreabrir os lábios com uma expressão aflita.

– Ah, meu Deus, Camus! Isso é tão romântico! – ele quase gritou — Tão romântico mesmo. – Balançou a cabeça, pesaroso. – Juro, Camie, se você consegue resistir a um homem desse é uma pessoa muito mais forte do que eu.

– Ele só disse essas coisas na esperança de que eu fosse idiota o bastante pra acreditar nele, Di. Ele só quer a tiara, nada mais do que isso. – Se era verdade, então por que nem minha cabeça nem meu coração pareciam acreditar totalmente nisso?

Obviamente que o Dite também não acreditava.

– Se ele quer apenas a tiara, por que continuar se dando ao trabalho de procurar você? Se você já descobriu tudo, ele não estaria só dificultando as coisas pra ele mesmo agindo assim? Se ele só quisesse a tiara seria muito mais lógico que evitasse você, Camus, e reestruturasse seus planos pra conseguí-la de outra maneira.

– Ele non se atreveria. – eu falei firmemente – Não depois de eu tê-lo ameçado caso ela desaparessesse. — Bravata não combinava comigo e aquilo soou muito como uma coisa dita só da boca pra fora.

– Por que não? – Ele falou levantando-se do sofá pra se servir de mais vinho. Ele não estava sendo cruel, apenas curioso. – Vocês estão em um impasse, pelo que eu vejo. Ele não pode pegar a tiara com a sua ameaça, é verdade, mas você também não pode delatá-lo sem destruir seu noivado e arriscar um escâncadalo.

– Como se alguém fosse acreditar em mim! — eu exclamei — Sem dúvida ele me faria passar por tolo. Um ex amante vingativo que ele rejeitou depois de levar pra cama.

Ele se recostou no aparador, girando o vinho no cálice de cristal.

– O que só prova que ele quer algo mais além da tiara. – disse — Quer saber? Ele não está afim de roubar nada, Camus. Está interessado em você.

Isso era tudo o que eu não queria ouvir. Eu não queria criar falsas esperanças, embora não pudesse evitar sentir meu coração disparar no peito.

– Isso não é verdade. – eu neguei.

– Pois eu digo que é. – Ele afirmou outra vez – E você sabe que eu tenho boa intuição pra esse tipo de coisa.

Eu ergui uma sobrancelha e olhei pra ele com descrença.

Porque, sinceramente, o Dite era o típico cara que tinha o dedo podre pra escolher namorado, sabe.

E nesse ponto eu respeitava o Máscara. Ele podia ser um maníaco perigoso, um ciumento compulsivo, mas amava o Dite. Amava de verdade. Ele não era um gay enrustido que ficava com o Dite enquanto mantinha um relacionamento de fachada com uma tal Amanda, só pra disfarçar na frente dos pais religiosos, pra que eles não descobrissem o que acontecia de verdade. Ele não estava apenas tentando fazer com que o Dite ficasse tão apaixonado por ele que não conseguisse negar quando ele viesse com a idéia de fazer um ménage com o ex. E ele não era um jogador compulsivo que sabia quanto dinheiro nós tínhamos e achava que o Dite podia livrar a cara dele caso se afundasse demais em dívidas.

Não que todas essas coisas tivessem realmente acontecido com o Dite... mais de uma vez.

– Tudo bem – ele bufou irritado lendo meu pensamento – mas eu tenho boa intuição pra roupas, — ele sorriu triunfante – e eu sei quando as calças estão certas. Além disso, acredite, Camie, se ele é metade do homem que eu acho que é, vai continuar insitindo.

– Não duvido. – Eu dei de ombros — Pra conseguir o que quer Milo Scorpion é capaz de qualquer coisa.

– Então é melhor esperar que ele queira só a tiara – ele falou com muita firmeza dessa vez –. Porque se ele quiser você, ele vai tê-lo.

Eu senti uma espécie de arrepio perpassar meu corpo e abri a boca pra protestar, mas o barulho de passos, e uma algazarra de vozes vindos de fora chamou nossa atenção, me fazendo calar.

– Senhor, por favor... o senhor não pode entrar aí – protestava uma das vozes.

– Vocês não entendem – rosnava a outra – Eu não quero fazer nenhum mal a ele. Só preciso fazer com que ele entenda.

Um estrondo cortou o ar quando a porta se abriu de supetão.

Ambos olhamos assustados enquanto um loiro agitado e despenteado seguido por três criados e dois seguranças irrompia no escritório.

– M-Milo! – eu exclamei, incrédulo.

oOOoOOoOOo

Seiya POV

– Não quero ouvir mais nem uma palavra sobre isso – ela disse alto. – Você tem que fazer, e tem que ser imediatamente.

Mergulhado numa desconfortável poltrona, que embora tivesse sido recentemente forrada de seda azul-pálido estava na família por aproximadamente um século, eu disse somente:

– Precisa gritar desse jeito? Estou com uma dor de cabeça infernal.

– Parece que tenho que gritar – ela disse, andando de um lado para o outro na frente da minha poltrona. – Porque você está claramente insensível, não quer raciocinar. Estou te dizendo, Seiya, esta é a única maneira.

– Sim, mas querida... – eu falei, levantando o rosto que havia mergulhado nas mãos, e olhando pra ela com uma cara péssima – isso é tão drástico!

– Tempos drásticos pedem medidas drásticas. – Ela disse simplesmente, pondo fim a discussão, e então se virou.

Linda como nunca num vestido de musselina rosa pálido, caminhou até o recamier aos pés da cama e retirou um ornamentado vestido de festa de uma de suas inúmeras sacolas de compras atirando-o pra mim.

– Tome, querido – disse – Veja o que pode fazer com isso. Virou um emaranhado só.

Eu troquei a poltrona em que estava por um chaise-longue de veludo, mais confortável.

– Querida... – eu tentava desfazer os nós dos fios de contas do vestido.

– Sim? – ela respondeu mirando seu róprio reflexo no espelho de corpo inteiro do armário

– Ele sabe? – eu perguntei preocupado.

Ela piscou, valendo-se dos bastos cílios negros para dissimular por um instante seu olhar, perguntando:

– 'Quem' sabe, Seiya?

– O Camus, é claro – eu disse baixinho. – Quem você achava que fosse?

Ela levantou as sobrancelhas perfeitamente contornadas

– Do que você está falando? – perguntou. – É óbvio que ele não sabe.

– Você tem certeza? – Eu a olhei intrigado – Porque naquela noite eu poderia jurar que o Hyoga havia desconfiado de alguma coisa. Aquele sumiço dele...

– Não seja bobo, querido – ela fez um gesto de descaso com a mão – . Você está aqui, não está? Se ele soubesse de alguma coisa, você nem teria conseguido sair do país, pra começar. Talvez tenhamos que ser mais cutelosos no futuro, mas vai valer a pena, não vai?

– Claro que sim – eu respondi, embora estivesse começando a ter dúvidas quanto a isso. – O Camus... Ele te disse algo? No telefone? Algo que indicasse que poderia... saber?

– Pare com isso — ela caminhou até o console da lareira e arrumou uma estatueta, depois se virou para mim outra vez – Eu estou te dizendo: ele não tem nem idéia.

– Mesmo? – Eu perguntei – Porque eu tenho certeza de que alguém anda me seguindo.

– Seguindo você? Ora, Seiya, faça-me o favor! Quero dizer, você não pode estar achando... – só então sua auto confiança pareceu balançar um pouco. – Bem... ele estava um tanto diferente da última vez.

Eu olhei pra ela assustado:

– O que está querendo dizer?

– Bem, ele não quis... você sabe... durante algum tempo...

– E você acha que ele desconfia, por isso...

– Não! – ela me interrompeu – é claro que não. – ela respirou fundo com desagrado — Só está apaixonado, o idiota – sua careta de desgosto aumentou -. Por Milo Scorpion. – ela fez outro gesto de descaso com a mão — Pelo menos é o que estão todos comentando, sabe. Que eles estão tendo um caso. – ela soltou o ar dos pulmões outra vez — Na verdade, eu já suspeitava de algo assim da última vez que o vi. Estava escrito na testa dele. Bem que eu falei que aquele Afrodite era uma influência péssima.

Eu estava atônito.

– Mas não pode ser! – exclamei. – De jeito nenhum. Você não pode deixar isso acontecer. Você precisa mantê-lo interessado, Sao. Não podemos deixá-lo desistir. Não agora.

– Sei disso – disse ela dando uma piscadela. – Acha que não tenho consciência disso? Não se preocupe. Tenho um belo plano. E é por isso que estou te dizendo, querido: Você tem que fazer isso. – ela continuou incansável. – Eu arrumarei tudo. Então só vá pro seu quarto, faça as malas, e pegue o primeiro avião de volta pra New York ainda esta noite.

Eu fitei as bonecas de louça nas prateleiras no alto. Odiava o modo como olhavam maliciosamente para mim, com seus olhos de vidro julgando-me, zombando de mim.

– Não dá pra ser esta noite – eu falei com cuidado. – Já tenho planos pra esta noite.

Eu ouvi o barulho dos saltos de seus sapatos batendo no chão. Ela não era o tipo de mulher que fosse sensato contrariar. Se eu tivesse olhado pra ela e não para cima pra responder, provavelmente teria dito aquilo de modo diferente. Como o fiz ainda olhando pras prateleiras, não vi as nuvens de tempestade se formando no horizonte.

Antes que eu pudesse reagir, ela avançou rapidamente na minha direção e agarrou meu nariz com força entre suas unhas perfeitamente cuidadas.

– Você vai... fazer... as malas... e viajar... esta noite – sibilou ameaçadoramente – ou sofrerá as consequências, 'onii-chan'.

Alarmado, eu agitei o braço e conseguiu escapar de suas garras. Com um salto a frente e esfregando meu nariz ainda sensível eu perguntei:

– Por quê você teve que fazer isso, Sao?

– Eu te disse – ela repondeu com os olhos semicerrados. – Você vai fazer o que eu mandei, ou então...

Eu respirei fundo e voltei a me sentar. Era inútil discutir.

Ela voltou-se mais uma vez pro espelho, aparentemente para ver quanto a pequena turbulência que tivéramos havia desmanchado do seu pentado.

– Por que eles a querem, afinal? – Eu perguntei depois de um tempo.

– 'Quem' quer o 'que', Seiya? – Ela perguntou enfastiada, sem desviar os olhos da própria imagem refletida.

– Pandora. A tiara. – eu respondi impaciente.

– Sei lá, — ele deu de ombros — o que isso importa?

– Não sei, Sao, é estranho. E essa carta de doação ao museu que eles te fizeram escrever?

– O que foi, querido? – ela olhou pra mim através do espelho — Deu a grandes pensamentos, agora? Você nunca foi disso.

– Eu só acho estranho, só isso. – eu falei — E você não vai ter que devolver o dinheiro do seguro quando a jóia estiver no museu?

– É claro que não, bobinho, — ela sorriu, se voltando pra mim outra vez — porque quando isso acontecer, todo o dinheiro já estará muito bem investido em fundos na Suiça, e nós estaremos vivendo uma vida abastada em algum país paradisíaco qualquer.

– Mas... E se...

Ela silenciou meus lábios com um dedo.

– Não se preocupe – ela falou outra vez. – Sao-chan tem tudo sob controle. Você vai agir conforme o combinado, eu vou me casar com meu rico príncipe, a tiara desaparecerá misteriosamente, nós nos livramos de Pandora e da máfia. Saldamos as dívidas da família, colocamos as mãos no dinheiro do seguro, e, de quebra, ainda salvamos a Fundação. Então eu me divorcio, saio do casamento como uma mulher rica outra vez, nós nos casamos em segredo em Toscana e tudo sairá como planejamos.

Eu soltei o ar de uma vez, inclinando-me para frente e afundando o rosto nas mãos.

– Querido, o que foi? – ela disse, levando uma mão ao meu ombro. – Não gosta da Toscana? Creio que, em vez disso, poderíamos ir ao Caribe, ou América do Sul, quem sabe.

– Não é isso – eu falei, com um gemido. – Não tem nada a ver com isso.

– O que é, então?

Mas eu não podia contar a ela, é claro. Pareceria um fraco. E eu nunca quis parecer assim. Não na frente dela.

– Querido, o que foi? Diga-me – ela me olhava agora com preocupação. – É só porque você acha que está sendo seguido?

Eu afundei os dedos nas pálpebras, massageando-as e respondi:

– Sim, é por isso.

– Mas isso não é nada – ela disse, pondo atrás da orelha uma mecha escura do cabelo que se soltara. – Desde que você tome cuidado.

– É claro que tomo cuidado – eu falei sem tirar o rosto das mãos. – Você sabe como sou cuidadoso

– Então o que importa? – ela perguntou, sorrindo – Contanto que ninguém suspeite.

Eu levantei o rosto. Não estava certo sobre até que ponto ainda conseguiria aguentar tudo aquilo.

– Você não entende – murmurei, em desespero. – Você realmente não entende.

– Não entendo o quê? – ela perguntou. — Querido, o que está acontecendo?

Eu apenas balancei a cabeça. Como iria lhe contar? Como dizer que não podíamos continuar com aquilo? Que havíamos sido descobertos? Como fazer isso sem assustá-la, ou sem que ela me achasse um fraco, um perdedor? Sem que ela deixasse de me amar? Eu não queria perder o seu amor. Eu a amara desde o primeiro momento em que pusera olhos nela, quando tínhamos dez anos e o Senhor Kido me tirara daquela instituição pra onde me levaram, depois que meus verdadeiros pais me abandonaram, me dera seu sobrenome e me levara pra uma casa. Quando ela me sorrira pela primeira vez e eu pensara que jamais havia visto nada tão lindo. Eu a amava.

Então o que mais poderia fazer quando voltara ao Japão há dois anos e descobrira a empresa e a fundação afundada em dívidas, todos os patrimonios da família comprometidos após a morte dos nossos pais? A Saori não sabia viver sem dinheiro. Nunca soubera. Nós teríamos que deixar a faculdade, não havia mais como nos manter em Boston, os cobradores não paravam de bater às nossas portas, e o nosso avô não tinha mais condições mentais de dirigir os negócios. Alzheimer, fora o que o médico diagnosticara.

Mas o pior fora descobrir que no desespero nosso falecido pai havia se envolvido com negócios ilícitos atrás de empréstimos arriscados: a fundação estava agora nas mãos da máfia. E a máfia japonesa costuma ter um jeito muito peculiar de cobrar suas dívidas. Nossa própria segurança estava ameaçada.

Então aquele homem apareceu: Wyvern era como o chamavam, 'o juíz'. Ele tinha contatos dentro da máfia, e de alguma forma parecia saber tudo sobre nós. Sabia onde morávamos, os lugares que frequentávamos, onde estudávamos, com quem saíamos e com quem tínhamos conhecimento na universidade. Com a autoconfiança de um homem de vinte anos, eu me metera nisso sem querer, atraído inocentemente, como um cordeiro indo pro abate. Bem, talvez não de modo tão inocente assim. Cordeiros, obviamente não se envolviam com organizações criminosas.

Mas a proposta de Wyvern havia sido irresistível. Eles só queriam a tiara, ele havia dito, e todas as nossas dívidas seriam perdoadas. Era um plano simples. Nós não fizemos perguntas. Você não faz perguntas à um homem como Wyvern.

E por algum tempo, não havia sido um mau arranjo. Nós também saíriamos com um bom dinheiro no final de tudo. O suficiente pra viver bem pelo resto da vida.

Eu não gostava muito da idéia de ter que dividir a Saori com outro homem, é claro, mas a verdade é que eu já havia me acostumado a isso. Em um relacionameto tão pouco convencional quanto o nosso eu não podia cobrar fidelidade dela. Bastava-me que o seu coração fosse exclusivamente meu, e ele o era.

Mas o futuro seria diferente. E finalmente eu via um futuro pra nós. Nós nos casaríamos em algum país distante e poderíamo ser enfim como qualquer casal normal. Pandora teria a tiara, nós teríamos nossa liberdade, e todos viveriam felizes para sempre. Bom, talvez não todos. O Hyoga teria que se machucar um pouco no processo, e o irmão dele talvez pudesse sair magoado, mas não se pode ter tudo, não é?.

E estava correndo tudo melhor do que eu esperava, a Saori conquistara o francês, e conseguira a tiara, eu soubera nas docas do velho chinês que diziam ter trabalhado com o Ladrão Fantasma — eu me lembrava do caso do Ladrão Fantasma dos jornais. Ele era tudo o que nós precisávamos, pra conseguir o dinheiro do seguro e afastar qualquer suspeita. -, até a noite em que me mandaram eliminar o Hyoga.

Ele reconhecera o juiz, e era uma ameaça aos planos agora. Eu provavelmente não deveria ter comentado sobre o que ele me contara na Ação de Graças, mas tive medo. Medo do que ele poderia fazer, do que poderia dizer... e a quem. Mesmo assim, eu não queria fazer aquilo, nunca quis atirar nele. Eu fizera muitas coisas ruins, é verdade, mas matar uma pessoa? Meu Deus, eu nem gostava de armas! Mas ninguém em sã consciência questiona uma ordem de Pandora.

Então o loirinho sumira, e por algum tempo eu achei que estivesse a salvo. Que ele não dissera nada. Que ninguém sabia. Como alguém poderia saber? Nós havíamos sido tão cuidadosos.

Mas agora eu tinha certeza. Havia visto o homem – o que estava tentando desesperadamente não ser visto – quando saía do meu apartamento em NY há alguns dias. É claro que eu não teria estranhado nada se não tivesse visto o mesmo homem de novo, perto do meu carro em frente ao Jean Geoges, onde eu havia ido jantar logo depois.

Aquilo me dera a certeza. Eu havia sido descoberto. Teria que enfrentar os fatos...

E apesar da idéia de que a polícia pudesse estar atrás de mim fosse inquietante, era o pensamento do que Pandora faria quando descobrisse que me apavorava.

– Sei-chan, querido – a voz fina da minha irmã e amante, interrompeu meus pensamentos, soando preocupada – deixe eu te ajudar. Você sabe como sou capaz de fazê-lo se sentir melhor.

Eu tirei as mãos do rosto e olhei pra ela desesperado.

– Você não pode! – gritei, consciente de que estava soando como um selvagem. – Entendeu? Não há nada, nada, que você possa fazer para me ajudar.

Ela fez cara de espanto.

E sem dizer mais nada se abaixou e levantou a barra do vestido, deixando à mostra suas longas pernas nuas e uma fina ligerie de renda branca presa por laços de seda. Os quais, ela logo mostrou, eram fáceis de tirar.

– Nada? – ela perguntou, enquanto trazia minha cabeça para o seu colo.

Eu relanceei os olhos pela parte escura e convidativa entre suas pernas e suspirei.

– Bom – admiti –, talvez alguma coisa.

oOOoOOoOOo

Milo POV

Eu estava sentado sozinho na minha sala com um copo de conhaque na mão. Não bebera nada do copo e nem me lembrava de ter me servido. Simplemente olhava fixamente para as profundezas do líquido acastanhado, pensando que sua cor, com a luz, mudava, quase do mesmo modo que um certo par de olhos que conhecia...

O convite de casamento fora o golpe final. Eu passara horas analisando o dito-cujo. Repassara cuidadosamente as letras, estudando os nomes, procurando pistas. De novo e de novo. Tentando acreditar que aquilo era real. Mas acabei olhando tanto pra ele que não parecia mais verdade, exatamente quando você se olha no espelho durante muito tempo e sua imagem fica estranha, quase irreal.

E todo o tempo eu não conseguia parar de pensar que ele ia se casar com a Saori.

Depois, a cada uma hora, eu pensava: O quê? Como assim com a Saori? Como se eu estivesse descobrindo naquele momento, e simplesmente não pudesse acreditar. Depois, ficava com vontade de ligar pra ele, de tentar fazer com que entendesse, então ficava enjoado e desistia.

Depois, a caraminhola recomeçava, depois vinha a surpresa, depois a vontade de ligar pra ele, depois a náusea – de novo, de novo e de novo.

Fora assim o dia inteiro.

Aquilo devia ser um sonho – um horrível pesadelo. As coisas não podiam ter saído tão mal assim.

Mas tinham acabado mal.

Ele ia se casar com a Saori. Era ele o tal noivo da garota. O que lhe dera a tiara. Deus, era a tiara da família dele que eu ia roubar! Por isso aquela atitude do Dohko. Agora eu entendia. Ele pensara que minha aproximação do ruivo era parte de algum plano. E óbviamente o Camus pensara a mesma coisa.

Eu percebia a ironia da situação e achava que algum dia poderia até me divertir com ela. Nesse momento, no entanto, ela só servia pra me tornar amargo e doente. Havia decidido arriscar tudo, desistira da maldita tiara. Chegara conclusão de que podia ser alguém melhor por ele, e então descobrira que era ele o noivo da tal garota.

Quem sabe fora o destino? Talvez niguém tivesse nenhum controle sobre a direção que sua vida ia tomar, e eu fosse apenas um peão num jogo muito maior.

Eu coloquei o copo de conhaque intocado de lado e me afundei na almofada, lembrando a expressão surpresa dele quando, ainda atordoado pela descoberta que acabara de fazer, eu simplesmente invadira sua casa.

– O que você está fazendo aqui, Milo? – Ele havia dito, a surpresa dando lugar a uma expressão fria, enquanto dispensava, com um gesto de mão, os seguranças e a criadagem.

Eu não respondi, não imediatamente, ao invés disso cruzei a sala, e, percebendo o tal Afrodite ainda ali parado, pestanejando confusamente, fui na direção dele e coloquei uma mão em seu braço.

– Será que se importaria muito – eu falei, empurrando-o levemente para fora da sala – de nos deixar a sós por um momento?

O loiro, ainda de olhos fixos no ruivo, que apenas assentiu levemente, murmurou.

–Ah... certo... mas...

– Só um instante de privacidade, por favor – eu o interrompi, empurrando-o para o corredor e fechando a porta.

Tão logo consegui conduzi-lo para fora, eu me voltei outra vez para o homem a minha frente e encarei os olhos gelados. Eles pareciam maiores com aqueles arcos escuros sob eles. Ele devia ter dormido tão mal quanto eu, eu pensei. A força com que eu queria apagar aquelas marcas do rosto dele me assustava.

– E enton, senhor Scorpion, vai me dizer a que devo a honra, ou pretende que eu descubra sozinho? — ele disse gélido, e eu senti que alguma coisa me incomodava por dentro. Percebendo, com um aperto no estômago, que essa era uma sensação que havia muito tempo eu não experimentava.

Era medo.

– Camus... — eu comecei tentando me manter calmo, mas sabendo que havia desespero na minha voz — Por que não me disse? Por que nunca me contou que a pessoa com que ia se casar era a Saori Kido?

Ele me olhou por um tempo como se eu tivesse perdido o juízo e então sorriu com desprezo.

– Seria humilhante demais, você não acha? O noivo traído procura pelo amante da mulher pra aprender a seduzí-la. Patético, non?

O que? 'Noivo traído'. 'Amante'. Por Deus, do que ele estava falando?

Confuso e tentando controlar o medo, eu caminhei na direção dele erguendo a mão pra tocar seu rosto.

– Camus, do que você está falando, eu nunca... — Ele se esquivou do contato antes que eu tivesse oportunidade de tocá-lo.

– Nunca o quê? — sua voz ficou mais dura — Era você, Milo, eu sei. Porque mais você acha que eu não te diria o nome dela? Mas isso non tem mais importância agora, já que você óbviamente sabia quem ela era o tempo todo, não é? — sua voz se tornou sarcástica — Como descobriu, Milo? Fez com que ela te contasse, foi isso?

Balançando a cabeça, completamente aturdido, eu cobri com duas passadas a distância que nos separava e, antes que ele pudesse se afastar, segurei seus ombros com força. Eu queria mantê-lo num lugar onde pudesse ver seus olhos.

– O que está dizendo? – eu perguntei.

– Você sabe muito bem do que eu estou falando. Naquela festa na Madison Square no sábado. Alguns dias antes de eu te procurar pela primeira vez. Você e a Saori no divã de couro, na sala do segundo andar. Eu vi vocês.

Eu só conseguia encará-lo, totalmente perturbado. Eu me lembrava de ter ido a festa, mas bebera tanto que perdera a consciência do que fazia lá pela metade.

– Eu... aquela festa... eu tinha bebido... eu... eu não me lembro... – eu acabei gaguejando.

– Não lembra? — ele riu com descrença — Quão idiota exatamente você acha que eu sou? — havia raiva em seus olhos agora — Não finja que non sabia, Milo. Por que mais teria se aproximado dela? Por que teria se envolvido comigo se não soubesse? Deve ter rido de mim o tempo todo.

Era isso então? Eu pensei. Não só eu estava tentando roubar a jóia que ele dera a noiva, como também transara com ela? Meu Deus, o que mais ainda havia pra acontecer? Não fosse pelo desprezo nos olhos dele e pelo fato dele estar me considerando desleal e traidor, eu poderia ter rido alto. Porque, de repente, era como se uma cortina tivesse se levantado e eu finalmente via tudo.

O desespero tomou conta de mim.

– Camus, você tem que acreditar em mim – sentindo medo de novo, eu tentava pôr os braços em volta dele, puxando-o mais pra perto – Eu não tinha idéia. Você está enganado se pensa que aquilo tinha algo a ver com a tiara. Eu não lembro o que aconteceu naquela festa, mas...

– Não. – disse ele, balançando a cabeça, tão determinado como eu jamaia o vira, enquanto retirava meus dedos dos seus obros. – Eu estava errado, você está certo, mas non sobre isso. O que aconteceu entre nós foi o meu erro. Você é o Milo Scorpion, afinal. Eu devia saber que para você tudo não passava de um grande jogo.

– Um jogo? – eu ecoei, com a voz sumindo.

– Oui, um jogo – ele falou. – Todo esse tempo você sabia que era a Saori. Seu objetivo sempre foi ganhar a tiara, non? É assim que homens como você se divertem, não é?

– Camus! – Horrizado, eu só conseguia encará-lo. – É isso que você realmente acha?

– Bem, o que mais vou pensar? Por qual outra razão você teria se aproximado de mim, Milo? Que outro motivo você teria pra querer a tiara?

– Eu te disse. – eu respondi sem olhar pra ele – O homem pra que trabalho. Ele estava me chantageando. Ameaçou ferir alguém que é importante pra mim. — Eu sabia que essas palavras não seriam suficientes, mas rezava, sim, rezava, pra que ele compreendessen dessa vez.

– A quem? – Ele voltou a insistir, sua voz estava dura. – A quem você quer tanto proteger, Milo?

Mas eu não podia lhe contar, é claro. Não sem arriscar a reputação dos meus irmãos e a segurança dele próprio. Se eu tivesse a menor idéia de que a tal Saori era a noiva dele, eu nunca teria levado aquela história de patrocínio e roubo de tiara adiante. Eu teria feito outra coisa. Eu teria agido antes.

Mas eu não sabia.

E agora estava começando a parecer que eu tinha perdido tudo.

– Camus...

– Me diga, Milo. – ele continuou — Quem é essa pessoa misteriosa?- Os olhos multicor se fixaram intensamente nos meus, como se pudessem ler a verdade ali dentro — É alguém da sua família? – sua voz hesitou por um momento – Sou... eu?

Eu inspirei fundo... e então bufei irritado. Olhos imprestávies. Era o que os meus irmãos sempre diziam. Eu tinha olhos imprestáveis. Qualquer um era capaz de saber o que eu estava pensando.

– Sim, dane-se! – Eu soltei de uma vez, zangado por ele ter me arrancado aquela confissão — Ele ameaçou ferir minha família e eu não reagi. Ameaçou fazer mal a você, e perdi o controle. Está feliz?

Surpreso e lindo, ele olhou pra mim.

O rosto sério e pálido parecia ponderar sobre minhas palavras. Demorou algum tempo antes que ele dissesse, naquela voz baixa e meio rouca que eu tanto amava:

– Por que isso me deixaria feliz?

Se fosse qualquer outro deixaria, eu pensei, e quase sorri com a constatação.

– Porque agora você sabe que pra mim você está acima da minha família, embora eu não seja ninguém pra você. – Isso era um grande exagero, eu sabia, mas uma parte minha queria que ele negassse, que dissesse que não era assim.

– Ninguém, não – foi tudo o que ele disse, no entanto.

Bem feito pra mim por esperar demais.

Eu queria fazer com que ele sentisse nem que fosse só um pouco da culpa e do remorso que eu estava sentindo.

– Eu lhe dei um soco quando ele ameaçou você, — eu expliquei — e então ele puxou uma arma e apontou pra minha cabeça. Acredite, Ruivo, não há nada que faça uma pessoa se sentir mais vulnerável do que ter uma arma apontada pra cabeça.

Ele pareceu empalidecer levemente ante a descrição. Bom, talvez eu não tivesse o direito de fazer isso com ele, mas precisava ver a cor sumir de seu rosto. Precisava saber que parte dele ainda se importava comigo. Maldição, senão não havia por que continuar.

Ele permaneceu em silêncio por algum tempo. Parecia hesitar.

– E quem é esse homem? – ele quis saber

Eu olhei para o chão.

– Não posso te contar.

Outro silêncio.

Ele assentiu levemente.

– Entendo. – falou, apesar de óbviamente não entender coisa alguma. E, por alguma razão, começou a se dirigir para a porta.

Eu o segui.

– Camus... – chamei.

Ele parou na porta, de ombros para trás e queixo erguido.

– É melhor você ir embora agora, Milo, — disse em uma voz distante e sem inflexão — creio que já non temos mais nada a dizer.

Então se virou e abriu a porta antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa.

Um criado aguardava do lado de fora pra me acompannhar até a saída.

Quando alcancei os degraus externos da casa de Camus havia voltado a nevar. Eu apertei o casaco em volta do corpo. Se pelo menos eu pudesse tirar aquele frio dos ossos.

Eu senti meu estômago revirar outra vez. Mas talvez uma dor de estômago fosse melhor do que aquela sensação doentia.

Eu lembrei outra vez das palavras de Camus, dos nomes impossivelmente reais no convite, e enquanto me apoiava sem forças sobre a superfície lisa e gelada do mármore da fonte no jardim, eu ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Então, sob o olhar perscrutador da estátua na fonte, de ombros curvados no frio e na escuridão, eu vomitei.

Com um suspiro cansado, eu emergi daqueles pensamentos pra pegar outra vez o copo de conhaque sobre a mesinha.

'Continue tentando'. Fora o que o Kanon dissera. Será que ele estava certo? Eu me perguntei mais uma vez, virando um grande gole da bebida forte e fazendo uma careta. Depois de tanta confusão, de tanto mal entendido... Será que se eu continuasse insisitindo alguma hora ele iria me ouvir? Iria acreditar em mim?

Eu só podia esperar que fosse assim. Naquele momento esperança era tudo o que eu tinha.

Notas finais
Oi de novo, aqui está mais um ch pra vcs ^^, e enfim a trama vai se desvendando. Falta pouco agora, o que estão achando do rumo que as coisas estão tomando? O POV do Seiya trouxe grandes esclarecimentos, não? No fim a Saori estava mesmo por trás de muita coisa como todo mundo estava achando, mas não era 'a mente criminosa' por trás de tudo. Por que? Simplesmente porque ela não teria inteligência pra isso huahuahuau. No fim, eu acho que nesse ch muitas dúvidas foram esclarecidas, e tantas outras devem ter surgido, mas acalmem-se, que logo, logo tudo será explicado, e eu acho que vai ser uma boa surpresa pra todo mundo XD. E por falar em coisas sendo esclarecidas, vcs lembram que eu comentei uma vez que os gêmeos teriam grande participação no final da fic? Pois bem, esse momento chegou e creio que muito em breve teremos alguns POVs do Saga ou do Kanon também, pra maiores esclarecimentos, e delírio dos fãs desses gêmeos liiindos! *_* *fãngirlmodeon*. Agora, voltando ao nosso casalsinho principal, aos pouquinhos as coisas vão se arranjando, não que eles tenham se entendido (tá ruim de isso acontecer, não? u.u) mas pelo menos todos os segredos foram revelados. Milo enfim descobriu que era com a Saori que o Camus iria casar, que a tiara era da família dele por consequência, e tb acabou descobrindo que foi com ele que ela traiu o Camus. E como eu disse que seria no começo da fic (não lembro exatamente onde) como na vida, algumas coisas na história seriam planejadas, outras pura coincidência, e a transa do Milo com a Saori foi coincidência mesmo, o loiro nem sabia quem ela era na hora, e mal lembra dos fatos... Milo, Milo, totalmente a sua cara, encher a cara e sair fazendo merda, não? u.u... XD. E Afrodite mais uma vez metendo seu adorável bedelho na cena XDD Mas, bom, acho que é isso gente, espero que gostem do ch e que, se possível, comentem tb. Muito obrigada a todos que acompanham e em especial aos que me mandaram lindas reviews me incentivando: Mel Dark, Kamy Jaganshi, PapillonBleu, stoking, Kassiminha, Sarah, ddkcarolina, Yoko, Chacal_Maldito, Moni-d, Litha_chan, e sashinha, obrigada mais uma vez por perderem um pouquinho do seu tempo pra me dizerem o que acharam do ch, eu nunca me cansarei de agradecê-los ^^ Bjos PS: Créditos devidos, os mesmos do ch anterior.